CODEPINK: Take Action Now!

March 28, 2013

Dear Peace fighther,

Join CODEPINK and the entire No Drones Network for the April Days of Action against the use of killer and spy drones domestically and abroad! Check out what events are happening near you, and sign up to organize a CODEPINK contingent at your local action- or start your own event!

CODEPINK provocateurs are already organizing several events around the country, beginning with an action-packed weekend in the nation’s drone-manufacturing capital: San Diego, California. San Diego is home to General Atomics, builders of the killer Predator and Reaper drones, and Northrop Grumman, maker of the Global Hawk surveillance drone. Join us in saying NO to General Atomics profiteering from murder by sending this letter to the CEO!

If you’re in or near Washington DC, check out the huge rally at the White House on April 13, where the CODEPINK DC team will be out in the streets telling Obama that we say NO to drones anywhere on the globe! Part of the CODEPINK national staff will also be participating in the weekend of No Drones mobilization in Syracuse, New York, on April 26- come join us there!

There are over fifty– yes, fifty– anti-drone events being organized around the nation that need a pink presence. Check out the full list here, and sign up to join a CODEPINK contingent. Hop on board and wear your pink best!

For an end to targeted killing,
Alli, Candice, Dooler, Jodie, Medea, Nancy, Noor, Sam, Tighe

P.S.- Help us promote CODEPINK co-founder Medea Benjamin’s drone speaking tour!
Click here to tweet this: Don’t miss @codepink’s @MedeaBenjamin on her US national book tour on #drones! Coming to a city near you: http://bit.ly/dronebooktour

Inventando a história: como os calculistas produziam tabelas de logaritmos

 Inventando a história: como os calculistas produziam tabelas de logaritmos

Por Tarcisio Praciano-Pereira

É excitante pensar no trabalho árduo dos calculistas do século 15  John Napier   é um dos nomes envolvidos com esta questão. Uma tabela de logaritmos é apena uma tabela com duas colunas em correspondência, numa coluna está uma progressão geométrica, e na outra uma progressão aritmética (dos expoentes que são somados na multiplicação).

Este programinha em python produz uma tabela de logaritmos, a que você quiser, selecione você mesmo as duas razões, delta (progressão aritmética) e r da progressão geométrica e depois dentro do “while” decida onde parar.

delta = 0.00001
r = 1.00001 ## = 1+0.00001
x = 0
y =1
print “## x       \t\t\t\t log(x)”
while x <= 3.3:
    print y,”\t\t\t\t”,x
   x = x + delta
    y = y*r
Chame este programa de tabela.py e rode assim

python  tabela.py >  log.txt

e o programa vai criar um arquivo  log.txt que contém a tabela de logartimos.

Mas o interessante é pensar como os calculistas conseguiam fazer tabelas imensas, com dezenas de páginas que eram necessárias para as operações até a primeira metade do século passado, quando as calculadoras eletrônicas derrubaram o reinado dos logaritmos.

Observe que a razão da p.g. é r=1.00001  quer dizer que y*r  que é a operação que está montando a p.g. no programa corresponde a

y*r  =  y*(1+0.00001)

que é uma operação fácil de ser feita, vira uma soma de y com um número semelhante com y, apenas precedido de 4 zeros depois da vírgula e mais 0 antes da vírgula. Assim, tomando um elemento da coluna da p.g., por exemplo

1.13153982499

o elemento seguinte será

1.13153982499 + 0.0000113153982499 = 1.1315511403882499

e se você gerar a tabela de logaritmos com a configuração acima (do programa) vai ver que o proximo elemento da coluna da p.g. é 1.13155114039  portanto os calculistas da I.M. teriam um método muito mais efetivo para construir as tabelas do que o meu programa em python. Eles de um lado montavam uma p.a. (coisa fácil) e do outro lado em vez de trabalhar com um p.g. (mais difícil) trabalhavam também com somas de um número com ele mesmo apenas jogando algumas casas decimais para direita.

Tenha cuidado que se você exigir muita precisão ou extender muito a tabela de logaritmos você corre o perigo de encher o disco com a tabela de logaritmos. Com o programa acima eu produzi um arquivo de 9Mb (ainda pequeno…).

