O Diário Liberdade abre-se à publicaçom direta das nossas leitoras e leitores

O Diário Liberdade abre-se à publicaçom direta das nossas leitoras e leitores.

Diário Liberdade – A partir de hoje, o Diário Liberdade dá mais um passo na sua vocaçom colaborativa, incorporando umha nova funcionalidade que permite às pessoas que nos visitam fazerem diretamente as suas propostas para a publicaçom de conteúdos.


Umha das principais tarefas que o Coletivo Editor do Diário Liberdade desenvolve dia a dia é difundir todo o tipo de informaçons relacionadas com os movimentos sociais e organizaçons políticas, a partir dos envios que nos fam via e-mail, ou mesmo procurando os conteúdos nos seus sítios na internet. Porém, esse trabalho tem os seus limites, já que nem sempre conseguimos dar saída a todo o material recebido, por incapacidade da equipa humana que cada dia trabalha no DL.

Para tentarmos avançar na cobertura das luitas e iniciativas dos movimentos populares da Galiza, Brasil, Portugal, Angola e resto da lusofonia e do mundo, levamos algum tempo trabalhando na soluçom técnica que permita dar resposta a mais material do muito que recebemos dia a dia. Para isso, ativamos desde já umha nova seçom, chamada ‘Publicaçom Aberta’, que permite que qualquer leitor ou leitora, a partir de um simples registo, tenha possibilidade de colocar diretamente no nosso gestor de publicaçom, em poucos minutos, todas as matérias que considerar interessante que difundamos.

A nossa intençom é conjugar a máxima agilidade com a liberdade de fazer propostas, se bem com o imprescindível controlo dos conteúdos que publicamos, para evitarmos a difusom de conteúdos alheios aos princípios e orientaçom do DL. Por isso, as matérias propostas ficarám pendentes da aprovaçom do Coletivo Editor, que também poderá editá-las para arranjar os problemas técnicos que puderem existir, garantindo assim umha qualidade equivalente à existente até hoje nos materiais publicados no Diário Liberdade.

As pessoas registadas que colaborem na publicaçom de conteúdos terám acesso ao histórico de matérias que já publicárom, onde também poderám fazer correçons nas que estám pendentes de serem publicadas polo Coletivo Editorial. Progressivamente, esperamos poder oferecer mais funcionalidades aos colaboradores e colaboradoras, na medida que este tipo de propostas de colaboraçom funcionem.

Lembramos  que este meio carece de fins lucrativos e que unicamente aspira a ser umha ferramenta o mais efetiva possível, ao serviço das luitas sociais e das iniciativas das diferentes correntes da esquerda revolucionária.

Agradecemos desde já a vossa colaboraçom e convidamos a que comecedes a ser parte ativa da equipa humana que forma o Diário Liberdade, pedindo desculpa polos erros técnicos que puderem existir nesta fase inicial da seçom de Publicaçom Aberta.

Como sempre, podedes fazer as vossa propostas e sugestons através do nosso e-mail:

diarioliberdade[arroba]gmail.com

Coletivo Editor do Diário Liberdade.

Major Curió e doutor Asdrúbal, agentes da ditadura militar, foram denunciados por crimes

Carta Maior – Direitos Humanos – Major Curió e doutor Asdrúbal denunciados por crimes na ditadura.

Major Curió e doutor Asdrúbal denunciados por crimes na ditadura

Em uma decisão inédita e histórica, a juíza da 2ª Vara Federal de Marabá, Nair Pimenta de Castro, recebeu as denúncias formuladas pelo Ministério Público Federal (MPF) contra dois dos agentes da ditadura apontados por vítimas e familiares como os maiores carrascos do período: o coronel da reserva do Exército, Sebastião Rodrigues de Moura, o Major Curió (foto), e o major da reserva Lício Augusto Maciel, o doutor Asdrúbal. Os dois são apontados como responsáveis pelo sequestro qualificado de militantes que atuaram na Guerrilha do Araguaia.

Brasília – O coronel da reserva do Exército Brasileiro, Sebastião Rodrigues de Moura, o Major Curió, e o major da reserva Lício Augusto Maciel, o doutor Asdrúbal, serão os primeiros militares brasileiros a responder pelos crimes de lesa-humanidade cometidos durante a ditadura militar. Em uma decisão inédita e histórica, a juíza da 2ª Vara Federal de Marabá, Nair Pimenta de Castro, recebeu as denúncias formuladas pelo Ministério Público Federal (MPF) contra dois dos agentes da ditadura apontados por vítimas e familiares como os maiores carrascos do período.

