Central de catadores pode ser expulsa de bairro nobre

Central de catadores pode ser expulsa de bairro nobre em São Paulo

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por Michelle Amaral da Silva última modificação 12/03/2009 17:29

Criada em 2003, o projeto chegou a ter 80 cooperados trabalhando na Granja Julieta, um dos bairros mais valorizados da cidade de São Paulo
Criada em 2003, o projeto chegou a ter 80 cooperados trabalhando na Granja Julieta, um dos bairros mais valorizados da cidade de São Paulo
12/03/2009

Joelma do Couto,
Revista Fórum

Os catadores de materiais recicláveis da Cooperativa de Catadores Granja Julieta Nossos Valores denunciam pressão da prefeitura e de comerciantes para retirar a central de coleta da região. A movimentação se acentuou a partir de 12 de dezembro de 2008, quando o local foi destruído por um incêndio que, segundo os integrantes da cooperativa, pode ter sido criminoso.

Criada em 2003, o projeto chegou a ter 80 cooperados trabalhando na Granja Julieta, um dos bairros mais valorizados da cidade de São Paulo. Ao lado de empreendimentos imobiliários de alto padrão, existem planos de construção de avenidas, parques e centros esportivos, incluido a da Ponte Burle Marx (para ligar o parque Burle Marx à avenida Professor Alceu Maynard de Araújo). Grupos imobiliários usam as possíveis intervenções futuras em seus anúncios para indicar que a região “também promete muita valorização” para seu novo investimento. Comerciantes e grupos políticos estariam pressionando a prefeitura a retirar definitivamente a central da região.
A sede, cedida pela subprefeitura de Santo Amaro, fica dentro de um terreno onde também funciona o almoxarifado da subprefeitura, na Avenida Professor Alceu Maynard de Araújo, 292. Mesmo sem ter esteiras e nem sobrepiso, a cooperativa é citada na página eletrônica da subprefeitura como exemplo de bons resultados.

“O trabalho silencioso realizado pelos catadores da Cooperativa da Granja Julieta trazia benefícios para o bairro que vão além da economia causada pelos materiais retirados do lixo e enviados para reciclagem”, sustenta Ana Maria Domingues Luz, presidente do Instituto GEA – Ética e Meio Ambiente “A cooperativa retirou muitas pessoas da rua e lhes deu oportunidade de trabalho e de inclusão na sociedade. Oportunidade de poder pagar por sua moradia, de manter seus filhos na escola”.

O subprefeito Geraldo Mantovani Filho (ex-prefeito de Águas de Lindóia) disse ser solidário a causa dos cooperados, mas sustenta ter sua ação limitada diante de grupos políticos que estariam atuando para impedir a reabertura da central, ainda que provisória.

Ana Maria Domingues Luz lamenta “Tudo isso está suspenso e correndo o risco de se perder totalmente, porque o governo municipal não concorda em emprestar um galpão sem uso para que os catadores possam voltar a trabalhar. Essa posição é absurda e cruel.”

Mara Lúcia Sobral Santos, que assumiu a presidência da cooperativa após o incêndio protesta: “Hoje, estamos aqui, mas já viemos de outro lugar, amanhã não sabemos, não temos direitos, principalmente se somos negros e negras. É um sentimento de dor e revolta, sinto-me como um bicho acuado, não um ser humano”.

Incêndio e desencontros Os cooperados da Granja Julieta que já estavam desde setembro sem salário em dia por causa da redução do valor pago pelos materiais recolhidos. Depois do incêndio, que segundo os cooperados, teve origem criminosa, a situação ficou pior. A Secretaria de Assistência Social não teria prestado apoio adequado, e as cestas básicas que deveriam ter sido oferecidas não foram liberadas. Segundo informações de funcionários da subprefeitura de Santo Amaro, a falha foi no sistema de planejamento de compras que levou a secretaria ao desabastecimento.

A cooperativa funciona vinculada à Secretaria de Serviços, o que acarreta alguns problemas. “A Coleta Seletiva é vista pela Secretaria de Serviços/Limpurb como um problema e não como uma solução”, lamenta Nina Orlow, da Agenda 21. Segundo ela, as subprefeituras que se envolvem e tentam ajudar esbarram na “estrutura de competências”, já que a Secretaria de Serviços promove ações de Educação Ambiental, consideradas precárias, desarticuladas e sem investimentos. “E a Educação Ambiental é o ponto fundamental na base para o sucesso dessa atividade”, pondera.

Todas as tentativas feitas pela subprefeitura de Santo Amaro para resolver o problema foram em vão. A transferência destes trabalhadores para outras centrais foram uma a uma abrindo outras feridas e deixando exposto toda a fragilidade e desrespeito com que é tratada educação Ambiental e a Inclusão Social na cidade de São Paulo.

Um dos destinos foi a central Miguel Yunes, que trabalha há cinco anos sem energia elétrica própria. A força vem “emprestada” pela Eco-urbis, pois a Limpurb e a subprefeitura impedem uma definição sobre em nome de quem a concessionária deve instalar a energia no local. Outro problema encontrado pelos cooperados de Miguel Yunes é ao esgoto que chega a se espalhar na área. Alguns cooperados estão trabalhando na central da Capela do Socorro, mas, no local não existe espaço para todos. A transferência de associados para centrais mais distantes mostrou-se inviável também, já que não há dinheiro para o transporte.

Fábio Luiz Cardoso sócio educador ,membro do Instituto GEA Ética e Meio Ambiente e da coordenação do Projeto de Coleta Seletiva Brasil Canadá está acompanhando o caso da cooperativa da Granja Julieta afirma que “Políticas de incentivo por parte do governo, municipal, federal e estadual as cooperativas de reciclagem são mais que necessárias a fim de manter um serviço essencial a população que é a coleta seletiva, a manutenção dos empregos gerados e o reconhecimento desta categoria no país”.
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2009-01-15

Protesto dos ciclistas na Paulista

por Mario Amaya

Dia maldito numa cidade maldita

“São Paulo é mesmo uma cidade maldita.” Eram os meus sentimentos desolados ao deixar a sede da editora Digerati, na Haddock Lobo, onde estava fazendo um frila, para reunir-me aos ciclistas que fariam o protesto e ato de memória pela morte da ciclista Márcia Regina de Andrade Prado, integrante do grupo ativista Bicicletada, atropelada de maneira estúpida e covarde por um ônibus na Avenida Paulista. Saí em meio a uma absurdamente intensa tempestade de verão, como se uma força maligna viesse tentar destruir qualquer esperança de expressão da raiva e luto dos colegas ciclistas. Minhas esperanças de que o ato fosse significativo desabavam junto com a torrente, pois achava que a chuva dispersaria o pessoal. Mas felizmente estava enganado. Em torno de 60 pessoas persistentes simplesmente não se importaram com o clima e fizeram uma ciclopasseata a partir da Praça do Ciclista, ponto de reunião da Bicicletada nas tardes de sexta-feira, que fica no penúltimo quarteirão da própria Av. Paulista. O grupo foi pedalando (e eu a pé) até o local da morte, na altura da ruína da mansão Matarazzo. Fecharam duas das três faixas da avenida e promoveram uma mistura de cerimônia e protesto. O clima, além de pesar, era de intensa raiva. A PM apareceu com motos, escopetas e palavras brutas, mas fez um acordo com os ciclistas. A polícia sabia que não era hora de iniciar ali uma guerra. Pois se fosse o caso, haveria quem lutasse; ciclistas já estão acostumados à ideia da desvantagem física em qualquer tipo de confronto urbano. Poderíamos ter chutado os veículos, nos deitado na avenida, sido presos. Em vez disso, trazíamos flores nas mãos. Uma pessoa de carro até tentou avançar nos manifestantes que ofereciam as flores aos motoristas que passavam pelo quase-bloqueio. Faltou muito pouco para não acontecer um incidente violento nesse instante. Mas houve paz e nada mais de ruim aconteceu. Velas foram acesas e colocadas num círculo de pétalas de rosas brancas e vermelhas no local do acidente, que quando chegamos já estava completamente lavado e isento de vestígios de sangue. O grupo fez uma roda, com elegias e orações. A chuva, mais fraca, insistia em não parar completamente. Depois de todos irem embora, dois cavaletes de madeira ficaram protegendo o monte de flores e velas no asfalto úmido. Guarda-chuva numa mão e câmera emprestada na outra, registrei o que vi.

O que aconteceu

O motorista que matou a Márcia fez, segundo testemunhas, uma clássica manobra ilegal de ônibus, que todo mundo já viu. Ele ultrapassou a ciclista, que vinha pedalando na faixa da direita. Antes que houvesse aberto espaço suficiente, o ônibus começou a retornar para a faixa, espremendo a ciclista contra o meio-fio, até derrubá-la por contato direto da lateral do veículo com o guidão da bike. Caída no piso, as rodas traseiras do ônibus passaram por cima da sua cabeça, causando morte instantânea.

Para adicionar um gigantesco insulto à injúria fatal, o corpo de Márcia ficou exposto no asfalto durante QUATRO HORAS no local mais importante da cidade.

O motorista do ônibus disse à imprensa que tem a consciência tranquila e não sente nenhuma culpa, que foi uma fatalidade. Errado. O Código de Trânsito estabelece distância lateral obrigatória mínima de 1,5 metro entre veículos e bicicletas. Com base na lei, ele é um criminoso. Cometeu homicídio culposo. Será processado por isso. Mas e o que se fará com os milhares de outros bárbaros que praticam a tal manobra impunemente todos os dias? De que maneira faremos que mudem seu pensamento e o seu comportamento, numa cidade onde a educação e a fiscalização são tão ineficazes? Todo ciclista urbano pode contar pelo menos uma história de agressão por ônibus, além das dezenas de pequenas más educações de cidadãos motorizados de todo tipo que testemunhamos, a cada saída nossa para a rua.