O silêncio é cumplicidade, mas quando aperta vira berro

Os silêncios…

J. Nunes de Almeida,

Ericeira – Portugal

Um dia bateram-me à porta e anunciaram-me que o governo tinha decidido
cortar-me meio subsidio de Natal. Apesar de inconstitucional, compreendi o
sacrifício que o Governo me pedia.

Noutro dia bateram à porta do meu pai e anunciaram-lhe que iam cortar meia
pensão do Natal. Apesar de considerar que era um roubo, ainda admiti,
porque o pais estava em estado de emergência.

Depois bateram-me à porta e anunciaram que me iam tirar dois meses de
salário e dois meses de pensão ao meu pai. Depois da estupefacção
resignação.

A 7 de Setembro, bateram-me à porta para me anunciar que tiravam 7% do
salário para dar 5,75% ao patrão e ficavam com os trocos, em principio para
os cofres da Segurança Social.

Desta vez fiquei indignado. Achei que estava a ser roubado e que estavam a
transformar os patrões em receptadores do dinheiro roubado. Em reacção,
corri para a rua para protestar.

Bateram-me mais uma vez à porta e informaram-me de que o ministro das
finanças ia reescalonar as taxas de IRS, de modo a torna-lo mais
progressivo.

Imaginando que iam poupar os rendimentos mais baixos e taxar fortemente os
mais altos, pensei que o Governo, finalmente, voltava ao trilho da lei.

Mas para surpresa minha, voltaram a bater-me à porta para me ameaçarem com
aumentos brutais no IMI. A minha indignação transformou-se em ira e
juntei-me ao movimento nacional de resistentes ao pagamento do IMI.

Ainda mal refeito do choque do IMI, bateram-me novamente à porta para me
mostrarem nos jornais, em grandes parangonas e cinco colunas, os novos
escalões de IRS. Afinal aumentaram as taxas dos rendimentos mais baixos,
menos os dos mais altos e não criaram nenhum escalão para os mais ricos. E
a progressividade do rei dos impostos diminuiu. A minha raiva subiu de tom
e resolvi não mais votar a votar no PSD e estou preparado para qu alquer
acção revolucionária que apareça. Ao fim e ao cabo eu o meu pai e a minha
família já não temos nada a perder.

Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite,
já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles,
entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.
Maiakovski (1893-1930)

Liberdade de expressão se tornou um item de propaganda: Andre Vltchek

Kourosh Ziabari entrevista  Andre Vltchek.

Tradução: Tarcisio Praciano-Pereira

http://andrevltchek.weebly.com/

Ao viajar por vários cantos do mundo e sinto tristeza ao sentir que o mundo é algo bem diferente da percepção produzida ou pelos estereótipos produzidos e implantados em nosso cérebro, diz o cineasta e novelista Andre Vichek

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 (Andre Vltchek na Republica  Democratica do  Congo)

Ele fez estas observações em recente entrevista ao Teheran Times

“As percepções do mundo são um produto da  propaganda, induzida pela mídia, por tipos tradicionalmente pervertidos,” disse  Vltchek, que nasceu em  Leningrad (hoje St. Petersburg) na União Sovietica mas que se tornou cidadão americano.

Seus artigos apareceram em sites da web ou publicações como  Counterpunch, Z Magazine, Newsweek, Asia Times, China Daily, Irish Times e Japan Focus.

A seguir o texto da entrevista:

Q: Andre, sei que você viajou por muitos países, mundo afora. Poderia me dar o número exato? E que país mais o fascinou? Poderia explicar-me que resultou desta experiência de viajar por diferentes países ou civilizações e tornar-se familiar com uma tal diversidade de culturas?

R: Kourosh, primeiro que tudo deixa-me agradecer-lhe por me dar a oportunidade de me dirigir aos leitores no  Irã. Para mim isto é uma grande  honra.

