Iniciação Científica na UeVA

Equações diferenciais e Aproximação polinomial

\exists  M|A+M=A
Eu trabalho em duas linhas de ação, Equações Diferenciais Ordinárias, e Aproximação Polinomial.

Esta introdução se dirige mais de perto aos alunos que possam estar interessados em trabalhar
comigo em Iniciação Científica.

  • Equações Diferenciais é um tipo de equação em que a variável (a incógnita) é uma função.
    Um exemplo simples f’ = x que você encontra nas primeiras aulas de Cálculo Diferencial e
    integral. A solução desta equaçãosoluções de uma equação diferencial

    O gráfico é típico de uma aula de cálculo em que o professor insiste que há diversas integrais (aqui eu estou chamando “soluções” da equação diferencial. Em geral uma equação diferencial tem como solução uma família de curvas. A equação f’=x tem por solução qualquer parábola da forma
    F(x) = x**2 + K que você pode ver no gráfico. Neste caso podemos dizer que são curvas paralelas porque todas tem a mesma derivada, mas nem sempre será assim.

    Podemos dizer, para começar, que resolver uma equação diferencial consiste em descrever a família de curvas que ela representa.

    Mas as equações diferenciais não precisam estar expressas com relações algébricas simples, as
    curvas de crescimento curvas de crescimento são um exemplo disto, são curvas que os médicos que fazem o atendimento infântil tem e que foram feitas a partir da experência (estatística) do registro do crescimento das crianças. Se parecem com as curvas da figura, mas as curvas da figura são apenas uma ilustração (não foram calculadas a partir de uma tabela médica). Este é um exemplo
    do dramatismo que as equações diferenciais encerram: uma criança, ao nascer, entra numa destas curvas, (é o que chamamos de condição inicial) e fica nale pelo resto de sua vida. Quer dizer, uma criança com um pre-natal deficiente (da mãe e dela…), com alimentação deficiente (da mãe e dela),com problemas de saúde da mãe pode nascer pequena e com isto estará fada a ser um adulto pequeno. Neste caso as curvas de crescimento são parelas como as parábolas do primeiro
    exemplo. Observe que em casos raros pode acontecer que uma criança fuja de sua curva de crescimento, pule para baixo ou para cima, depende do seu desenvolvimento na época de crescimento (pular para baixo é o mais comum).

    Estes dois casos que apresentei são equações diferenciais de primeira ordem, envolvem somente
    a derivada primeira da solução. Uma equação mais envolvente seria f” + f’ + f = 0 que está resolvido por dois métodos em uma solução com gnuplot. Baixe pelo menos dois arquivos, “exer02_09.gnuplot” e “exer02_09.dados”
    e depois rode

    gnuplot exer02_09.gnuplot

    num terminal do Linux. Se você usar Linux com certeza gnuplot estará instalado ou se encontrará disponível no disco de instalação.

    Este exemplo lhe mostra uma solução aproximada junto com uma solução exata. Existe uma condição inicial que seleciona exatamente uma curva dentre as curvas da família de soluções.

  • Aproximação Polinomial digamos que começou com Euler mas leva o nome Lagrange e
    você pode encontrar mais alguma coisa a respeito neste página. O exemplo “exer02_09.gnuplot”
    contém uma aproximação polinomial, um polinômio de Taylor.

    Mas estes métodos de aproximação polinomial são antigos e complicados se usar a não ser em alguns casos especiais. Na década de 40 nasceu outro método, “polinômios por pedaços” ou em outras palavras um bocado de pedaços de polinômios para fazer uma aproximação. Um exemplo mais simples e mais corriqueiro é uma poligonalaproximação linear por pedaços, aparece todo dia em algum jornal. Nesta figura você
    pode ver o que há de mais simples em aproximação polinomial por pedaços, cada pedaço é uma reta – um polinômio do primeiro grau. Mas podem ser mais complicados (e consequentemente guardar mais informações) podem ser polinômios do terceiro grauaproximação polinomial  por pedaços(os mais comuns). No caso desta figura você
    pode ver uma curva formada por dois polinômios do terceiro grau, um definido no intervalo [-3,0]
    e o outro definido no intervalo [0,3]. Este último foi obtido com as seguintes informações:

    • -3 8 1

    • 0 -1 -1
    • 3 5 0

    uma matriz de dados em que na primeira coluna se encontra os nós ondes os valores foram
    medidos, na segunda coluna se encontram os valores lidos em cada nó (por um sensor) e na
    terceira coluna as taxas de variação em cada nó. A figura resultante registra graficamente
    estas informações.

Movimentos sociais – os nossos direitos

Poluição na atmosfera de Sobral. Quem é o responsável ?

A data que aparece na foto está errada, eu estava com máquina desconfigurada e tinha pressa de
captar a emissão de lixo, apenas coloquei as pilhas e fotografei. A data é de hoje, dia 26 de Março
de 2008, assumo sob as penas de lei. Leis? Para quem? existem mesmo ?

Poluição

lixo de uma chaminé

fab3_mar.jpg

A serra ainda é capaz de mostrar o verde depois uma chuva

Com as chuvas a serra, então escapelada, volta a mostrar o verde


Agência Petroleira de Notícias

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A campanha “O petróleo é nosso” está de volta!
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Fonte: Agência Petroelira de Notícias (www.apn.org.br)

No próximo dia 15 de março, de 9h às 19h, na Associação Brasileira de Imprensa – ABI (Rua Araújo Porto Alegre, 71, Centro do Rio de Janeiro-RJ, próximo da Biblioteca Nacional), será realizado o Seminário Nacional contra a Privatização do Petróleo e Gás Brasileiros. É o resgate da luta histórica que mobilizou amplos setores da nação brasileira na década de 50 em torno do grito “O petróleo é nosso!”

O objetivo do Seminário é socializar as informações sobre o crime que representa a entrega das riquezas naturais. E construir um Fórum Nacional Contra a Privatização do Petróleo e Gás, que conte com a participação das entidades que defendem a soberania.

Impedir a realização dos leilões das áreas promissoras de petróleo e gás é fundamental para a construção de uma sociedade justa e igualitária. Por isso, a participação de todos os brasileiros, grupos, movimentos sociais e entidades de classe que defendam a soberania.

Na parte da manhã, acontecerá um debate com a participação de representantes de entidades governamentais, que irão apresentar seus argumentos em relação aos leilões, e movimentos sociais, intelectuais e trabalhadores contrários a esse processo de privatização. Concluída a exposição inicial de cada debatedor, o público poderá fazer perguntas e considerações. João Pedro Stédile, membro da Coordenação Nacional do MST e da Via Campesina Brasil, e Fernando Siqueira, diretor da Associação de Engenheiros da Petrobrás – AEPET, já confirmaram presença.

A partir das 14h, será a Plenária de Trabalho que tratará especificamente da organização do Fórum Contra Privatização do Petróleo e Gás Brasileiros. Essa parte da tarde terá três sub-tópicos: 1) Definição do caráter do Fórum e sua organização; 2) Estabelecer as ações do movimento no campo das lutas, da comunicação (divulgação para sociedade e imprensa alternativa) e da formação de formadores, multiplicadores; 3) Construção do calendário de atuação do Fórum.

A organização da sociedade no sentido de deter esse ataque é imperativa, até porque é necessário construir coletivamente a forma de barrar a realização da 8ª Rodada de Leilão das áreas promissoras de Petróleo e Gás Brasileiros, que está sub judice, mas que a Agência Nacional de Petróleo insiste em realizar. Essa bandeira contra a privatização deve ser assumida por toda a sociedade brasileira. Temos que resgatar e gritar bem alto ainda hoje: “O petróleo é nosso!” Participe do seminário.

A Comissão organizadora da atividade é composta pelo Sindipetro-RJ, MST, Aepet, CUT, Conlutas, FUP, FNP e Fist. As inscrições podem ser feitas, enviando uma mensagem para redacao@apn.org.br, constando nome completo, e-mail, telefone, cidade em que mora, estado e entidade ou movimento do qual participa. As inscrições também podem ser feitas por telefone: (21) 3852-0148 ramal:207. Mais informações: www.apn.org.br

www.apn.org.br


Vão colocar um CEFET em cima da Univ. Estadual Vale do Acaraú – Sobral


Dizem, como se fosse uma grande dádiva, que vão trazer um CEFET para Sobral. Isto é ótimo, mas se forem colocar o CEFET em cima da UeVA ? então
E dizem que o CEFET vem para cá?
não ganhamos nada, trocamos! Até agora esta “decisão” sem conversar com os interessados, com a população, com os estudantes, com os professores, caminha como se o mundo a volta não existisse, como se os governantes nada tivessem que
explicar àqueles que os nomearam administradores da coisa pública, nós, a origem do poder.

    Fim da greve na URCA mantendo o estado de greve

From: sindurca@baydejbc.com.br
Date: Feb 16, 2008 5:52 PM
Subject: Assembléia de 15/02: Fim da Greve na URCA
To: sindiuva@gmail.com, sinduece , sindcentec

Companheir@s

A assembléia dos professores, convocada pelo Sindurca, realizada ontem a noite, 15/02, decidiu por ampla maioria pelo FIM DA GREVE na URCA. A categoria docente deliberou pelo término da paralisação depois de avaliar as últimas negociações com o governo em torno do PCCV e Piso Salarial. Da pauta de reivindicações apresentadas ao governo houve avanço considerável nos seguintes pontos firmadas na audiência realizada em 12/02/2008 com governador Cid Gomes:

· Adiantamento de maiores percentuais relativos ao custeio e aos investimentos das universidades estaduais cearenses para o ano de 2008, tendo as prioridades definidas pela comunidade universitária;

· Formação de comissão composta por representantes dos três Sindicatos (SINDUECE, SINDIUVA e SINDURCA – ANDES/SN, incluído representante do Piso Salarial), Movimento Estudantil das Universidades, o Líder do Governo, Advogado dos Sindicatos, representantes das reitorias e o governo (SECITECE, SEPLAG e PGE) para preparar em quinze dias, a partir de 14/02/2008, o Projeto Lei do PCCV onde podemos negociar, entre outros pontos, percentuais do reajuste salarial, escalonamento, sistema de gratificações, complemento pessoal, sendo que simultaneamente haverá reuniões na PGE para tratar da implantação do Piso Salarial;

· Envio imediato de mensagem com o Projeto Lei do PCCV para a Assembléia Legislativa do Ceará para tramitar em regime de urgência;

· Garantia de não retaliação aos professores grevista por parte das Reitorias.

A assembléia também decidiu manter o ESTADO DE GREVE, pois para garantir as nossas conquistas ainda é necessário que a categoria permaneça em estado de mobilização e alerta. Os presentes escolheram os professores Augusto (Física), Fábio Rodrigues (Educação), Anderson (Economia) e Zuleide (Educação) para representar a URCA na Comissão do PCCV/Piso. Ao término dos trabalhos da Comissão será realizada uma nova assembléia para avaliar a negociação com o governo.

Saudações com lutas!

SINDURCA / ANDES / CONLUTAS

Rua Cel. Antonio Luiz, 1161 – Pimenta – Crato – CE – 63105-000

Tel.: (88) 3102-1207 / E-mail: sindurca@baydejbc.com.br


SINDIUVA-SS


    ÚLTIMAS: Foi realizada, ontem pela manhã (14/02), a 1ª reunião de Negociação com o Governo, ficando encaminhado:


1. Criação da comissão de negociação composta por representantes dos três Sindicatos (SINDUECE, SINDIUVA e SINDURCA – ANDES-SN, incluído representante do Piso Salarial), Movimento Estudantil das Universidades, o Líder do Governo, Advogado dos Sindicatos, representantes das administrações da Universidades e o governo (SECITECE, SEPLAG e PGE);

2. Agenda de Audiências/Reuniões – 4 reuniões (2 por semana) no período dos 15 dias, além da audiência com o governador. Os secretários se encontrarão ainda esta semana com o governador para tratarem da nossas reivindicações. Simultaneamente haverá reuniões com a SECITECE/SEPLAG para tratar da pauta em geral e na PGE para tratar da implantação do Piso Salarial.

É APENAS UMA VITÓRIA PARCIAL, MAS ESTE AVANÇO É UMA GRANDE VITÓRIA DESTE MOVIMENTO UNIFICADO DE PROFESSORES E ESTUDANTES DA UNIERSIDADES ESTADUAIS DO CEARÁ. PARA CHEGARMOS A VITÓRIA TOTAL EM RELAÇÃO A NOSSA PAUTA É FUNDAMENTAL A MANUTENÇÃO DO ESTADO DE MOBILIZAÇÃO E ALERTA. SUGERIMOS QUE AO RETORNARMOS ÀS AULAS POSSAMOS REALIZAR UM DIÁLOGO COM OS ESTUDANTES, FAZENDO UMA MEMÓRIA DA LUTA NESSES 3 MESES E DESTACANDO A IMPORTÂNCIA DA ORGANIZAÇÃO COLETIVA DO POVO PARA A GARANTIA E AVANÇO DOS DIREITOS.


Visite a página do SINDIUVA para ver
mais informações sobre o movimento dos professores das Universidades Estaduais do Ceará em sua luta para tirar as Universidades Cearenses da miséria em que elas se encontram.

    O Brasil não é um país pobre, é um país de governantes de cabeça pobre!