Na denúncia, os dois são apontados como responsáveis pelo sequestro qualificado de militantes que atuaram na Guerrilha do Araguaia, na década de 1970, e estão desaparecidos até hoje. O major Curió é acusado de comandar as tropas que prenderam Maria Célia Corrêa (Rosinha), Hélio Luiz Navarro Magalhães (Edinho), Daniel Ribeiro Callado (Doca), Antônio de Pádua Costa (Piauí) e Telma Regina Cordeira Corrêa (Lia), entre janeiro e setembro de 1974. Todos eles foram capturados no Araguaia, levados a bases militares, submetidos à tortura e nunca mais foram vistos.

O doutor Asdrúbal é responsabilizado pela captura de Divino Ferreira de Souza, o Nunes. De acordo com as investigações do MPF, Divino foi emboscado no dia 14 de outubro de 1973 pelos militares chefiados por Lício, quando estava ao lado de André Grabois (o Zé Carlos), João Gualberto Calatroni (o Zebão) e Antônio Alfredo de Lima (o Alfredo). Apesar de ferido, Divino foi interrogado e torturado. Tal como os demais, não foi mais visto.

Na denúncia, o MPF defende que a responsabilização penal de Sebastião Curió e Lício Maciel é obrigação do Estado brasileiro diante da sentença da Comissão Interamericana de Direitos Humanos sobre o tema e não contradiz a Lei de Anistia ou o julgamento do Supremo Tribunal Federal, que a revalidou, em 2010. Para a acusação, os acusados são responsáveis por crimes contra a humanidade, que são imprescritíveis e não passíveis de anistia.

Ustra e Gravina
Em São Paulo tramita uma terceira ação penal relativa a crimes da ditadura, contra o ex-chefe do Doi-Codi, Carlos Alberto Brilhante Ustra, e o delegado da Polícia Civil, Dirceu Gravina, pelo crime de sequestro qualificado do bancário Aluizio Palhano Pedreira Ferreira, ocorrido em maio de 1971. A Justiça Federal, entretanto, negou o recebimento da denúncia. O MPF recorreu e aguarda julgamento de recurso.

Uma civilização de bricolagem

A DIY Civilization

Uma civilização de bricolagem

http://www.yesmagazine.org/planet/a-diy-civilization?utm_source=wkly20120817&utm_medium=email&utm_campaign=titleShaddox

Poderemos criar as máquinas da sustentabilidade moderna, baratas e próximas do ser humano?
 
 

Documentos para ações

publicado em 26 de Março de 2012 na YES magazine

Um forno de padeiro, uma escavadeira, uma fura-poços, de acordo com o empreendedor social Marcin Jakubowski, se encontra numa lista de cerca de 50 itens que seriam necessários para garantir-nos um modo de vida moderno e confortável.

Tais  máquinas não são apenas essenciais, explica Leifur Thor, elas também são caras, dificeis de serem reparadas ou construídas e se tornam obsoletas em poucos anos. Thor é um membro voluntário da  Open Source Ecology, (Tecnologia aberta) uma empresa sem objetivos de lucro criada por  Jakubowski com o objetivo de desenvolver a Global Village Construction Set   (Ferramentas de construção da Vila Global). As ferramentas irão compor máquinas de natureza modular, duráveis, que cada um posso construir e dar manutenção, de forma local, de uma maneira sustentável, usando material local, com frequência de metal do assim  chamado lixo.    A OSE (Open Source Ecology) deseja criar um cardápio de máquinas duráveis, modulares, que indivíduos posssam construir e manter. A OSE irá repassar os modelos para quem os desejar. O dinheiro que um fazendeiro estaria repassando para uma grande empresa para comprar, por exemplo uma colheitadeira, ficará na comunidade local. O impacto sobre o meio ambiente do transporte de uma longa distância de uma equipamento como este de grande porte, irá desaparecer. Estas máquinas custariam aproximadamente um quinto do preço de suas equivalentes produzidas por fábricas.

“Para  nós é uma obsessão este projeto e temos em mente que o que estamos criando será de máximo benefício, de custo mínimo e de longa duração,” diz  Thor.