E o número de países que visitei, já fiz uma conta, e na última vez dava 145, mas a dificuldade com manter este registro está associada com as mudanças no mapa mundi que está permanente em “evolução”, países como  Yugoslavia, Somalia or Sudan foram destruidos por forças externas sendo criados outros em seus lugares para atender aos interesses do Império: South Sudan, Kosovo e provavelmente em pouco tempo veremos outro surgir da parte ao sul da  Somalia ocupada pelo Kenya, um aliado subalterno do Leste. Nada me surpreenderia que surgisse um país independente no  “Kurdistan”, rico em óleo, com um governo pro-Leste.
Eu não tenho certeza se é possível dizer que eu me encontro viajando por diferentes países, na verdade eu estou me movendo constantemente, eu vivo em diversas partes do mundo, eu sou um internacionalista. E não é prosa, é a minha realidade. A realidade é algumas vezes fascinante, corta a respiração, mas pode ser triste. A natureza do meu trabalho e da minha luta me impõem este estilo de vida — não há nada que eu possa fazer para mudá-la.
E culturas, ora, eu não tenho uma própria. Nunca tive! A história da minha família é muito complexa e nun certo sentido traumática. Quando garoto eu queria estar em algum lugar muito distante daquele em que eu vivia, e criei o meu próprio mundo imaginário no qual havia paises distintos e fantásticos. Enfim, alguns eram imaginarios, outros reais, mas para uma criança, mesmo um país real é imaginário, você os imagina e os constrói inteiramente. Minha avó materna é sem dúvida a mulher mais importante da minha vida acendeu a paixão pela leitura em mim e alimentou minha imaginação. Era seu hábito ler para mim e me contar suas próprias histórias, devo a ela ter-me tornado um escritor. Ela nunca me disse, mas senti que ela queria que eu fizesse as coisas que ela nunca teve a chance de fazer. Eu a amei muito, e ainda a amo agora que ela se foi. Muito do que fiz representa um tributo que lhe presto, uma mulher bonita e frágil, como jovem lutou contra os alemães defendendo a sua cidade,– Leningrad — sediada por 900 dias, uma invasão terrível. Se ela pode fazer isto, porque não eu que sou um grandalhão, e faço, eu luto contra do facismo em qualquer forma que ele apareça. Minha avó teve a coragem que se apaixonar por um homem que estava no topo do governo  Soviético, de origem chinesa vindo do Oriente Médio. Quando ele foi executado, ainda que depois o tenham reabilitado e feito novamente um herói, postumamente, ela nunca o abandonou ou lhe deu as costas e preferiu ir para a prisão do que aceitar em público que teria arrependimento por se ter casado com ele. Eu também acho que as pessoas de diferentes raças devem se misturar, esta é a única forma de criar um mundo em paz, de trazer harmonia e equilibrio para o nosso planeta, influência de minha avó, claro. Mas o que quero dizer é que a misturas de sangues na minha família é tão complexa que ainda como criança eu não tinha uma identidade, logo eu posso misturar-me a qualquer cultura ou agrupamento de pessoas e não faço diferença entre nações e raças.
Sinto-me a vontade no Japão, ou no Chile ou na China, e amo Cuba.
Qual é o sentimento que me é mais comum ao passar por todos os cantos do mundo? com frequência tristeza porque sei que as percepções e os estereótipos são implantados em nosso cérebro são muito diferentes do que é o mundo realmente. É uma visão criada pela  propaganda, pela mídia e produzida por tipos capachos. A realidade é outra coisa e você a sente quando lhe coloca a mão em cima, quando escuta, vê, somente vale a sua iteração pessoas com as pessoas. Mas não há dúvida de que você tem que ser um bravo para sair explorando o mundo você mesmo. E não o é por algum perigo físico, mas porque, quando você mesmo analisa o mundo a partir de sua própria perspectiva., sem ser pelas lentes de sua cultura individual, religião ou ausência de religião, classe social ou profissão, o resultado é sua opinião pessoal sobre o mundo moderno com o consequente testemunho que vai em contra da cultura dominante e então você tem que estar preparado para enfrentar o ridículo, ser silenciado e colocado de lado. O seu mundo corre o perido de ser descrito, até mesmo por aqueles que lhe são mais queridos, como uma terra de ninugém. você sabe, ter sua própria opinião, hoje em dia, não está muito em voga, querem que sejamos um dos de dentro para ver o mundo como os outros vêm.

