Apeoesp conclama professores paulistas a ampliarem mobilização: “a greve continua”

Apeoesp conclama professores paulistas a ampliarem mobilização: “a greve continua”

25/04/2013

“Governo estadual quer derrotar os professores. Isto não vamos permitir”, afirma Bebel, presidenta da Apeoesp

Escrito por: Apeoesp

Reunida com o Secretário Estadual da Educação Herman Voordwald na manhã desta quinta-feira, 25, a Diretoria da APEOESP reafirmou as principais reivindicações da greve da categoria. Em resposta, o Secretário disse que não tinha nada a oferecer. Diante desta resposta, não nos resta outra alternativa senão manter e ampliar a greve, com a realização de uma grande assembleia estadual amanhã, 26 de abril, às 14 horas, no vão livre do MASP, na avenida Paulista.

Durante toda a reunião o secretário Herman Voorwald comportou-se como se a greve não existisse. Seu comportamento na reunião não condiz com o que se espera do responsável pela qualidade do ensino na maior rede escolar do país no mais rico da federação.

Frio diante da situação da rede estadual de ensino, o Secretário não parece de fato estar muito preocupado com a falta de professores; com o fato de os jovens não se interessarem pela carreira em função dos baixos salários; com o regime de semi-escravidão a que são submetidos os professores da categoria O; com as jornadas de trabalho estafantes, más condições de trabalho e o adoecimento dos professores e das professoras; com o agravamento da violência nas escolas; enfim, com tantos fatores que desvalorizam a nossa categoria e comprometem a qualidade da educação pública no Estado de São Paulo. Ele está preocupado em discutir índices para contestar nossas reivindicações salariais (à luz das prioridades do Governo Estadual e não da população) e para tentar provar que tudo está indo muito bem.

Reajuste salarial

O Secretário disse que chegou ao limite do possível e que nada tem a oferecer neste momento. Questionado sobre os 5% que o Governo ficou devendo de 2013, não se pronunciou a respeito, apenas reafirmando o seu entendimento, com o qual a APEOESP não concorda, de que a política salarial para quatro anos perfaz um reajuste total de 45,5%, incluindo os 2% ora propostos. Disse também que a categoria tem aumento real, mas curiosamente faz constatação projetando para o futuro (2014) e não em relação ao período passado, como seria correto.

A APEOESP propôs ao Secretário que, na impossibilidade de um reajuste maior de imediato, apontasse no próprio projeto de lei encaminhado à Assembleia Legislativa, um novo percentual para outubro, por exemplo, que é o mês dos professores. Mas ele apenas propôs uma conversa futura, para daqui a “dois ou três meses”, sem nenhuma garantia de que haverá algum novo reajuste. Neste momento, o Secretário foi lembrado pela Presidenta da APEOESP e demais diretores de que o Governo descumpriu o artigo 5º da Lei Complementar 1143/2011, pois não convocou as entidades para discutir o reajuste salarial, propondo unilateralmente irrisórios 2%.

Jornada do piso

O Secretário voltou a reafirmar que não pode negociar a implementação da jornada do piso porque a APEOESP ingressou com ação judicial. Disse que a APEOESP optou pela justiça e não pela negociação, mas foi lembrado de que a entidade ajuizou a ação apenas em novembro de 2011, depois de muitas tentativas de negociação entre junho de 2012 e aquele momento. Inclusive na instalação da Comissão Paritária a APEOESP reivindicou a negociação sobre este ponto, mas o Secretário se recusou.

O fato é que a 10ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça julgará no dia 6 de abril o recurso do Governo que suspendeu a aplicação da sentença ganha pela APEOESP. Este julgamento, mesmo se for negativo, significa a desobstrução do processo no TJSP e a possibilidade de recursos a instâncias superiores, em Brasília, onde é pacífica a interpretação favorável a nossa reivindicação, com a aplicação da lei como foi elaborada, julgada constitucional pelo STF.

Categoria O

Diante de nossas reivindicações para o professor da categoria O, o Secretário apenas afirmou que estão sendo realizados estudos e que a matéria não depende apenas da SEE. Nada, portanto, foi apresentado de concreto sobre a situação deste segmento, que já soma mais de 48 mil professores. Questionado, disse que pode realizar concurso no segundo semestre, depois que a nova lei for aprovada na Assembleia Legislativa.

Direito de greve

A APEOESP reafirmou junto ao Secretário a necessidade do respeito ao direito de greve para todos os professores e a ilegalidade da contratação de eventuais para ministrar aulas em lugar dos grevistas. Reafirmou que não aceita este procedimento, que acionará juridicamente o Governo nestes casos e que cobrará ao final da greve o direito de reposição das aulas não ministradas, o respectivo pagamento e a retirada das faltas.

