As dificuldades intransponíveis no trabalho

Sistema Acadêmico na Internet

Tarcisio Praciano-Pereira

Com correções ortográficas sugeridas (gentilmente impostas) pelo prof.
Vicente, mas o resto dos erros ainda é meu.

A Univ. Estadual Vale do Acaraú está de parabens ao inaugurar o “sistema
acadêmico na Internet”. Conheço universidades que começaram a fazer o
lançamento de notas via Internet em 1998, estavamos com 10 anos de atraso.

Vou usar o feminino como genêrico, fica mais fácil do que estar usando
o/a.

Podia estar melhor se nos tivessem consultado, nós professoras, sobre como
queriamos o sistema, mas isto é muito difícil esperar das administrações que
em geral pensam que sabem tudo e pensam que podem sempre dizer como é que
nós necessitamos das coisas funcionando. É uma pena, porque poderia estar muito
melhor. O pessoal do NTI, em particular, já que diz que o sistema foi feito
com programas abertos, sabe que este método (deveria saber) de interação com
usuários e outras programadoras é muito eficiente e resulta em programas de
alta qualidade. Deveriam ter usado a idéia na construção deste.

Embora sem que me peçam o meu ponto de vista, o que eu considero que tenho
direito a dar e propor, afinal, sou um dos usuários importantes do sistema,
aqui venho eu fazer sugestões para sua melhora e oxalá outros colegas sigam
o meu exemplo e ropam o silêncio trazendo suas críticas para o sistema venha
a ficar realmente bom, como todos esperamos.

1) Porque eu mesmo, professor, que afinal tenho senha, não posso mudar as
notas que eu coloquei ? porque tenho que ir a pé, até a ProGrad para
preencher um papel, assinar cada mudança de nota de aluno ? De uma
certa forma uma volta ao passado, se queriamos (queriamos ?) economizar papel
com esta rotina passamos a gastar tanto papel como antigamente, ou mais, cada
mudança agora é uma folha de papel, por aluno/disciplina – antes era
corretor em cima do velho papel. Haja árvore para suportar esta novidade.
E note-se, quem digitou as notas foi uma funcionária da ProGrad, eu por trás
do vídeo, sem ver o que ela estava digitando. Depois ela imprimiu (em papel) e
me deu para conferir, quer dizer, se tivesse cometido algum erro, nova folha
de papel seria gasta. Bastava que eu eu mesmo pudesse fazer isto, simples, não ?

2) Sugestões para a rotina de lançamentos de notas:

a) eliminar a verificação individual (por aluno) e fazer uma única
confirmação para a turma toda;

b) permitir a gravação dos dados antes da gravação definitiva (salvar).
Desta forma facilita a vida dos que não podem lançar tudo de uma vez e aqui
talvez esteja a razão da confirmação individual;

c) se for alterado como em (b), talvez erros sejam evitados, porque, depois de
lançadas todas as notas a professora pode fazer uma publicação destas notas
em forma preliminar (pode aparecer esta marca na página – PRELIMINAR ) e os
alunos, (os melhores fiscais de suas próprias notas), podem apontar erros
e a professora corrigir antes da gravação definitiva dos dados (salvar).

d) é preciso ter um prazo final, a contabilidade geral somente pode começar
depois que todas as notas estejam lançadas, mas pode se dar agora um pouco
mais de tempo para que a professora lance as notas, faça uma publicação
preliminar, verique os erros. Afinal agora tudo vai andar mais rápido do que
como no passado, quando era em papel, então temos que ter proveito da
melhoria na rapidez para ganhar em precisão e tranquilidade. Acho que
ninguém dúvida de que a tranquilidade também é um direito e um objetivo.

e) talvez não tenham ficado claro os itens (c), (d), estou propondo que
as notas sejam publicadas em dois passos PRELIMINAR, DEFINITIVA. Enquanto a
professora não decidir, fica com a marca PRELIMINAR que se altera a partir do
momento em que a professora fizer a confirmação dos dados. Talvez a mudança
de estatus de PRELIMINAR para DEFINITIVA possa acontecer automáticamente quando
se encerrar o prazo de lançamento de notas. Isto deve ficar claro nas regras
de uso do sistema. Esta possibilidade torna a vida mais fácil, a professora
não precisa retornar à págna (arquivo) da disciplina se concluir que não
há mais errros, o sistema, nada limite, troca o estado da página (arquivo)
de PRELIMINAR pra DEFINITIVA.