Veja que tudo o que se disse sobre a péssima relação entre motorizados e bikes é aplicável a pedestres, também. No mesmo dia, na mesma avenida, dois pedestres foram atropelados. Um deles morreu ali mesmo na rua. Portanto, enfie na cabeça: o problema é de todos. Não é problema de um grupo de ativistas. É problema de toda a cidade. É um problema social e cultural, acima de tudo. Simplesmente com respeito humano, mesmo com as ruas inadequadas que temos, crueldades gratuitas já não aconteceriam. Seriam evitáveis com um pouco a mais de civilização.

Falo de civilização sem chutar, com propriedade. Eu estive na Suíça. Em qualquer lugar da rua em Berna, onde eu fizesse apenas menção de botar o pé para fora da calçada, os carros paravam e esperavam tranquilos. Não precisava nem ser na faixa de travessia: isso valia em qualquer ponto da rua. Ouço dizerem que em cidades no Sul do Brasil os motoristas chegam a dar passagem a pedestres na faixa independentemente do semáforo, o que nem é algo especial, é simplesmente obedecer a lei. Por que nunca deu para cultivar um comportamento não-agressivo em São Paulo? Aqui há uma loucura coletiva e generalizada para queimar semáforos. E se você inventar de atravessar a pé, mesmo que na faixa e até com o semáforo a seu favor, o motorista cretino, que já chega a toda velocidade – porque estudou o trajeto de forma a saber onde há radar e onde ele pode abusar do acelerador – apenas buzina para que você fuja correndo da frente dele. É um desvio de comportamento público, uma falha de caráter geral do povo, que precisa ser resolvida na escola, na família e na mídia. É simples educação básica. Não estou pedindo nada impossível.

Ou isso, ou vamos ter cada vez mais proponentes de um estado policial, onde tudo só se resolve na base da multa, da coerção, da ameaça, da vigilância, da desconfiança.

Falta a simples aplicação do que diz o Código de Trânsito que está em vigor: os veículos maiores tem obrigação de proteger os menores. Os veículos menores têm prioridade, e os não-motorizados têm prioridade total. Sem discussão. Sem exceções. Cumpra-se a lei. Em vez disso, os maiores estão massacrando os menores, várias vezes por dia. O trânsito mata mais gente todo dia do que as principais doenças. É uma guerra. Quando escrevi numa lista de discussão contra os SUVs, teve gente que achou ruim. Mas uma causa primária de escolher um SUV para dirigir nas ruas congestionadas de São Paulo é exatamente intimidar os outros no trânsito e ocupar todos os espaços. Enquanto essa mentalidade brutalizada e prepotente persistir em ascensão, cada vez mais gente vai morrer inutilmente na rua.

Argumentos contra idiotas

Já vi em fóruns na Internet uma variedade de imbecis virem com argumentos para desencorajar o uso da bicicleta como transporte de rua. É o seguinte: a partir de agora, não praticarei mais a diplomacia. O sujeito que não quer que eu pedale na rua e não me respeita é meu inimigo. E será tratado como tal. Na minha opinião, os seus argumentos são imbecis, egoístas e desinformados. E não podem prevalecer. Devem ser combatidos e extintos.

Andar de bike é coisa de mauricinho – A realidade é exatamente ao contrário: o custo de acesso da bicicleta é baixíssimo. Tem bike para vender na entrada de todo supermercado. E todas as bikes, independentemente do modelo, têm o mesmo princípio de operação. O que a pessoa pedala é totalmente irrelevante no trânsito. O respeito deve ser igual para todos.

A rua não foi feita para acomodar bicicletas – É óbvio, caro mentecapto, que a rua não foi feita para acomodar bicicletas. A rua foi, sim, estabelecida para ser usada somente por veículos motorizados. Só que isso é um erro. Deve ser corrigido. Transportes alternativos precisam ser promovidos. O que temos na prática? A nova ponte estaiada em São Paulo, que alguns exibem como cartão-postal da cidade, não tem calçadas. A entrada de bicicletas nela está proibida. O projeto dela é exclusivamente para os carros particulares. Ônibus e caminhões também não podem usar a ponte. Mas tem uma coisa: a lei manda que exista acesso de todas as vias não subterrâneas a pedestres e ciclistas. A ponte foi construída contra a lei, na cara-dura. É preciso que isso nunca mais aconteça daqui em diante.

As bikes devem ficar fora da rua para dar espaço aos carros – É o mais comum e mais idiota dos argumentos dos energúmenos e trogloditas do volante. Minha resposta: o seu carro é caro, poluente, ineficiente e ocupa um espaço muito maior. Mesmo assim, eu não acho que você não tenha direito de trafegar. Não quero banir o seu carro da rua. Estou apenas demandando o uso socialmente responsável do veículo. A rua é para todos andarem nela, com o veículo que quiserem. Bicicleta é um tipo de veículo. Reconhecido e com normas próprias no Código de Trânsito. Estando isso esclarecido, faça o favor de calar a boca.

É preciso que façam mais ciclovias – Sim, este argumento foi contabilizado entre os idiotas. Antes que você se ofenda, fique claro um detalhe: não sou contra as ciclovias em si. Acontece que em São Paulo ciclovia ainda é um delírio, piada de mau gosto, promessinha de político demagogo e discurso vazio de pseudo-urbanista. E todo tipo de desinformados repete que o que os ciclistas querem é ciclovias. NÃO. Os ciclistas querem respeito. Separá-los em vias próprias não é pré-requisito. A nossa rede viária monstruosa, o volume de tráfego descontrolado, a topografia ingrata e os custos de construção impedem que se monte uma rede de ciclovias razoável em curto tempo. O problema mais básico não é estrutural. Repito: é um problema de atitude, de humanidade. Se eu precisar andar de bicicleta na rua, vou querer fazer isso agora, independentemente das obras viárias. Esperar que um dia passe uma ciclovia na porta de casa seria tão irreal quanto um motociclista esperar que se pintassem faixas exclusivas para motos. E, igualmente importante, não vou usar um carro por medo ou pressão social. O número de pessoas de cabeça aberta está aumentando, apesar do desestímulo da sociedade automobilítica ao uso da bicicleta como algo além de brinquedo de parque. Em países mais civilizados existe a ciclofaixa ou faixa compartilhada, que funciona porque as pessoas não tentam assassinar umas às outras usando seus veículos como armas.

É preciso ser maluco para pedalar em São Paulo – Estou completamente farto desta frase, que só sai da boca de pessoas ignorantes e acomodadas, que nunca pedalam, que demonstram incapacidade para pensar no assunto de maneira minimamente diferente do consenso burro do rebanho que entope as ruas. A cidade é uma porcaria para pedalar exatamente por causa dessa mentalidade de manada. A situação não está boa para ninguém, nem mesmo para os carros, que mal conseguem avançar com os congestionamentos cada vez maiores. Contudo, apesar dos obstáculos e ameaças contra as pessoas sem motor, 300 mil ciclistas em SP demonstram que viver pedalando é, sim, possível. A monocultura do automóvel individual, numa cidade como a minha, é um equívoco. Precisa mudar. E rápido. Quem sabe dentro de alguns anos, maluco seja considerado quem insiste em desperdiçar gasolina em engarrafamentos, enquanto as bicicletas passam por eles livres.

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Holocausto palestino

  1. Para os incautos que vem Israel com uma boa moça .
  2. Os refuseniks .

Para os incautos que vem Israel com uma boa moça

Sábado, Agosto 12, 2006
Jean Shaoul
publicada por carlos manuel às Sábado, Agosto 12, 2006

“OS CRIMES DE GUERRA DE SHARON NO LÍBANO”
A seguir, a primeira, de uma série de três partes, de um estudo examinando o papel do primeiro-ministro Ariel Sharon nos crimes de guerra cometidos durante a invasão do Líbano, em 1982, que culminou com o massacre dos refugiados palestinos de Sabra e Shatila.

A tentativa dos palestinos de levarem o primeiro-ministro Ariel Sharon diante da corte belga, sob acusação de crimes de guerra, parece ter sido frustrada. Em 14/02/02, a Corte Internacional de Justiça em Haia, decidiu que líderes de governos passados e presentes não podem ser julgados por crimes de guerra por um estado estrangeiro, por causa de sua imunidade diplomática, só podendo ser responsabilizados em seu próprio país.

Sob uma lei de 1993, a Bélgica se deu o direito de julgar crimes de guerra cometidos por qualquer um, em qualquer lugar, a qualquer tempo. Em 6 de março, um juiz belga deveria julgar se um caso contra Sharon iria a julgamento, mas um conselheiro jurídico do governo belga, Jan Devadder, disse que a Corte Internacional de Justiça “tinha claramente legislado para líderes de governos e chefes de estado gozarem de completa imunidade contra qualquer julgamento. Na minha opinião, o caso Sharon está encerrado.”

A corte determinou que ex-funcionários de governo, ou na ativa, não poderiam ser julgados num tribunal estrangeiro porque “durante a duração do seu cargo [o ministro] quando no exterior usufrui de total imunidade de jurisdição.” Seria assim, estivesse ou não o acusado fora do país em atividade oficial ou particular.

A corte salientou que a decisão não tem qualquer relação com o julgamento do ex-presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, porque ele está sendo julgado por um organismo internacional, a ONU, e não por um governo estrangeiro. Mas, afora esta tecnicalidade legal, a Corte Internacional de Justiça tornou claro que deseja ver apenas aqueles acusados de estarem agindo contrariamente aos interesses dos poderes imperialistas que enfrentam acusações, mas não seus aliados políticos, como Sharon.