Os desenhos preliminares de uma máquina a vapor apareceu no sites do grupo, comentários são bem vindos. “Estamos envolvendo o mundo inteiro em pesquisa e desenvolvimento”, diz Thor.  Apesar de que “Ferramentas de construção da Vila Global” ainda esteja em planejamento, já existem entusiastas pensando em como fazer uso do material produzido. Através do site da OSE (Open Source Ecology) as pessoas interessadas na criação de comunidades sustentáveis estão se comunicando com outros em suas regiões geográficas locais. Uma companhia da California está planejando usar os tratores modulares da OSE na construção de prédios sustentáveis usando terra comprimida.

Marcin Jakubowski explica as origens da OSE:
– Colleen Shaddox escreveu este artigo para  YES! Magazine, uma organização americana sem fins lucrativos que difunde ideias voltadas para ações práticas.
– Tarcisio Praciano-Pereira fez esta tradução

Interessada?

    * 7 Soluções inteligentes para trabalhos do tipo faça-o você mesmo (bricolagens) uma alternativa para você que está em busca de trabalho – faça o seu! Aqui se encontram sete formas diferentes de instrumentos, treinamentos e mesmo ideias brilhantes para que os trabalhadores comecem a produção.
    * O movimento “Down and Dirty Movement” (Mãos à obra) para inventar novamente as fazendas os documentários de Greenhorns acompanham jovens fazendeiros que está na busca do seus próprios caminhos para produzir uma agricultura revolucionária.
    * Em “Face desta Verdade” “In the Face of This Truth” – está no momento de falar honestamente a respeito de “não ao colapso” e como alguns estão encontrando a resposta.

 

 

 

 

 

Denúncia: ligações entre Min. do Planejamento e presidente do PROIFES

ANDES-SN questiona governo e UFSCar sobre pagamentos ao presidente do Proifes

O ANDES-SN encaminhou ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, e ao reitor da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, Targino de Araújo Filho, nesta quarta-feira (22/4), pedidos de esclarecimento sobre um possível convênio firmado entre as duas instituições, que estaria beneficiando diretamente o presidente do Proifes, Gil Vicente Reis de Figueiredo. 

Os questionamentos se baseiam em diversos documentos públicos, entre eles a Portaria nº 471/08 do Ministério do Planejamento – MP, que prevê o repasse de R$ 370 mil à UFSCar para execução do projeto “Elaboração de Ferramentas que Possibilitem a Realização de Estudos para a Reestruturação dos Cargos e Carreiras no Serviço Público Federal”. Outros documentos comprovam a vinculação do presidente do Proifes ao contrato, como um dos pesquisadores que farão jus aos R$ 114 mil destinados ao pagamento de professores. Dados já disponíveis no Portal da Transparência do Governo Federal indicam despesa em seu favor no valor de R$ 4.508,10, em 2009.  

O ANDES-SN questiona o ministro, entre outras coisas, quanto à clara evidência de conflito de interesses e falta de isenção entre as partes envolvidas nessa relação, o que agride as mais elementares normas e princípios que regem a administração pública. Em 2007, já como presidente do Proifes, Gil Vicente participou do grupo de trabalho instituído pelo MP para estudar e avaliar o mesmo tema, conforme demonstra a Portaria nº 1.486/07. No ano passado, assinou o acordo salarial proposto pelo governo para os docentes, mesmo ciente de que a base da categoria havia rejeitado terminantemente os termos do acordo, conforme comprovam os resultados das assembléias realizadas pelas seções sindicais do ANDES-SN em todo o país. 

O ANDES-SN questiona ainda ao ministro se de fato houve assinatura de um termo de cooperação entre as duas instituições, quem são os pesquisadores que recebem pelo convênio, quanto Gil Vicente já recebeu e ainda receberá e, por fim, se os R$ 370 mil destinados a esse programa em 2008 serão ampliados para R$ 870 mil, como prevê o orçamento da União de 2009.  

Do reitor, questiona-se também a situação funcional de Gil Vicente, já que não há informações no site da UFSCar de atividades didáticas a ele atribuídas desde 2004. Pede-se ainda que seja esclarecido se o docente encontra-se ou não oficialmente afastado de suas funções, por qual período e motivos.