    Negociações (ainda infrutíferas) com o governo do Estado do Ceará

Caros Companheiros,

Hoje, 07/02, ocorreu a reunião na Secretaria de Planejamento do Estado com a Secretária Silvana Parente, a Professora Socorro Osterne (representando o Secretário Renê Barreira), técnicos da SEPLAG, ANDES-SN, SINDUECE, SINDIUVA, SINDURCA (Professores Augusto Nobre, Anderson Rodrigues e Fábio Rodrigues), Pró-Reitor de Planejamento da UECE, Assessor Jurídico do ANDES, Assessor Jurídico da SEPLAG, entre outros.

Nesta reunião tivemos a oportunidade de apresentar o estudo comparativo realizado pelo Comando de Greve da URCA e pelo SINDURCA no qual se baseou na situação salarial das estaduais cearenses em relação as demais universidades estaduais das cinco regiões brasileiras com dados retirados dos Planos de Cargos, Carreiras e Vencimentos já em vigor desde 2005 e de alguns que foram recentemente publicados nos Diários Oficiais dos respectivos estados. O estudo detalha que os atuais salários da categoria (ano base junho de 2007) não só estão defasados em relação às demais universidades, como também permaneceremos com perdas que não serão superadas com a proposta de escalonamento do governo para 2010.

Esta exposição foi sustentada por uma vasta explanação pelo Prof. Anderson do Departamento de Economia da URCA ao mostrar para todos os presentes tabelas comparativas dos percentuais que estão sendo propostos pelo governo. Esta analise foi derrubando os argumentos do governo na medida em que mostrou a inviabilidade de um denominado Complemento Pessoal, o qual geraria duas classes de docentes, ou seja, os professores que ingressarem a partir de agora no magistério superior no Ceará (UECE, URCA e UVA), perceberiam vencimentos de até 46% abaixo dos docentes atuais. Considerando que os mais prejudicados seriam os professores adjuntos.

Além disso, nosso argumento revelou que esta diferença salarial só será evitada se for mantida as atuais gratificações, como já havíamos demonstrado em nossos estudos e debates no Comando de Greve e em nossas Assembléias.

Na avaliação dos presentes, tanto a Secretária de Planejamento como os demais presentes reconheceram o nível técnico, teórico e político de nossas argumentações o que provocou um verdadeiro redirecionamento até o final da reunião. Sendo que esta reunião teria sido a melhor já realizada entre o Comando de Greve e o Governo, o que suscitou indícios de continuidade desta reunião acrescentando as revisões no texto do PCCV (proposta já entregue ao governo), além de ser solicitado pela própria Secretária de Planejamento, Silvana Parente, os dados apresentados pelo SINDUCA em forma de dossiê destacando a realidade das estaduais da região nordeste uma vez que comprovamos que as UNIVERSIDADES DO ESTADO DO CEARÁ APRESENTAM OS MENORES SALÁRIOS DO PAÍS!!!!!

Diante do clima estabelecido ao longo de toda reunião foi proposto pelo SINDUECE a realização de outra reunião técnica antes da audiência com o governador na próxima terça-feira. A proposta foi acatada por todos e nesta sexta-feira as 14 horas na SECITECE se dará continuidade a reunião de hoje com o Comando Unificado, técnicos da SEPLAG e a Profª Socorro Osterne, representando a SECITECE.

    FALTA AUTORIDADE AO SR. TEODORO!!!


  • por Gilberto Telmo Sidney Marques
  • – professor da UECE

    Não é de hoje que o sr. Teodoro estabelece comparações entre o desempenho das Universidades Estaduais e o da UFC. Há algum tempo em discurso inflamado, em Quixeramobim, ainda Reitor da UVA, falava sobre a UFC com uma ênfase especial e provocando UECE que representávamos na ocasião, como “a melhor e a maior universidade cearense”. Não discordamos dessa frase e lembramos, que de certa forma, todos nós que fazemos parte do corpo docente das Universidades Estaduais, somos oriundos, com muito orgulho da querida UFC.

    O que nos incomoda é a comparação descabida feita por alguém que teve tudo para mudar o quadro, quando reitor da UVA, criando e estimulando mestrados e até doutorados de qualidade naquela instituição que tem nos seus quadros professores competentes e honrados. Perdeu a oportunidade quando elegeu outras prioridades. Optou, como é sabido de todos, por criar um MacDonalds da educação, vendendo franquias de cursos de qualidade discutível como afirma o leitor Humberto Marinho e como o atestam milhares de “profissionais” diplomados através das tais franquias.

    Guindado (ou seria guinchado?) ao posto de Reitor da UVA, durante muitos anos o Sr. Teodoro foi conivente com as “políticas” dos sucessivos governos estaduais em relação à UVA e suas co-irmãs. Tais “politicas” propiciaram o sucateamento das universidades estaduais e arrastaram seu quadro docente à indigência. Não é demais lembrar que o Sr. Teodoro na Reitoria da UVA nunca se empenhou pela qualidade dessas universidades e nunca se solidarizou com a luta insana pela sobrevivência que os seus professores até hoje encetam.

    Pelo contrário, entrou, juntamente com o sr. Manassés Claudino Fonteles e a sra. Violeta Gervaseau Arrais, com um embargo de execução para atrasar a reimplantação do PISO SALARIAL dos professores das Universidades Estaduais, direito reconhecido pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL e até hoje desrespeitado por esse governo a quem o Sr. Teodoro serve na Assembléia Legislativa. Ao invés de estabelecer comparações com a USP que sempre teve autonomia de gestão financeira, pela qual ele nunca lutou enquanto Reitor da UVA, deveria estar fazendo um “mea culpa”. Afinal é ele um dos maiores responsáveis pelo desempenho medíocre das universidades cearenses em termos de pós-graduação.

    A responsabilidade do sr. Teodoro é por ter sempre caminhado, enquanto reitor, na contra-mão da história, privilegiando outros interesses que não os da qualidade e da excelência da universidade. É também da sua responsabilidade a conivência com os desmandos e o abandono das IES estaduais perpetrados e patrocinados por todos os governos aos quais ele tem dado sustentação política.

    Gilberto Telmo Sidney Marques


    VITÓRIA DA CATEGORIA DOCENTE

    Assembléia da UECE

    Hoje por volta das 10 horas da manhã teve início a Assembléia do SINDUECE com a presença significativa de 240 professores, um grande número de estudantes e a participação de representantes do COMANDO DE GREVE DA URCA (professores Zuleide Queiroz, Fábio José e Fábio Rodrigues, além da representante do Movimento Estudantil, Daiana Araújo).

    A pauta apresentada pela mesa consistiu em Informes, Esclarecimentos sobre a decisao Judicial (Ilegalidade da greve da UECE) e Avaliação da Greve. Nos informes, o Comando de Greve da URCA, representado pelo Prof. Fábio Rodrigues apresentou um resumo dos últimos acontecimentos na URCA e o resultado da Assembléia do 21 de janeiro que resultou na

    ratificação da greve por maioria expressiva de docentes (111 professores) e o apoio massivo dos estudantes.

    No item Decisão Judicial, o Inocêncio Uchôa (Assessor Jurídico do ANDES-SN), numa atitude de esclarecer sobre a Ilegalidade da Greve da UECE demonstrou que a referida notificação apresentava inconsistência teórica e juridica, além de lembrar que o juiz que declarou a ilegalidade da greve hoje é o mesmo que em novembro de 2007 assinou pela legalidade da mesma (o que aconteceu???). O referido advogado chegou a conclusão de que mesmo com estas lacunas a decisão deveria ser acatada pelo SINDUECE, porém que no seu entendimento era uma posição política e nao juridica a continuidade da greve.

    Logo após tais esclarecimentos, a mesa abriu inscrições para que a categoria avaliasse tanto a decisao judicial como os rumos da greve. Nesta ocasião, um representante do Comando de Greve da URCA soliciou a mesa um tempo para dar um informe da CARREATA que havia conquistado uma reunião de negociação com o governo para esta segunda-feira as 14:30 na URCA. Mediante este informe, a plenária parabenizou as conquistas do SINDURCA e do Comando de Greve.

    Logo em seguida muitos docentes numa atitude serena e convicta do valor da greve como um direito legitimo da categoria nao só demonstravam posição fechada contraria a decisao judicial como, também, ratificavam a continuidade da greve, além de fortalecer e legitimar o SINDUECE como verdadeiro representante dos interesses dos docentes da UECE. Estas falas foram pouco a pouco sendo fortalecidas por um grande número de filiações (28 novas adesões durante a assembléia).

    Em nenhum momento a categoria demonstrou qualquer interesse por retroceder e atender aos apelos do governo Cid Gomes e tão pouco de se curvar a decisao da justiça o que ficou evidente em muitas falas que resgatavam a falta de coerência da própria justiça em não fazer-se respeitar pelo governo que descumple a decisão de implantação do Piso da Categoria.

    Após um amplo debate mediatizado por professores, estudantes e representantes do Comando de Greve da URCA, o SINDUECE levou para votação proposta de continuidade da greve e realização de assembléia da categoria para o próximo dia 30 e uma assembléia unificada das três estaduais logo após o feriado de carnaval. A referida proposta foi aprovada por unanimidade, ou seja, os 240 professores da UECE e 04 professores da URCA presentes ratificaram a greve e deliberaram outros encaminhamentos.

    COMANDO DE GREVE

    ILEGALIDADE
    Professores da Uece continuam em greve

    As greves das universidades estaduais do Ceará desde 2005 já totalizam quase um ano de paralisação, atrasando calendário acadêmico. Mesmo com a greve sendo considerada ilegal, docentes aprovaram por unanimidade a continuidade do movimento

    29/01/2008 00:06
    De 2005 até hoje, a Uece passou mais de 345 dias em greve, quase um ano de paralisação. “A greve é um direito que assiste ao professor, mas, sinceramente, eu não sei até que ponto isso não fere os direitos do aluno de ter aula e concluir seu curso. Será que não tem outra saída, outro tipo de mobilização?”, questionava ontem uma aluna da graduação da Universidade Estadual do Ceará (Uece), que preferiu não se identificar. Enquanto isso, no auditório do Campus do Itaperi, docentes aprovavam por unanimidade a continuidade da greve iniciada há 78 dias, mesmo após ter sido decretada ilegal pelo juiz da 6ª Vara da Fazenda Pública, Paulo de Tarso Pires Nogueira, na última quarta-feira.

    Desde 2005, as universidades estaduais – Uece, Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e Universidade Regional do Cariri (Urca) – passam por greves sucessivas. Atualmente, apenas a UVA não está mais em greve. Conforme o presidente do Sindicato dos Docentes da Uece (Sinduece), Célio Coutinho, em 2005 houve uma de 111 dias. Em 2006, a greve durou 156 dias e, em 12 novembro de 2007, foi iniciada a greve que prossegue até hoje. Longas, prejudicam toda a comunidade acadêmica – inclusive professores -, atrasando calendário e trazendo impactos no ensino. Um exemplo disso é que o semestre 2007.2 estava previsto para ser concluído em março de 2008. Entre avanços e retrocessos, o impasse nas negociações parece estar longe de ser solucionado.

    A decisão judicial – incluindo pagamento de multa diária de R$ 500 pelo Sinduece em caso de continuidade da greve – fez o auditório lotar na manhã de ontem. Cerca de 230 professores estiveram presentes na assembléia, contando com o apoio de vários estudantes. Professores e alunos manifestavam-se em favor da continuidade do movimento, sob aplausos, apitos e estourar de balões. “A categoria decidiu continuar a greve, mas não foi em função de afrontar a justiça. Foi uma posição política dos professores”, disse Célio Coutinho. Ele considera “capricho” o governador se negar a negociar com a categoria em greve e não ver a situação de calamidade da universidade.

    “O Sinduece tem cento e poucos sócios. Na Uece tem mais de mil professores. Não se pode admitir que menos de 10% da categoria tome uma decisão tão importante como essa. A greve que já vem se arrastando desde novembro e prejudicando o interesse dos alunos”, afirmou o juiz Paulo de Tarso. Segundo ele, a decisão é preliminar e cabe recurso. E o Sinduece vai recorrer. “Nós acreditamos que o Supremo Tribunal Federal (STF) vai reformar essa decisão, restaurando a situação anterior, de legalidade”, disse o advogado do Sindicato, Inocêncio Uchoa.

    “Consideramos que a greve traz prejuízos. É notório! Mas se não fizermos essas paralisações, a universidade vai parar definitivamente”, disse Célio Coutinho, destacando o sucateamento da instituição. Na opinião dele, está em xeque a atitude democrática do governador Cid Gomes. “Ele não pode esperar que os grevistas saiam de greve”, disse. Para ele, a presença de 230 professores, número que avalia como marco histórico, e a filiação de 24 docentes durante a assembléia mostra que o Sindicato é representativo. “(A presença da categoria) É uma atitude de reconhecimento do sindicato”, destacou.

    E-MAIS

    Segundo o presidente do Sinduece, Célio Coutinho, a entidade respeita as instituições jurídicas do País, mas a categoria decidiu continuar em greve por decisão política, para preservar o patrimônio tão importante que é a universidade. “Quem desobedeceu a Justiça foi o Cid Gomes, que não paga o piso determinado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) e não implanta imediatamente a política de valorização da universidade”, disse.