A este respeito, Sharon ainda enfrenta acusações relativas ao massacre brutal de 2.000 palestinos nos campos de refugiados de Sabra e Shatila, de Beirute, em setembro de 1982. A acusação, apresentada em nome de parentes de algumas de suas vítimas, alega que Sharon foi responsável como ministro da Defesa do poder ocupante, que pelo Direito Internacional tinha a responsabilidade da segurança total da população e era parte de um acordo para proteger os palestinos. Também responsabiliza Sharon pelo papel direto que o exército israelense desempenhou no subseqüente confinamento, tortura e desaparecimento de muitos habitantes dos campos.

A responsabilidade de Sharon por Sabra e Shatila é bem conhecida. Após a repercursão interna e externa, o governo israelense foi forçado a abrir inquérito. O resultado da Comissão Kahan concluiu pela responsabilidade direta de Elie Hobeika, o chefe da milícia fascista libanesa que realizou o banho de sangue, mas disse que Sharon tinha “responsabilidade pessoal”. Ele foi forçado a renunciar a seu posto em 1983, embora permanecesse no gabinete.

Sharon se opôs vigorosamente a qualquer tentativa de ser julgado e todos os principais partidos políticos de Israel acorreram em sua defesa. Israel pressionou a Bélgica para mudar suas leis e levantou acusações de anti-semitismo, numa tentativa de impedir a continuação do caso contra seu primeiro-ministro.

Existem também acusações de que as forças israelenses mataram Hobeika, algumas semanas atrás, a fim de que uma testemunha chave dos acontecimentos de 16 a 18/09/82 fosse eliminada. Com a aprovação das Forças de Defesa de Israel (FDI), Hobeika e o Major Saad Haddad, do exército do sul do Líbano, entraram no campo de refugiados e continuaram com a devastação durante 40 horas. Eles eliminaram cerca de 2.000 homens, mulheres e crianças, porque as FDI tinham fechado todas as saídas. Hobeika foi morto alguns dias depois de anunciar que iria testemunhar contra Sharon.

O caso chegou numa hora particularmente sensível. O indiciamento e julgamento de um primeiro-ministro na ativa transformaria a posição do estado sionista aos olhos da opinião mundial e prejudicaria seriamente os principais defensores de Sharon, a administração Bush dos Estados Unidos. O fato de que o caso tenha chegado até onde chegou é um indicativo da crescente divergência entre Europa e Estados Unidos sobre o Oriente Médio, em geral, e o conflito israelo-palestino, em particular.

Há uma crescente frustração nas capitais européias em relação ao cada vez maior apoio de Bush à guerra de Sharon, que ameaça detonar tensões sociais por todo o Oriente Médio e desestabilizar os regimes árabes, de quem eles dependem para vigiar seus interesses financeiros. Mas, nenhum governo europeu, inclusive o belga, desejaria verdadeiramente expor Sharon diante de uma corte e a decisão de Haia será um alívio.

No entanto, independente do que possa acontecer agora na Bélgica, quem quer que deseje compreender a natureza do regime sionista e os motivos subjacentes da renovada ofensiva militar do governo de coalizão israelense contra os palestinos, deve analisar os acontecimentos que levaram aos massacres de Sabra e Shatila e a participação criminoso de Sharon neles.

Israel, Líbano e o expansionismo sionista

Ainda que a atenção pública tenha se voltado para as atrocidades de Sabra e Shatila, os registros mostram que o que houve foi o resultado de 15 anos de ação militar israelense no Líbano, a maior parte constituída de crimes de guerra. O objetivo de Israel era dispersar os refugiados palestinos surgidos com a criação do estado sionista e pelas guerras de 1948, 1967 e 1973. Para este fim, Sharon procurou destruir as organizações políticas e militares incipientes; disseminou divisões entre os palestinos e aqueles países onde eles foram buscar proteção; e impediu a unificação das classes trabalhadores e das massas oprimidas contra Israel e seus defensores imperialistas.

Israel apresentou sua ação militar no Líbano e a posterior invasão em 1982, que levou ao bombardeio e cerco de Beirute, à expulsão da OLP e às atrocidades de Sabra e Shatila, como uma reação defensiva contra os ataques palestinos às suas aldeias no norte. Mas, na verdade, o registro histórico mostra que sua “Operação Paz na Galiléia” foi o resultado inexorável da lógica do expansionismo sionista.

A invasão israelense do Líbano, em junho de 1982, foi preparada através de várias provocações contra os palestinos e planejada no Líbano para torpedear o plano de paz do rei Fahd, de 1981, (depois denominado Príncipe Herdeiro e hoje Rei da Arábia Saudita). Este plano reconhecia o direito de Israel de existir e pedia um estado palestino nos territórios ocupados por Israel desde a guerra de 1967. Esta solução do conflito israelo-palestino representou um corte nos planos de Israel de expandir suas fronteiras, planos estes implementados parcialmente com a guerra de 1967.

Há muito tempo os sionistas tinham interesse no Líbano, um dos quatro pequenos estados da província síria do Império Otomano, criado pelo imperialismo francês como resultado da I Guerra Mundial. Em 1938, Ben Gurion, que tinha se tornado primeiro-ministro em 1948, visualizou um estado de Israel que compreendia o sul do Líbano até o rio Litani – um importante fornecedor de água. Sua perspectiva incluía uma aliança com os cristãos maronitas do Líbano, um dos vários grupos estimulados pelo regime colonial francês – apesar do fato de que muitos apoiavam a Alemanha fascista – como um baluarte contra as massas árabes muçulmanas e o nacionalismo árabe.

Em meados dos anos 50, pensou em acabar com o Líbano, estabelecer um estado cristão e anexar o sul do Líbano. O chefe-de-estado Moshe Dayan, pressagiando o que iria acontecer ao final dos anos 70, achou que isto poderia ser conseguido através de conquistas ou o suborno de um oficial militar que seria colocado como chefe dos maronitas e ofereceria o pretexto para uma invasão israelense.

Israel adiou estes planos em respeito à França, o poder patrocinador no Líbano quando os dois países se juntara com a Inglaterra em 1956, para invadir o Egito e depor o presidente Nasser, que tinha nacionalizado o Canal de Suez e outros interesses dos poderes imperialistas. Até certo ponto, os planos de Dayan se realizaram em 1979, quando Israel, desafiando a ONU, ocupou o sul do Líbano que tinha sido tomado depois de sua invasão em 1978, do major Saad Haddad, um desertor do exército libanês.

A guerra de junho de 1967 foi um ponto decisivo na história de Israel. A entidade sionista, que formava um dos quatro estados da antiga província síria do Império Otomano e cercado por vizinhos árabes hostis, era inviável com aquelas fronteiras. Embora o governo trabalhista nunca tenha declarado isto abertamente como sua estratégia, aproveitou a oportunidade provocada pelo Egito para pôr em prática os antigos planos das forças armadas de estender as fronteiras de Israel pelo que tinha sido o mandato britânico na Palestina e parte da Síria. Estas fronteiras “naturais” seriam mais fáceis de defender e permitiriam a Israel ter acesso ao rio Jordão e seus mananciais.

Esta política da “Grande Israel”, deu origem a uma nova camada social – principalmente entre os colonos judeus dentro dos territórios ocupados – comprometida com essa política expansionista, ideológica e materialmente. Para esta camada, de quem mais tarde o general Sharon se tornou porta-voz, o Líbano era um questão inacabada.

Ao mesmo tempo, a guerra criou uma nova geração de palestinos que fugiu ou foi expulsa pelas FDI. Muitos foram para o Líbano, onde já havia campos de refugiados desde 1948, que aumentaram depois da guerra assassina do Rei Hussain da Jordânia contra os palestinos, em 1970-1.

A guerra de junho de 1967 também levou à criação da OLP, sob a liderança de Yasser Arafat, como um movimento de massa comprometido com a luta armada em busca de um estado palestino

Depois da expulsão da liderança da OLP da Jordânia, em 1970, Beirute tornou-se não só o berço político, social e cultural do movimento palestino como também quartel-general da OLP. Assim, Beirute transformou-se também numa fortaleza inimiga a ponto de preocupar Israel.

A política de terra arrasada de Israel no Líbano

Enquanto Israel praticava muito dos ataques terroristas contra sua própria população, havia poucos relatos sobre sua campanha de terra arrasada contra o Líbano entre 1978-74. Isto se justificava em razão da necessidade de se defender os assentamentos do norte contra os ataques palestinos.

Para citar um exemplo, o ataque terrorista palestino a Ma’alot, em maio de 1974, onde 20 adolescentes foram mortos, foi precedido de várias semanas de bombardeios israelenses com bombas de fósforo e napalm nos campos de refugiados no sul do Líbano, resultando na morte de mais de 300 pessoas. Dois dias antes de Ma´alot, um ataque aéreo israelense ao vilarejo de El-Kfeir, no Líbano, matou quatro civis.

A campanha de Israel também teve por objetivo minar o apoio popular aos palestinos, semeando a discórdia entre palestinos e libaneses, forçando o governo do Líbano a suprimir a OLP. Abba Eban, ministro do Exterior de Israel no período de 1966 a 1974, disse que a política de governo foi baseada na “perspectiva racional”, finalmente cumprida, que afetou as populações a ponto de elas exercerem pressão para o fim das hostilidades.[grifo do autor]

O exército libanês registrou mais de três mil violações do território libanês pelas forças armadas israelenses, entre 1968 e 74, numa taxa média de 1.4 incidentes por dia. Em 1974-75, essa taxa aumentou para 7 incidentes por dia. Durante 1968-74, 880 libaneses e palestinos foram mortos em decorrência dos ataques israelenses. De acordo com dados oficiais da ONU, 3.500 foram mortos no Líbano, na Síria e na Jordânia em ataques aéreos israelenses. Ainda que não existam números em separado referentes aos palestinos, estima-se que deve ter sido pelo menos duas vezes mais do que os libaneses.

