Socialismo, um experimento!

Recebi, dias atrás, uma correspondência descrevendo um experimento socialista, na verdade (se houve o experimento) o objetivo era mostrar que o Socialismo era irreal e impossível, e, como vou mostrar, foi uma autêntica experiência capitalista.

Sem dúvida que temos que discutir o processo pelo qual estamos passando eu me afastei da política partidária porque os que se adonaram do partido em que eu militava corromperam seus objetivos, mas obviamente que apenas passaram a se comportar como os que os precederam no poder,  não são nem melhores nem piores, apenas do mesmo jeito.

Há sérias falhas lógicas no experimento (está descrito abaixo)  como vou mostrar nos locais adequados. Acho que temos que repensar os nossos pontos de vista para descobrirmos uma forma de convivência justa mas também respeitosa para com o meio ambiente em que vivemos, se quisermos, ou esperarmos um mundo melhor, temos que repensar muita coisa.

Socialismo não é um brincadeira, e o capitalismo nos levou ao buraco em que nos encontramos. E não vou  dizer coisas que você, que eventualmente me lê, não saiba, mas penso contribuir para um debate sério para encontrarmos saidas.

Precisamos de saídas!

Se puder  gastar um tempinho, leia
http://votersforpeace.us/press/index.php?itemid=4137
anexo, escrito por Rick Rozoff e publicado por Voter for Peace, um grupo americano que nem sempre eu adoto completamente, é uma resenha sobre o “Grande Xadrez” que mostra como foram decididas as nossas vidas nos últimos 50 anos, e explica, facilmente porque Cuba vive o sufoco que vive e portanto a sua “democradura” (que não precisava ser como é, mas as consequências a empurram).

Deixei o texto do autor, acrescentei minhas observações. Infelizmente o nome do autor não veio junto.

Apenas um experimento em uma sala de aula.Coisa de Professor!
Um experimento Socialista

Um professor de economia disse que nunca havia reprovado na Universidade um só aluno antes. Mas tinha, uma vez, reprovado uma classe inteira.

Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava:  ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e ‘justo’  O professor então disse:
“- Ok então, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos as suas próprias notas em testes.”

Todas as notas serão, de agora em diante, concedidas com base na média da classe e, portanto, serão JUSTAS no seu conceito. Com isso quis dizer que todos receberão as mesmas notas, o que significa, em princípio, que ninguém repetirá a matéria.  Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberá um 10, a não ser que todos se esforcem muito.

Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam 7. Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Comentário:
Quem estudou com dedicação? que significa isto? se for “socialismo” como sugere o experimento, então o experimento não foi realizado com as condições que se supunha – conduzindo a uma “socialização dos conhecimentos”. O experimento manteve o processo capitalista de concentração de conhecimentos (concentração de riqueza) uma vez que não induziu a uma distribuição do conhecimento por parte daqueles que “estudaram com dedicação” –  Um defeito lógica na argumentação.

Quando o segundo teste foi aplicado, os preguiçosos estudaram menos ainda – eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma.  Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas.

Comentário:
Este conceito “preguiçosos”  está mal posto.  Na verdade não existem “preguiçosos” entra em direta contradição com a vontade natural de se desenvolver – a chamada luta pela vida. Quem escreveu isto estava mal intencionado ou simplesmente é ignorante de uma hipótese biológica chamada “luta pela vida” – todos lutamos pela vida, não existem “preguiçosos”, não existem “delinquentes naturais” (êta, estou me manifestando Rousseauniano! ) Novamente aqui o experimento ou foi intencionamente sujo – desejava desmoralizar o socialismo e privilegiar a concentração de renda – egoismo – as partes piores do capitalismo.
Outro defeito lógico na argumentação.

Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos.  Como um resultado, a segunda média dos testes foi 3.

Comentário:
Como já disse não existem preguiçosos, mas o sistema capitalista gera este indivíduo.  Recorra as nações ainda não invadidas, os índios,
observe como vivem – de forma socialista – entre eles não há preguiçosos mas eles vivem em paz com a natureza – trabalham quando sentem fome…. a divisão entre preguiçosos e trabalhadores é uma invenção capitalista – já dos jesuitas…. se referindo ao índio indolente.  O experimento não foi conduzido com o objetivo de educar os alunos para que se dedicassem aos estudos e compreendessem que estudar não é fácil mas que o trabalho em equipe, realmente responsável produz coisas do tipo Linux. Enquanto que o trabalho sujo voltado para enriquecimento, produz coisas do tipo ruindows que não presta, é ruim, mas vende 7 milhões de cópias da mais nova edição que é tão ruim que traz junto a anterior para ser usada caso a nova não funcione.