Confira a íntegra da carta enviada ao ministro

Confira a íntegra da carta enviada ao reitor

Veja também os documentos que vinculam Gil Vicente ao MP:

Portaria nº 471/2008

Portaria nº 1.486/2007

Termo de Acordo Governo – Proifes

Projeto MP

Proposta de Termo de Cooperação MP – UFSCar

Trâmite da atividade de extensão na UFSCar

Extrato do pagamento já realizado a Gil Vicente

Chevron sob pressão por sua resposta lenta ao incêndio, sobre os residentes da Richmond, na Califórnia, na medida que a preocupação dos residentes se aguça.

Publicado na quinta-feira 9 de agosto, 2012 por Common Dreams
Do time editorial de Common Dreams
Tradução Tarcisio Praciano Pereira

Chevron sob pressão por sua resposta lenta ao incêndio, sobre os residentes da Richmond, na Califórnia, na medida que a preocupação dos residentes se aguça.

Depois que um incêndio enorme irrompeu numa refinaria de petróleo da Chevron em Richmond, na Califórnia, na segunda-feira, autoridades dizem que mais de 900 pessoas foram tratadas em serviços de emergência na região devido aos sintomas causados ​​pela fumaça tóxica que evolvia da Bay Area. Chevron está chegando agora sob pressão por sua lenta resposta ante o vazamento de gás que e ao fogo que queimou por mais de quatro horas com as chamas alcançando 15 metros no ar.

Milhares de pessoas que se queixam de malestar causado pela inalação de fumaça tentam fazer reivindicações legais. Mais de 1.000 residentes visitaram um escritório de advocacia no centro de Richmond, quarta-feira, onde um cartaz anunciava ‘Chevron está sendo processada aqui.’ Outros 1.000 contactaram diretamente Chevron. Chevron foi forçada criar um escritório no centro da cidade para lidar com o ataque de reivindicações.

“Eu quero dinheiro suficiente para que possamos nos mudar para algum lugar com ar puro,” Monica Marquez, 28, disse ao San Francisco Chronicle. Marquez disse que ela e seus quatro filhos sofrem de chados no peito e dores de cabeça desde o incêndio de segunda-feira. “Eu vivi aqui toda a minha vida, mas para mim já chega. Precisamos sair daqui, mas infelizmente não o podemos fazer agora.”

“O pouco dinheiro que ela nos der não vai trazer de volta a nossa saúde”, Constance Delaney, 60, disse à Crônica. Delany disse que toda sua família e a maioria de seus amigos e vizinhos em Richmond, que é conhecida como uma estufa industrial, sofrem de problemas respiratórios.

“Viemos de San Francisco para cá, porque não podiamos mais pagar o preço do aluguel lá. Agora sabemos por que Richmond era tão barato. Mas algumas centenas de dólares não vai nos ajudar na mudança para um lugar sem toda essa poluição”.

Richmond tem a menor renda per capita da área da baía – $24.781 por ano, 35 por cento inferior à media da área da baía. Mais de um terço vive abaixo do nível de pobreza federal.

Quase um terço das crianças em Richmond, que é conhecida por sua poluição industrial, foram hospitalizadas por asma – três vezes a taxa nacional, dizem os relatórios do Jornal Chronicle.

Mischa Adkins, 32, de Richmond disse que já tem lúpus e que seus rins já estão falhando e com a fumaça de segunda-feira as coisas apenas pioraram.

“Eu vivi há anos com os problemas criados por Chevron”, disse ela.

Refinaria Richmond da Chevron, que já teve vários incêndios no passado tendo sido citada pela Agência Reguladora de San Francisco Bay por violar regulamentos de ar 93 vezes nos últimos cinco anos.

O número aumentou de 15 violações em 2007 para 23 em 2010 e 2011. A refinaria também é o maior emissor do Estado de gases de efeito estufa.

Os impactos a longo prazo que o incêndio terá sobre os moradores da zona, é ainda desconhecido, de acordo com Andy Katz, diretor de qualidade do ar e relações governamentais para o programa “Respire Califórnia”.

“Ainda há realmente uma grande quantidade de informação que precisamos dominar”, disse ele. “Este desastre representa um grande impacto sobre a saúde da comunidade, os moradores de Richmond tem o direito de saber quais serão as consequências a longo prazo.”

Resposta da Chevron ao fogo na refinaria é atualmente o alvo das críticas.