Em 1975, Israel matou cerca de dez vezes mais palestinos e libaneses em ataques de fronteiras do que o número total de israelenses mortos em ataques comandados por palestinos em 1982. Milhares de palestinos foram feridos e outros tantos obrigados a fugir de suas casas no sul do Líbano e a buscar relativa segurança em Beirute eem outras cidades. Ao final dos anos 70, este número era de 250 mil. o objetivo era criar uma zona desmilitarizada no sul. Para se conseguir isso, 150 acampamentos palestinos e aldeias foram postos abaixo e as oliveiras e plantações destruídas.

Em meados dos anos 70, o Partido Fatah de Arafat, a facção dominante da OLP, adotou a “solução dois estados”, defendendo um mini-estado palestino na Cisjordânia e Gaza, que esperava pudesse ser conquistado através de negociações com Israel e começou a se afastar dos atos terroristas dentro de Israel. Isto não parou os ataques israelenses no Líbano, que, na verdade, até aumentaram. Depois que 30 aviões de guerra bombardearam e varreram os campos de refugiados palestinos e as aldeias próximas, matando 57 pessoas, em dezembro 1975, o governo israelense alegou que o objetivo tinha sido de caráter preventivo e não punitivo.

Tais ataques tiveram por meta torpedear qualquer tentativa de se chegar a uma solução para o longo conflito, que incluía um estado palestino. Apenas dois dias mais tarde, apesar das objeções iradas de Israel, o Conselho de Segurança da ONU dedicou uma sessão para discutir a iniciativa árabe para o acordo de dois estados, abrindo, assim, o caminho para a participação da OLP nas conversações. Os Estados Unidos vetaram a proposta. Longe de impedir o terrorismo, os ataques israelenses provocaram uma resposta por parte dos palestinos e impedindo qualquer possibilidade de a ONU concordar com um estado palestino.

A explosão da primeira fase da guerra civil libanesa (1975-76) mostrou a inviabilidade do estado truncado, dilacerado por divisões criadas e estimuladas pelo imperialismo francês como uma forma de preservar sua influência e interesses. No que era essencialmente uma guerra de classe entre os palestinos e suas aliados muçulmanos contra a elite governante cristã maronita, o governo israelense apoiou as várias milícias cristãs maronitas rivais – os autores dos massacres Tel al Zaatar e Khiyam para citar dois – como seus agentes contra a OLP e seus aliados muçulmanos. Quando pareceu que as forças palestinas e muçulmanas poderiam prevalecer, o exército sírio interveio para preservar o estado libanês e o establishment maronita.

Em maio de 1977, o partido de direita Likud, de Menachem Begim, chegou ao poder, acabando com quase 30 anos de domínio do Partido Trabalhista na vida política israelense. Abertamente comprometido com a política da “Grande Israel”, Begin expandiu as relações com os maronitas, apoiando os falangistas Pierre e Bashir Gamayel contra os partidos rivais.

O Mossad, serviço de inteligência de Israel, supriu a Falange com códigos, morteiros, tanques, equipamentos de comunicação, minas e explosivos. Funcionários do Mossad foram colocados no comando cristão, para, na aparência, ajudar os falangistas com os equipamentos israelenses mas, na verdade, era para fornecer serviço de inteligência sobre a guerra civil e iniciar os ataques contra as fortalezas palestinas no Líbano. Operações posteriores seriam estendidas contra os xiítas libaneses do sul do Líbano, que eram, na época, aliados dos palestinos. Nos cinco anos seguintes, a guerra civil crescia e declinava no Líbano com constantes trocas de alianças, mas Israel continuava a apoiar a milícia cristã fascista, com US$ 100 milhões por ano.

Em 1977, os palestinos entregaram seus armamentos pesados na primeira fase do acordo de Shtaura, por meio do qual o governo libanês, a Síria e a OLP impuseram um congelamento nos ataques palestinos na fronteira e tentaram resolver a guerra civil. Os israelenses responderam a esta iniciativa de paz com uma campanha de intensos bombardeios provocativos, nos quais 70 pessoas, quase todas libanesas, foram mortas. Além disso, a milícia Haddad, controlada pelos israelenses no sul do Líbano, iniciou uma ofensiva com o apoio israelense, com o objetivo de acabar com os planos do governo libanês de empregar seu exército no sul.

Em março de 1978, Israel invadiu o Líbano em retaliação a um ataque terrorista praticado pelos comandos palestinos, que, saindo de Beirute, alcançaram Israel por mar e mataram 34 israelenses. A invasão sangrenta levou à morte de mais de 2.000 pessoas e expulsou mais de 250.000 pessoas de suas casas no sul.

O bombardeio israelense continuou em 1979. O governo libanês compilou uma lista em que mostrava as perdas libanesa. Perto de 100 libaneses foram mortos ou feridos em apenas um dia de abril, enquanto que cerca de 1.000 foram mortos e 224 feridos entre abril e agosto daquele ano.

Sharon se torna Ministro da Defesa

A inesperada reeleição de um governo do Likud, com o crescimento da maioria, em junho de 1981, trouxe uma mudança no gabinete de Begin. O general Sharon tornou-se ministro da Defesa. Quando jovem, Sharon tinha estado em Gadna, um batalhão paramilitar da juventude, antes de se juntar ao Haganah, a Força de Defesa Judaica clandestina e precursora das FDI.

Depois da criação do estado de Israel, em 1948, Sharon chefiou unidades de comando que eram especializadas em ataques “atrás das linhas”, obrigando os palestinos a fugirem de suas casas. Sua Unidade 101 atacou e matou 50 refugiados no campo de refugiados de El-Bureig, ao sul de Gaza, então sob domínio egípcio. Sharon alcançou a notoriedade pela primeira vez em 1953, quando, como comandante da Unidade 101, invadiu a Jordânia e explodiu 45 casas da aldeia de Qibya, na Cisjordânia, então sob domínio jordaniano. A Unidade 101 matou 69 pessoas, metade delas mulheres e crianças.

Sharon conduziu outros ataques brutais na Jordânia, em Gaza, que então se achava sob domínio do Egito, e Síria. No início dos anos 70, como chefe do comando sul do exército, ele foi o responsável pelo brutal esmagamento da resistência palestina na Faixa de Gaza.

Na guerra de 1973, Sharon liderou as forças israelenses que finalmente cruzaram o Canal de Suez e derrotaram o exército egípcio, numa campanha que lhe granjeou tantos inimigos como amigos, pois ele desobedeceu as ordens e os acordos de cessar-fogo.

No primeiro governo do Likud, de Begin, Sharon serviu como ministro da Agricultura, quando ele defendeu a causa dos colonos. “Apoderem-se de mais colinas”, insistia ele. “O que vocês pegarem será de vocês. O que não for tomado acabará nas mãos deles”. Seu objetivo era criar “fatos verdadeiros” que impossibilitassem qualquer acomodação com os palestinos. Sharon durante muito tempo patrocinou uma política expansionista que incluía o Líbano e sua chegada ao gabinete claramente significou que Israel estava para iniciar uma campanha militar no Líbano.

A prioridade de Sharon, conforme ele explicaria mais tarde, era “resolver o problema do Líbano de uma vez por todas”. Ele queria Arafat e a OLP fora do Líbano e não apenas do sul, de onde eles estavam atacando os assentamentos israelenses. Ele também queria os sírios fora do Líbano. Os sírios tinham sido convidados a entrar no Líbano em 1976, com o acordo tácito de Israel, para apoiar os falangistas de direita e acabar com a dispersão do país. Este foi o erro maior de julgamento porque até onde Sharon estava preocupado,

Sharon’s priority, as he was later to explain, was “to solve the problem of Lebanon once and for all”. He wanted Arafat and the PLO out of Lebanon, not just out of the south from where they were shelling Israeli settlements, but also out of Beirut. He also wanted the Syrians out of Lebanon. They had been invited into Lebanon in 1976 with the tacit agreement of Israel, to support the right wing Phalangists and stop the break up of the country. This was a major error of judgement as far as Sharon was concerned, as it had allowed the Syrians to take control of Lebanon and thus prevent Israel from moving on Damascus via Lebanon. Lastly, he wanted a peace treaty between Israel and Lebanon.