Q: Você ainda não esteve no Irã mas sei que você tem grande interesse para visitá-lo para contar ao mundo a verdade sobre aquele país. O que é que você sabe a respeito do Irã?

R: Sou um cineasta e poristo sou fascinado pelo cinema iraniano que é muito apreciado na America do Sul, particularmente em países bem educados como Chile e Argentina em que já vivi. Bem em particular pensando nos filmes de Abbas Kiarostami ou Jafar Panahi que me provocam suspiros. A nova onda iraniana (Iranian New Wave) tem muito em comum com cinema clássico do Japão – e este eu admiro além de qualquer limite, porque ele vai para o âmago da existência humana, ele mostra impaciência e profundez com qualquer coisa que seja não-essencial. Kiarostami é um grande humanista, um pensador, um artista imenso, como Bergman, Tarkovski, Fellini e Kurosawa, ele produziu  um universo completamente diferente tratando das condições mais essenciais e dos dilemas da existência humana. Da mesma forma como eu também admiro dois grandes poetas persas, dois que se podem colocar em posições extremas na forma como a poesia descreve o mundo,  Omar Khayyam e Rumi. As ares visuais da Persia são também espetaculares.

Como a China, o Irã é uma das civilizações mais antigas do mundo. Ambos são paises profundamente pacifistas e ambos estão determinados e seguir o seu próprio caminho em rumo ao desenvolvimento. Tanto mais pacíficos sejam eles tanto mais demonizados se tornam no Leste.

Agora, a respeito da bomba, eu não vejo nenhum problema que o Irã desenvolva e possua a sua própria bomba, considerada a sua história de pacificidade. Não me sinto em perigo com o Irã.  Mas sinto-me completamente horrizado com países, que arrasaram milhões de vidas humanas, como os Estados Unidos da America, França ou Inglaterra e que têm arsenais imenso de armas nucleares.  Não hã nenhuma lógica nisto a não ser a lógica mafiosa do império que diz “nós somos poderosos e fortes e você não é, se você não fizer o que exigirmos e não repetir aquilo que nós determinarmos que é a verdade, nós viremos e lhe quebraremos as pernas…ou algo mais grave.”

Leia mais aqui:  http://www.tehrantimes.com/world/101265-freedom-of-speech-has-become-a-propaganda-slogan-andre-vltchek

Tortura, nunca mais!

CUT NACIONAL > LISTAR NOTÍCIAS > DESTAQUES > NÃO À IMPUNIDADE. QUE A VERDADE E A JUSTIÇA PREVALEÇAM!

Não à impunidade. Que a verdade e a justiça prevaleçam!

15/03/2013

Governo concede anistia política a Alexandre Vannuchi e entrega novo atestado de óbito à família de Vladmir Herzog

Escrito por: William Pedreira

Sob grande comoção e simbologia, o governo federal, na figura da Comissão de Anistia, promoveu nesta sexta-feira (15) na Faculdade de Geociências da USP (Universidade de São Paulo) o ato oficial de anistia a Alexandre Vannuchi Leme, assassinado pela ditadura militar em 1973, reconhecendo sua responsabilidade pela morte e pedindo desculpas à família.

A celebração fez parte da 68ª Caravana pela Anistia e integrou a semana de atividades em homenagem aos 40 anos da morte de Alexandre.

Ministra comprometida com a verdade e justiça

torturaNuncaMais

Visivelmente emocionada, a ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, disse sentir-se envergonhada com as atrocidades cometidas pelo Estado durante o período da ditadura, “mas que numa sociedade democrática o Estado tem o dever de reconhecer que foi o responsável pelas mortes, torturas e assassinatos cruéis, ceifando vidas e acabando com famílias. Para ela, “se estamos vivendo o período mais longo da democracia, isso se deve a figuras como Alexandre Vannuchi, Vladimir Herzog e tantos outros que ousaram lutar e deram suas vidas por um ideal.”

Paulo Abrão, presidente da Comissão da Anistia e secretário nacional de Justiça, fez uma menção especial ao ex-ministro da Secretaria dos Direitos Humanos, Paulo Vannuchi e ao ex-presidente Lula, ao qual sem eles não seria possível iniciar essa política de reparação e resgate da memória. “É um gesto digno do Estado cumprindo a agenda de transição democrática de resgate da verdade e justiça, reconhecendo seus erros e pedindo desculpas às famílias das vítimas do regime militar. Isso é fundamental para não repetirmos no futuro as violações cometidas no passado”, enfatizou.