O vazamento de gás que levou ao incêndio começou como um gotejamento por volta de 4:15, na segunda-feira, disseram autoridades, no entanto, a Chevron não agiu para conter o vazamento como um perigo imediato para os moradores próximos. Chevron é obrigada a notificar imediatamente o público de qualquer incêndio, de vazamento de gás, ou derramamento de óleo, de acordo com a lei estadual.

Centenas de pessoas vaiaram um painel de funcionários da Chevron e de funcionarios municipais locais que tentavam dar explicações sobre a questão em uma reunião da comunidade na noite de terça, em Richmond.

O prefeito de Richmond, Gayle McLaughlin, disse que o fogo era inaceitável e pediu para a empresa melhorarasse o seu sistema de alerta precoce.

“Vivemos sob este risco no dia-a-dia com este tipo de produção e de refino que tem um impacto em nossa comunidade com poluentes sendo lançados à atmosfera, mas com o acidente que aconteceu ontem, não pode ser considerado aceitável, porque efetivamente não o é”, disse McLaughlin.

Artigo retirado de http://www.CommonDreams.org
URL Fonte: http://www.commondreams.org/headline/2012/08/09-6

Medicina: Poderiamos fazer melhor! | Common Dreams

US Medicine: We Can Do Better Than This | Common Dreams.

Por Dave Dvorak, MD (doutor em Medicina) –
Tradução: Tarcisio Praciano-Pereira (doutor em Matemática)

Quanto isso vai custar? “, ele pergunta. É a pergunta que está nos lábios ante  qualquer transação comercial: Deste carro novo, desta passagem de avião, deste iPad,  o cidadão quer saber se  vale o preço pedido?

Mas o homem sentado diante de mim não é um cliente em uma concessionária de automóveis ou uma loja de eletrônicos. Ele é meu paciente no pronto-socorro, e ele está pesando a possibilidade de submeter-se uma  TC (Tomografia computadorizada) do peito que  acabei de recomendar-lhe.

“Estou sem seguro”, diz ele. “Eu perdi meu plano de saúde quando fui demitido do meu emprego há três anos, e isto vai sair do meu bolso.”

Um ex-fumante com mais de 40 anos, foi evoluindo na  tosse com quantidades crescentes de expectoração com sangue há um mês. O que começou como ocasionais, pequenas manchas vermelhas progrediu para grossas listras vermelhas ele não pode mais ignorar.

“Eu só posso lhe dar uma estimativa”,  digo, “suponho que uma tomografia computadorizada de tórax mais a taxa do radiologista vai ficar-lhe ao redor de US $ 2.000.” (quatro mil reais).

Como a maioria dos médicos de emergência, tenho catalogado no cérebro uma lista  interminável de números,  parâmetros  fisiológicos, valores laboratoriais, valores básicos a serem ministrados de drogas. Mas quando se trata de saber os custos dos  medicamentos, testes e tratamentos que eu rotineiramente devo indicar  para os pacientes, tudo que  posso oferecer é  uma estimativa aproximada dos custos.

“Eu tinha medo que você diria algo assim”, diz ele. “Imaginava que tomografias não saem baratas.” Ele suspira calmamente. “Eu estou mantendo  a minha filha de 8 anos com um orçamento muito magro.” E ele parece muito magro em sua roupa de hospital e com feições sombrias e  pálidas, com claras marcas de envelhecimento  em seu queixo.

“Mas eu venho me preocupando com isso há  muito tempo”, diz ele. “Eu sei que preciso enfrentá-la.”

Uma hora depois, estou sentado  rolando imagens digitais de TC no computador  enquanto que o radiologista no telefone me descreve os achados.

“No  pulmão esquerdo há uma lesão 4,5 centímetros, muito provavelmente representando uma lesão maligna”, diz ela. O meu olhar cai sobre a massa de forma irregular, branca, com tentáculos minúsculos invadindo a treliça delicada do tecido pulmonar circundante.

“Infelizmente, isso está ficando ainda pior”, diz a radiologista. “Há também várias lesões menores dispersas em ambos os pulmões, altamente suspeitas de serem  metástases.”

Houve um tempo, durante a graduação e residência, quando eu analisava descobertas  clínicas e radiográficas, anormais,  com curiosidade. Eu me lembro da emoção de ouvir pela primeira vez um sopro cardíaco, ou ao apalpar  um nódulo de tireóide, ou da visualização duma massa ovariana em ultra-sonografia pélvica.