De acordo com Uri Avineri, o jornalista israelense liberal, Sharon lhe disse, oito meses antes da invasão do Líbano, em junho de 1982, que ele queria destruir a OLP do Líbano, colocar os falangistas no poder, transformando o Líbano numa espécie de protetorado cristão, e tirar os sírios do Líbano. Ele queria que os palestinos fossem para a Síria, na esperança de que os sírios os expulsassem para a Jordânia, que então se transformaria em estado palestino.
Continua
Jean Shaoul
publicada por carlos manuel às Sábado, Agosto 12, 2006

OS CRIMES DE GUERRA DE SHARON NO LÍBANO
Por Jean Shaoul
24/02/2002
Parte 2
Abaixo, publicamos a segunda, de uma série de três partes, de um estudo examinando o papel do primeiro-ministro Ariel Sharon nos crimes de guerra cometidos durante a invasão do Líbano, em 1982, que culminou com o massacre dos refugiados palestinos de Sabra e Shatila.
Semanas após ter-se tornado ministro da Defesa, e depois de dois anos de paz, Sharon repetiu a ação militar no Líbano. Ele acertou alvos no sul do Líbano, provocando a retaliação que lhe deu a desculpa, para o intenso bombardeio a Beirute e a outros alvos, em 17-18 de abril de 1981, que deixou centenas de mortos. Enquanto o enviado especial americano, Philip Habib, negociava um cessar-fogo, estava claro que era apenas uma questão de tempo para Israel encontrar um pretexto para invadir o Líbano.
Sharon começou seus preparativos. Em novembro, ele acabou com o governo militar na Cisjordânia e Gaza. No entanto, longe de melhorar as condições, ele proibiu os grupos políticos palestinos e criou um novo e mais brutal regime sob sua direção e de Menachem Milson, o novo administrador civil. Na prática, Cisjordânia e Gaza incorporavam-se à “Grande Israel”. Em dezembro, as Colinas do Golã também foram anexadas.
A missão do governo era de assentar o maior número de judeus israelenses na Cisjordânia e Gaza, ao ponto de os Territórios Ocupados não poderem mais ser devolvidos aos palestinos. O projeto era desenvolver os territórios e criar uma infra-estrutura para fábricas, principalmente indústrias científicas sofisticadas, nos novos assentamentos.
A chave para a integração dos Territórios Ocupados à “Grande Israel” era a destruição da liderança palestina, a OLP. O objetivo de Sharon, que era apoiado pelo Likud e pelo Partido Trabalhista, era evitar um acordo político com a OLP a qualquer custo. Do ponto de vista de Begin e Sharon, o sucesso de Arafat em isolar as facções da OLP e estados como o Iraque e a Líbia, que defendiam a destruição de Israel, seria um revés. Significaria que a OLP teria que ser incluída nas negociações de um acordo de longo prazo para o conflito israelo-palestino, o que levaria à criação de um estado palestino, conforme proposto no Plano de Paz do rei Fahd, de 1981.
Os Acordos de Camp David, de 1978, abriram caminho para acordos de paz bilaterais com os vizinhos árabes de Israel. Também davam a Israel a oportunidade de anexar os Territórios Ocupados e de preparar-se para a invasão do Líbano. Para este fim, Israel já tinha feito um acordo de paz com o Egito e estava em processo de retirada do Sinai, conforme decidido em Camp David, em 1978, assegurando a neutralidade do mais importante país árabe no caso de Israel atacar qualquer de seus vizinhos.
Entre agosto de 1981 e maio de 1982, as FDI, com a autorização de Sharon, violaram 2.185 vezes o espaço aéreo libanês e 652 vezes as águas territoriais . Arafat, ansioso para angariar o apoio americano para lidar com Israel, manteve o cessar-fogo negociado com Habib e não retaliou.
Em dezembro de 1981, Sharon advertiu Philip Habib, o enviado especial do presidente Reagan, e Morris Draper, o embaixador especial americano, que os ataques a assentamentos israelenses eram intoleráveis e que se continuassem ele acabaria com a OLP completamente. Os Estados Unidos estavam preocupados com as repercussões políticas do fato e Habib deixou bastante claro que Sharon não tinha justificativa para guerra, dizendo, “A OLP não está realizando muitos ataques. Não há necessidade dessa reação israelense. Nós vivemos em pleno século XX … Não se pode invadir um país como este.” No entanto, o Pentágono, conhecendo os planos de Sharon para invadir o Líbano, aumentou sua ajuda militar a Israel nos primeiros meses de 1982. As remessas eram 50% maiores do que do ano anterior e continuaram por todo o mês de junho, o primeiro mês da guerra.
Em janeiro de 1982, Sharon viajou secretamente a Beirute para se encontrar com Pierre Gemayel e seu filho, Bashir, que tinha matado todos os seus oponentes cristãos, a fim de garantir a liderança dos grupos cristãos. Bashir buscava tornar-se presidente do Líbano nas futuras eleições. Sharon anunciou que Israel pretendia invadir o Líbano acima de Beirute. Ele pediu que os falangistas se juntassem aos israelenses na batalha para expulsar a OLP de Beirute e do Líbano e que assinassem um tratado de paz com Israel.
Pierre Gemayel rejeitou ambos os pedidos. No entanto, por mais que ele quisesse a ajuda dos israelenses, ele não pode ser visto com um colaborador declarado de Israel.
Em maio de 1982, Sharon voou para Washington com o objetivo de conseguir o apoio do presidente Reagan. Depois do encontro com o presidente, o secretário de estado, Alexandre Haig, chamou Sharon no canto e, de ex-general para outro, lhe deu um conselho amigo. Ele o advertiu que seria preciso um “casus belli”. “Ariel”, disse ele, “estou lhe dizendo que é pouco satisfatório … Nada deve ser feito no Líbano sem uma provocação reconhecida internacionalmente e a reação israelense deve ser proporcional a esta provocação.” Enquanto Sharon indagava sobre o que seria uma provocação clara, a coisa estava melhor do que ele esperava. Ele tinha contado aos seus patrões seus planos e eles não tinham apresentado qualquer objeção. Agora, tudo o de que ele precisava era um pretexto apropriado.
Mais tarde, Haig tentou negar que tinha dado o sinal verde para a invasão, mas ele deixou escapar: “Os israelenses deixaram muito claro que o seu limite de tolerância foi excedido e que na próxima provocação eles iriam reagir. Eles nos disseram isto. O presidente sabia disto.” O Departamento de Estado, quando pressionado, não pode citar uma única declaração oficial contrária à invasão, além do apoio, rapidamente retirado, à primeira resolução da ONU pedindo que Israel acabasse com a agressão.
Duas semanas mais tarde, houve um atentado meio atabalhoado contra a vida do embaixador israelense, Sholomo Argov, em Londres, realizado pelo grupo Abu Nidal, que era hostil a Arafat e à OLP, e que operava no Iraque, com escritório em Beirute. Este fato foi ignorado pelo primeiro-ministro Begin, enquanto a OLP insistia em que não tinha nada a ver com a tentativa de assassinato ou com o grupo Abu Nidal. No que interessava a Begin “são todos da OLP”. Em outras palavras, como líder da OLP, Arafat era responsável pelas atividades de todos os grupos palestinos e os palestinos deviam ser vistos como terroristas que precisavam ser eliminados. O gabinete deu instruções para os planos israelenses de atacar posições da OLP dentro e em volta de Beirute. Quando a reunião acabou, Begin disse “Devemos estar preparados para o máximo. Vamos atacar e ver no que dá.”
Israel realizou pesados bombardeios a alvos da OLP, inclusive nos campos de refugiados de Sabra e Shatila e a um hospital. Mais de 200 pessoas foram mortas. Com Arafat fora de Beirute, em Amã, Jordânia, os palestinos responderam atacando assentamentos israelenses na Galiléia. Sharon se aproveitou disto para anunciar ao gabinete que em poucos dias haveria uma curta operação com a duração de um ou dois dias, chamada “Operação Paz na Galiléia”. Tinha por objetivo empurrar os palestinos 40-45 quilômetros para trás, para que eles não atacassem o norte de Israel. Israel não atacaria os sírios no Líbano, a menos que eles agissem contra as forças israelenses. Quando perguntaram a Sharon sobre Beirute, ele disse: “Beirute está fora deste quadro. Esta operação não foi projetada para ocupar Beirute.” Cada palavra era mentira.
Alguns membros do gabinete alegaram depois que Sharon os tinha enganado, embora isto tenha soado falso, pelo menos. Dois meses antes da guerra, Begin contou a Shimon Peres e ao Partido Trabalhista seus planos e a retórica pela qual a invasão seria vendida ao público. Como um veterano correspondente militar, Ze’ev Schiff, que tinha ligações estreitas com o establishment militar israelense, escreveu no Ha’aretz, algumas semanas antes da invasão, “Não é verdade que dissemos aos americanos que não queremos invadir o Líbano. Existem forças influentes, lideradas pelo ministro da Defesa que, com inteligência e astúcia, estão tomando os passos para se chegar a uma situação que não deixará a Israel outra opção que não seja invadir o Líbano, mesmo que isto envolva uma guerra com a Síria.”
Invasão israelense do Líbano, em junho de 1982
Sharon estacionou seus soldados na fronteira com o Líbano em 6 de junho e logo se dirigiram para o norte de Beirute, e ao longo do caminho iam demolindo acampamentos palestinos, empurrando as pessoas para o norte, principalmente os muçulmanos de Beirute ocidental, e encarcerado muitos homens. Israel usou sua superioridade aérea e poder de fogo para explodir tudo o que encontrava, não obstante algumas vezes lançar panfletos avisando os habitantes para que deixassem as casas antes que os ataques começassem. Em seguida, mandou as forças terrestres para limpar tudo. Conforme o Jerusalém Post explicou: “Com uma precisão mortal, os canhões derrubaram fileiras inteiras de casas e prédios de apartamentos que se acreditava serem as posições da OLP. Os campos ficaram salpicados de crateras … A estratégia de Israel naquele momento era óbvia – limpar o caminho para que os tanques israelenses pudessem avançar e impedir qualquer revolta da OLP.”