Maria Izabel Azevedo Noronha, presidenta da APEOESP

Das grades, no Dia da Terra

Das grades, no Dia da Terra

(sub-título do tradutor: Mais um prisioneiro político na America)

Por Sandra Steingraber

Tradução: Tarcisio Praciano-Pereira – traduzindo o meu respeito por quem tem coragem de  fazer-se presa, em defesa de suas ideias, que também são ideias de muitas outras pessoas.

Esta mensagem foi escrita na prisão estadual County Jail Chemung em Elmira, Nova York, onde Steingraber está cumprindo uma sentença de 15 dias pelo bloqueio a um equipamento de compressão de gás no mês passado, de propriedade da empresa de gás Inergy perto de sua casa na região de Finger Lakes do Estado

Meus filhos precisam de um mundo com polinizadores, os estoques de plâncton e um clima estável.

A farra dos combustíveis fósseis deve chegar a um fim. Estou gritando agarrada a uma grade de ferro. Vocês podem me ouvir agora?

Esta manhã – eu não tenho nenhuma idéia de que horas são, já que não existem relógios na celas da prisão, e as luzes fluorescentes ficam acesas a noite toda – Eu ouvi o canto familiar de pardais inglêses e os pios de um cardeal. E parecia haver outro pássaro também – foi que cantou uma música borbulhante. Não seria um robin-carriça? O zumbido, batendo nas grades, o barulho de prisão e os anúncios de guardas em seus rádios bidirecionais – que também passam ecoam a noite toda – afogou o canto dos pássaros. Mas o mundo, eu tinha certeza, estava lá fora em algum lugar.

A melhor maneira de lidar com a prisão é a transpirar paciência, e envolvê-la em torno de um núcleo de opções que se constitue de resolver e se render. Segundo a lei do estado de Nova York, todos os detentos no momento da chegada são isolados da população em geral, até que sejam testados por tuberculose e que o teste der negativo. Tipicamente, isso leva três dias. Isolamento significa que você fica trancado numa cela sem acesso ao telefone (o telefone de cela D está localizado, tentadoramente, a meio metro das barras da cela em que estou – fora do alcance de minhas mãos), não tenho acesso a livros (os dois livros que eu tenho na cela, me foram emprestados por um detento simpático, são a Bíblia e o livrro de Nora Roberts Carolina Lua, que é um livro de 470 páginas, cuja frase de abertura é: “Ela acordou no corpo de um amigo morto.”), e, é claro, não tenho acesso a wifi, telefones celulares, e-mail ou Internet.

Estou escrevendo com um lápis emprestado na parte de trás do “Formulário de Solicitação de Chemung County Inmate”, que é uma meia folha de papel. Estou escrevendo aos poucos e tentando fazer a revisão de Steingraber01cabeça. (Perdoem-me a divisão em parágrafos, estou tentando economizar espaço.)

Ontem, foi-me dito que nenhum pessoal médico estaria disponível para administrar o meu teste de TB. Quando fui chamado para a enfermeira, esta manhã, ela perguntou por que eu não tinha o meu teste de TB que deveria ter sido feito ontem. Claro, ele deveria ter ficado disponível ontem mesmo. O atraso resultante significa que eu somente vou poder me juntar a população carcerária e ficar livre deste bloqueio de 24 horas na segunda-feira, ao invés de domingo.

Frustração será contra-produtivo e iri colocar-me mais próximo do desespero. Deixe-prá-lá, entregue-se, ironicamente, me mantém em melhor sintonia com as minhas decisões.

Então, segunda-feira, que é o Dia da Terra, eu vou sair da cela de isolamento e participar do ecossistema da Chemung County Jail, onde as vozes das mulheres são altos e desafiadores. Stingray (não o seu nome real), quebrou um dente ontem. Quando ela o mostrou ao policial Murphy (que é o seu nome real) dizendo-lhe: “a outra metade está no meu celular, ” o oficial Murphy respondeu: “Então, você acha que a fada do dente vai socorrê-la?” E então ele virou-se e saiu.

Mas ela ficou agarrada nas grades de ferro pedindo por analgésicos, mais e mais, com a mesma voz que eu uso para discursos nas manifestações, frases curtas, projetando-se para as vigas. Stingray está grávida de seis meses. E, finalmente, Ela obteve seus analgésicos.