f) Um auxílio on-line, informando como fazer. Eu até enviei um e-mail a
“postmaster” fazendo algumas perguntas, e não recebi resposta. Afinal
então, para que serve a “postmaster” se ela não responde as perguntas ? ou
talvez não exista nenhuma postmaster, o endereço que aparece no pé da página
pode ser fictício. O auxílio on-line pode trazer os aspecto legais,
arredondamento, nota mínima para ir a NAF, prazos para lançamentos de notas,
o status PRELIMINAR/DEFINITIVO da planilha de notas, etc… e pode ser
inclusive voltado para o item em questão, como os belos balões de auxílio
local. Enfim, tudo muito bonito e funcional.

3) Outras sugestões:

3.1) Eliminar definitivamente o papel (uma necessidade ecológica). Porque
imprimir em papel (uma volta ao passado) para entregar na
Coordenação de Curso ? A única razão poderia ser a manutenção dos dados em
um meio mais perene, mas isto pode ser alcançado com backup em fita, em DVD
e evitar o uso de papel atulhando as coordenações. Com as notas on line,
podendo ser consultadas a qualquer momento, é desnecessário tê-las em papel.
Seria pela assinatura da docente e da coordenadora?
Ora, a docente, é a única que pode saber se tudo está correto,
assina quando usa a senha, então já assumiu a responsabilidade pelos dados,
torna-se desnecessário a imposição de uma assinatura em papel.
A assinatura da coordenadora é um velho hábito que já deve ser eliminado,
por inútil. Qual é a coordenadora que tem condições de garantir a correção
daquilo que ela está assinando e que outrem fez ? um anacronismo, não?

3.2) O lançamento de notas pode se dar ao longo do semestre, o prazo para o
lançamento pode começar no primeiro dia de aulas. Evitamos assim a tráfego
intenso de fim de semestre, com a publicação das notas como PRELIMINAR
enquanto não estejam todas lançadas (e até o prazo final de lançamento)
aumentamos a probabilidade de acerto. Este aspecto é importante porque vem
de encontro ao regimento da Universidade de que o aluno tem o direito de
saber de suas notas parciais antes da NAF e antes do prazo para trancamento.
Sem usar uma linguagem que detesto, (obrigar), podemos assim estimular as
docentes a lançar as suas notas com a devida antecipação, agora estando
tudo mais fácil estaremos sendo convidados a fazer tudo melhor.

Estas sugestões não foram bem sistematizadas, 2(e) repete em parte 2(c),
2(d). O mesmo pode ser dito dos parágrafos (3) que contém sugestões
relativas ao (2).
Não tentei uma sistematização maior até porque não sei se estou perdendo
tempo, se não vão olhar de banda para minhas observações e amassar e jogar
na cesta de lixo (impossível amassar uma vez que o estou fazendo
eletronicamente…).
Mas declaro, solenemente, estar disposto a participar de uma mesa redonda
para melhorar o sistema, de preferência uma mesa redonda virtual,
eletrônica, muito mais efetiva, com uma coordenadora que sistematize as
propostas e as repasse de volta eliminando repetições.

Ultimamente detesto reuniões em salas, sentado em cadeiras desconfortaveis
e correndo certos riscos.

Tarcisio

A carta de Buenos Aires

Os participantes do VII Seminário da Rede ESTRADO, realizado em Buenos Aires de 3 a 5 de julho de 2008 se manifestaram escrevendo a carta de Buenos Aires.

MANIFESTAÇÃO PÚBLICA

VII SEMINÁRIO DA REDE LATINO-AMERICANA

DE ESTUDOS SOBRE TRABALHO DOCENTE – RED ESTRADO

Os participantes do VII Seminário da Rede ESTRADO, realizado em Buenos Aires de 3 a 5 de julho de
2008, reunindo X trabalhos, Y participantes de Z países, em especial estudiosos do tema “trabalho docente”
em distintos lugares –universidades, sindicatos, movimentos sociais e escolas–, manifestam, publicamente,
o compromisso com a defesa da educação pública e gratuita e igualitária, em todos os níveis, como direito
humano inalienável e dever do Estado.