Sustentando o plano maior de Sharon de expulsar a Síria do Líbano, em 9 de junho as FDI fizeram um ataque gratuito às forças sírias no vale do Beka. Depois de Israel ter derrubado mais de 60 aviões em um dia, a Síria evitou qualquer confronto militar posterior com Israel. Assim, Israel tinha efetivamente neutralizado a Síria pelo resto da campanha.
No final de junho, o sul do Líbano foi devastado. Dez mil pessoas foram mortas, 350.000 a 400.000 palestinos foram espalhados, o exército israelense fez 15.000 prisioneiros e muito pouco ficou de pé. De acordo com um jornalista israelense, “As cenas chocantes dos campos mostram que a destruição foi sistemática”. Muitas pessoas jamais foram contadas. Os que ficaram foram deixados à mercê da milícia falangista e das forças de Haddad, o representante de Israel no sul do Líbano.
Bombardeio e cerco a Beirute
Em 13 de junho, oitavo dia da guerra, Begin disse no Knesset que a luta terminaria assim que o exército alcançasse uma linha de 40 quilômetros. Naquele momento, Sharon estava com seus soldados, que tinham cercado Beirute Ocidental, em Ba’abda, contemplando a cidade que agora era o lar de 500.000 pessoas. O cerco que se seguiu durou 70 dias.
Durante este tempo, a cidade foi bombardeada intensamente com bombas de fósforo e de fragmentação. Este foi um esforço não só de destruir a OLP e suas instalações militares mas também toda a sua base social e rede de bem-estar: serviços de saúde e educação, organizações políticas e sociais e, acima de tudo, aldeias esquálidas que tinham se tornado a casa dos palestinos no Líbano.
Nem mesmo os hospitais foram poupados, embora eles estivessem claramente sinalizados. Em 6 de agosto, havia 30 leitos disponíveis em Beirute Ocidente de um total anterior de 1.400, de acordo com a Cruz Vermelha. Os campos de refugiados foram bombardeados continuamente, obrigando mais da metade dos 125.000 habitantes de Sabra e Shatila a fugir nas primeiras semanas da guerra, muito embora nenhuma artilharia pesada ou posições fortificadas tivessem sido encontradas. Os palestinos que tentaram deixar Beirute Ocidental foram proibidos pelas forças israelenses que patrulhavam a cidade.
A ONU estimou que 13.500 casas foram gravemente danificadas só em Beirute Ocidental, e muitos milhares mais em outros lugares, excluindo os campos palestinos. Os fornecimentos de água e energia foram interrompidos e alimentos e remédios cortados. As organizações de ajuda internacional tiveram o acesso negado.
A polícia libanesa avaliou que mais de 19.000 pessoas foram mortas e 30.000 feridas, entre o começo de junho e o final de dezembro. Cerca de 6.775 foram mortas em Beirute e 84% eram civis. “Mas estes números excluíram aqueles que foram enterrados em covas coletivas não informadas às autoridades libanesas”, disseram. Em contraste, 340 soldados das FDI foram mortos entre junho e o início de setembro e mais 146 no final de novembro. Destes, 117 foram mortos combatendo em Beirute.
O objetivo do cerco a Beirute e a brutalidade que se seguiu era pressionar ao máximo o governo do Líbano para obrigar Arafat e a OLP a abandonarem o país. Para isto, Israel assumiu o controle da capital de um outro país, violou todas as regras constantes dos manuais sobre crimes de guerra e manteve refém metade da população de Beirute (todos em Beirute Ocidental).
O papel dos Estados Unidos na evacuação da OLP
Os Estados Unidos, longe de atuarem como um agente honesto, intervieram para organizar a evacuação da OLP, em nome de Israel. Ofereceram garantias de proteção aos civis palestinos que foram absolutamente importantes para que a OLP deixasse Beirute. As evidências mostram que nunca honraram essas garantias.
Os Estados Unidos mandaram Habib de volta ao Oriente Médio para se encontrar com Sharon e se certificar dos termos para o fim da luta. Habib perguntou, “Quem deve deixar Beirute? Todos os 10.000 (militantes da OLP) ou só os líderes?” Sharon respondeu “Todos os terroristas. Todos devem partir. Se eles se recusarem, serão destruídos… Diga-lhes que partam.” Quando Habib se contrapôs, dizendo “Acho que será impossível fazer o que você pede”, Sharon enviou dezenas de aviões caças que descarregaram centenas de toneladas de explosivos sobre Sabra e Shatila e bombas de fragmentação sobre os prédios de apartamentos em Beirute Ocidental.
Com isto, Habib acabou com todas os passos para que o governo libanês pressionasse Arafat a concordar com os termos de Sharon. Sabendo que Sharon não aceitaria promessas, ele mesmo foi a Arafat para pegar um compromisso assinado de que ele partiria com todos os seus militantes.
Habib agora tinha que encontrar estados árabes que quisessem ficar com os palestinos; mas não eram muitos. Os líderes, de uma certa forma, tinham tolerado a invasão do Líbano, mesmo aqueles que gritaram mais alto sua oposição a Israel. Poucos queriam aceitar os militantes da OLP, a quem olhavam como criadores de caso. O rei Hussein, da Jordânia, até pediu que se as guerrilhas armadas fossem para a Síria, elas teriam que ser alojadas longe da fronteira com a Jordânia. Ele permitiu que alguns palestinos com passaportes jordanianos entrassem no país. O Egito e a Síria recusaram todos os militantes da OLP, enquanto Túnis, Iêmen, Sudão, Iraque e Argélia concordaram em ficar com alguns.
Mesmo após o acordo sobre a evacuação da OLP, os bombardeios continuaram, inclusive um tapete de bombas no campo de refugiados de Bourj al Barajneh. No sábado, 21 de agosto, o primeiro contingente de 12.000 militantes da OLP deixou Beirute de navio. O próprio Arafat foi o último a sair, em 30 de agosto de 1982. Os Estados Unidos tinham negociado com o presidente Bourguiba que ele iria para a Tunísia. Um outro contingente de 10.000 militantes da OLP permaneceu no leste e norte do Líbano, em áreas sob controle sírio.
A proteção dos palestinos deixados para trás, em Beirute, foi uma questão fundamental no acordo pelo qual a OLP aceitava sair da cidade. Uma força multinacional dos Estados Unidos, França e soldados italianos em Beirute, deveria supervisionar a evacuação e garantir sua segurança. Além disso, havia acordos bilaterais entre os governos dos Estados Unidos, do Líbano e a OLP, e uma promessa israelense de que não entrariam em Beirute.
Segundo os termos do acordo, “Os Estados Unidos providenciarão suas garantias com base na certeza recebida do governo de Israel e dos líderes de certos grupos libaneses com os quais tiveram contato.” Mais tarde, Habib confirmou que ele, pessoalmente, assinou o acordo que garantia proteção aos palestinos. “Consegui garantias específicas a este respeito de Bashir e dos israelenses – de Sharon,” disse ele. Habib escreveu pessoalmente ao primeiro-ministro libanês dizendo “Meu governo fará o máximo para assegurar que estas garantias (por parte de Israel) sejam meticulosamente observadas.”
Quase que imediatamente Israel quebrou suas promessas. O exército libanês deveria ter participado da operação de segurança mas foi impedido pelas forças armadas israelenses, numa manifesta violação ao acordo de retirada de Beirute. Esta foi apenas a primeira de uma série que os Estados Unidos iriam sancionar. As FDI tinham Arafat sob suas vistas. Elas podiam facilmente tê-lo matado mas os Estados Unidos conseguiram uma promessa de Sharon de que Arafat teria garantido um salvo conduto e passagem para Túnis. Uma promessa que ele, recentemente, se arrependeu amarga e publicamente.
Como parte do acordo organizado por Habib, a polícia nacional libanesa assumiu o controle de Beirute Ocidental e recolheu armas e munições dos depósitos da OLP, embora algumas tivessem sido cedidas pela milícia muçulmana Murabitun.
Em 23 de agosto, em meio à evacuação da OLP, o homem de Israel, Bashir Gemayel, que tinha o maior exército privado do Líbano, ganhou as eleições presidenciais. O controle de Israel sobre a maior parte do país deu proteção às convenções de delegados que tinham poder para escolher o presidente e forneceu helicópteros para trazê-los para votar em Beirute Oriental. Gemayel tornou-se presidente do Líbano em 23 de setembro.
Israel venceu a guerra para a Falange sem que esta tivesse levantado um dedo. Realmente, a Falange se recusou a lutar, tendo perdido alguns soldados anteriormente em combate contra os palestinos. Enquanto o governo israelense se rejubilava com o sucesso de sua campanha, os muçulmanos palestinos e libaneses de Beirute, agora largados indefesos, estavam aterrorizados. Eles ficaram à mercê da Falange, da milícia armada de Haddad e de quem quer que os israelenses quisessem apoiar.
O jornalista Robert Fisk foi profético ao comentar no Times, de Londres, que “Os civis de Beirute Ocidental só contarão com o exército libanês para protegê-los. Não é a espécie de exército que as pessoas do setor muçulmano da cidade devem depositar muita confiança”. Em seu livro, Pity the Nation, que fornece um relato testemunhal das atrocidades cometidas em Beirute, Fisk admitiu que nem ele percebeu as implicações de suas palavras ou o grau da carnificina que se seguiu.
Continua
OS CRIMES DE GUERRA DE SHARON NO LÍBANO
Por Jean Shaoul
25/02/2002
Parte 3
Abaixo, publicamos a terceira e última de uma série de três partes, de um estudo examinando o papel do primeiro-ministro Ariel Sharon nos crimes de guerra cometidos durante a invasão do Líbano, em 1982, que culminou com o massacre dos refugiados palestinos de Sabra e Shatila.
Nem bem Arafat e os últimos militantes da OLP tinha partido do Líbano e as relações de Israel com seu padrinho e vassalo se deterioraram, na medida em que os interesses passaram a ficar divergentes.
