Ato-Show reforça a necessidade da criação da Comissão da Verdade em Sergipe

CUT – Central Única dos Trabalhadores – Ato-Show reforça a necessidade da criação da Comissão da Verdade em Sergipe.

Ato-Show reforça a necessidade da criação da Comissão da Verdade em Sergipe

06/12/2012
Manifestação também marcou a solidariedade aos seis estudantes processados por denunciar um agente da ditadura e homenagem aos 101 de Carlos Marighella
Escrito por: Danielle Menezes/CUT-SE

Com o objetivo de se solidarizar com os seis estudantes processados por denunciar um agente da ditadura, pela homenagem aos 101 de Carlos Marighela e para pedir a instalação da Comissão da Verdade em Sergipe, a CUT junto ao Levante Popular da Juventude realizou na tarde desta quarta-feira (5), na Praça Fausto Cardoso, o ato-show da Memória, Verdade e Justiça.

Os seis estudantes foram ameaçados por um processo judicial que os penalizavam pela manifestação contra a ditadura militar, especificamente a um dos médicos que atestavam a saúde dos torturados, o Dr. José Carlos Pinheiro. Para os estudantes, que formam o Levante Popular da Juventude, o ato, que foi pensado como mais uma das ações de pressão, se tornou um ato comemorativo já que em audiência no dia anterior, o médico retirou a queixa contra os estudantes universitários.

“Ele finalmente cedeu às pressões que nós, do Levante Popular fizemos durante todo o processo. Essa, portanto, é uma vitória dos movimentos populares e devemos comemorá-la hoje”, disse Jessy Dayane Silva, uma das estudantes processadas.

Mostrando a importância desse ato político, o coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile, veio à Aracaju para reforçar o apoio ao caso dos estudantes processados e à criação da Comissão da Verdade.

“Eu fiz questão de vir aqui para mostrar o reconhecimento de todos os movimentos sociais brasileiros à atitude corajosa e digna que esses jovens sergipanos tiveram de ‘escrachar’ os que no passado se beneficiaram da ditadura. A sociedade brasileira precisa passar esse passado sangrento a limpo, com uma condição de construir uma sociedade democrática, que tenha instrumentos suficientes que a ditadura se repita”, disse Stédile.

“Esse ato é de extrema importância, seja pela a solidariedade a esses jovens corajosos que sem temor fortalecem o debate sobre a reabertura dos arquivos da ditadura, sejam em ações como o esculacho ou pela luta da instauração da Comissão da Verdade em Sergipe, mas como relembrar a figura do líder politico, Carlos Augusto Mariguela. Ações como estas fazem com que a população entenda a necessidade de resgatar o seu passado para fortalecer um futuro aonde repressões e violências não façam parte das ações do Estado”, acrescentou.

Para a representante do Movimento Nacional pelos Direitos Humanos, Lídia Anjos, é preciso que se abra a história da ditadura para que a população possa compreender e até mesmo prevenir que esta situação aconteça novamente. “A Comissão da Verdade fará com que, de fato, possamos conhecer o nosso passado e minar com qualquer possibilidade de vivermos no presente ou no futuro praticas ditatoriais como vivemos da década de 60. Para isso é importante que seja trazido à tona os nomes de quem foram essas pessoas que auxiliaram a ditadura. Que postos elas ocupam hoje?Onde estão essas pessoas? Seja onnde estiverem, ainda têm iniciativas ditatoriais?”, questionou.

Um ato que envolveu não só falas e discursos, mas também muita música e cultura engajada, contando com as atrações musicais de Pedro Munhoz (RS), os cancioneiros Heitor e Mosquito, o músico e integrante do MST, Lupércio, a banda de reggae sergipano, Ato Libertário, um dos grandes expoentes da música no nosso estado, Alex Sant’anna e o Grupo Cultural Batuque Dança Aiê, um grupo de jovens quilombolas da cidade de Brejo Grande, que apresentaram seus shows após o ato, deu o tom as grande músicas e enredos que fizeram e fazem parte da nossa história, com cânticos críticos, que mostraram a realidade social em letra, música e prosa.

Comissão da Verdade

A CUT Nacional já manifestou seu apoio à constituição da Comissão Nacional da Verdade, instrumento que deverá aprofundar a investigação das atrocidades cometidas durante a Ditadura Militare defende a punição dos torturadores e assassinos que ainda continuam impunes.

Em Sergipe, a Central já vem realizando eventos que reforçam a criação da Comissão, a exemplo do debate com o filho de Marighella, Carlos Augusto Marighella, que trouxe elementos da história de seu pai, dos bastidores da Ditadura e da maneira como tudo isso influenciou sua opções enquanto militante no processo de redemocratização do país.

“Resgatar o que de fato aconteceu durante o regime militar sempre fez parte das ações da CUT em todo o Brasil. Hoje viemos, mais uma vez, cobrar a instalação da comissão da verdade aqui em Sergipe. É uma vergonha, já que na maioria dos estados as comissões já estão em andamento.”, disse Rubens Marques, representante da CUT-SE.

Estiveram também presentes no ato os deputados estaduais Ana Lúcia (PT) e João Daniel (PT), entidades sindicais como o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário (SINDIJUS), Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos da Universidade Federal de Sergipe (SINTUFS) e Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese), além dos movimentos sociais como o MST, representado pelo coordenador nacional João Pedro Stédile, o Movimento Não pago, Movimento Nacional dos Direitos Humanos (MNDH), Instituto Braços e o Intervozes.

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