Mas depois de anos de prática clínica e encontros com incontáveis pacientes​​, agora eu acho difícil ver resultados anormais separadamente das vidas humanas que eles afetam. Eu vejo o raios-X do quadril uma mulher idosa , sabendo que a linha de fratura iniciando no colo do fêmur provavelmente significa o fim dos seus dias de vida independente. Uma marca  peculiar brilhante iluminando no hemisfério esquerdo do cérebro em um exame de ressonância magnética significa que um homem não será mais capaz de segurar uma caneta ou uma caneca de café na mão direita ou que nunca mais voltará a ser capaz de falar uma palavra significativa para a sua família .

Eu desligo o telefone e os meus olhos persistem fixos nas imagens de TC, a massa de pulmão branco sinistro e as pequenos, mas sinistras formas de tipo satélite. E sei a sua importância: se trata de  um homem de meia-idade não viverá para ver o casamento de sua filha.

Volto para o quarto do paciente para sentar-me no banquinho à sua  cabeceira. Antes que eu comece a falar,  sinto o seu olhar sobre mim, ansiosamente procurando no meu rosto por  qualquer indicação sutil das palavras que virão.

“Sinto muito ter de lhe dar esta notícia,” digo, “mas a sua tomografia computadorizada mostra conclusões sobre  câncer de pulmão e  possivelmente irá  espalhar pelos pulmões. “

Ele olha para frente, sem piscar, a sua palidez facial fica mais aparente. Depois de alguns momentos, ele fala.

“De alguma forma, eu estava esperando algo realmente assim ruim”, diz ele. “Mas, é claro, a gente sempre espera que tudo poderá acabar bem.”

Uma profunda secura em  boca,  não me apresentar  as palavras certas para consolá-lo neste momento de tristeza absoluta. Então eu coloquei a mão em seu braço.

“Vou conversar com o nosso oncologista de plantão”, digo-lhe. “Vamos descobrir um plano para você.”

Ele espera pacientemente até que eu volte para o quarto, agora armado com um plano de acção.

“O oncologista vai admití-lo no hospital e iniciar a propedêutica”, eu explico. “Ele vai pedir um PET scan para ver se houve difusão para outras partes do corpo. Eles vão fazer uma biópsia dessa lesão principal em seu pulmão para determinar as melhores opções de tratamento , quer seja a radiação, quimioterapia ou uma combinação dos dois.”

Um longo período de silêncio, o tempo para que o meu paciente a processe as informações que eu lhe transmiti, enquanto isto fico a antecipar as perguntas que se avizinham.

“Eu suspeitava que você gostaria de fazer todas essas coisas”, diz ele, finalmente. “Mas eu já estive pensando sobre isso, e decidi que eu vou ter que dispensar  suas recomendações.”

Não é a resposta que eu esperava. “Por que isso?” Eu pergunto.

“Como eu disse antes, eu não tenho seguro de saúde”, diz ele. “Mas há uma coisa que eu tenho, a minha casa, ela está totalmente paga. Eu acho que não estou disposto a hipotecar-la e, finalmente, perdê-la para pagar intermináveis ​​contas médicas. Minha casa é a única coisa … “Sua voz se perde num ruído inteligível….

Depois de uma pausa, ele continua. “Minha casa é a única coisa que eu tenho para  deixar para minha filha quando eu me for”.

Lágrimas se reuniram nos cantos dos seus olhos, e eu ofereço-lhe uma caixa de lenços de onde ele retira  um.

Estamos sentados juntos, numa sala dum serviço de emergência moderna dum país rico, numa terra onde especialistas altamente treinados dominam com confiança as mais recentes tecnologias e caros produtos farmacêuticos. Mas esses tesouros não são acessíveis a todos, em nosso pais  o seguro de saúde privado é comprado e vendido como uma mercadoria. O nosso sistema é conhecido por ir em busca das pessoas doentes em função de um dinheiro que elas não têm. A nossa é a única democracia rica que não consegue garantir a cobertura de saúde para todos os seus cidadãos.

Como neste caso em que ela  está  falhando,  agora.

Ele olha para o relógio e fala. “Obrigado por tudo que você fez. Eu realmente aprecio isso. Mas eu tenho que sair agora “, diz ele. “Eu tenho que ir buscá-la na escola.”

