A vitória de Obama foi um triunfo da organização popular em oposição à indústria da privatização das eleições

A vitória de Obama foi um triunfo da organização popular em oposição à indústria da privatização das eleições

Organizadores locais espalhados pelos Estados Unidos da America trabalharam extensivamente e ostensivamente para ganhar estas eleições para Barack Obama. Agora é preciso mostrar-lhe os valores que este grupo tem para incluí-los na agenda do governo.

by Van Jones publicado na Yes-Magazine

Tradução modificada de: Tarcisio Praciano-Pereira leia o texto original aqui.

 

12 de novembro de 2012

Van Jones-CAP-555.jpg

Foto do Center for American Progress.

A grande vitória de Obama na última terça-feira foi uma vitória da classe média e uma rejeição da industria privatista das eleições, uma rejeição da influência do dito poder econômico no direcionamento da política ao mesmo tempo que representa a fala de uma nova geração de americanos indicando que eles são uma força a ser considerada.

“Nos últimos da eleição comecei a colocar em dúvida a versão da fala oficial que estava supervalorizando o salto do entusiasmo”. Na verdade esta conversa significava (e significa) uma distorsão do verdadeiro fenômeno que representam os organizadores municipais, uma nova leva de indvíduos que vieram alterar o espectro político envelhecido e invilecido no caso americano pela existência de dois partidos idênticos e igualmente vendidos aos interesses econômicos. Não interessa à esta outra indústria, a da “mídia”, reconhecer a existência deste novo fenômeno que também está por trás das ocupações. No caso brasileiro se encontra em formação também este movimento, infelizmente atrapalhado pela existência de partidos que representaram os interesses populares e que, da mesma forma como nos Estados Unidos se venderam a grupos econômicos. É preciso que estudemos o que se passa nos Estados Unidos para desenvolver o nosso próprio sistema de organização popular, que embora tenha que ser marcado pelas nossas próprias características, não vai poder ser muito diferente do que acontece na America do Norte porque as razões são muito parecidas.

Por exemplo, toda a direita que sabe e pode falar e se manifesta via mídia, tentou transformar em gozação o trabalho organizacional típico de formigas, paciente e incassável das comunidades nos Estados Unidos. Das vitórias parciais e escondidas, como no caso de Wisconsin em a derrubada do governador republicano foi evitada por um golpe administrativo contra as eleições precedido de uma campanha publicitária multimilionária que ainda assim sairia perdendo não for o termino das eleições antes da hora com milhares de eleitores frustados na filas de votação. Há lições para serem aprendidas assim como fatos que precisam ser publicados para reforçar a nossa autoestima e nossa vontade de luta.

Um dos exemplos desta fala destrutiva, mas fortemente perigosa, veio de uma conhecida política, felizmente hoje um pouco decadente, que afirmava que os prefeitos de cidades pequenas eram os verdadeiros líderes comunitários tentando assim tirar do foco o trabalho dos lideres comunitários.

É preciso nos convercermos que nós, os organizadores locais e comunitários usamos do direito da última risada.

Entre nós, no Brasil, fenômenos semelhante está se processando e é preciso que nos conscientisemos dos fatos e nos organizemos melhor para conseguirmos as vitórias necessárias para a reorganização da sociedade voltada para o interesse de todos. Eu vivo numa pequena cidade dominada por uma oligarquia que quase perdeu as eleições pelos nossos erros de organização que se justificam pelo alto poder de convencimento que as oligarquias ainda têm mas que aos poucos se esvai em parte pela liberdade da Internet que nos permite de fazer o contraponto das falsas notícias da chamada indústria da mídia. Mesmo em cidades grandes, como Fortaleza, a vitória dos grupos oligarcas se deu por pequena margem ainda assim por erros táticos que cometemos e pela presença ainda importante de líderes fajutas que ainda são escutados. Aqui também precisamos nos organizar melhor e o exemplo da organização popular americana precisa ser estudado e absorvido, lá eles vem com grande sucesso eliminando o conceito de liderança e definindo que o poder deve ser cuidadosamente ser distribuido sempre entre todos o que é uma tarefa muito dificil mas é a única forma de evitar a presença de lideres que sejam facilmente corrompíveis destruindo duma tacada todo o processo organizativo, como e o caso do chamado “partido dos trabalhadores” entre nós, ou mais anteriormente outros partidos igualmente vendidos.

Remember all those folks on the right who mocked the organizers who work patiently and tirelessly in communities across the country? The way they tried to tar President Obama for passing up lucacrative opportunities to instead take a job as an organizer on the South Side of Chicago? Recall, if you can bear it, Sarah Palin declaring that a small-town mayor is “sorta like a ‘community organizer,’ except that you have actual responsibilities”?