Primeiro, os americanos, com a idéia de apaziguar os regimes árabes inquietos com o impacto da guerra sobre sua estabilidade doméstica, promoveram uma nova iniciativa de paz, conhecida como Plano Reagan. Este plano explicitamente rejeitava a anexação israelense, a soberania ou a dominação permanente sobre os Territórios Ocupados. Pedia por um congelamento na expansão dos assentamentos já existentes ou na construção de novos e um “governo autônomo pelos palestinos para a Cisjordânia e Gaza, em parceria com a Jordânia”, conhecido como solução de confederação. Nem o governo autônomo nem as fronteiras de tal entidade foram definidas e a OLP foi excluída, mas, apesar de suas incoerências e inconsistências, o plano era mais favorável aos palestinos do que qualquer outro oferecido anteriormente.
No entanto, ainda que dependesse muito dos Estados Unidos, Israel não aceitou o plano e disse isto aberta e desafiadoramente. Sharon disse “Não só Israel não aceitará como sequer o discutirá … Os Estados Unidos deveriam ter se resguardado de uma série de inconvenientes e frustração” não propondo isto. Israel imediatamente anunciou a criação de novos assentamentos na Cisjordânia e nas colinas do Golã.
Cabe salientar que apesar de os desentendimentos entre os Estados Unidos e Israel já estarem durando 12 meses, Reagan aumentou a ajuda militar a Israel, em 1983, e propôs que o nível fosse mantido no ano de 1984,enquanto o congresso aumentava essa ajuda mais ainda.
As relações entre o presidente eleito Bashir Gemayel, de quem Israel ficou mais dependente depois do anúncio do plano Reagan, também começaram a azedar. Pelo que tocava a Begin, agora era um tempo de restituição. Ele se reuniu com Gemayel, em 15 de setembro, em Israel, e pediu que ele assinasse um tratado de paz.
Conquanto Gemayel precisasse da ajuda israelense, ele era, acima de tudo, um nacionalista libanês. Manter o controle de um Líbano unificado significava que ele teria que cortar com os líderes muçulmanos. Assinar um acordo com Israel, agora percebido como inimigo, precipitaria a divisão do Líbano.
Begin também pediu que Gemayel entrasse em Sabra e Shatila e expulsasse os “terroristas” remanescentes, alegando que Arafat tinha deixado para trás 2.000 militantes da OLP. Esta era uma outra proposta que Gemayel não poderia implementar diretamente sem desestabilizar as relações políticas libanesas. Ele também se sentiu insultado por uma proposta de Begin de criar uma presença militar numa área de 45 quilômetros no sul do Líbano, sob controle de um outro subalterno israelense, o major Saad Haddad.
Begin também fez ver a Gemayel que ele só poderia governar o Líbano sob as ordens de Israel. Em determinado momento da reunião, Gemayel levantou os braços e disse a Begin “Coloque as algemas”, antes de acrescentar “não sou seu vassalo”. Ele ameaçou acusar Haddad de deserção e se recusou terminantemente a assinar qualquer tratado ou a autorizar qualquer movimento nos acampamentos. Na verdade, os falangistas estavam rachados. Alguns deles eram hostis a Israel e agora colaboravam com os sírios, que se opunham às relações de Gemayel com Israel. Gemayel teve que se equilibrar entre eles e uma variedade de diferentes grupos dentro do Líbano.
Em 3 de setembro, Israel empregou suas forças armadas para além da linha de cessar-fogo acordada anteriormente com Habib. Sabra e Shatila, nos arredores de Beirute, tornaram-se campos de refugiados para muitos palestinos que tinham fugido de suas casas. Eram áreas de maior apoio popular à OLP. As forças israelenses tiraram as minas terrestres e estabeleceram postos de observação dos campos. Apesar do fato de que era uma flagrante violação do acordo de cessar-fogo, nem os Estados Unidos nem qualquer outro contingente das forças internacionais pediram que as FDI se retirassem.
Israel pediu que o Murabitun, a maior organização paramilitar muçulmana e a mais firme aliada da OLP no Líbano, saísse de Beirute. Em 11 de setembro, os Estados Unidos retiraram o restante das forças que tinham sido enviadas para garantir a segurança dos palestinos sob o acordo Habib, duas semanas antes de seu mandato de 30 dias expirar. A retirada dos Estados Unidos determinou a partida das outras forças internacionais. O resultado evidente é que os chamados protetores dos palestinos tinham presidido o desarmamento dos palestinos e de seus aliados e os despacharam para as mãos daqueles que eles mais temiam, os israelenses e as milícias cristãs.
O massacre de Sabra e Shatila
No dia 14 de setembro, Gemayel foi assassinado em uma explosão que destruiu o quartel-general da Falange, em Beirute. Os líderes palestinos e muçulmanos negaram qualquer responsabilidade sobre o atentado.
Considerando que o edifício era o mais bem guardado de Beirute, o ataque deve ter contado com apoio interno. Nunca ficou claro quem eram os inimigos de Gemayel que o mataram.
Assim que Begin soube do assassinato de Gemayel, ele ignorou sua promessa feita aos Estados Unidos e ordenou que as FDI entrassem em Beirute Ocidental. Ele justificou sua ação a Morris Draper como necessária “para impedir atos de vingança pelos cristãos contra os palestinos” e para manter a ordem e a estabilidade depois do assassinato de Gemayel. Alguns dias mais tarde, Sharon revelou um segredo. “Nossa entrada em Beirute Ocidental foi para acabar com a infra-estrutura deixada pelos terroristas”, disse ele no Knesset, o parlamento israelense. Com isto ele queria se referir aos civis palestinos e seus aliados muçulmanos.
Sharon ordenou ao chefe do Estado Maior, Rafael Eitan, que mais tarde formaria o partido de ultra-direita, o Tehya, que deixasse a milícia falangista entrar nos campos, a fim de “varrer” os terroristas. As FDI não precisavam realizar a operação. Seus agentes poderiam fazer o serviço sujo por elas. O correspondente do New York Times, David Shipler, explicou o por quê. Ele disse que no início de junho, “os oficiais israelenses falaram secretamente de um plano, que estava sendo considerado pelo ministro da Defesa, Ariel Sharon, que era o de permitir que os falangistas entrassem em Beirute Ocidental e nos campos, contra a OLP. O cálculo era de que os falangistas, com antigas contas a acertar e com a informação detalhada sobre os militantes palestinos, seriam mais implacáveis do que os israelenses e provavelmente mais eficazes.”
Eitan baixou a Ordem n° 6 declarando que “os soldados israelenses não entrariam nos campos de refugiados (Sabra e Shatila). A busca e liquidação dos campos serão feitas pelos falangistas e o exército libanês.” Ele contatou Elie Hobeika, o comandante falangista assassino da Brigada Damouri, e lhe disse que queria que seus homens fizessem o serviço.
No dia 15 de setembro, as FDI tornaram a entrar em Beirute e assumiram o controle, matando 88 pessoas e ferindo 254. Em seguida, cercaram e fecharam Sabra e Shatila, tendo atacado os campos menores ao longo do caminho. Ás 11:20, do dia 16 de setembro, Israel admitiu que controlava os campos. Uma declaração da imprensa israelense anunciava: “As FDI estão no controle de todos os postos chaves de Beirute. Os campos de refugiados que abrigam concentrações terroristas permanecem cercados e fechados”.
Naquele mesmo dia, cerca de 50 soldados de Haddad, que estavam virtualmente integrados ao exército israelense e operavam sob suas ordens, foram trazidos de Beirute. Juntamente com cerca de 100 falangistas, eles entraram em Sabra e Shatila – uma força ridiculamente pequena se realmente houvesse um arsenal de armas e 2.000 guerrilheiros armados nos campos, conforme Sharon alegara.
São muitos os jornalistas, inclusive Robert Fisk, que escreveram livros sobre os dolorosos acontecimentos de Beirute, baseados em seus próprios testemunhos e em entrevistas realizadas com os sobreviventes. Outros aspectos da história foram reconstituídos pela Comissão Kahan, a comissão de inquérito israelense oficial sobre o massacre. Mas, dois pontos precisam ser salientados: ninguém jamais descobriu qualquer arma nos acampamentos e a entrada da milícia cristã não foi precedida de qualquer luta. Em outras palavras, os acontecimentos que se seguiram foram um massacre premeditado de inocentes civis. Nas 36 horas seguintes, os agentes de Israel, os grupos da milícia cristã, prosseguiram na devastação, estuprando e matando as pessoas indiscriminadamente com facas e revólveres. As pessoas eram torturadas, inclusive mulheres grávidas e os corpos de muitas vítimas estavam mutilados.
Testemunhas oculares atribuíram a maioria das mortes às forças de Haddad, mas os falangistas, sob o comando de Eli Hobeika, não foram menos sanguinários. Um falangista perguntou a Hobeika, pelo rádio, o que deveria fazer com 50 mulheres e crianças palestinas. Ele respondeu “Esta é a última vez que você me faz esta pergunta. Você sabe exatamente o que deve fazer.” O soldado deu uma risada em resposta.
Houve vários relatos de que centenas de homens foram encurralados antes e depois do massacre e levados para os campos de detenção israelenses no sul do Líbano. Muitos deles nunca mais foram vistos de novo. Ainda que o número exato de mortos e feridos não seja conhecido, Israel estima que cerca de 800 foram mortos, embora o Crescente Vermelho palestino tenha colocado este número em 2.000. Pelo menos um quarto deles eram muçulmanos xiítas libaneses.