Aos 22 anos, estudante de Geologia da USP, Alexandre militava no movimento estudantil e na ALN (Ação Libertadora Nacional). Aprovado em primeiro lugar no vestibular, participava ativamente do cotidiano da universidade, sempre comprometido com a luta pela democracia no Brasil. Porém no dia 16 de março de 1973, mais um capítulo obscuro na história do Brasil foi escrito.

O estudante acabou sendo preso e levado para o DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna), órgão subordinado ao Exército e criado para combater os opositores do regime militar, onde foi torturado até a morte, fato que ocorreu no dia seguinte.

Seus pais receberam no dia 20 um telefonema informando sobre a sua prisão no Dops. A família foi ao Departamento, percorreu todos os órgãos policiais, mas não conseguiu sequer uma confirmação sobre seu paradeiro. Após dias de angústia, seu pai, que viria para São Paulo no dia 28, foi surpreendido com a notícia em um jornal de Sorocaba informando sobre a morte de Alexandre Vannuchi por atropelamento após tentativa de fuga.

Essa foi a versão forjada pelos agentes do DOI-CODI e amplamente aceita e difundida pelos veículos de informação. Seu corpo foi jogado numa vala comum no Cemitério de Perus e coberto com cal para apagar rapidamente os vestígios da tortura. Os órgãos de repressão chegaram a apresentar três versões diferentes para a sua morte.

À época, outros estudantes da USP também tinham sido presos. Houve uma grande mobilização nos centros acadêmicos como forma de repúdio aos desaparecimentos e para buscar a verdadeira causa da morte de Alexandre. Assim, os estudantes resolveram se organizar, paralisaram aulas e fizeram greves. Mas o grande momento foi a realização de uma missa celebrada pelo cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, no dia 30 de março, reunindo mais de três mil pessoas na Praça da Sé.

Naquele dia, a cidade foi tomada por um forte aparato policial, com bloqueios na ponte da Cidade Universitária para evitar que os estudantes viessem até a Sé e outras dezenas de barreiras espalhadas pela cidade. Julio Turra, diretor executivo da CUT e que na época acabará de ingressar na faculdade de ciências sociais da USP, esteve presente na missa e lembrou das dificuldades em promover o ato depois do silêncio imposto pelo AI-5, em 1968.

“Particularmente para mim, esse ato de anistia por parte do governo tem um grande significado, pois estava ingressando na USP quando ocorreu a morte de Alexandre. Como o atestado da Polícia indicava suicídio, a Igreja Católica impedia mobilizações pós-morte em casos como este. Mas foi construído um ato público em forma de missa, primeira manifestação fora da USP. Foi um ato de ousadia, uma manifestação silenciosa reunindo milhares em São Paulo, mas de grande repercussão e que causou uma trinca na repressão”, recordou.

Durante a solenidade de anistia, Maria Cristina Vannucchi Leme, irmã de Alexandre, aproveitou para fazer uma homenagem especial aos seus pais (que não puderam estar presentes por conta da idade avançada) que trilharam um caminho de luta árdua e incessante na busca pela verdade e justiça. “Para minha mãe o golpe de 64 foi um vendaval que deixou nossa família em frangalhos. Nunca na vida ela imaginou que um dia tivesse de proteger seus filhos contra os perigos causados pelo Estado”, lamentou, informando que a família também buscará a retificação do atestado de óbito de seu irmão, a fim de que constem o local exato e as verdadeiras causas de sua morte: assassinado pelas atrocidades cometidas por agentes da ditadura nas dependências do DOI-CODI e enterrado como indigente numa vala comum em Perus.

As homenagens a Alexandre Vannuchi se estenderam por toda essa semana. Primeiro, ocorreu um show com o cantor Sérgio Ricardo na quinta (14) no Centro Cultural São Paulo. Ricardo apresentou em São Paulo logo após a morte do estudante o seu espetáculo Conversação de Paz, que reunia canções emblemáticas da resistência à ditadura no Brasil.