    Conforme assessoria de imprensa da Secretaria Estadual da Ciência e Tecnologia (Secitece), a decisão do governador Cid Gomes é negociar apenas após o fim da greve. Ontem, o governador Cid Gomes e o titular da Secitece estavam no Cariri e, por isso, não seria possível entrar em contato com eles.

    Uma nova assembléia na Uece está marcada para quarta-feira, às 9 horas da manhã, após manifestação de professores e estudantes na avenida Dedé Brasil, a partir das 7 horas. Uma assembléia geral, envolvendo as três universidades estaduais também está confirmada para depois do Carnaval.

    Os docentes da Uece, UVA e Urca reivindicam o Plano de Cargos, Carreiras e Valores, a implantação do piso salarial, que foi determinado pelo Supremo Tribunal Federal em janeiro de 2007 e o plano de melhorias da infra-estrutura das três universidades, atendendo também a demanda dos estudantes.


    EDUCAÇÃO
    Recepção sob protesto no Cariri

    Déborah Vanessa
    Especial para O POVO

    Os professores da Urca, em greve há 78 dias, realizaram protesto durante a instalação do Governo do Estado em Juazeiro do Norte. O governador Cid Gomes abriu espaço na agenda para se reunir com os professores, mas manteve a decisão de não negociar enquanto durar a greve

    29/01/2008 00:06
    Cid, durante primeiro dia da atual rodada do Governo Itinerante, no sábado, em Canindé, durante primeiro dia da atual rodada do Governo Itinerante, no sábado, em Canindé.
    A instalação do Governo do Estado, ontem, em Juazeiro do Norte, foi marcada por protesto de professores da Universidade Regional do Cariri (Urca). A manifestação da categoria, em greve desde 12 de novembro de 2007, fez com que o governador Cid Gomes abrisse espaço na agenda para se reunir com os professores, na própria sede da Urca.

    O protesto ocorreu na manhã de ontem, durante a cerimônia de instalação do Governo, no Memorial Padre Cícero. Diante do público, Cid assumiu o compromisso de se reunir ontem mesmo com os professores. O encontro ocorreu à tarde. Durou mais de duas horas, mas não houve negociação. Cid disse vai não negociar enquanto a paralisação persistir. Segundo o presidente do Sindicato dos Professores da Urca (Sindurca), Augusto Nobre, a negociação com o governador foi difícil.

    O governador se limitou a recolocar na mesa a proposta que já vem sendo apresentada aos professores das universidades estaduais: 100% de reajuste ao longo dos próximos quatro anos. A categoria quer 100%, mais a inflação acumulada no período. “O Governo não está contando com a inflação. Será um aumento nominal e não real. Em 2010, esse aumento não será muita coisa”, explica Augusto Nobre. Ele afirmou que a Urca está perdendo muitos professores devido a defasagem do salário. Segundo ele, nos últimos três anos, 42 professores deixaram a universidade.

    “Hoje é oferecido o dobro do nosso salário no Piauí. Na Paraíba, mais que o dobro. Hoje, estamos no patamar inferior aos professores dos estados vizinhos. Se continuar com essa proposta, em 2010, também teremos um salário inferior. Estamos propondo um aumento salarial 100% real, deixando a inflação fora do aumento”, ressalta o presidente. Augusto ainda reclamou da estrutura da Urca. “Não tem sala e nem computadores suficientes. Não há gabinetes para professores também”, criticou.

    Ficaram acertadas mais duas reuniões. No próximo dia 7, professores das três instituições em greve – Universidade Estadual do Ceará (Uece) e da Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UVA) e a própria Urca – se reunirão com a secretária do Planejamento, Silvana Parente. Ela irá detalhar a proposta do Governo para o Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) dos professores. Uma nova audiência entre Cid e os professores está prevista para ocorrer no dia 12 de fevereiro, no palácio Iracema. “Não houve avanço nas negociações. Considerei uma vitória ter marcado essas duas reuniões”, disse Nobre.


    Manisfestação da diretoria do SINDIUVA

    A greve dos professores da UVA deflagrada no dia 22 de novembro de 2007, teve como principal reivindicação a retomada das negociações do PCCV da categoria encerradas unilateralmente pelos envolvidos na negociação via SEPLAG e SECITECE.

    Em consonância com os professores da UECE e da URCA e com apoio de parte significativa do corpo discente das três universidades estaduais do Ceará, conseguimos neste período de resistência angariar uma série de vitórias entre as quais a entrega da proposta oficial do Governo referente ao PCCV da categoria docente e a definição das prioridades de investimentos de infra-estrutura para assistência estudantil nas IEES.

    Como é de praxe, durante a GREVE, as investidas em desqualificar o movimento paredista foram novamente reproduzidas pelo Governo do Estado e pelos seus representantes nas universidades (leia-se reitorias). Mesmo assim, aqueles que constroem, no dia a dia, esta instituição e têm responsabilidade com o seu desenvolvimento continuaram expressando sua indignação com o descaso o qual as instituições estaduais de ensino superior vêm atravessando nos últimos anos e, infelizmente, reforçado pelo Governo Cid Gomes. Contingenciamento de recursos, desprezo pelas propostas apresentadas pelos professores no que se refere ao PCCV e a não realização de concursos públicos que supram a carência de professores e técnicos administrativos são apenas alguns exemplos de como este governo tratou, no seu primeiro ano, nossas universidades.

    A despeito da insensibilidade demonstrada pelas autoridades governamentais, o movimento de luta da comunidade acadêmica das três universidades, investiu em mais uma cartada no intuito de resolver o impasse. Após diversos seminários realizados nas três universidades conseguimos identificar uma série de imperfeições na proposta do PCCV apresentada pelo governo estadual. A partir destas observações, foi elaborado um documento que apresentava a necessidade da rediscussão do referido Plano e, pela quarta vez durante o processo de negociação flexibilizamos nossa proposta referente à tabela de vencimentos e ao escalonamento de implantação do nosso plano.

    Infelizmente a indiferença e a intransigência predominaram na postura do governo que, assumiu como principio a não negociação com a categoria em greve como se esta indisposição já não estivesse se manifestando no longo período de onze meses onde a categoria estava em sala de aula.

    Na avaliação da diretoria do SINDIUVA, a decisão da Assembléia dos docentes da UVA, em 18 de janeiro último, em optar por uma trégua de 30 dias para negociação com a volta automática da greve, caso isto não venha a se concretizar, foi um erro político incorrigível, quando se entende que, numa trégua as partes envolvidas entram desarmadas, o que não é o caso, já que o governo tem afirmado e reafirmado em todas as audiências em que estivemos presentes, ao contrário dos discursos daqueles que o defendem, que se disponibiliza unicamente em discutir o adiantamento dos percentuais do nosso plano, deixando de lado elementos os quais consideramos importantes na negociação, em especial a retirada da inflação do bojo dos 100% apresentado.

    Apesar de todos os questionamentos sobre o ocorrido no nosso principal espaço de deliberação onde predominou o que estamos chamando de democracia vazia – o debate colocado em segundo plano – a diretoria do SINDIUVA estará procedendo com todos os encaminhamentos indicados pela assembléia do dia 18 de janeiro do corrente ano. Cabe lembrar que as ações em defesa de todas as reivindicações não são exclusividade da diretoria do SINDIUVA, portanto, convocamos a todos que têm compromisso com esta universidade a se engajarem nas lutas futuras.

    No sentido de estarmos avaliando permanentemente a conjuntura das negociações estaremos realizando assembléias da categoria. Aproveitando o retorno às aulas e o calor das mobilizações, estamos convocando para o dia 29 de janeiro de 2008 no auditório da biblioteca, às 19:00h, Assembléia Geral dos Professores. Participe, compareça e fortaleça nosso movimento!!!

    Diretoria da SINDIUVA


    O que pretendem os nossos governantes mostrar à nossa juventude ?
    Ou porque eu estava fazendo greve ?

    por Tarcisio Praciano Pereira
    professor Universitário

    Os meus alunos não precisariam viajar por longas duas ou até três horas para assistir aulas comigo em Sobral, eles poderiam ter estas aulas por Internet nas cidades de origem deles.

    Eu estou preparado para dar-lhes estas aulas com tecnológia de ensino à distância (sem que isto seja o famigerado “ensino à distância” que o MEC está inventando. Os meus alunos poderiam acessar a minha aula e interagir comigo, em suas cidades de origem como se estivessem em uma sala de aula aqui em Sobral, apenas evitariam as duas ou três horas de viagem, os riscos da viagem, o cansaço da viagem, e a aula seria examente a mesma, somente que eles poderiam ter muito mais proveito desta aula.

    Mas o estado do Ceará não tem Internet viável, nem a Universidade Estadual Vale do Acaraú possui os meios para tornar isto possível.

    Esta é uma das razões porque fizemos greve, a ausência de condições adequadas de trabalho e de ensino: faltam nos bibliotecas, restaurantes universitários, residências universitárias, laboratórios de ensino, gabinetes adequados de trabalho, apoio pessoal para o nosso trabalho (algo assim como o monte de funcionários que cada deputado tem, as verbas de gabinete que eles tem, etc… que eles têm).

    Para que eu pudesse dar a minha aula via Internet era preciso:

    1) que o estado do Ceará não fosse tão atrazado quanto é do ponto de vista de comunicações, em particular de Internet.
    2) que a Internet não fosse no estado do Ceará um item de consumo caro, que ela estivesse à disposição das Universidades para tornar o Ensino mais efetivo.
    3) que eu dispusesse de um laboratório conectado à Internet para que eu pudesse criar com facilidade e eficiência os módulos de minha disciplina a serem oferecidos para os alunos.
    4) que eu tivesse uma equipe de bolsistas trabalhando comigo para criar este material, que eu mesmo venho criando, sozinho, e consequentemente com muita lentidão e ineficiência, é trabalho braçal que custa tempo, e sei fazer, mas trabalhando sozinho torna o resultado pouco efetivo, fora a Internet que não existe, porque “existir” significa “funcionar”.

    Foi poristo que entramos em greve.

    Claro que ainda tem o meu salário que é baixo, eu ganho menos que um deputado e sem dúvida estou melhor preparado que possivelmente a totalidade deles. Além disto eu trabalho, quase certamente, mais do que muitos deles juntos, e o meu trabalho é também sem dúvida mais mportante que o trabalho de muitos deles juntos. Eu trabalho, eles votam em grupo. Também foi poristo que entramos em greve. Não é justo o péssimo salário que temos.

    Se os nossos alunos fossem “estudantes” de polícia militar, de sargentos do exército, da aeronáutica ou da marinha, eles teriam uma bolsa (que eles chamam de soldo), teriam casa para morar (que eles chamam de caserna), teriam uma segurança de emprego quando terminassem de estudar. Os meus alunos não têm nada disto, apensar de que eles se preparam para ser professores, enfermeiros, biólogos, geógrafos, sociólogos, engenheiros, enfim, profissionais de várias atividades importantes para a Sociedade. E ninguém ousa negar a importância destas profissões. E como os nossos alunos não tem nenhuma destas regalias nem segurança de futuro, eles também tem reduzido interesse nos estudos o que torna o meu trabalho mais difícil (ainda com o baixo salário que recebo). Foi poristo que entramos em greve.

    E o estado do Ceará é um dos campiões, à moda negativa, do desenvolvimento cultural, com uma escola de qualidade baixíssima. A razão disto se encontra nos baixos salários dos professores, nas condições ínfimas das escolas, na pouca ou nenhuma opção de futuro que os estudantes possam reconhecer como resultado dos seus esforços para aprender. Ninguém precisa estudar para ser vereador, deputado, prefeito, governador e nem presidente da república. Aliás, para “vencer na vida” não é bem a Escola que representa o rumo, uma vez que aqueles que trabalham na Escola, ganham mal e são pouco respeitados. Se ganham mal e são pouco respeitados, como é que eles, nos olhos dos alunos, vão lhe apontar um rumo interessante na vida? Foi poristo que entramos em greve. Também é porisso que os alunos vão mal e não precisa de nenhum levantamento estatístico sofisticado para descobrir as razões, basta perguntar a um aluno qualquer:

    “o teu professor vale alguma coisa? tu respeitas o teu professor? o teu professor pode te mostrar alguma opção interessante para a vida? A tua Escola é um local respeitável ? A tua escola pode te apontar um caminho interessante para o teu futuro ? “

    Alguém duvidaria que alguma destas perguntas receberia uma resposta positiva ?

    Se as escolas mais lembram pardieiros, como podem apontar para um futuro decente? O prédio em que trabalho, na Universidade Estadual Vale do Acaraú, sofreu um curto-circuito há um ano atrás. A razão do quase-incêndio, que ocorreu num fim de semana, quando não havia estudantes no prédio, foi a infiltração das águas de chuvas que humedeceu os circuitos. A infiltração continua, as marcas do incêndio continuam lá nas paredes ao longo de todo um ano. Isto como um exemplo do descaso do poder público com a educação. Como podem os nossos alunos, vendo esta escola, imaginar que ela lhes pode oferecer um futuro?

    Ou será que ele podem encontrar mais futuro procurando meios ilegais? Será que é isto que desejam mostrar a nossa juventude ? Será que é isto que desejam dizer à juventude: estudar é inútil!