Enquanto eu o vejo  desatar sua bata de hospital, eu sinto que não posso ajudálo, mas tenho certeza que nós lhe devemos muito mais. Eu não posso ajudar, mas sinto que os provedores  de cuidados de saúde, administradores hospitalares, executivos de empresas de seguros, políticos, todos aqueles que incansavelmente lutam pelas mudanças que o nosso sistema,  desesperadamente precisa, todos nós  falhamos.

Eu não posso ajudar, mas sinto que poderiamos fazer  melhor do que isto.

Este artigo apareceu inicialmente  na edição de julho de 2012 de Minnesota Medicine.© 2012 Minnesota Medical Association

Podiamos fazer melhor do que isto

Prêmio melhor história

Dave Dvorak, MD, pratica medicina de emergência em Edina, Minnesota Dvorak é um membro de Médicos de Minnesota para um Programa Nacional de Saúde.

IASERJ é NOSSO, apesar do governo do Rio tentar fechá-lo!!

From: Fórum de Saúde Rio de Janeiro <fsrj.md@gmail.com>
To: undisclosed-recipients: ;
Subject: o IASERJ é NOSSO!!

Companheiras e companheiros,
O governo do estado do Rio continua o processo de fechamento para demolição
do Iaserj.
Na próxima quarta-feira, dia 08, às 18h haverá uma reunião no Iaserj
(central) para organizarmos a nossa resistência.

Os/as profissionais do Iaserj vêm mantendo uma vigília para garantir o
funcionamento do Hospital.
*É MUITO IMPORTANTE a participação dos/as companheiros/as nessa vigília. O
grupo que tem se mantido presente já está lá a quase 2 meses e precisa de
reforço.
*
*Venha e compartilhe essa convocação *com o maior número possível de
pessoas

*Todos/as ao Iaserj!!!!*

Nesta eleiçao, não perca a oportunidade, derrube um ladrão e coloque um cidadão, e não encontra opção, vote nulo para não perder o seu voto.

Carta Maior – Direitos Humanos – Não há verdade que se esconda para sempre

Carta Maior – Direitos Humanos – Não há verdade que se esconda para sempre.

Não há verdade que se esconda para sempre

No dia 11 de junho de 2012, uns meninos que brincavam num terreno do subúrbio de San Fernando, vizinho a Buenos Aires, acharam três tonéis. Estavam cheios de cimento. Os meninos viram ossos misturados ao cimento. Ossos humanos. A polícia descobriu que nos outros dois tonéis também havia cimento e ossadas humanas. Depois das análises dos médicos legistas, confirmou-se que uma das ossadas pertencia a um cubano sequestrado e morto 36 anos antes, durante a ditadura encabeçada pelo general Jorge Videla. O artigo é de Eric Nepomuceno.

Nossos países, uns mais, outros ainda nem tanto, comprovam que não há verdade que alguém possa esconder para sempre. Que não há silêncio absoluto para a memória: alguma hora, alguma vez, ela se fará ouvir, fará soar o que quiseram calar.

É um processo que toca fundo muitas fibras tensas – inclusive as da dor, da humilhação, do esquecimento. E são essas as cicatrizes que poderão impedir novas feridas, novas sangrias. Querer calar o que aconteceu, pretender negar a memória e adormecer a justiça, é anular o presente. Represar essas águas é inútil: elas saberão retomar seu fluxo. Também delas é feito o presente, e são elas que conduzirão ao futuro.

No dia 11 de junho de 2012, uns meninos que brincavam num terreno do subúrbio de San Fernando, vizinho a Buenos Aires, acharam três estranhos tonéis. Estavam cheios de cimento. Um dos tonéis havia tombado, e no tombo, o cimento havia se quebrado. Os meninos viram ossos misturados ao cimento. Ossos humanos. A polícia logo descobriu que nos outros dois tonéis também havia cimento e ossadas humanas. Depois das análises dos médicos legistas, confirmou-se que uma das ossadas pertencia a um cubano sequestrado e morto 36 anos antes, durante a ditadura encabeçada pelo general Jorge Rafael Videla. Desde aquele tempo, seu paradeiro era mistério absoluto.