Já nesta sexta (15), além da cerimônia de anistia política, uma missa na praça da Sé foi celebrada pelo bispo emérito Angélico Sândalo Bernardino que em 1973 era bispo auxiliar da arquidiocese e estava com Dom Paulo Evaristo Arns na missa.

Verdade estabelecida – também nesta sexta-feira, a esposa, o filho e o neto de Vladimir Herzog receberam pelas mãos de Rosa Cardoso, integrante da Comissão Nacional da Verdade, o novo atestado de óbito do jornalista.

Familiares de Herzog recebem novo atestado

Herzog

A retificação foi acatada pela Justiça após pedido feito pela Comissão Nacional da Verdade. O novo documento rechaça a versão dos torturadores de ‘suicídio’. Constava no laudo da época assinado pelo legista Harry Shibata que Vlado, como era conhecido o jornalista, havia morrido “por asfixia mecânica”.

A versão oficial agora consta que Vladimir Herzog foi assassinado em decorrência de lesões e maus tratos sofridos nas dependências do 2º Exército de SP, acabando de vez com a farsa montada pela ditadura.

A ministra Maria do Rosário afirmou estar aliviada pela correção de uma injustiça histórica. Para ela, a transição democrática não pode parar um só dia. “Convivemos com a falsidade de causas e óbitos relacionados àquele período, o que revela que tantos outros atestados foram montados pela voz e caneta. Ainda existem documentos históricos oficiais com essas inverdades, mas hoje colocamos um ponto final no caso Vladmir Herzog ao realizar este ato de reparação ao seu atestado de óbito”, celebrou.

Para o deputado estadual e presidente da Comissão da Verdade de São Paulo, Adriano Diogo, “não podemos perder a nossa capacidade de nos indignar. Esse reconhecimento do Estado é importante, mas a partir do momento que temos nomes e sobrenomes dos agentes torturadores é preciso que haja o julgamento e condenação política. O crime de tortura não prescreve conforme a nossa Constituição.”

Posição compartilhada pelo secretário de Políticas Sociais da CUT, Expedito Solaney, segundo o qual o relatório da Comissão da Verdade e outros movimentos de resgate da memória e verdade devem ser complementados com uma segunda ação que seria o julgamento jurídico daqueles que cometeram crimes de lesa-humanidade. “Esses agentes estão sendo moralmente julgados, mas em nosso país temos uma Lei de Anistia criada pelos ditadores que proíbe qualquer punição. Como o STF já se posicionou a favor da Lei, nossa esperança é que haja uma revogação total da Lei de Anistia e a constituição de uma Lei de Memória e Verdade ou que o Congresso aprove um projeto de mudança da Lei de Anistia que possibilite o julgamento político de agentes do Estado”, informou

Lucros exorbitantes das privadas de comunicação

CUT NACIONAL > LISTAR NOTÍCIAS > ACONTECE > EM VEZ DE PNBL, PRIVILÉGIOS A MONOPÓLIO: MINISTÉRIO ANUNCIA “DESONERAÇÃO” DE R$ 6 BILHÕES ÀS TELES

Em vez de PNBL, privilégios a monopólio: Ministério anuncia “desoneração” de R$ 6 bilhões às teles

15/03/2013

Com lucro semelhante ao dos bancos, monopólios de telecomunicações ganham isenção

Escrito por: Carlos Lopes/Hora do Povo

Somente entre 2005 e 2012, a receita líquida – ou seja, depois de pagos os impostos e feitos alguns descontos – dos monopólios de telecomunicações no Brasil montou a R$ 911 bilhões e 437 milhões, quase um trilhão de reais.

Os números de cada ano estão na Pesquisa Anual de Serviços do IBGE (e, no caso de 2011 e 2012, como ainda não foram publicadas as pesquisas do IBGE referente a esses anos, usamos os números do próprio balanço das teles).

Quase um trilhão de reais, depois de pagos os impostos. São esses pobres oprimidos e explorados pelos terríveis impostos que o Estado brasileiro lhes cobra, que o ministro Paulo Bernardo, na última terça-feira, resolveu “desonerar” em nada menos do que R$ 6 bilhões. Diz Bernardo que, com essa isenção de impostos, ele espera que as teles façam investimentos de R$ 18 bilhões até 2016.