    Tarcisio


    De: Sindicato dos Municipários [mailto: sisemjun@hotmail.com]
    Enviada em: segunda-feira, 14 de janeiro de 2008 07:27
    Para: Sindurca
    Assunto: Solidariedade

    Hipotecamos a nossa total solidariedade ao presidente do Sindurca, Augusto Nobre, bem como aos demais dirigentes da entidade, frente à investida brutal e intimidatória levada a termo por membros da Reitoria da URCA, com a finalidade de colocar um fim à histórica paralisação dos docentes que lutam por salário e mudanças substanciais na estrutura física das universidades estaduais.

    Por fim, reafiramos a justeza da greve, cujo desfecho deve ser definido democraticamente pela categoria e não por membros comissionados de uma administração a serviço do governo do estado.

    SISEMJUN – Sindicato dos Municipários de Juazeiro do Norte


    ANDES-SN SINDICATO NACIONAL DOS DOCENTES DAS
    INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR
    SINDUECE SINDURCA SINDIUVA
    MOVIMENTO ESTUDANTIL DA UECE, UVA E URCA

    Fortaleza-CE, 11 de janeiro de 2008.

    De: SINDUECE, SINDURCA, SINDIUVA, ANDES, MOV. ESTUDANTIL DA UECE, UVA E URCA
    Para:
    Exmo. Sr. Cid Gomes – Governador do Estado do Ceará
    Exma. Sra. Silvana Parente – Secretária de Planejamento e Gestão
    Exmo. Sr. René Barreira – Secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior
    Senhores e Senhora,
    A greve deflagrada pelos professores das Universidades Estaduais do Ceará é conseqüência da morosidade e indisposição do Governo em retomar as negociações referentes ao Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV), encerradas em 24 de setembro de 2007. A postura do Governo de
    colocar como princípio de sua gestão não negociar com categorias em greve vem dificultando a resolução
    do atual impasse, além de por em questão o legítimo direito de greve previsto pela constituição federal.
    Apesar disso, o movimento paredista após incansáveis manifestações e contando com o apoio da sociedade
    civil e, em particular, da comunidade universitária, recebeu uma proposta de PCCV oficializada e encaminhada à
    categoria em 10 de dezembro de 2007. Tal proposta foi criteriosamente examinada pela categoria em seminários e
    em comissões de estudo que identificaram artigos problemáticos, como os abaixo indicados, que necessitam de
    uma maior discussão a ser viabilizada em negociações entre as partes:
    Artigo 10, § 1º que trata da alteração do regime de trabalho;
    Artigo 13, 14 e 15 que tratam do enquadramento;
    Seção II, Capítulo VI que trata da promoção e Seção III, Capítulo VI que trata da progressão;
    Artigo 21 que trata da avaliação de desempenho;
    Artigo 23 que trata dos critérios de afastamento;
    Artigo 24, 25 e 26 que tratam do sistema de remuneração.
    A Seção II, Capítulo III que trata da lotação e os Artigos 43, 46, 47 e 48 que tratam respectivamente da
    revisão do PCCV, gratificação de plantão, gratificação de trabalho em condições especiais e dos direitos
    adquiridos, que foram excluídos pela proposta do governo, precisam ser mantidos no PCCV.
    Em assembléias nas três universidades, demonstrando disposição para o entendimento, os professores
    resolveram apresentar uma nova proposta referente à estrutura de gratificações e ao nível e prazo de
    recomposição salarial:
    a) Manutenção da atual estrutura de gratificações; Página 1 de 2
    b) 100% de reajuste real (sem a inflação do período 2007-2009) dos salários escalonados em três
    parcelas assim distribuídas:
    2007: 16,45% (já concedido em julho sob a forma de abono, a ser incorporada ao salário);
    2008: 40% a ser concedido em julho;
    2009: 23% a ser concedido em julho.
    Quanto ao Piso Salarial, os docentes entendem que o governo deve cumprir a decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal, procedendo a sua implantação imediatamente.
    Reafirmamos, ainda, a imperiosa necessidade de implementação de uma Política de Assistência Estudantil bem como do Plano de Melhoria da Infra-estrutura das universidades estaduais conforme
    discriminado abaixo:
    – Garantia de verbas de custeio e investimento para o início da construção e reforma das seguintes obras
    de infra-estrutura por todo o período do semestrede 2008.1:
    a) UECE: hospital veterinário, centro poliesportivo, restaurante universitário; melhoria da infra-
    estrutura das seis faculdades do interior;
    b) UVA: restaurante e residência universitária;
    c) URCA: restaurante e residência universitária.
    Reiteramos nosso firme propósito de negociar uma saída para o impasse, ao qual fomos conduzidos e
    damos passos decisivos quando flexibilizamos, mais uma vez, pontos da nossa pauta inicial. Esperamos, desta forma, que o governo manifeste o mesmo propósito e reabra imediatamente o processo de negociação.
    Reafirmamos nossa disposição de lutar em defesa de salários dignos e condições estruturais adequadas ao desenvolvimento da função social das universidades públicas estaduais do Ceará.
    Certos de sua compreensão e atendimento ao presente pleito, subscrevemo-nos, mui respeitosamente.
    Profº Célio Ribeiro Coutinho Presidente da SINDUECE-SSIND. DO ANDES/SN
    Profº Francisco Augusto Silva Nobre Presidente da SINDURCA-SSIND. DO ANDES/S
    Profº Nicolau de Lima Bussons Presidente da SINDIUV -SSIND. DO ANDES/SN
    Profª Tânia Maria Batista de Lima 2ª Vice-Presidente Regional NE I do ANDES-SN
    José Leidiano Peixoto Farias Movimento Estudantil da UECE, UVA, URCA


    From: COMANDO DE GREVE
    Date: 14 janv. 2008 18:13
    Subject: URCA:

    quem tem poderes para decidir o fim da greve? Com a palavra o magnífico reitor…

    Li, entre estarrecida e indignada, uma nota da lavra da Reitoria da URCA publicada no seu sítio na internet, com data de 11/01/2008, onde se anuncia o fim da greve da URCA e o reinício das atividades letivas em 21 de janeiro fluente.

    Perplexa e intrigada, constatei, dentre outros absurdos, que a tal nota justificava a referida convocação, “em face da notificação do resultado da Assembléia do SINDURCA, realizada em 10 do corrente”, que supostamente autorizaria a Reitoria vir a público “comunicar que as atividades letivas da URCA serão reiniciadas em 21 de janeiro próximo, uma vez que a categoria dos doscentes (SIC) decidiu suspender a greve e retomar as negociações com o Governo do Estado.”

    Além do grosseiro erro de português supra destacado, imperdoável para uma Instituição de Ensino Superior, que aliás depõe contra seu dirigente maior e todos os seus auxiliares, mormente aqueles ditos experts na área de Letras, o texto em questão afirma que a conclamação para o retorno às aulas decorre também do “respeito à decisão soberana da Assembléia do Sindicato dos Doscentes”. (SIC)

    Imediatamente, e com o fito de conhecer a verdade, uma vez que me causou desconfiança o teor daquilo que eu acabara de ler, procurei saber dos colegas professores, mormente dos líderes sindicais, o que, de fato, estava se passando, pois precisava confirmar se havia procedência no que a nota sugeria ou se estaríamos diante de um duplo golpe: um perpetrado contra o sindicato e outro contra o próprio professor Plácido Cidade por seus aliados e pró-reitores, uma vez que, conforme todos sabemos, tanto o professor Plácido como a direção do SINDURCA foram eleitos para defender os interesses da comunidade acadêmica, melhores condições de funcionamento da URCA, dignidade para a atividade docente e não os interesses do governador e dos partidos aliados.

    Após ouvir, atenciosa e criticamente, alguns membros da diretoria do sindicato e outros colegas presentes na referida assembléia, o meu pensamento fora confirmado em parte, pois o que realmente aconteceu foi uma tremenda e arbitrária intervenção (quem diria?) na greve da URCA, perpetrada por meia dúzia de ocupantes de cargos de confiança da Reitoria contra o sindicato e todos os professores de nossa IES, visando exclusivamente atender exigências do governador do estado que não pretendendo negociar com os grevistas, exige que os mesmos retornem às suas atividades sem sequer acenar com o atendimento de suas legitimas reivindicações.

    Digo que o meu pensamento fora em parte confirmado porque, para mim, ainda não está claro se houve ou não golpe contra o professor Plácido, (hipótese que, na minha opinião, não está de todo descartada, uma vez que o mesmo, até vésperas do ocorrido, encontrava-se afastado por motivo de doença) ou se este é, afinal, conivente com tudo isto que está acontecendo. Penso que acerca disto somente ele pode se manifestar e, no meu entender, deveria fazê-lo de público o mais rápido possível, uma vez que sua trajetória na URCA, tanto como administrador quanto como professor pode restar maculada e discutida por obra e graça de seus próprios auxiliares.

    Devo dizer, ainda, que ante tão infeliz incidente pus-me a me indagar como pode isto estar acontecendo na atual gestão da URCA? Afinal de contas o próprio professor Plácido fora, em 2003, vitima de um golpe capitaneado pelo anterior governador do estado que, arbitrariamente e fazendo uso da força policial, impôs à Universidade uma decisão que contrariava a vontade da maioria da comunidade acadêmica; ou seja, algo parecido com o que está acontecendo agora e que, a mim em particular, que tanto lutei contra aquele golpe, custa-me acreditar que o Plácido concorde ou ache normal o uso de tão absurdos expedientes.

    Diante de tudo isto, a sensação que eu tenho agora é bastante similar àquela que me inspirou a escrever os dois cordéis-denúncia intitulados URCA: 18 DE JULHO e URCA CASO DE POLICIA, ambos abundantemente recitados no âmbito desta IES ao longo de toda a administração daquele que se tornou conhecido como O INTERVENTOR, haja vista que era preciso um pronunciamento claro e denunciativo ante tão inadmissíveis desmandos.

    A leitura da estapafúrdia nota me fez ter a impressão de que não estamos ainda sendo administrados pelo gestor que prometeu governar a URCA DO JEITO CERTO, pois o texto exposto na página da URCA visa não apenas desmobilizar os professores em greve, mas e, principalmente, desmoralizar completamente o colega Plácido, pois faz com que, para muitos, sua gestão não guarde diferença da anterior ou que esta diferença, se houver, seja tão pequena ou tão pouca que está sendo ofuscada pelas brigas entre seus aliados e pela capitulação covarde de seus auxiliares às exigências do governador que se dizia diferente de Lúcio Alcântara e que, no entanto, já demonstrou não ter compromisso com o ensino superior publico do Ceará.

    A razão porque estou escrevendo este texto advém do entendimento de que, na minha opinião, é chegada a hora de avaliarmos não apenas a nossa greve, mas e, sobretudo, os governos de Plácido e Cid, uma vez que as reivindicações e os direitos pugnados hoje são os mesmos pelos quais lutávamos no período de André Herzog e Lucio Alcântara e em defesa dos quais falaram o atual Reitor da URCA e o Governador do Estado, mormente quando desejavam obter (e obtiveram) os votos de muitos docentes desta instituição.

    Sendo assim, no meu entender, se os professores da URCA, assim como os da UVA e UECE, em assembléias soberanas, decidiram, após exaustivas discussões, paralisar suas atividades para poderem se ver respeitar como profissionais do ensino que vergonhosamente recebem baixíssimos salários, não é conferido a alguns poucos detentores de cargos de confiança de uma Reitoria, repita-se, em obediência as exigências de um governo descompromissado com o ensino superior, determinar o fim do movimento, mediante uma decisão covarde, oportunista, mentirosa e pusilânime, pois somente a categoria, sob convocação do comando de greve, poderá dizer quando, como e porque pretende retornar ao seu labor educacional.

    Se de fato há, conforme diz a nota, da parte da atual Reitoria (e ainda há tempo para Plácido vir a público esclarecer) algum sentimento de consideração para com a categoria dos docentes seria melhor que não se tivesse forjando a decisão que se lê na pagina da URCA, irresponsavelmente atribuída aos professores, usando o nome do sindicato, não obstante cheia de contradições, mormente quando quem subscreve a nota são três dos mais bem mandados cargos de confiança desta administração que, repita-se, por coincidência ou não, são também membros dos partidos que dão sustentação ao governador que tem se recusado a negociar com docentes em greve.

    Se os detentores de cargos comissionados estão satisfeitos com as gratificações que percebem, se estão sendo premiados com o atendimento de alguma reivindicação particular ou se resolveram nos prejudicar para render homenagens ao “socialista” que prometeu o “grande salto que o Ceará merece”, que abram mão de seus direitos, que trabalhem voluntariamente, mas não venham burlar a lei, atropelar o processo grevista e forjar um decisão que prejudica a todos, em nome de suas convicções políticas e compromissos partidários.

    Ademais, para quem vem acompanhando, ainda que à distância (como é o meu caso) as questões e as razões que ensejaram a deflagração da greve nas três IES do estado do Ceará (URCA, UVA e UECE), não é preciso muito raciocinar para verificar que não apenas a nota mas o seu mal intencionado propósito visam desmobilizar, desacreditar e, sobretudo, desrespeitar a brava, corajosa e batalhadora categoria dos docentes de nossa Instituição, bem como a sua entidade de classe, o SINDURCA que, ao longo dos últimos anos tem dado demonstração de força, tenacidade, coerência e, sobretudo, capacidade de mobilização e construção de conquistas que a atual gerência superior de nossa IES busca abortar.