As investigações apresentadas no VII Seminário atestam que esse direito humano fundamental não vem
sendo assegurado aos povos da América Latina e Caribe. O crescimento do número de matrículas,
verificado na última década, não foi acompanhado de medidas que assegurassem as condições materiais
básicas para uma educação igualitária, como escolas com infra-estrutura, assistência estudantil, condições
dignas de trabalho para os docentes, jornada escolar compatível com processos de ensino e aprendizagem
capazes de assegurar uma ampla formação científica, tecnológica, artística, intercultural e crítica à
colonialidade do saber.

Os determinantes materiais desse grave quadro são muitos, mas sobressaem, em toda região, os reduzidos
orçamentos para a educação pública que contrastam com os elevados gastos com o pagamento do serviço
da dívida pública. A opção pelo capital portador de juros é também uma opção pela manutenção de um
sistema de educação que possui tantas deficiências que, a despeito do trabalho dos educadores, é incapaz
de assegurar a escola pública universalizada e igualitária para todos os povos. Apesar de existir em
determinados países iniciativas que indicam possíveis mudanças no padrão de financiamento da educação
pública, a tendência geral é de orçamentos para a educação incapazes de assegurar infra-estrutura e
remuneração justa aos trabalhadores docentes da América Latina .

A síntese das investigações apresentadas no VII Seminário da RedEstrado apresenta-se como a voz dos
docentes latino-americanos que ao mesmo tempo que insistem nas necessárias melhorias das condições
de trabalho lutam por uma educação democrática e de qualidade socialmente referenciada para todos os
latino-americanos. O Seminário sustenta e expressa a legitimidade desta fala: a dos trabalhadores da
educação. Os trabalhos apresentados no VII Seminário como resultado da produção de conhecimento
autônoma de docentes trabalhadores e investigadores em distintas instituições (acadêmicas e sindicais)
demonstram, a despeito da conhecida dificuldade material que marca nossas condições de trabalho e
estudo, que: a remuneração dos docentes segue em patamares muito baixos, em alguns casos indigna,
dependendo do país; a relação professor/aluno por turma é alta, sobretudo, nos anos iniciais da educação
básica; a jornada escolar dos estudantes é também baixa se comparada aos países centrais – a escola de
tempo integral está longe de ser uma realidade na América Latina -; que a intensificação do trabalho têm
sido uma constante nas escolas latino-americanas, sobretudo, depois das reformas mais recentes e que
têm trazido consigo problemas de saúde dos profissionais em proporções alarmantes; que as condições de
tais condições de trabalho e remuneração têm levado à desqualificação dos profissionais da educação e os
programas de formação docente não são pensados a partir das necessidades que os docentes manifestam.

Os estudos comprovam que na última década os trabalhadores da educação estiveram entre os mais
destacados protagonistas das lutas pelos direitos sociais dos povos latino-americanos, mantendo acesa a
chama dos valores como o universalismo não liberal e não eurocêntrico, por meio da defesa da educação
pública gratuita e igualitária, no bojo de lutas mais amplas contra os tratados de livre comércio, as (contra)
reformas do Estado e as medidas de liberalização e flexibilização econômica. Diversas investigações
confirmam que, justo porque os docentes lutam contra esse quadro, a categoria vem sendo reprimida pela
força policial, pela criminalização e pelo ataque às suas organizações de luta, notadamente os sindicatos
autônomos frente aos governos.

Os estudos apresentados atestam que as lutas docentes também vêm logrando êxitos. Em diversos países
as lutas afirmaram a educação como direito social, quando os neoliberais desejavam convertê-la em
serviço. As práticas de resistência ativa enfrentaram o desafio de um pensamento não eurocêntrico,
promovendo epistemologias que propiciem a perspectiva da interculturalidade, quando o pensamento
hegemônico preconiza a tolerância frente ao multiculturalismo. No escopo dessas práticas educativas
criticas, os educadores fazem avançar a hegemonia dos trabalhadores expropriados e explorados. Muitos
estudos mostram que os saberes antisistêmicos podem ser difundidos por meio de práticas libertárias e
dialógicas com o conjunto dos protagonistas que lutam por uma sociedade para além do capital, em que a
pedagogia autoritária e dogmática é recusada como expressão de práticas que hierarquizam a humanidade
única dos humanos.