O ministro deveria ler os balanços das teles. Saberia, por exemplo, que a Telefónica/Vivo declarou que fez investimentos de R$ 6,117 bilhões em 2012 – e, só nos últimos três anos (2010, 2011 e 2012), dizem os balanços, a Telefónica investiu, no Brasil, R$ 16 bilhões e 788 milhões! O mesmo, mais ou menos, fizeram as outras teles – no balanço.

Isso, sem qualquer “desoneração” de impostos. Então, porque precisariam de R$ 6 bilhões de isenção para – todas juntas e somadas – investirem apenas R$ 18 bilhões até 2016?

Sobretudo se considerarmos que, desde 1998 – ou seja, desde a privatização -, as teles receberam do BNDES, em financiamentos para investir, R$ 38 bilhões e 381 milhões.

Certamente que o investimento declarado pelas teles em seus balanços é uma farsa. Mas o próprio fato de declararem esses “investimentos” e mesmo assim lucrarem quase tanto quanto os quatro maiores bancos instalados no país, mostra que elas não precisam de “desoneração” alguma para investir – o necessário é que o poder público (o Ministério das Comunicações, antes de tudo) acabe com essa farsa.

Porém, se elas não investiram foi porque sua opção preferencial é aumentar os lucros para remetê-los ao exterior. Entre 2002 e 2011 as remessas de lucros oficiais (ou seja, declaradas oficialmente) das teles para suas matrizes aumentaram 1.099,51%. Mesmo em 2012, ano em que elas diminuíram um pouco, atingiram US$ 1,027 bilhão (1 bilhão e 27 milhões de dólares), sem contar os pagamentos de empréstimos intercompanhias e outros artifícios para enviar lucros sem declará-los.

No entanto, o próprio ministro Bernardo declarou que as teles estavam “retardando” seus investimentos. Como “retardando”? E os balanços que elas publicaram? Será que o ministro acha que os investimentos que constam dos balanços das teles não são reais? Não acreditamos…

Porém, em vez de responder a um inquérito policial, as teles receberam R$ 6 bilhões em isenção de impostos, mais a promessa de acabar com o regime público  na telefonia (apesar de que, segundo o ministro, “isso não foi conversado com a presidente Dilma e precisamos da autorização dela para tocar pra frente”) e, ainda por cima, Bernardo falou em recursos do PAC para investir em redes de fibra ótica. Que redes? Somente pode ser a rede das teles, pois a do governo já existe há muito – e as teles, há muito, querem usá-la.

A “desoneração” do ministro Paulo Bernardo, portanto, é um plano para substituir a rede de cabos de cobre das teles por redes de fibra ótica, às custas do Erário, ou seja, do distinto público. Em vez delas gastarem uma parte dos seus lucros (só o lucro líquido da Telefónica, em 2012, foi mais de R$ 4 bilhões), gastarão dinheiro público – os impostos que não pagarão ao Estado.

Isso, na melhor das hipóteses. Podem, também, embolsar essa “desoneração”, ou seja, aumentar sua margem de lucro à custa de não pagar impostos, e continuar declarando investimentos fantásticos em seus balanços.

Hoje, depois de tudo o que aconteceu desde 1998, ninguém duvidaria dessa possibilidade – exceto alguma besta, que sempre as há por aí.

O plano do governo Lula, elaborado pelo engenheiro Rogério Santanna, primeiro presidente da Telebrás após sua reativação, era utilizar a rede de fibras óticas das estatais – especialmente a Eletrobrás e a Petrobrás – para universalizar a banda larga. Em suma, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) partia do reconhecimento de que as teles, com seus preços extorsivos e sua concentração nos aglomerados de maior renda do país,  eram incapazes de universalizar até mesmo a telefonia fixa, inventada por Antonio Meucci em 1856 – quanto mais a banda larga.