It turns out, community organizers got the last laugh.

“Nos últimos dias das eleições os portavozes da chamada mídia estavam fazendo uso intenso do que eles chamavam de salto do entusiamo na verdade era o trabalho para desmerecer e apagar a determinação dos eleitores e desmerecer o trabalho de base que prosseguia por baixo do foco dos radares. Quando sairam os resultados das eleições, na contagem dos votos, se viu que a coalisão de 2008 foi a vitoriosa, essa que era apontada apenas como um item secundário do jogo. E foram os organizadores comunitários que fizeram isto acontecer, tais como :

  • Ben Jealous and the NAACP registrou e fez vir às ruas mais de um milhão de afro-americanos no dia das eleições. Em Ohio, o voto dos negros pulou de 11% das eleições de 2008 para 15% em 2012. Nos estados-chave a percentagem de eleitores negros aumentou mesmo considerando que o número de eleitores cresceu por toda parte. Foi a prova da organização que saiu do seio da comunidade negra.

  • Hoodie Vote, Vote Mob, the Dream Defenders podem ser citadas de um elenco de organizações de jovens que tomaram conta dos campus universitários ou de suas vizinhanças nas cidades para fazer o mesmo trabalho de conscientização. Antes das eleiçoes, eu disse que se se a juventude não se manifestasse o presidente estaria “torrado.” Mas aconteceu que eles se levantaram e o fato é que o leitorado daqueles cuja idade fica abaixo dos 30 subiu de 18% em 2008 para 19% em 2012!

  • A campanha de Obama investiu na base como nunca antes foi feito. Em contraste, Karl Rove gastou centenas de milhões do dinheiro dos ricos num ataque que teve basicamente nenhum efeito saindo como um dos principais perdedores. Na quarta-feira, o veterano jornalista político John Avlon da CNN disse que nunca mais iria fazer caso das organizações de base.

Há lições importantes a serem tiradas destes últimos acontecimentos.

Por uma lado temos que contitnuar contando com o Presidente Obama para representar os nossos valores e falar em nome do ponvo que reelegeu.

Presidente Obama contou com a sua base e agora a sua base tem que contar com ele. Mas não iremos ficar sentados. Porém contamos com ele para nos representar e para falar em nome dos que o elegeram. O presidente tem que recusar qualquer barganha orçamentária que preserve as massivas isenções de impostos para os ricos. Ele também tem que salvar os programas de que a classe média e os pobres dependem dentro do eixo principal do orçamento.

Também temos que nos lembrar que os progessistas não tem o monopólio da organização de base. A direita com seu centro de apoio FreedomWorks e Americans for Prosperity investiu milhões em jovens e talentosos evanglistas que transformaram o Tea Party que obrigou que Washington olhasse mais para o problema do débito a lono prazo do que para a crise de emprego.

Finalmente, nós, os progressistas nem sempre demos as mãos aos organizadores comunitários ou simplesmente não colaboramos ativamente em nossas organizações. Com frequência somos chatos e doutrinários. As vezes ficamos por trás de assinaturas numa petição ou pedimos que a populaçaão entre na fila de apoio de uma instância a ser votada no Congresso em vez de sairmos efetivamente na luta corpo a corpo pelas grandes ideias. Não podemos fazer o movimento para trazer a população para as cabines eleitorais e depois partir para o velho jogo de intrigas políticas de Washington.

Em vez disto vamos demitir os lobistas e dar trabalho para organizadores de base. Vamos construir comunidades não apenas listas. Vamos dar poder aos nossos membros em vez de simplesmente ativá-los, e depois teremos que ouvi-los também. Isto não somente vai fazer o nosso movimento mais poderoso vai se tornar uma agenda permanente de que não se cortes orçamentários mas sim impostos mais justos que contam. Também tem uma crise de habitação, pontes e estradas que devem ser reparadas e uma quantidade incontável de indústrias de um novo tipo ecológico que devem ser descobertas e colocadas em função. Tem uma geração endividada e com falta de oportunidades que precisa ser considerada em novas oportunidades de emprego, tem muita Wall Street e muito pouco da Main Street dominando nossa economia.

Resumindo, a lição das eleições de 2012 foi esta: Que não se perca o respeito com a organização de base mas que não se fique com esta organização apenas com o objetivo das próximas eleições.


Van JonesVan Jones escreveu este artigo para YES! Magazine, uma organização americana de imprensa sem objetivos lucrativos, que funde ideias profundas com ações práticas. Van é um ativista de longo tempo, antigo assessor da White House, e co-fundador do Rebuild the Dream. Eu, Tarcisio Praciano-Pereira traduzi livremente incluindo meus pontos de vista.

Interested?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.