É preciso aqui ser mais incisivo,  e técnico na argumentação:
1.Se a experiência visasse uma construção socialista usando as notas como moeda, o primeiro passo seria construir o método de produção socialista que se aproxima do cooperativismo.
2.O conhecimento não pode ser tomado para uso individual, ele é coletivo e portanto deve ser construido coletivamente – não cabe que alguns estudem mais e que outros sejam “preguiçosos” e não estudem. Contradiz o fato de se encontrarem numa Universidade onde foram para estudar portanto aqui há uma falha lógica ou no experimento ou na metodologia do Ensino Superior que não conduz os alunos ao aprendizado mas os divide em dois grupos – aqueles que vão dominar o conhecimento (concentração de riqueza) e os outros que, (no experimento – embora isto não seja dito) vao usar o conhecimento se conseguirem acessá-lo.
3.Como houve concentração de conhecimento (concentração de renda) leia a sequência, uma maioria ficou de fora – na periferia – e é claro que não pode ter gostado.  Ao se produzir concentração de conhecimento (concentração de renda) se reproduziu o modo de viver capitalista pelo que eu disse acima que a experiência na verdade foi uma experiência capitalista travestida de socialista.
4.Também o Socialismo não nos torna todos iguais – apenas coibe a deformação da concentração de renda. Numa experiência socialista usando notas não caberia as notas serem todas iguais, aliás, as notas diferenciadas estimularia a competição. O que não cabe é um afastamento absurdo da média, é a dispersão uma medida que indica se um experimento foi desenvolvido corretamente. Se todos tiraram 2 então o afastamento da média ficou absurdo mostrando que experiência foi mal feita.

Repetindo o defeito da argumentação.

Ninguém gostou.”

Comentário:
E nem poderia!   Não foram induzidos a uma re-educação. Eu tenho experiência disto, procuro fazer com que os meus alunos trabalhem em equipe e redistribuam o conhecimento. Ensino-os, por exemplo, que copiar o trabalho de um colega, depois de analisar se o trabalho estiver correto, representa já um nível de conhecimento, e não somente, uma colaboração, porque a análise implica em uma retro-informação, se o trabalho estiver defeituoso (errado) se informa ao autor do problema. Se aceito como bom, está também sendo dada uma retro-informação, enfim existe até uma maneira decente de “copiar trabalhos” e uma forma burra de fazê-lo. Digo isto aos alunos incentivando-os a não serem burros.

Mais uma vez: o experimento foi feito de forma maliciosa, a intenção não era a justa.

Depois do terceiro teste, a média geral foi um 2.

As notas não voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe.  A busca por ‘justiça’ dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma.”

Comentário:
Aqui fica claro a sugeira  insofismável do experimento: ele visava a destruição da amizade, da colaboração da solidariedade. Isto é típico do capitalismo, que é anti-solidário, que dilapida recursos e produz poluição. Se um recurso puder ser utilizado de forma econômica entre diversas pessoas, para o capitalismo, isto é um defeito porque ele visa o consumo e não a otimização de recursos. Se o experimento fosse sério, digo mesmo honesto, ele conduziria a um retorno natural à amizade entre as pessoas, à colaboração e finalmente à solidariedade.

Leia o texto sobre o “grande xadrez” de Rick Rozoff e vai ver claramente o abuso capitalista dos recursos, a sede impossível de esconder por riqueza, concentração de poder ou riqueza. O resultado é o “jogo de xadrez” para o qual não importa quem se mata, como agora na “vila do Afeganistão” sobre a qual já existe uma denuncia de que a “ofensiva” dos invasores é completamente desproporcionada – estão repetindo o crime que já cometaram em Falluja, no Iraque, apenas Falluja era realmente uma cidade, e esta região que em que eles estão brincando de matar Talibãs (matando proprocionalmente outro tanto de civis) é uma grande região agrícola que eles anunciaram que seriam uma cidade.  Me perdi na argumentação, mas as coisas se misturam.

Então o experimento não tinha objetivos sérios, não era para conduzir ao Socialismo e sim para explorar as defeitos habituais do capitalismo onde se diria que uma experiência socialista estava sendo organizada! O nome disto é sujeira.

  No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala.  Portanto, todos os alunos repetiram, para sua total surpresa.

O professor explicou que o experimento socialista tinha falhado porque ele foi baseado no menor esforço possível da parte de seus participantes.  Preguiça e mágoas foram o seu resultado.  Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual o experimento tinha começado.”

Comentário:
Não, fracassou! Apenas  as condições de funcionamento foram deliberadamente solapadas!  O objetivo realmente era demonstrar que a solidariedade, a colaboração entre os indivíduos é uma noção impossível. Isto é sugeira.

Quando a recompensa é grande”, ele disse, “o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável.”

Comentário:
Esta conclusão é eminenmentemente capitalista: a concentração de riqueza é em si mesmo um objetivo contra a solidariedade, a amizade, a colaboração. Privilegia o consumo, nega a otimização de recursos.

Pode parecer incrível, mas a pessoa que me enviou este texto usa esta frase ao final dos seus e-mails

“Dentro de mim, existem dois cachorros.
Um é cruel, mau, o outro é muito bom e dócil. Eles estão sempre a brigar!”

Quando  perguntam qual dos cachorros ganharia a briga.

Respondo: – “Aquele que você alimentar!”

Comentário:
Ora, esta frase contradiz a proposta de experimento!  Se você alimentar a discordia a ausência de solidariedade, enfim o cachorro capitalista, não há dúvida que será ele o vencedor  na luta sobretudo porque infelizmente existe uma força dentro de nós – o egoismo (leia “luta pela vida”) que nos leva a matar o próximo se for esta a nossa única opção. É assim que acontece na floresta, as árvores gigantes assumem tudo e deixam apenas sombra para as pequenas. Por sorte elas convivem na diversidade coisa que não é fácil na sociedade econômica.

Tarcisio

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