Como declarou o então presidente da Telebrás ao HP:

Vislumbramos, então, a seguinte proposta: (…) Em lugar de carregar o passado, o cabo de cobre, todas as tecnologias antigas, nós podíamos usar essa infraestrutura [de fibras óticas estatais] para criar uma rede independente – deixar as teles com a rede delas e criar uma rede neutra, pública. A partir de uma tecnologia mais nova, mais barata, gerar essa rede neutra e vender serviços só no atacado” (HP, 22/10/2010, entrevista de Rogério Santanna).

A venda de serviços no varejo (a chamada “última milha”, a conexão até a casa ou estabelecimento do usuário) seria feita por empresas nacionais privadas. Como disse Santanna, “não precisamos fazer a ‘última milha’, porque os pequenos provedores associados podem fazê-la, e nós vamos gerar milhares de oportunidades de negócios que hoje são reprimidos”.

O que fez Paulo Bernardo foi acabar com o PNBL – em primeiro lugar, amofinando a presidente Dilma para demitir o seu criador da presidência da Telebrás. O objetivo de Bernardo era – mas, hoje, é mais – evidente: privilegiar as teles, uma quadrilha de monopolistas que nem mesmo construiu suas empresas: pelo contrário, receberam de presente o resultado de décadas de esforço do povo brasileiro. E, para quem estranhe esse “de presente”, lembremos, além do patrimônio dessas empresas, que, na época da privatização, Aloysio Biondi demonstrou que o governo Fernando Henrique gastou mais na “preparação” das empresas estatais de telecomunicações para privatizá-las, do que recebeu por elas. Estamos nos referindo, é natural, ao que foi recebido legalmente.

CUT – Central Única dos Trabalhadores – Comissão Nacional da Verdade pede rigorosa apuração de explosão e ameaça contra OAB-RJ

CUT – Central Única dos Trabalhadores – Comissão Nacional da Verdade pede rigorosa apuração de explosão e ameaça contra OAB-RJ.

Comissão Nacional da Verdade pede rigorosa apuração de explosão e ameaça contra OAB-RJ

11/03/2013

Segundo mensagem recebida no local, ato visava matar o ex-presidente da entidade, Wadih Damous, a ser nomeado presidente da Comissão Estadual da Verdade

Escrito por: Comissão Nacional da Verdade

A Comissão Nacional da Verdade emitiu nota na noite em solidariedade à subseção fluminense da Ordem dos Advogados do Brasil, cujo prédio foi evacuado à tarde após uma ameaça de bomba e a explosão de um artefato no oitavo andar do edifício Sobral Pinto, sede da entidade, localizada no Centro do Rio.

Leia abaixo a íntegra da nota:

Há três décadas o Brasil e o povo brasileiro decidiram superar o período de violência e medo gerados pelo golpe civil-militar imposto em 1964. A população apostou na democracia e nas liberdades para enfrentar o desafio de construir um país justo e próspero, que gere oportunidades para todos.

Hoje um explosivo foi detonado na sede da OAB, no Rio de Janeiro. Trata-se de um tardio ato de terror dos que não querem viver num país democrático. Criando um clima de confronto e desatino “eles” afetam adversários e a si próprios.

A Comissão Nacional da Verdade, que visa investigar e reconstituir as graves violações de direitos humanos ocorridas em nossa história política recente, repudia com veemência o ato intimidatório cometido na sede da Ordem dos Advogados do Brasil-RJ, e a ameaçadora mensagem recebida no local afirmando que o ato visava matar seu ex-presidente, Wadih Damous, a ser nomeado Presidente da Comissão Estadual da Verdade, na segunda-feira, pelo governador Sérgio Cabral.

A democracia não se constrói com bombas, nem se sustenta com violência. A coragem de defendê-la deve superar o nosso medo do terror.

No ano de 1980 uma bomba matou Lyda Monteiro e feriu outra pessoa na sede da OAB no Rio de Janeiro. Felizmente agora não houve vítimas. Precisamos, contudo, estar atentos aos acontecimentos e solidários na resistência.

As autoridades competentes estão sendo mobilizadas para adotar as providências cabíveis. A Comissão Nacional da Verdade espera que se apure a autoria e se puna os que pretendem  negar ao Brasil o caminho da democracia e das liberdades.

                       Rio de Janeiro, 7 de março de 2013

Rosa Maria Cardoso da Cunha

Coordenadora Pro Tempore da CNV