Crescimento espantoso do uso da bicicleta no Chile obriga governo a construir ciclovias

Crescimento espantoso do uso da bicicleta no Chile obriga governo a construir ciclovias

Esta é uma manchete do site “vá de bike” 

E ao ler a notícia observei que o movimento está centrado em ex-motoristas de classe média que se converteram ao ciclismo pela razão óbvia: o carro deixou de ser a mobilidade que o consumismo do automobilismo ainda prega.

De carro você não consegue mais encontrar aonde estacionar, antes a propaganda de qualquer lojinha oferecia estacionamento em frente à loja para seus clientes, hoje você paga quatro reais nos estacionamentos de um ex-senador que invadiu uma área de preservação ecológica, e ainda se diverte a nossa custa com cartazes em que pretende esconder o que fez, para construir um grande estacionamento dentro do qual as pessoas vão consumir bugingangas. Não se engane, aquilo é apenas um grande estacionamento, é o grande negócio do ex-senador, faça as contas a 4 reais por carro por um período de 3 horas.

De carro você com frequência se exaspera no trânsito, ou tem que sair de casa antes que o trânsito comece a ficar infernal e somente retorne para casa quando desaparece o fluxo do trânsito, o que significa que o dia começa antes das 6:00 para termina depois 20:00 horas e você se vê obrigado a ficar 14 horas fora de casa. De bicicleta você faria esta viagem em uma hora, em qualquer horário.

Mulher trafega em sua bicicleta no frio andino de Santiago

Mulher trafega em sua bicicleta no frio andino de Santiago

Preso ao carro, você faz um “investimento” de 50 mil reais num troço que perde 50% do valor em dois anos o que signfica que você gasta 25 mil reais a cada dois anos para ter um retorno de 4%, faça as constas: você anda por dia uma hora de carro (desconte o tempo parado no engarrafamento, você não está andando, está descansando ao volante, escutando música, ou ligado na Internet) – numerador da fração é 24 x 30 x 1  e o denominador da
fração é 24*30*24 quer dizer que o resultado final do uso dos 25 mil reais é 1/24. Ninguém poderia considerar isto um investimento rentável pela lógica famigerada do capitalismo.

Compre uma bicicleta cara e cômoda, pague 2700 por uma bicicleta com aro 29, e 21 marchas, ela vai levá-la a uma velocidade média de 20 km por hora quando você ganhar prática. Ao final de dois anos, elas ainda estará nova, no máximo você terá trocado os pneus (eu troquei os pneus da minha com um ano – já tinha corrido nela mais de 3 mil quilómetros). Pneus e serviço para trocá-los me custaram 100 reais, paguei, porque se eu mesmo fosse fazê-lo, sairia todo cortado e ainda teria que levar para o mecânico terminar… então o meu gasto com a magrela foi de 100 reais num ano, compare com o seu gasto semanal de combustível.

Eu posso dizer de peito aberto que não sou responsável pelo aquecimento global! É verdade que ainda tenho alguns defeitos consumistas que estou tentando corrigir, mas eu estou preparado para sair do carro e seguir na bicicleta, basta para isto que eu encontre as condições necessárias na cidade em que vivo, e estou lutando para isto.

Minha co-cidadã (uso o feminno como genêrico, me parece justo)

Permita-me fazer uma solicitação, e desculpe se estiver sendo
repetitivo. Eu vou perdir-lhe que vote no projeto do Willian Cruz

http://vadebike.org/2012/07/willian-cruz-premio-cidadao-sustentavel-vote/

não é uma questão pessoal, eu não conheço Willian, mas estou por trás
da proposta “vá de bicicleta” e é isto que estou defendo agora.  Eu preferia mesmo dizer “vá de bicicleta” para evitar o angliscismo desnecessário.

Ainda tem algumas pessoas pouco esclarecidas que ignoram a possibilidade iminente de uma catástrofe climática a se abater sobre nós, ou talvez apenas estejam se colocando na posição cômoda de esperar para ver!  Ou talvez a razão seja a mesma que me obriga a continuar andando de carro: as condições objetivas na cidade ainda nos aterrorizam quando pensamos na possibilidade de montar numa bicicleta para o dia-a-dia. Se for isto, temos que nos juntar para brigar por estas condições. Forçar a prefeitura a definir metade das ruas da cidade para uso exclusivo de bicicleta.

A questão não é ciclovias, e sim metade das ruas dedicadas à bicicleta.