Stingray é minha inspiração. Como posso usar o meu tempo aqui – separada de toda a raça humana por camadas de aço e concreto – a falar em voz alta e desafiadora sobre os planos e negócios de uma empresa chamada Inergy que procura transformar a minha casa em Finger Lakes em uma central de transporte e armazenamento de gases e combustíveis fósseis? É simplesmente errado comprimir e enterrar gases explosivos em cavernas de sal ao lado e abaixo de um lago – Seneca – que serve como uma fonte de água potável para 100 mil pessoas. É simplesmente errado colocar um poste com uma chama nas margens deste lago, o que contribuirá poluentes atmosféricos perigosos, incluindo o ozono mortífero, no ar. É simplesmente errado que DEC, EPA e FERC fechem os olhos para uma empresa que, nos últimos 12 trimestres, ultrapassou a sua taxa de descarga de produtos químicos, (a taxa permitida) neste lago. É simplemente errado que uma empresa afirme que o conhecimento geológico básico sobre a próprio fundamentação do lago, é um segredo comercial de sua propriedade e escondê-lo do público e da comunidade científica. É simplesmente errado seguir aprofundando a nossa dependência dos combustíveis fósseis, em um momento de crise climática.

Eu poderia expressar essas idéias de maneira mais eloquente se houvesse café na cadeia. Não há!

Fui levada para a cela n º 1 no bloco D da cadeia do condado de Chemung por três coisas. Uma deles é a decisão da Inergy de industrializar a região de Finger Lakes, onde eu moro e, com isso, dar apoio e estimular a indústria do fracking construindo um imenso depósito de armazenamento perto do local de nascimento do meu filho. Eu considero este ato pura profanação. Isso é o que os biólogos chamam a causa próxima da minha decisão de cometer um ato de transgressão ao bloquear a passagem da estação compressora da Inergy.

A segunda, mas na verdade a causa final, foi um comentário publicado no ano passado, na revista que todos os biólogos lêm – Nature – por Jeremy Grantham, que não é um cientista, mas um economista. Ele observou que todas as projeções para as mudanças climáticas – mesmo os piores cenários – estavam sendo ultrapassados por dados reais. Em outras palavras, a nossa situação climática é simplesmente muito pior do que pensavamos – mesmo quando estivessemos assuminodo os piores cenários. Mr. Grantham, em seguida, exortou os cientistas que têm esse conhecimento para serem ousados – lembrando que ninguém está prestando atenção a esses dados: “Seja persuasivo, seja ousado, seja preso (se for necessário).”

Então, aqui estou eu, tocando a campainha de alarme de minha cela de isolamento no Dia da Terra por que a minha voz está muito longe de ser impossível de ignorár a voz de Stingray.

A terceira razão é esta: há sete anos, quando meu filho tinha quatro anos, ele pediu para ser um urso polar, para a festa do Halloween, e desta forma me coloquei a trabalhar costurando-lhe um traje usando uma antiga colcha de chenille. Foi com certeza de que a fantasia iria, quase certamente, se acabar antes das espécies reais. Mas na rua, naquela noite, – segurando uma abóbora plástica com barras também de plástico a gisa de dentes – eu vi como muitas espécies estão caminhando para extinção lembradas pelas crianças vestidas como sapos, abelhas, borboletas monarca, e o próprio ícone do do Dia das Bruxas – o pequeno morcego marrom, sim, todos, todos, caminhando para a extinção.

Meus filhos precisam de um mundo com polinizadores, os estoques de plâncton e um clima estável. Eles precisam que as margens dos lagos não estejam marcadas por gases e hidrocarbonetos explosivos enterrados.

 A farra dos combustíveis fósseis deve chegar a um fim. Estou gritando agarrada a uma grade de ferro. Vocês podem me ouvir agora?

Sandra Steingraber, Ph.D. é um ecologista, autor, autoridade Steingraber02internacionalmente reconhecida sobre as relações ambiente relativamente ao câncer e à saúde humana, e co-fundadora da New Yorkers Against fracking (Novaiorquinos contra o fraquing). Ela é a autora de Living Downstream: investigação de uma ecologista pessoal de Câncer e Meio Ambiente e, a mais recente, Raising Elias: Proteger as crianças em uma época de crise ambiental.

O recente “desastre” num prédio-fábrica em Bangladesh

Centenas de trabalhadoras mortas nas garras do capitalismo

Por Tarcisio Praciano-Pereira

http://www.commondreams.org/headline/2013/04/26-4

São marcas famosas e eu traduzo aqui um comentário que pode ser lido na notícia http://www.commondreams.org/headline/2013/04/26-4

“Os trabalhadores nesta fábrica ganhm 40 centávos por horas, quarenta centavos. Isto é o capitalismo. Não é apenas o horror de um acidente  no local de “trabalho” e na verdade o horor da vida diária. Quem faz o trabalho mesmo é quem ganha o menos possível e que apenas “gerencia”, as vezes de longe são os que ganham a grande parte do negócio. Estes  mesmo são os que gritam contra os impostos do Estado e chamam o Estado
de ladrão requerendo a sua parte na riqueza do Estado. Na verdade são eles
que fazem um roubo institucionalizado dos salários criando uma escravidão em
lugar de trabalho.