As atrocidades foram executadas diante dos soldados israelenses que se encontravam nos postos de observação dos campos. À noite, os soldados libaneses já estavam contando ao Crescente Vermelho as atrocidades relatadas a eles pelas mulheres palestinas dos campos. Na manhã do dia 17 de setembro, o jornalista Ze’ev Schiff, do Ha’aretz, descobriu o que estava acontecendo e relatou ao governo israelense, embora ele não tenha tornado público, e apesar do fato de jornalistas estrangeiros já estarem começando a relatar as atrocidades. O ministro do Exterior, Yitzhak Shamir, que mais tarde se tornou primeiro-ministro, alegou que ele não tinha entendido a mensagem. Mas, mesmo antes disso, um comandante da Falange tinha passado um rádio para o general Yaron informando que “300 civis e terroristas foram mortos.”
Mais tarde daquele mesmo dia, o chefe do estado-maior, Eitan, e os generais Drori e Yaron, se encontraram com o comando falangista e parabenizaram-nos por “terem feito um bom trabalho” e os autorizaram a trazer soldados descansados para completar o trabalho. À tarde, pelo menos 45 soldados israelenses sabiam o que estava acontecendo. Os palestinos estavam suplicando a eles que parassem com o banho de sangue. Eles se recusaram.
O serviço de inteligência dos Estados Unidos também soube das mortes. Morris Draper, o enviado especial dos Estados Unidos, não teve dúvida sobre o papel de Israel. No dia 17 de setembro, ele exigiu de Israel: “Vocês devem acabar com os massacres. Eles são obscenos. Eu tenho um oficial no campo contando os corpos. Vocês deveriam ter vergonha. A situação é péssima. Eles estão matando crianças. Vocês têm o controle absoluto da área e, portanto, são responsáveis por ela” (grifos do autor)
As palavras de Droper foram a confirmação, como se fosse preciso, da responsabilidade de Israel diante da legislação internacional e dos termos do acordo promovido por Habib para a segurança da população civil de Beirute. Ele já tinha advertido na tarde anterior (16 de setembro), quando o massacre já estava em pleno ritmo dos “resultados terríveis” que se seguiriam se a milícia tivesse permissão para entrar nos campos. Mas, foi somente em 18 de setembro, 36 horas depois de a carnificina ter começado, que os israelenses ordenaram que a milícia saísse dos campos. O general Yaron mais tarde disse que fizeram isto não por razões humanitárias mas por causa da pressão dos americanos, uma admissão que somente serve para realçar a recusa criminosa dos Estados Unidos de refrear seu cliente por todo o período.
O registro mostra que, qualquer que seja o critério adotado, Sharon é um criminoso de guerra, cuja história de atividades assassinas e violações das normas de guerra para alcançar os objetivos políticos e econômicos do sionismo já duram meio século.
O registro também mostra que o massacre não só foi apoiado pelos israelenses como também só foi possível por que os Estados Unidos desprezaram as garantias explícitas das quais dependiam o acordo para a saída da OLP. Os Estados Unidos jamais apresentaram um protesto formal sobre a invasão de Beirute e sobre o que aconteceu em Sabra e Shatila. Mais uma vez, o que quer que seja que mostre em público, no particular Israel teve a aprovação para prosseguir.
A Comissão Kahan
Conquanto nenhum regime árabe tenha levantado um dedo para socorrer os palestinos, foi a classe trabalhadora israelense que disse que não tinha sido preparada pelo seu governo para organizar a eliminação de palestinos e pediu uma suspensão do pogrom. Sabra e Shatila provocou uma reação mundial, mas, mais importante, dentro de Israel 400.000 pessoas, uma em cada dez pessoas, manifestaram nas ruas de Tel Aviv sua oposição ao governo de Begin e exigiram um inquérito.
A Comissão Kahan foi criada numa tentativa de aplacar a ira pública. O relatório de 1983 foi limitado nos objetivos e meio que disfarçado. No entanto, as evidências que produziu deram um contorno mais amplo aos acontecimentos de 16 a 18 de setembro e ao papel de Israel neles. Suas conclusões, no entanto, não resultaram das provas apresentadas.
Limitou-se às circunstâncias imediatas e ignorou o contexto e o “desaparecimento” subseqüente de palestinos nas mãos das FDI e de seus agentes no sul do Líbano. O título do relatório ignorou qualquer menção aos palestinos. Excluiu qualquer consideração a respeito das responsabilidades legais de Israel diante do direito internacional e de suas obrigações decorrentes do acordo no qual era parte, adotando o expediente de não conseguir definir Beirute como estando sob controle de um poder ocupante. O relatório concluiu que as FDI não participaram da matança, uma afirmação que nunca foi feita seriamente. A Comissão aceitou as justificativas do governo e das FDI de enviar a milícia cristã e concluiu que as FDI não sabiam do que estava acontecendo nos campos, apesar dos relatos de testemunhas em contrário.
O relatório rejeitou a acusação de que as FDI tinham “conhecimento prévio” das conseqüências, mas não aceitou a afirmação de Begin de que o governo israelense não esperava ou tinha previsto as trágicas conseqüências ao enviar a milícia cristã para os campos. A Comissão observou que, durante os encontros secretos entre Bashir Gemayel e os agentes do Mossad, os oficiais israelenses “ouviram coisas de (Bashir) que não davam margem a dúvida de que a intenção do líder da Falange era a de eliminar o problema palestino no Líbano, assim que chegou ao poder – mesmo que isto significasse a utilização de métodos absurdos contra os palestinos”. Além do mais, os generais israelenses admitiram que eles usaram a milícia falangista porque ela poderia dar ordens ao exército libanês que eles não poderiam.
Interessante também, a Comissão colocou todas as acusações de atrocidades sobre a Falange chefiada por Hobeika e negou os “rumores” de que Haddad e suas forças tinham desempenhado qualquer papel na matança ou que sequer estivesse presente, muito embora várias testemunhas tenham confirmado suas atividades assassinas. No entanto, a Falange teve aliados políticos mais próximos do que Haddad: eles foram treinados pelos israelenses, armados com as mesmas armas e executaram os mesmos serviços para Israel em Beirute, conforme Haddad tinha feito no sul.
Esta boa-vontade de apontar o dedo para a Falange só pode ser compreendida no contexto dos planos de Israel para o futuro. Até onde interessava a Israel, depois do assassinato de Gemayel os falangistas tiveram uma sobrevida política, embora ainda tivessem seu uso militar. Isto significava que Israel estava cada vez mais confiante em que as forças de Haddad desempenhariam um papel chave como seus policiais no sul do Líbano. Isto também explica por que o testemunho de Hobeika na corte belga foi tido como prejudicial a Sharon. Ele estava preparado para entornar o caldo, alegando que tinha registros em vídeo e outros provas que poderiam confirmar o papel de Sharon no caso.
A Comissão atribuiu algumas “responsabilidades indiretas” pelo massacre a Israel. Ela condenou Begin, Sharon e os generais com variados graus de severidade, concluindo que Sharon teve “responsabilidade pessoal” pelo que aconteceu nos campos e recomendou sua remoção do cargo. Sharon foi afastado de seu posto como ministro da Defesa, mas manteve sua cadeira no gabinete como ministro sem pasta.
A Comissão não fez qualquer recomendação ao chefe do Estado Maior, Rafael Eitan – o homem que esperou pelo massacre, que permitiu a substituição dos soldados que tinham feito um bom trabalho e que mentiu sobre o papel das FDI – porque, logo, ele se aposentaria. Eitan continuou membro do Knesset, como fundador de um partido de ultra-direita.
O general Yaron, que soube das mortes logo no início da noite e não fez nada, foi suspenso por três anos. Um pouco depois ele foi indicado para um cargo no exército e, em 1986, foi recompensado com o cargo de adido militar em Washington. A Comissão recomendou que o diretor do serviço de inteligência militar fosse demitido e que recebesse considerável responsabilidade “sem recurso a qualquer recomendação futura.”
Foram cerca de 20 anos para que Ariel Sharon, o homem que em 1983 não se enquadrava para ser o ministro da Defesa, fosse guindado ao mais alto posto de primeiro-ministro. Sabra e Shatila lhe granjearam credenciais impecáveis até onde interessava a direita israelense. O programa palestino que ele sustentou durante décadas – seja pelo genocídio seja pela limpeza étnica – suplantou a promessa de uma solução de dois estados incorporada pelos acordos de Oslo, em 1993. Agora a extrema direita está defendendo abertamente uma “transferência de população” da Cisjordânia, um fim para a “moderação” e a reocupação dos territórios tomados na guerra de 1967, medidas que exigem um banho de sangue que sobrepujaria Sabra e Shatila em selvageria.
Fim
Bibliografia:
R. Brynon, Security and Survival: The PLO in Lebanon, Westview Press, 1990.
N. Chomsky, The Fateful Triangle: The United States, Israel and the Palestinians, Pluto Press, 1999.
R. Fisk, Pity the Nation, Oxford University Press, 1990
T. Friedman, From Beirut to Jerusalem, HarperCollins, 1989.
Z. Schiff and E. Ya’ari, Israel’s Lebanon War, 1985.
WSWS

Os refuseniks

Esta é a página dos refuseniks
http://www.seruv.org.il/english/default.asp

os que têm coragem de se recusar a participar do holocausto do povo palestino.

Melhor que você vá até lá para que eles mesmo falem do que fazem. Eles se recusam a ir além das fronteiras de 1967, e dizem que não é com respostas terroristas que se pode fazer a paz entre os povos da região.

Eles também, orgulhosamente se apresentam para defender Israel, desde que não seja produzindo um holocausto de outro povo.

Você pode dar apoio ao movimento deles, na página tem um botão, “DONATE NOW” – qualquer valor é importante porque se vai traduzir em apoio ao movimento corajoso de quem se recusa a participar da eliminação de um outro povo em nome de uma falsa defesa de sua própria nação.

Eu já fiz a minha doação. Faça a sua.

Tarcisio