A Rede ESTRADO cumpre o seu objetivo ao colocar em circulação essas investigações, ampliando os
espaços de articulação para que o pensamento científico não se limite a explicar a realidade educacional,
mas contribua para a sua real transformação. Os participantes do VII Seminário, expressando o seu
compromisso com esse objetivo, instam publicamente todos os investigadores engajados na luta pela
educação pública de fato universal, a fortalecer, nacionalmente e em todo o continente, os nexos entre os
pesquisadores que, desde distintos espaços, produzem conhecimento crítico no campo educativo. Desse
modo, a voz dos trabalhadores docentes – pela força da teoria e pela organização – ganhará ainda maior
densidade e capacidade de transformar a áspera realidade educacional latino-americana, forjando a
educação integral sonhada e forjada nas lutas dos trabalhadores dos três últimos séculos.


Censura

Alunos meus, aqui na Universidade Estadual Vale do Acaraú, a UeVA, encontraram dificuldade em baixar os nossos textos que se encontram em sua maior parte guardados num drive virtual gratuito, na Internet, http://www.4shared.com. A princípio não entendi a dificuldade e fui entender quando junto com um aluno fui ver o que acontecia: a administração da uvanet, gerência da rede da Universidde, está censurando http://www.4shared.com.

Já é a segunda fez que tenho dificuldades no meu trabalho em virtude de censura na uvanet. Censura é ilegal e muito pior dentro de uma Escola, um local de abertura para conhecimentos. A razão disto me parece clara, embora inaceitável o método:
este site, http://www.4shared.com é um site onde você pode encontrar de tudo, inclusive pornografia, mas também quantidades intermináveis de livros eletrônicos. As publicações do Curso de Matematica de Matemática de Sobral, se encontram lá e de lá foram baixados, desde janeiro de 2007, 3619 GB. Considerando que um livro de porte médio tenha de 5.5 Mb, este volume corresponde a 658 livros distribuidos pela nossa página dentro os vários que estão arquivados no drive http://www.4shared.com. portanto um apreciável serviço público que agora a administração da rede da Universidade resolve censurar.

As nossas listas de exercícios são distribuidas por este site, o que representa uma economia de papel e de trabalho de secretaria, e não somente, uma liberdade de ação para os nossos alunos que podem pegar as listas de exercícios em qualquer acesso que tiverem à Internet nas cidades onde residam. Mas para que coloquemos os nossos textos no drive, temos que acessá-lo, nós os professores, a partir de micros instalados na rede interna da Universidade, eis que a administração da rede decidiu que isto não é premitido. O administrador da rede, decide o que eu, professor, posso ou não fazer. Ele é o meu superior científico! A censura está estabelecida.

Isto para mostrar que a censura é em sí um defeito dos mais graves, além de grave, inconstitucional.

Eu sei que lembrar a “inconstitucionalidade” de uma ação hoje em dia é pouca coisa, meio ridícula, porque a Constituição, de tanto remendada já perdeu o repeito mas me maltrata, pessoalmente ver a Universidade agir de forma “anticonstitucional” usando de censura nos seus meios de comunicação.

Apelei para o prof. Timbó, diretor do CCET para que se dirigisse a quem direito na administração da Universidade para por um termo à censura na Internet. Para evitar abusos somente há uma forma adequada, em particular numa Instituição Educacional, é EDUCAR as pessoas envolvidas para que elas compreendam a importância deste meio de comunicação voltado para a atividade específica de nossa instituição que é produzir
o engrandecimento cultural.

Mesmo esquecendo (e podemos realmente fazê-lo) que a censura é uma atividade inconstitucional, portanto ilegal, o bom censo mostra que proibições generalizadas prejudicam o trabalho normal das pessoas. O meu trabalho está sendo prejudicado uma vez que os meus alunos perderam acesso às listas de exercícios publicadas via página do Curso de Matemática em http://www.4shared.com ou dos nossos livros eletrônicos que se encontram lá disponíveis e fora do acesso dos nosos alunos.