    Até porque, mesmo para qualquer pessoa pouco interessada em questões relativas a luta político-sindical, soa como no mínimo estranho que uma categoria que teve a ousadia de ocupar a Assembléia Legislativa recentemente, que conseguiu a proeza de paralisar todos os campis da IES e manter-se firme na luta pelas reivindicações da classe vá, sem qualquer conquista ou vitória, retroceder no combate para, em ultimo caso, quedar-se inerte e covardemente ante um governador que ameaça não negociar com professores grevistas.

    É no mínimo escandaloso e absolutamente risível que uma greve seja encerrada por decisão unânime de meia dúzia de ocupantes de cargos de confiança do Reitor e sem qualquer conquista, exceto o desejo de ajudar o senhor Cid a continuar afrontando aqueles que ousam lutar pelos seus direitos, numa atitude típica do governo autoritário e perseguidor do Interventor que antecedeu Plácido.

    Para mim que não apenas votei no colega e hoje reitor Plácido Cidade Nuvens, mas que também, e sobretudo, fiz oposição ferrenha e decidida aos governos de André Herzog e Lucio Alcântara, e justamente por combater suas práticas antidemocráticas e perseguidoras coloquei na ordem do dia dos debates eleitorais para governo em 2006 a situação das três IES do Ceara, dando destaque ao prejuízo que aqueles governantes causaram as Universidades, mormente à URCA, inclino-me a pensar que o ato perpetrado pelos atuais detentores do poder em nossa instituição se afigura como algo parecido com traição, covardia, venalidade e pusilanimidade!

    Por tudo isto que acima escrevi, e porque me sinto injuriada com o texto oficial da Reitoria, divido com os colegas estas preocupações. Mas digo ainda que, pela amizade que tenho ao professor Plácido, e por tudo que fiz e lutei para que o mesmo ocupasse o posto que ora comanda, é que espero, sinceramente, estar sendo eu tremendamente injusta e absolutamente equivocada e que ele, o Reitor, não esteja sequer sabendo daquilo para o que seu nome está sendo usado, pois se o contrario for, então logo logo ficará claro que ele próprio se converteu, e muito rapidamente, num administrador pior que aquele que o antecedeu e que por isto mesmo vai pagar caro, pois uma atitude como esta constitui um erro imperdoável contra o corpo docente desta casa que, em sua maioria o elegeu esperando fazer justiça a ele e a todos os que, como ele, merecem respeito, reconhecimento e, sobretudo, melhores condições de trabalho e remuneração condigna.

    É o que tinha a dizer em sinal de protesto e de solidariedade.

    Salete Maria da Silva – Professora do Curso de Direito da URCA


    Cid negocia com docentes e alunos

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    O governador Cid Gomes recebeu representantes das universidades, deputados e o secretário René Barreira para negociar as reivindicações do movimento (Foto: Daniel Roman)

    Entrou pela madrugada de hoje a reunião entre o governador do Ceará, Cid Gomes, e vários representantes do movimento grevista das universidades estaduais, na sala de reuniões do Palácio Iracema. Os professores universitários insistem em receber aumento salarial de 130% em dois anos. O governo oferece aumento de 100% até 2010 e pede para a greve ser interrompida para avançar nas negociações.

    De acordo com o presidente do Sindicato dos Docentes da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Célio Coutinho, a insistência nos 130% não é implicância, é consciência da situação ruim. “Nós queremos evitar perder nossos bons professores para outros Estados que pagam melhor”, explicou.

    Depois de insistir em limitar o número de participantes do movimento na reunião, a segurança do Palácio liberou a entrada de todos os estudantes e professores que aguardavam do lado de fora. A imprensa só pôde ficar na recepção do Palácio e fazer poucas imagens do início da reunião.

    Participaram da audiência os líderes dos sindicatos dos docentes das três universidades, o professor José Maria dos Santos Filho, representando todos os diretores de centro das universidades estaduais, Tânia Batista, representante do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior, e um grupo de alunos.

    Também estiveram presentes os deputados Domingos Filho, Artur Bruno, Nelson Martins, Lula Morais, Professor Teodoro, Hermínio Resende, o vice-prefeito de Sobral, Veveu Arruda, e o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado, René Barreira.

    Os manifestantes da Uece, da Universidade Regional do Cariri (Urca) e da Universidade do Vale do Acaraú (UVA) permanecem ocupando a Assembléia Legislativa do Ceará. Até o fechamento desta edição, persistia o impasse entre o movimento grevista e o governo.

    Audiência

    Na tarde de ontem, os professores foram recebidos pelo presidente da Assembléia Legislativa, deputado Domingos Filho. Para o presidente do Sinduece, Célio Coutinho, a audiência foi positiva. “A casa tomou a iniciativa de dialogar e isso foi bom. Estiveram presentes, além do presidente, dez deputados, e algumas lideranças”, explicou Coutinho.

    Ele disse que os legisladores se comprometeram em intermediar as negociações com o governo e ainda garantiram dar prioridade e agilidade à tramitação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) da categoria na AL.

    Guto Castro Neto
    Especial para Cidade

    De: marcos pereira [marquinholetras@hotmail.com]
    Enviada em: quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
    Para: sindurca@baydejbc.com.br

    Companheiros/as!

    A coordenação nacional de luta dos estudantes-Cariri está lutando ao lado de professores da URCA, UVA e UECE dentro da assembléia legislativa do Ceará, onde estamos ocupados. A luta direta e unificada de trabalhadores é a única via capaz de trazer vitórias para as universidades cearenses.

    A pauta de reivindicações dos estudantes, elaborada durante a greve e defendida na “Conferência regional de educação superior” foi acrescida de outras trazidas da UECE e UVA e será entregue ao governador numa implacável política de exigências que faremos.

    Não é possível que na semana em que o Banco Central divulgou o superávit recorde da economia brasileira( município, estado e união) para o mês de Outubro de R$15,3 bilhões ( quase 5 vezes maior que Setembro: R$3,5 bilhões) para enriquecer banqueiros nacionais e internacionais, o governo Não-deCIDe se recuse a negociar o PCCV e não implante o piso salarial, julgado em última instância pelo STF.

    A migração de professores das estaduais cearenses para outras instituições( públicas e privadas) tem se acelerado nos últimos anos e ao lado da absoluta falta de investimentos em infra-estrutura, como o restaurante universitário, a casa dos estudantes da URCA, o transporte público gratuito, o iNcentivo à pesquisa científica dentre outras tem acabado com a oportunidade de uma imensidão de jovens trabalhadores poderem cursar a universidade pública.

    Estamos agora em plena luta aberta contra o governo CID-PSB que havia definido a educação e saúde como prioridade e contra o governo Lula-PT cujo peso na responsabilidade por tal sucateamento se materializa na reforma universitária e no REUNI que se apropriando demagogicamente de bandeiras históricas do movimento estudantil e sindical, pretende, por meio de decretos, tornar a educação superior, um verdadeiro escolão com o aumento da relação aluno-professor de 1-9 para 1-18, impedindo a pesquisa acadêmica de qualidade ou exigindo a aprovação praticamente automática(90%) dos graduados, isso tudo absolutamente sintônico à política do banco mundial de recolonização da América Latina e Caribe.

    Estamos precisando de apoio financeiro, político para os ocupantes: escrevam, panfletem, vão aos jornais, telejornais e rádios, conversem com a população, envie moções de apoio, façam campanhas financeiras e principalmente, se coloquem a disposição para fortalecer a ocupação.

    Organize-se e lute

    Marcos- pela secretaria geral da CONLUTE-CARIRI

    Diário do Nordeste Fortaleza, Ceará | Quinta-Feira | 06 de Dezembro de 2007

    Cidade UNIVERSIDADES ESTADUAIS

    Professores em greve barrados na Assembléia

    soldados decidem quem entra na AL

    Professores e alunos na Universidade Estadual do Ceará, do Cariri (Urca) e do Vale do Acaraú (Uva), foram impedidos de entrar, ontem pela manhã, na Assembléia Legislativa. Eram cerca de 20 pessoas que chegaram ao local para somar-se aos demais representantes da Uece, acampados em frente ao plenário, desde terça-feira última, para pressionar as negociações salariais com o governo do Estado.

    A entrada na Assembléia só estava sendo autorizada pelo estacionamento. Atrás de uma porta de vidro semi-aberta, cerca de 12 policiais militares permaneceram instalados, observando as características das pessoas que pretendiam entrar e barrando quem suspeitassem ser professores ou estudantes da Uece.

    A professora e diretora do Sindicato dos Docentes da Uece (Sinduece), Ana Cristina de Moraes, barrada na entrada, estava inconformada com a situação. “Quem está lá dentro ficou sitiado já que não pode sair com medo de ser impedido de entrar novamente”.

    O presidente do Sinduece, Célio Coutinho, afirmou que a atitude dos responsáveis pela segurança da Assembléia foi hostil desde a ocupação. “À noite, professores e alunos trouxeram colchonetes para deixar com que fosse dormir, mas a segurança impediu que entrassem. Os colchões estão nos carros até agora. A circulação dos manifestantes também foi restringida. Os policiais limitaram o espaço deixando disponível somente a frente do plenário. Só há um banheiro e as pessoas estão tendo que tomar banho com duchas. Além disso, só conseguimos entrar com alimentação após as 9 horas”, denuncia.

    Enquanto professores e estudantes eram barrados na entrada da Assembléia, deputados se pronunciavam sobre o impasse dos grevistas e o governo do Estado.

    Somente no fim da manhã, o chefe da segurança da Assembléia, coronel Amarílio, liberou a entrada dos manifestantes. Ele defendia que uma lista com o nome das pessoas fosse entregue à segurança, mas Coutinho não aceitou.

    Quando indagado se a atitude tomada pelos policiais não estaria sendo discriminatória, coronel Amarílio explicou que tinha como obrigação manter a segurança, mas admitiu que o movimento foi pacífico desde o início. “Toda reivindicação, por mais justa que seja, pode ter algum indivíduo que cause confusão”, argumentou.

    Mesmo sem a lista pedida em mãos, ele se dirigiu à entrada e liberou o acesso dos manifestantes, que entraram repetindo, em coro, os dizeres de suas reivindicações. Ao chegar em frente ao plenário, ficaram quietos, assistindo ao restante da sessão plenária.

    A greve dos professores das universidades do Estado objetiva a implementação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários com 130% de recomposição salarial, parcelados em 2007 e 2008. Além disso, são exigências da categoria a implantação imediata do piso salarial da categoria e implantação do Plano de Assistência Estudantil.

    ENQUETE

    A atitude da direção da Casa é criticada

    Sandra Gadelha – Professora: Quem tá fora não pode mais entrar. Essa é uma atitude correta para o local que é chamado de casa do povo?

    Rodrigo de Goes Queiroz – Estudante da Uece: Nós estamos aqui apoiando a causa dos professores e lutando por melhores condições na universidade

    PROTESTOS

    Deputados estaduais cobram retorno das negociações

    A ocupação da Assembléia Legislativa preocupa parlamentares cearenses. Ontem vários deputados se pronunciaram sobre o impasse entre os grevistas e o governo Cid Gomes. Oposição e situação cobraram do governo a retomada das negociações com os grevistas.

    Os deputados Rachel Marques (PT) e Heitor Férrer (PT) cobraram também da Mesa Diretora da Casa o livre acesso dos manifestantes às dependências do Legislativo.

    “Estão cerceando o direito de ir e vir. Estão colocando barricadas e cones. O Poder Legislativo tem que ser respeitado como instituição, mas não há vandalismo”, afirmou Férrer, ao apelar para a Mesa Diretora da Assembléia liberar a entrada dos manifestantes na Casa. “A guarda está orientada que os que saem da Casa não podem mais entrar”, protestou.

    O deputado Adahil Barreto acusou o governo de descumprir decisão judicial, através de sentença do Supremo Tribunal Federal, que determinou ao governo o pagamento do piso aos professores das universidades. O impasse não está incomodando apenas a oposição. Na base aliada alguns parlamentares demonstraram a preocupação com a decisão do governo de não negociar com os grevistas. Cirilo Pimenta fez um apelo para que o governo retome com celeridade as negociações com os professores.

    Renata Benevides
    Repórter

    CONVITE AOS QUE NÃO QUEREM SE ACOSTUMAR COM O ERRO

    Por: Vânia Vasconcelos

    Profa. Curso de Letras da FECLESC – Quixadá

    “Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
    A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
    e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.
    E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
    E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
    E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
    E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.”

    (Marina Colasanti)

    A verdade é que todos sabemos que não devíamos nos acostumar com o que está posto, quando o que está posto, sabemos, está errado. Vivemos hoje num país onde o escândalo virou prato diário servido sem nenhum escrúpulo. Do sofá de nossa sala, assistimos notícias que vão formando uma crosta de indiferença em nossa sensibilidade: um senador faz parar o país para tratar de seus assuntos pessoais; uma menina é jogada como presa (ou prêmio) entre adultos criminosos; jovens bem nascidos espancam uma mulher para terminarem a diversão de noite de adrenalina violenta…e tantas outras que lemos ou ouvimos…diante disso, podemos até ter a impressão de que aquilo que nos aflige de perto é pequeno, ou de que nada adianta lutar por melhoras tão ricas como uma educação decente e digna para nossa população. Isso não é verdade. Nós não podemos nos acostumar a desistir do que é certo e nenhuma luta pode ser ganha quando se desiste dela antes mesmo de entrar em campo.