Não podemos, não devemos lutar por ciclovias, elas terminam sendo uma falsidade. Começam em qualquer lugar, longe da porta de nossas casas e repentinamente são interrrompidas por uma bruta, larga, avenida de quatro pistas.  Novamente nós, os ciclistas ficamos em segundo plano, caimos no seio facista do meio ambiente dos carros.

Tem que ser diferente: metade das ruas, uma faixa inteira, severamente, separada para os ciclistas, quando a rua tiver duas faixas. Ou então 4 faixas dedicadas às bicicletas, quando for uma avenida de 8 faixas. Uma aritmética clara e definida, uma tomada de posição: temos que restringir definitivamente o uso dos carros. Quem quiser usar carro, que fique restrito na metade que lhes sobrará para correr, à velocidade limitada (40 km/h é o Código de Trânsito estipula para o trânsito urbano).  E as ambulâncias, elas serão bem vindas na faixa dos ciclistas, podem ter certeza disto. Nós os ciclistas, prazenteiramente nos apeiaremos de nossas biciclietas e abriremos espaço para as ambulâncias passarem com a gravidade e urgência que lhes corresponde, coisa que nenhum automobista consegue pensar em fazer.

Seria possível evitar a catástrofe ambiental que se nos avizinha?

Eu creio que é  possivel evitar a catástrofe,  embora haja os que consideram que o ponto crítico, em que o pêndulo do tempo já se tenha descontrolado e que estajamos na orbita (linguagem ciêntífica, de equações diferenciais, mas de uso popular) de viagem ao longo de 500 anos de super-aquecimento até que a Terra retorne à temperatura habitual. Os que assim pensam se baseiam no fato de ultrapassamos os
350 recentemente – 350ppm  de carbono na atmosfera, chegamos a quase 400 ppm.

Se ainda não estivermos nesta órbita catastrófica é necessário um esforço gigantesco para recolocar o pêndulo do tempo em seu curso normal e, entre outros problemas, se encontra o carro, “esta latinha com ar acondicionado poluido pela latinha que trafega na frente”, como um dos problemas centrais que temos que corrigir.

Desaparecendo o carro, desaparece junto com ele toda a necessidade compulsiva por extração de petróleo, se elimina a razão das guerras, como num passe de mágica cai, como num efeito dominó, grande parte do nosso problema. E por outro lado é possível que se abra o caminho para uma igualdade social, justiça econômica, distribuição de renda que também são problemas que podemos associar à compusividade petróleo-carro, porque para que nos seja permitido andar de bicicleta teremos que abrir o caminho para uma relativa igualdade social onde não haja  gente ultra-pobre que nos veja como super-ricos (o que nem somos mesmo).

Hoje vi com satisfação que na cidade de Santiago, no Chile, os jornais noticiaram que as “autoridades” se convenceram de que era preciso abrir caminho para as bicicletas na cidade e que levou as ditas “autoridades” à esta conclusão foi precisamente a classe média que decidiu usar a bicicleta e hoje trafegam um milhão de bicicletas
em Santiago.

Condições para termos o direito ao uso da bicicleta

Eu ainda ando de carro, porque não me atrevo a enfrentar o Sol, os
carros em que andam as minhas co-cidadãs, os cachorros, os buracos e o
risco de ser considerado um “pinta-boa-andando-de-bicicleta-de-luxo”
no meio da desigualdade social em que vivemos. Eu queria lutar,
desesperadamente, para criarmos as condições objetivas para que todos
possamos nos exercitar enquanto vamos de casa para o trabalho em vez
de precisamos gastar algumas horas por dia em uma clínica de
emagrecimento forçado.
Peço-lhe então que considere a possibilidade de

votar neste opção
http://vadebike.org/2012/07/willian-cruz-premio-cidadao-sustentavel-vote/%5D
http://vadebike.org/2012/07/willian-cruz-premio-cidadao-sustentavel-vote/

Eu não quero que esta sugestão indique que os demais concorrentes são
desmerecidos, apenas eu estou apoiando uma ideia –  ir de bicicleta.
Se concordar, repasse o link  para sua lista.  Este não é um questão
minha, é sua, de suas filhas, de suas netas, de todas as pessoas de
quem você gosta e que vivem no planeta de que dependemos.

Tarcisio Praciano-Pereira
Um ciclista frustrado metido atrás do volante numa latinha com ar conservado e poluído pela latinha que trafega  na frente.

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