No dia nove de agosto de 1976 Crescencio Nicomedes Galañena Hernández e Jesús Cejas Arias saíram da embaixada cubana em Buenos Aires, no bairro de Belgrano, onde trabalhavam na parte administrativa. Oito dias depois, a agência norte-americana de notícias Associated Press recebeu um envelope, despachado pelo correio em Buenos Aires mesmo, com as credenciais dos dois e um bilhete que dizia o seguinte: “Nós, Jesús Cejas Arias e Crescencio Galañena, ambos cubanos, nos dirigimos aos senhores para através desta comunicar que desertamos da embaixada para usufruir da liberdade do mundo ocidental”. A nota não estava assinada. O ministério argentino de Relações Exteriores confirmou a autenticidade das credenciais. E a ditadura que sufocava o país não precisou explicar o sumiço dos cubanos: haviam desertado e ponto final.

Ao longo do tempo e dos processos judiciais que buscam restabelecer a verdade, resgatar a memória e aplicar a justiça na Argentina, comprovou-se que eles haviam sido sequestrados e levados para a Automotores Orletti, um dos campos de concentração clandestinos da ditadura. Documentos norte-americanos indicaram que o agente da CIA Michael Towley e o cubano Guillermo Novo viajaram dos Estados Unidos até Buenos Aires para interrogar os dois.

A maior parte dessa história já havia sido reconstruída, e os responsáveis pelas barbaridades cometidas na Automotores Orletti foram julgados e condenados. O uso de tonéis de combustível recheados de cimento para esconder ossadas humanas era conhecido. Aliás, foi assim, num tonel, que Juan Gelman, o maior poeta vivo da América Hispânica, encontrou em 1989 o que restou de seu filho Marcelo. Agora, com os três tonéis achados pelos meninos que brincavam num terreno baldio de um subúrbio de Buenos Aires ficou claro que pode haver muitos outros espalhados ao deus-dará. A polícia investiga para saber se esses três tonéis sempre estiveram no mesmo baldio, ou se foram levados para lá em tempos mais recentes.

Ao longo dos últimos nove anos, e da mesma forma que havia acontecido entre 1985 e 1989, não há uma semana sem que os argentinos tropecem com novas histórias de seus tempos mais tenebrosos. Não há uma semana sem que algum sobrevivente conte seu calvário, reconheça alguns de seus algozes, sacuda o passado. Os torturadores e assassinos, os ladrões de bebês e os violadores de mulheres estão sendo julgados, ou seja, estão tendo um direito elementar que negaram às suas vítimas: o direito de defesa. E a memória volta ao seu rumo, a verdade sai do silêncio infame ao qual quiseram que fosse condenada, e a justiça se impõe.

Não há presente sem passado. Não há presente sem memória. Não há futuro sem presente. Assim, dessa simplicidade, é feita a história. É feita a vida.

Também por esses dias, do outro lado da cordilheira dos Andes, os chilenos foram de novo tocados pela voz da memória. Há quem se incomode, e muito, com esse som, e é natural que seja assim.

O líder do partido do presidente Sebastián Piñera na assembleia legislativa, deputado Alberto Cardemil, por exemplo, anda muito aborrecido. É que documentos até agora secretos revelam a vasta rede de informações da ditadura do general Augusto Pinochet. Junto com as atividades da rede, vão sendo revelados nomes de informantes.

Alberto Cardemil era um deles, e dos mais eficientes. Denunciou vários integrantes da Vicaria da Solidariedade, órgão da igreja católica que ajudava as vítimas da ditadura. Era um dos consultores de Pinochet (aliás, foi seu vice-ministro de Interior) sobre os chilenos que podiam e os que não podiam voltar ao Chile, mesmo nos estertores da ditadura. Está lá, com sua letra, o veto ao escritor Ariel Dorfman, classificado de ‘ativista intelectual’ contra o regime. Esse veto traz a mesma assinatura que o deputado Alberto Cardemil estampa nos documentos legislativos, na sua condição de líder do partido da Renovação Nacional, do presidente Sebastián Piñera.

Quantos mais, como o deputado e o presidente, teriam preferido o silêncio dos tempos? No fundo, sabem que nem eles, nem ninguém, consegue esconder a verdade para sempre. E sabem que nós sabemos que esse é o medo dos infames de cada um dos nossos países. Esse é o pesadelo que sacode suas noites: saber que sua impunidade pode acabar. Que alguma hora a voz da verdade e da memória poderá se fazer ouvir, e que então eles, os responsáveis pelo horror e pelo esquecimento, perderão de vez sua pequena e miserável vitória, sua única conquista: a impunidade.