    O ensino público de qualidade é a única, única alternativa que pode assegurar ao povo um caminho digno e real de crescimento e é a via por onde se pode escapar da violência, da manipulação, do subemprego. Anos e anos de tanto descaso e abandono parecem ter deixado em nosso povo um sentimento de desmerecimento ou descrédito no que pode ser construído. É fundamental, no entanto, perguntar se realmente acreditamos que esse povo TEM direito à educação prevista em sua constituição; se acreditamos que é isso o certo, que os filhos de nossa gente possam estudar digna e decentemente, com salas boas em prédios bem cuidados, com bibliotecas servidas de bons acervos, com estrutura de atendimento aos estudantes, com professores que não pensem em fugir a cada contra-cheque, enfim, numa universidade que possa portar esse nome sem que depois venham as piadas de sempre, então precisamos lutar por construí-la.

    Sabemos que quando uma comunidade decide reverter uma situação ruim, pode conseguir muito mais do que se prevê inicialmente, é o que nos conta a história. A pergunta que precisamos responder, portanto, é: acreditamos que uma universidade pública e de qualidade é o certo? Se a resposta a esta questão for sim, então é preciso que o povo cearense saiba abraçar a defesa dessa universidade, que é sua, enquanto ela ainda resiste. E ela somos nós, professores, alunos, comunidade inteira envolvida. Nós não podemos desistir do que é certo. Não podemos aceitar a idéia que nos impõem de sermos tão menos do que podemos, nem abraçar a atitude de desistir antes mesmo de tentar. Alguns professores podem estar cansados ou desiludidos das esperas anteriores. Alguns não professores também devem estar cansados de tantas greves e tantas reclamações repetidas. Seria bom que lembrássemos a todos o quanto as escolas públicas foram importantes na suas vidas, o quanto foram necessárias as chances de estudar, de ler, de formar-se ou mesmo, para aqueles que não a tiveram, o quanto lhes fez falta.

    Esse não é um convite para nenhuma espera, é sim, um convite para uma luta necessária, séria, fundamental na vida do nosso povo. Não podemos nos acostumar ao fato que nos querem impor, não podemos acreditar que seja impossível (re)construir uma universidade pública decente. Enquanto em nós o que há de humanamente melhor ainda pulsa, não podemos negar que essa luta é de todos nós, então, nas palavras do poeta:

    Não serei o poeta de um mundo caduco.
    Também não cantarei o mundo futuro.
    Estou preso à vida e olho meus companheiros.
    Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
    Entre eles, considero a enorme realidade.
    O presente é tão grande, não nos afastemos.
    Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

    ( Carlos Drummond de Andrade)

    Proposta de Declaração para os “Fura-Greve”. Por favor Sr. Fura-Greve, leia até o final onde se
    encontra a declaração que você deve destacar, assinar e a enviar para o seu sindicato.

    De: erivaldoj2006@hotmail.com
    Enviada em: quinta-feira, 22 de novembro de 2007

    Para: SINDURCA

    A Greve é um legítimo instrumento de luta dos trabalhadores em qualquer área, sendo utilizado com muita propriedade por nós, professores das Instituições Estaduais de Ensino Superior (IEES), na luta pela recuperação da nossa carreira e salário. O movimento grevista é justo, tendo em vista que a nossa categoria encontra-se há vários anos com defasagem salarial.

    No decorrer desses anos vimos nosso salário sendo aviltado pelos sucessivos governos. Nossa categoria tem sido desprezada, nosso trabalho tem sido relegado ao segundo plano e nossa dignidade solapada, enquanto os burocratas de plantão nos colocam como diretamente responsáveis por déficits na Previdência Social, pela má qualidade dos serviços públicos e pelo desequilíbrio nas contas do governo, dentre outros problemas.

    Nas IEES, as administrações centrais vêm esmerando-se na política do “dividir pra governar”, instituindo como norma a distribuição de gratificações – os “cala a boca”, “fique quieto”, “quebra-galho”, como foi o caso do abono – para alguns apaniguados, que humilde e covardemente aceitam tais esmolas e, como grandes alienados, fogem da luta e transformam-se no ultrajante “FURA-GREVE”.

    O “FURA-GREVE” é uma figura histórica no movimento dos trabalhadores. Mesmo sabendo que todos os ganhos, avanços e melhorias, como infra-estrutura, concurso público e titulação dos docentes nestas Universidades são oriundos e resultantes da mobilização e luta da categoria, que as conquistas somente foram possíveis porque fizemos greves memoráveis, o “FURA-GREVE” vem, sistematicamente, atrapalhando a nossa luta e reforçando o jogo duro do Governo.

    E no momento em que efetivarmos os nosso ganhos, qual será a postura dos ‘FURA-GREVE”? Não aceitarão os dividendos e continuarão ao lado dos adversários de plantão? Ou pior, vão aceitar calados todos os ganhos que os servidores em Greve tiverem? E a consciência dessas pessoas, como é que fica?

    Enquanto vários companheiros lutam bravamente, enfrentando o Governo, a pressão – e repressão – da administração central, de diretorias e chefias imediatas, assim como a discriminação no próprio ambiente de trabalho, outros diluem a força do movimento, diminuindo a possibilidade de ganhos maiores. Se você é um desses, pode enfim resgatar a sua dignidade, assinando a seguinte declaração:

    DECLARAÇÃO DOS FURA-GREVE

    “Num momento de sensatez, por uma questão de justiça e hombridade, eu _________________________________ (Nome completo), Matrícula na Universidade _______________ CPF _________, lotado no CURSO __________________________ , declaro que na condição de FURA-GREVE não faço jus aos ganhos do movimento, por não ter participado da luta”. Por ser verdade, assino o presente documento.

    ___________-CE,__________ de______________ de 2007.

    ————————————————————

    Assinatura

    CARTA ABERTA À COMUNIDADE ACADÊMICA
    Centro Acadêmico de Ciências Sociais
    Centro Acadêmico de Geografia
    Centro Acadêmico de História

    1. O estabelecimento de agenda para implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) ainda este ano;

    2. Mediação em torno dos pontos de impasse do PCCV:
    a. O percentual de recomposição salarial;
    b. O prazo de escalonamento da recomposição;
    c. O conteúdo do Projeto do PCCV.

    3.Política Estadual de Assistência Estudantil:
    3.1 Reivindicações dos Estudantes
    a. Restaurante Universitário;
    b. Residência Universitária;
    c. Reestruturação física, pedagógica e estrutural das universidades estaduais.

    4. Plano de Melhoria das Universidades Públicas Estaduais do Ceará – particularmente na UEVA, em curto prazo, garantindo verbas de custeio e investimento à altura das necessidades dessas instituições.

    Diante do exposto, REPUDIAMOS a Assembléia Geral dos Estudantes ocorrida dia 20 de novembro de 2007, por estar em desacordo com as normas previstas no Estatuto do DCE:

    CAPÍTULO IV (Da Assembléia):

    Artigo 7º – A Assembléia, segunda instância de deliberação do DCE, compõe-se de todos os estudantes regularmente matriculados da UEVA.

    Artigo 9º – A convocação da Assembléia dar-se-á mediante Edital publicado, onde constará a pauta a ser discutida com uma antecedência de 76 (setenta e seis) horas.

    Parágrafo 1º – A Assembléia será realizada com um Quorum de 8% (oito por cento) dos estudantes da UEVA.

    Buscamos atravessar esse momento difícil diante de todas as iniqüidades com generosidade, valentia e resistência. Expressamos nossa firme opinião a favor do respeito e da valorização da educação.

    DIGNOS DA NOSSA LUTA!!!
    Centro Acadêmico de Ciências Sociais
    Centro Acadêmico de Geografia
    Centro Acadêmico de História

    Programação de greve a partir de sexta-feira – Fortaleza

    Car@s Professores e Estudantes,

    Programação:

    23 nov – 6ª feira

    9 horas – oficina no campus do itaperi Bloco I e integração das caravanas do interior com a capital

    13 horas – Ato Público em frente a Assembléia Legislativa no cruzamento da Av Pontes Vieira com Av Des Moreira. Ônibus saindo do Itaperi às 12H 30.
    14 horas – Audiência Pública na Assembléia Legislativa

    Obs.: Vamos ligar para os companheiros comprometendo-os a participar deste grande momento. Esperamos que seja uma das melhores audiência pública já realizada na AL. Será um bom momento para o governo apresentar propostas concretas às universidades estaduais do Ceará.

    Vamos levar muita alegria, firmeza, vontade de lutar pelos nossos direitos, paciência/impaciência e sobretudo, concentração para atingir o objetivo da nossa luta.

    Abraços a todos

    Diretoria da SINDUECE

    Comunicado do SINDIUVA

    Caros e Caras colegas, Em assembléia geral dos professores e professoras da UVA, convocada pelo SINDIUVA, realizada neste dia 21 de novembro de 2007, no Auditorio Central da UVA, 84 % do(a)s docentes presentes votaram a favor da entrada da UVA na greve das universidades estaduais cearenses a partir da proxima segunda-feira, dia 26 de novembro. Nesta mesma assembléia foram montados os pontos da pauta do(a)s docentes da UVA, que são:

    1. O estabelecimento de agenda para implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) ainda este ano;

    2. Mediação em torno dos pontos de impasse do PCCV:

    a. O percentual de recomposição salarial;

    b. O prazo de escalonamento da recomposição;

    c. O conteúdo do Projeto do PCCV.

    3. A Política Estadual de Assistência Estudantil;

    4. Plano de Melhoria das Universidades Públicas Estaduais do Ceará – particularmente na UVA , em curto prazo, garantindo verbas de custeio e investimento à altura das necessidades dessas instituições.

    Como primeiro encaminhamento foi formado um comando de greve que se reuniu no dia 22/11 a partir das 09:30h, no patio do NDC, para preparar e encaminhar a documentação alem de planejar a programação inicial da greve. Nesta primeira programação teremos até a proxima quarta-feira:

    1. Sexta-feira 23/11 às 14:00 h. Encontro em Audiência Publica na Assembléia Legislativa do Estado do Ceará . Solicitamos à todos os professores, professoras e estudantes da UVA que estiverem em Fortaleza que participem deste encontro.

    2. Segunda-feira 26/11às 08:00 h. Reunião do Comando de greve no patio do NDC para organizar a passagen nos Centros. Não somente o comando de greve esta convocado mas tambem tods aquele(a)s que puderem dar sua colaboração neste dia.

    3. Quarta-feira 28/11 às 19:00 h. Assembléia dos professores da UVA. Com os informes do movimento e a realização do Forum da SINDIUVA com o tema das Reformas (Previdenciaria, sindicalista…) com o Sindicalista Ze Maria.

    Secretaria do SINDIUVA

    Um movimento forte, incisivo que não precise ser longo!

    Quarta-feira, dia 21 de Novembro, a Universidade Estadual Vale do Acaraú –
    UeVA decidiu,
    em assembléia do seu sindicato, SINDIUVA – seção sindical do ANDES, por 84
    votos a favor, 13 contra e duas abstenções (os números podem estar levemente
    errados) por greve acompanhando a greve já decretada na UECE e na URCA há
    quase duas semanas.

    Podemos dizer que um fator decisivo para que os professores decretassem a
    greve foi uma
    nota oficial do Governo do Estado que longe de mostrar interesse em buscar
    uma solução para a situaçao de descalabro em que se encontram as
    Universidades Estaduais do Ceará,
    se voltava contra os professores sugerindo que eles eram irresponsáveis e no
    fundo a razão pela qual as Universidades tinham problemas, nota que foi
    divulgada, paga com dinheiro público, em todos os meios de divulgação do
    Estado do Ceará.

    Teriamos que pensar e aprofundar a questão da greve, sejam bemvindos para
    incluir os seus comentários aqui.

    A greve é uma ruptura violenta do nosso estado de trabalho, ocasiona
    dificuldades, transtornos e perdas para todos, em particular para os nossos
    alunos muito em particular porque as administrações das Universidades se
    identificam com o lado errado no conflito, se colocam do lado do governo e
    não do lado dos professores, e portanto, posteriormente, quando se trata de
    retornar à normalidade, tentam punir os professores tendo como consequência
    dificuldades e mais perdas para os alunos.

    Precisamos portanto de um movimento forte que faça com que a manisfestão de
    desobediência, representada pela greve, seja o mais contundente possível até
    mesmo para que os seus efeitos possam logo se fazer sentir e o governo reaja
    como esperamos, vindo oferecer os remédios para tornar a Universidade um
    local saudável de trabalho e de aprendizado. Não queremos uma greve
    longa, queremos uma greve poderosa!

    De: George Andrade [geoandrade@urca.br]

    Enviada em: sexta-feira, 23 de novembro de 2007

    Para: sindurca@baydejbc.com.br

    Caros companheiros, tenho observado, com pesar e tristeza, mas ao mesmo tempo com reflexão alguns dos últimos “lances” das movimentações travadas pelos “atores” no “teatro jurídico” do Curso de Direito da URCA, e sobre tais fatos encenados, alguns me chamaram atenção.

    Esta semana, no turno da tarde, enquanto alguns integrantes do movimento grevista após várias tentativas prévias de persuasão no intuito de conscientizar alguns dos poucos professores e alunos a paralisarem as “aulas”, se é possível chamar tais atividades de aulas, os colegas (grevistas) foram recebidos com copos e garrafas de água derramada por integrantes do corpo discente do referido curso. Tal reação de alguns integrantes do corpo discente deste curso, além de desmedida, revela o estado de ânimo e grau de compreensão da realidade por parte de alguns indivíduos do curso de Direito, da URCA, e da Universidade, é lamentável, mas aconteceu. Bem vendo pelo lado “bom” das coisas, fazia muito calor naquela tarde! foi trajicômico, patético, e mais ainda, a explicação dada por um dos que jogaram água nos professores, pasmem, foi:”é a divergência de opinião”!

    No mesmo dia, não se sabe por quem, no mesmo turno, no mesmo curso, foi feita uma ligação para a PM do Crato, e de repente, não mais que de repente, “Três Armários Humanos” mais parecidos com o “BOPE local”, fortemente armados, adentraram no curso, e foram conversar com o Coordenador, solicitando do mesmo explicações, pois teriam recebido chamada para conter situação, e até de forma educada expuseram ao coordenador, que gostariam de saber o que ali se passava, vez que, quando entram em ação, sua ação é “truculenta”. O coordenador os recebeu e explicou a situação derivada da decisão da Assembléia pela paralisação das aulas, e da desnecessidade dos mesmos naquele momento e local. Até aí tudo bem! Afinal somos alunos e professores, não somos “marginais nem baderneiros”!

    Outro dia, no mesmo curso, onde estava a faixa com os dizeres da URCA em Greve? Encontrada na “Lata do Lixo”, não se sabe a mando de quem e por quem, tal fato ocorreu no referido curso! E para apimentar ainda mais as coisas, a cena seguinte foi deplorável: Um grupo de alunos do 1º semestre, em sua grande maioria, após redigir e afixar na porta da sala abaixo assinado conclamando toda a sala a só voltar as aulas após o término do movimento, foi surpreendida por um docente, que simplesmente disse: vou registrar as aulas, vou fazer chamada e aplicar faltas, vou fazer provas, e quem não vier será prejudicado. Tais cenas, revoltaram alguns alunos, enquanto outros temendo represálias, permaneciam em sala, em silêncio, com todo “temor e tremor reverencial”,então isto me fez refletir, e aí então compreendi, que não estávamos num estabelecimento de Ensino Superior, voltamos no tempo e no espaço, ao Ensino Fundamental, talvez numa sala de 3º ou 4º ano nos anos 60, ou 70, do século XX e com tal problemática, lembrei da leitura de um livro muito pertinente ao caso em questão, “DIÁRIO DE UM EDUCASTRADOR”! Aos que não leram, leiam será enriquecedora tal leitura, mas não esqueçam por favor, todos alunos e professores, principalmente no Curso de Direito da URCA, não deixem de ler:”PEDAGOGIA DA AUTONOMIA”, DE PAULO FREIRE, “O CONTRATO SOCIAL” de Russeau, “PARA ONDE VAI O DIREITO” do Prof. João Batista Herkenhoff, leiam Filosofia do direito, Direito Constitucional, Direitos Humanos, leiam outras obras, reflitam, pensem e depois podem agir, com um pouco mais de coerência, prudência e outras virtudes, afinal acho que estamos num curso de Direito, em breve serão Bacharéis, Juízes, Promotores, enfim, “Operadores do Direito”, já pensaram na dimensão real disto! E aí amigos, “o mundo dá muitas voltas”, vocês que hoje são alunos, a todos a quem tenho muito apreço e consideração, meu abraço fraterno, nos encontraremos alhures nos “fóruns da vida”!

    Por hora, mais leitura, mais reflexão, mais cautela, mais prudência e coerência para todos, afinal, os professores de hoje, em quem vocês jogaram água, poderão ser um dia colegas de profissão de vocês, e estamos todos na UNIVERSIDADE, não mais no ENSINO FUNDAMENTAL, sei que a saudade é grande, mas, por favor, não transformem o curso de Direito num “TEATRO DOS HORRORES”.

    George Andrade.

    Tortura, nunca mais!

    22/11/2007 – 11h15

    Contra a Criminalização dos Movimentos Sociais

    Diretório Central dos Estudantes da UFRGS

    O Diretório Central dos Estudantes da UFRGS torna pública sua indignação frente à repressão policial aos movimentos sociais. O Governo Yeda vem mostrando o que reserva a sociedade: aos estudantes, enturmação; aos trabalhadores do setor público, arrocho; aos despossuídos, polícia e violência. Dessa forma, tenta transformar as mobilizações legítimas e a divergência política de concepção de mundo em crime comum, destinando a todos aqueles que organizam-se para criticar sua política balas de borracha, gás de pimenta, cassetetes, prisão, humilhação, violando os direitos humanos e a liberdade de expressão, tão duramente conquistados na luta contra a Ditadura Militar Brasileira e em defesa da democracia. E a indignação aumenta frente a toda corrupção na administração do governo atual. Enquanto isso, os ladrões dos cofres públicos do Governo Yeda, corruptos e corruptores confessos, andam livres. O “choque de gestão” e seu “novo jeito de governar” se mostraram iguais a outros já conhecidos governos gaúchos. A corrupção é outra marca registrada, com desvio de dinheiro das estatais e fundações para sua base aliada, construindo maiorias com o loteamento dos cargos públicos entre os partidos e as grandes empresas.
    Estamos desde o início do governo Yeda na defesa intransigente dos direitos dos gaúchos como o acesso à educação pública, gratuita e de qualidade ameaçados por sua política. Sobretudo, somos intransigentes no direito da livre-expressã o e não aceitamos a criminilização dos movimentos sociais. Fica evidente que o Governo Yeda se sustenta sobre três pilares: a corrupção, a privatização/precariz ação dos serviços públicos e a violência policial.
    Exigimos a libertação imediata das lideranças dos movimentos sociais e a punição aos responsáveis pelos abusos! Demissão imediata do coronel Mendes! Prisão de todos os corruptos/corruptor es e saída imediata de Yeda/Feijó eleitos com dinheiro desviados das estatais.

    Fora Yeda!

    Solidariedade a todas/os as/os companheiras/ os que lutam por uma sociedade mais justa e igualitária!
    DCE UFRGS

    ONU denuncia tortura generalizada e sistemática nas prisões brasileiras

    GENEBRA, 22 Nov 2007 (AFP) – A tortura e os maus-tratos ainda são generalizados e sistemáticos nas prisões brasileiras, segundo denuncia um relatório do Comitê da ONU contra a Tortura, reunido nesta semana, em Genebra.

    “Torturas e outros maus-tratos ainda são práticas generalizadas e sistemáticas para milhares de prisioneiros, particularmente os afro-descendentes”, afirma o documento.

    O texto foi contestado duramente pelo governo brasileiro no mesmo Comitê da ONU, segundo o documento recebido nesta quinta-feira pela AFP.

    Em uma visita a presídios brasileiros em julho de 2005, os especialistas da ONU constataram “uma aglomeração endêmica, condições imundas de reclusão, um calor asfixiante, falta de iluminação e confinamento permanentes, além de uma violência que leva à impunidade” dos autores dos maus-tratos.

    Estas deploráveis condições de detenção “produzem danos físicos e psicológicos irremediáveis aos reclusos”, assim como uma “ameaça constante de amotinamento violento nas prisões”.

    Em agosto, 25 presos morreram carbonizados em um incêndio provocado durante um motim numa prisão de Minas Gerais e, desde o princípio de novembro, oito pessoas morreram e outras 40 ficaram feridas em várias rebeliões em prisões do nordeste brasileiro.

    Brasília criticou o relatório do Comitê da ONU porque, em sua opinião, os especialistas das Nações Unidas “não distinguiram entre a prática de tortura e outros tratamentos ou penas cruéis, desumanas ou degradantes, por um lado, e a ausência de um tratamento humano às pessoas privadas de liberdade”.

    O Comitê da ONU também enfatizou que “outro fator que contribui para a impunidade é que os juízes brasileiros não aplicam a lei contra a tortura de 1997 e preferem classificar os casos de tortura como maus-tratos físicos.

    Os especialistas da ONU também lamentaram o fim, em 2003, da campanha contra a tortura aplicada pelas autoridades brasileiras e algumas organizações da sociedade civil.

    Em algumas universidades federais a luta contra o “reuni”

    O “reuni” que alguém já disse “reune professor substituito, sucateamento do ensino, salas superlotadas, fim da pesquisa universitária e da extensão” vem sendo objeto de acirradas lutas
    de um lado com aqueles que se preocupam com o futuro, alunos e professores, e de outro com aqueles que se curvam ante as decisões “governamentais” cujas justificativas são claramente tiradas de documentos que se originam no banco mundial, aparentemente, o maior orgão internacional dedicado a educação como mercadoria. Aqui a cartilha do ANDES, o sindicato nacional dos docentes do Ensino Superior mostrando o que é o “reuni”.

    aqui um link para o blog de alunos da Univ. Federal do Rio Grande

    Saiu no JORNAL AGORA (Rio Grande-RS) de ontem.

    Por trás do Reuni
    José Teles Bezerra Junior*

    Não restam dúvidas de que há a necessidade de uma Reforma Universitária, todavia não aos moldes do Reuni, haja vista que as metas almejadas pelo Decreto de abril são, no mínimo, absurdas, já que comprometerá a qualidade do ensino.
    Explico melhor: uma das metas contidas nesse decreto é a elevação da taxa de conclusão média dos cursos de graduação presenciais para noventa por cento, levando-nos a crer que os alunos passarão mesmo sem os méritos para lograr êxito nas cadeiras, aumentando o número de profissionais medíocres no mercado de trabalho. Vale lembrar que a atual taxa de conclusão da Furg não chega a 60%.
    Acredito que é possível uma expansão mantendo ou aumentando a qualidade da universidade, mas não com esse aumento insignificante de verbas, que será de, no máximo, 20%, sendo que o aumento de estudantes será de, aproximadamente, 54% já nos cinco primeiros anos (de 6238 para 11409 alunos), o que superlotará muitas salas de aula, diminuindo a qualidade do ensino. Além disso, deve-se cumprir o preceito constitucional do art. 212:
    “A União aplicará, anualmente, nunca menos de 18% […] no mínimo, da receita resultante de impostos, compreendida e proveniente de transferência, na manutenção e desenvolvimento do ensino”. Como é sabido, a quantia investida fica muito aquém dos 18% previstos no preceito constitucional, sendo notória a tradição brasileira de desrespeito aos mandamentos – constitucionais, sendo o Reuni mais um dos atentados contra a nossa Carta Magna. É preciso destacar, também, que o Executivo não pode aumentar as despesas por decreto, ferindo, novamente, a nossa Lei Maior.
    Há ainda a questão do Banco de Professores-Equivalente, sendo, pois, a perpetuação do modelo de professor substituto como estratégia para a reestruturação e a expansão das universidades federais, e não, como recurso
    temporário para situações eventuais, não havendo, inclusive, garantia de concursos públicos para efetivos, já que caberá ao MEC essa opção. Isso agravará ainda mais os problemas dos professores efetivos, que já vêm enfrentando uma séria sobrecarga face ao esvaziamento de seus quadros, à medida que transforma a contratação desses professores substitutos em um procedimento corriqueiro, pois esses últimos não assumem encargos administrativos, tampouco pesquisa e extensão. Esse modelo, portanto, caminha para a priorização do ensino em detrimento da pesquisa e da extensão, e a conseqüência será o modelo de universidades de ensino, o que é um absurdo, haja vista o fato de que 90% da produção científica brasileira está nas universidades federais, sendo, pois, de fundamental importância para o desenvolvimento do País.
    Serão criados também cursos novos, principalmente na categoria tecnólogo (não é curso técnico, tampouco superior). Esses cursos terão duração média de dois anos, sendo, pois, um método de o governo melhorar o índice de alunos na universidade. Os egressos desses cursos terão, provavelmente, apenas cultura geral, não dominando nenhum ramo de profissionalização. Especula-se que a profissionalização seria postergada para as especializações ou mestrados, que hoje, infelizmente, já expressam a mais clara face de privatização da maioria das universidades federais.
    Quanto ao ridículo argumento que os estudantes revoltados só pensam neles, pois já estão nas universidades, é uma falácia imaginar isso, pois pouco mudará a vida dos que já ingressaram no Ensino Superior. O que esses “revoltados” querem é impedir essa expansão desorganizada, que trará tantos prejuízos para a sociedade.
    O Reuni, a meu ver, é uma tentativa de o governo Federal sucatear ainda mais as universidades públicas para, conseqüente e infelizmente, uma posterior privatização.
    Se o Reuni é tão bom, por que o governo não dialogou com os estudantes e iniciou a discussão com outros setores da sociedade? Por que tanta pressa para as universidades aprovarem-no? Será mais outra medida eleitoreira do governo?

    *Acadêmico de Direito da Fundação Universidade Federal do Rio Grande – Furg

    Um artigo da profa. Tania – UFCe sobre o Reuni

    Expansão do ensino superior com qualidade:
    uma luta de todos nós

    Tânia Maria Batista de Lima
    Professora da Faculdade de Educação da UFC e
    2a. Vice-Presidente Regional NE I do ANDES-SN

    O REUNI estabeleceu: as universidades federais – IFES – que tiverem planos aprovados pelo MEC farão jus a recursos de até 20% sobre o orçamento de custeio e pessoal do ano da adesão, a serem atingidos em 5 anos. Para isso, terão que atender as metas: relação professor-aluno de 1/18 e taxa média de conclusão de 90% nos cursos de graduação presenciais. O aumento do ingresso ficará entre 70% a 300% na maioria das instituições. O REUNI anuncia um “melhor aproveitamento de recursos humanos e estrutura física existentes nas universidades federais” que estariam subutilizados. Mas, de acordo com Ministério do Planejamento, em 1995, o número de professores efetivos era 43.115 e não há dados sobre substitutos. Em 1998, o total de professores efetivos das IFES era 45.611 e o de substitutos 3.466. Em 2006, são, respectivamente, 46.995 e 9.913. Segundo o MEC, em 1995, as IFES ofereciam 1.536 cursos de graduação com 367.531 alunos matriculados. Em 2005, eram 2.449 cursos e 579.587 matrículas. Em 2007, as matrículas estão em torno de 610.000. Os números acima falam por si: não há subutilização de recursos humanos. E mais: atender as metas do REUNI implicará inevitavelmente na precarização do trabalho docente. Além disso, vale destacar que os recursos representarão um acréscimo nominal de até 20% sobre o orçamento de custeio e pessoal em cinco anos. Considerando-se uma inflação média de 4,5% (LDO/08) isto significará uma redução de 8,0% em relação ao orçamento de 2007.
    Como afirmar que se tem a garantia dos recursos prometidos se o Decreto do REUNI estabelece que “as despesas decorrentes deste decreto correrão à conta das dotações orçamentárias anualmente consignadas ao Ministério da Educação ( art.7º)? Está posto: as IFES só terão acesso aos acréscimos orçamentários nominais se fizerem o que o governo está determinando. Ou seja: não há respeito à autonomia universitária, mas imposição (por decreto!!) de uma lógica de expansão perversa e danosa para as IFES. A adesão (que poderia ser feita a qualquer momento) não pode ocorrer sem a reflexão sobre as conseqüências para a qualidade da educação e as condições de trabalho dos docentes, bem como sobre as especificidades de cada IFES. Para se dispor a expandir, é preciso um profundo repensar das atuais condições de seu funcionamento, para então podermos definir as nossas demandas junto ao MEC. O que ocorre é exatamente o contrário: as administrações superiores curvam-se, obedientemente, ante as exigências do MEC.
    Na atual conjuntura, em que a adesão das IFES está sendo aprovada sem o aprofundamento do debate, a luta dos estudantes que ocuparam a Reitoria da UFC no dia 25/10/07 – a exemplo de outras tantas reitorias Brasil afora – é a expressão mais viva de que é preciso muita mobilização para garantir uma participação efetiva na definição dos rumos da universidade. Como nos indica a boa prática democrática, para que isso seja feito, é necessário tempo hábil para discutirmos qual o projeto que queremos construir para a UFC. Esta não é uma luta apenas dos estudantes, mas de toda a sociedade cearense e brasileira, que, com certeza, acredita e defende a universidade pública, gratuita, democrática e de qualidade socialmente referenciada

    Expansão ou escolão?
    O REUNI, uma velha/nova proposta do governo para as Universidades Federais

    Marcelo Badaró Mattos *

    Neste fim de outubro, os Conselhos Superiores das 52 Universidades Federais estão votando a “adesão” das Instituições ao Programa de Reestruturação das Instituições Federais de Ensino Superior, programa criado pelo governo federal, através de decreto presidencial.

    Não é simples avaliar o que está em jogo. De um lado, uma proposta de mudança radical dos cursos superiores nas Federais é definida por decreto, sem qualquer debate prévio com a comunidade universitária ou a sociedade. De outro, uma simulação de debate democrático nas universidades, com a idéia de que a “adesão” ao programa é voluntária. Por que simulação? Porque a chave da proposta é uma chantagem: o governo oferece recursos adicionais para as instituições aderentes, em troca do cumprimento de determinadas “metas”, numa reedição da velha fórmula do contrato de gestão, lançado por Bresser Pereira quando ministro do primeiro mandato de Fernando Henrique. A Autonomia Universitária, princípio garantido pela Constituição de 1988, perdeu-se no caminho.

    As metas são o primeiro sinal do que se esconde por trás da proposta, mas é preciso saber compreendê-las. Entre elas, as principais são: dobrar as matrículas nos cursos de graduação; elevar a taxa de conclusão para 90% e estabelecer uma relação professor-aluno de 1:18, tudo em cinco anos. A princípio, tudo de bom. Quem pode ser contra expandir as vagas e diminuir a evasão. A verdade, porém, é que tais indicadores são absurdos. Uma taxa de conclusão de 90% não existe sequer nos países de desenvolvimento industrial avançado (a média da OCDE é de 70%). Já a relação professor aluno de 1:18 (a média atual é de cerca de 1:14,5), considerando-se a existência de professores em atividades administrativas e de disciplinas práticas com limitações técnicas que exigem número reduzido de alunos (pensemos numa turma de prática de neurocirurgia, por exemplo, e avaliemos se ela pode ter mais de três alunos), significa na prática que as turmas da maioria dos cursos, especialmente as dos primeiros períodos, terão média superior a 70 estudantes, e não há sequer salas de aula suficientemente grandes para isso. Como o Decreto supõe que as Universidades possam chegar a cumprir tais metas?

    Quanto à expansão das vagas, as instituições federais se expandiram muito nos últimos anos. Os dados do próprio MEC indicam que cerca de 84 mil vagas eram oferecidas nas federais em 1995. Em 2005, esse número saltara para mais de 123 mil vagas. Fizeram isto com um corpo de professores e de funcionários técnico-administrativos que se reduziu muito no mesmo período, devido a milhares de aposentadorias não repostas por novos concursos públicos. E com cada vez menos verbas públicas. Hoje, 40 % do orçamento da União está comprometido com pagamento dos encargos das dívidas interna e externa. O MEC fica com menos de 2% do orçamento. Gastos com educação, que eram de 4,38% do PIB em 2002, em 2005 foram de 3,88%. Um salto de qualidade poderia sim ser dado se Lula retirasse o veto de FHC ao artigo do Plano Nacional de Educação da Câmara que previa 7% do PIB para Educação (a proposta de PNE formulada por entidades científicas, educacionais e movimentos sociais previa 10%), até 2010

    Ou seja, as instituições estão trabalhando no limite de sua capacidade física e de pessoal. Para mover tal reestruturação das Universidades Federais, o que o governo promete, mas “condicionado à capacidade orçamentária e operacional do Ministério da Educação”, como está escrito no Decreto, são mais 20% em relação ao orçamento atual de custeio das instituições. Quer dizer que pretendem multiplicar as matrículas de instituições que já estão no limite, aportando um montante de recursos que sequer cobre as perdas orçamentárias registradas nos últimos anos. O que o REUNI mobilizaria de recursos seria um total de 7,2 bilhões de reais, ao longo de cinco anos. Mas, sintomaticamente, para o primeiro ano a previsão de recursos é de menos de 7% do total. E 60% dos recursos seriam desembolsados quando o mandato deste governo já terá acabado. Cabe acreditar que o restante virá depois, seja qual for o governo.

    Para termos uma idéia de ordem de grandeza em relação a esses recursos, apresentamos alguns dados O orçamento das 52 Universidades federais por ano no governo Lula ficou na média em 8,5 bilhões. O orçamento das três Universidades estaduais paulistas este ano é de 4,5 bilhões. Para as instituições privadas de ensino superior o governo transfere por ano até 3 bilhões de reais entre isenções variadas e financiamento de mensalidades (FIES, antigo crédito educativo). Mais de R$ 70 bilhões de reais deixaram de ser investidos na área da educação nos último 12 anos por conta do mecanismo da Desvinculação de Receitas da União (DRU). Não há dúvida de que o montante de recursos que o governo disponibiliza nesse “PAC do ensino superior” é irrisório, mero chamariz para a proposta de conversão das Universidades Federais a um novo modelo de formação superior aligeirada

    Mas, no interior das Universidades, depois de tantos anos de arrocho, com prédios caindo aos pedaços, falta de material de consumo em geral, bibliotecas sem livros básicos, laboratórios sem reagentes, instalações elétricas em curto, entre tantas outras mazelas, a oferta de “novos recursos” parece tentadora. E as administrações superiores (as reitorias) estão fazendo de tudo para convencer-nos que vale a pena cumprir todas as metas do governo para ter acesso a recursos que, nos projetos que apresentam, seriam suficientes para converter as instituições ao modelo proposto pelo REUNI.

    E que modelo é esse? A chave da proposta do governo para multiplicar o número de estudantes nas Instituições Federais, com a manutenção dos gastos nos patamares mínimos atuais e sem contratar professores e servidores em número proporcional é reduzir a duração dos cursos superiores e reduzir o contato dos estudantes com tudo aquilo que diferencia a Universidade Pública de qualidade: os professores que desenvolvem pesquisas originais, os laboratórios de ponta, a iniciação à pesquisa, as trocas com a sociedade através da extensão universitária. O que o decreto do REUNI propõe são cursos ligeiros (de dois ou três anos), com currículos interdiciplinares, não por critérios acadêmicos, mas para que os estudantes possam cursar disciplinas comuns a vários cursos (“ciclos básicos”), criando uma “economia de escala”. Neste tipo de curso se formariam bacharéis em Ciências Humanas, ou em Tecnologia, por exemplo. Mas, e os diplomas de tais “graduações minimalistas”, serviriam para quê no mercado de trabalho? Para ter de fato uma formação profissional em nível superior, os estudantes teriam que cursar complementações (de mais dois a cinco anos), cujas vagas nas federais seriam bem mais reduzidas. Mercado certo para as instituições privadas, que ao fim e ao cabo tiram também do REUNI suas vantagens.

    As administrações superiores das Universidades afirmam que suas propostas de adesão ao REUNI não necessariamente compactuam com tal concepção minimalista da graduação, que seus projetos foram elaborados com autonomia, etc. Será? Na UFRJ, por exemplo, a proposta divulgada pela reitoria apresenta-se como resultado de longo e amplo debate interno, não menciona diretamente o REUNI, mas se compromete integralmente com o Programa do governo, explicitando a intenção de criar os ciclos básicos e os cursos interdisciplinares (embora a duração desses cursos não seja mencionada) Na UFF, uma nova proposta de Regulamento dos cursos de graduação, apresentada em paralelo ao REUNI, abre a possibilidade de que os estudantes de graduação realizem 20% de suas disciplinas a distância, 40% através de “exames de proficiência” (em que o estudante faz apenas uma prova final, sem necessidade de assistir aulas), além de aproveitar 20% de disciplinas cursadas em outras instituições ou cursos diferentes. Ou seja, seria possível assim formar um profissional de qualquer área que só teria assistido aulas nas dependências da Universidade, ou freqüentado seus laboratórios, em uma quinta parte de seu curso. Assim fica fácil compreender a mágica de multiplicar as matrículas sem investir de verdade nas Universidades.

    Os movimentos de estudantes, professores, servidores técnico-administrativos e os setores mais conseqüentes das entidades científicas sempre defenderam a expansão das vagas nas Universidades Públicas (e no ensino médio público, primeiro gargalo a barrar quase 80% dos estudantes que ingressam no sistema escolar no país), para atender a enorme dívida social para com os milhões de jovens que deveriam estar cursando uma graduação no país. Porém, defendemos a expansão de vagas em cursos de verdade, que formem profissionais capacitados a criativamente intervir em suas áreas de trabalho, solucionando os graves problemas que atravessam nosso país. Isso só é possível com a permanente vinculação entre ensino, pesquisa e extensão, ou seja, entre a produção de conhecimento original e sua difusão, para o interior e para fora da Universidade.

    Não há mágica capaz de multiplicar matrículas sem investimentos e ainda assim afirmar-se que se estará formando profissionais com um ensino superior de qualidade. O que se propõe com o REUNI é diplomar um número maior de jovens em habilitações sem qualquer capacidade de inserção nos empregos de fato para profissionais de nível superior. Com isso se dá uma resposta fácil à justa demanda social por ampliação do ensino superior público, mas para agregar mais e mais diplomados ao desemprego e subemprego.

    Por isso, as mobilizações estudantis, de docentes, de técnico-administrativos, de alunos dos pré-comunitários, etc, estão se fazendo sentir em alto e bom tom, através principalmente de massivos movimentos de ocupação de reitorias, para deixar claro aos membros dos Conselhos Superiores e ao governo federal que queremos expansão, mas com qualidade. A classe trabalhadora e seus filhos querem acesso à Universidade, mas a Universidade com toda a sua potencialidade e não a cursos superiores de quinta categoria. Expansão sim, escolão não!

    * Professor Titular de História do Brasil da Universidade Federal Fluminense, onde exerce atualmente a Vice-Coordenação do Curso de História.