O trabalhador médio numa dessas fábricas produz dúzias, se não, centenas de
peças de vestimenta por dia que depois são vendidas por preços da ordem de
R$70,00 (setenta reais) para os consumidores do mundo ocidental. Levaria
meses para que um desses trabalhadores pudesse comprar uma dessas
ventimentas que ele mesmo produziu.

Loucura, selvageria, roubo, desonestidade.

Estudo: Herbicide Roundup da Monsanto associado ao Cancer, Autismo e Parkinson

GlyFosato, o ingrediente ativo no Roundup, pode ser o produto químico dos mais destrutivos do ponto de vista biológico para o nosso meio ambiente, dizem os autores.

Por Andrea Germanos, do Commons Dreams

Tradutor: Tarcisio Praciano-Pereira

Original: http://www.commondreams.org/headline/2013/04/26-3

GlyFosato, o ingrediente ativo no herbicida Roundup da monsanto,  pode ser o produto químico dos mais roundup_entropydestrutivos do ponto de vista biológico para o nosso meio ambiente, sendo responsável por diversos problemas de saúde ou doenças incluindo Parkinson, cancer, autismo de acordo com um estudo recente.

É o “herbicida mais popular do mundo” largamente utilizado em gros como trigo, milho e soja e a nova versão genéticamente modificada denominada  “Roundup Ready” vem sendo aplicada nos campos ao longo dos Estados Unidos da
América. Porém no artigo, publicado com o aval de revisores na última quinta-feira no  jornal Entropy, os authors Anthony Samsel, um cientista independente e consultor e  Stephanie Seneff, uma pesquisadora senior do  MIT, arrasam as afirmações da indústria de que o herbicida glyphosate seja não tóxico e tão seguro quanto  aspirina.

Estudano o impato do glifosato sobre  bactérias do intestino, Samsel e Seneff descobriram que o herbicida “aumenta os efeitos nocivos dos outros alimentos ou resíduos químicos de toxinas ambientais”, sendo um “exemplo clássico dos livros texto” do “rompimento da homeostase por toxinas ambientais.”

Os investigadores apontam para uma longa lista, potencial, de doenças para as quais o glifosato, em combinação com outras toxinas ambientais, pode contribuir, incluindo a doença inflamatória do intestino, obesidade, depressão, ADHD, autismo, doença de Alzheimer, doença de Parkinson, esclerose lateral amiotrófica, esclerose múltipla, cancro, caquexia, infertilidade, malformações do desenvolvimento.

O “impacto negativo do herbicida  sobre o corpo é insidioso e manifesta-se lentamente ao longo do tempo como danos e inflamações dos sistemas celulares em todo o corpo”, escrevem eles.

Os autores concluem:

Devido aos efeitos tóxicos conhecidos do glifosato estudados  aqui e a plausibilidade de que eles tenham um impactando negativo sobre a saúde em todo o mundo, é imperativo que novas pesquisaa independentes tenham  marchagainstmonsantolugar para validar as idéias apresentadas e neste caso agir  imediata, se forem verificados os nossos resultados, para drasticamente restringir a utilização do glifosato em agricultura. O glifosato muito provável se encontra  difundido em nossa alimentação, e, ao contrário do que vinha sendo difundido, que não seria  tóxico, pode ser de fato o produto químico, biologicamente, dos mais perturbadores em nosso ambiente.

As novas descobertas podem adicionar um novo impulso às preocupações de segurança alimentar e soberania alimentar daqueles que vêm pondo em discussão o domínio cada vez mais exclusivo da  Monsanto na agricultura empresarial com suas culturas geneticamente modificadas.

Alem das “Marchas contra a Monsanto” que estão planejadas em diversas  cidades dos EUA e mundo afora, ss ativistas planejam se reunir em 25 de maio de destacar as preocupações ambientais e de saúde a partir de culturas geneticamente modificadas e fazer chamar ao sistema que  permite que “os agricultores orgânicos e pequeno empresarias agrículas a sofrerem perdas, enquanto Monsanto continua a forjar o seu monopólio sobre a oferta de alimentos do mundo, incluindo os direitos exclusivos sobre patentes de sementes de recomposição genética.

Para ver mais a respeito das manifestaçoes procure no Facebook  as ações do movimento.

Um versão completa do artigo mencionado pode ser lido na  Entropy  aqui.

Porque alguém celebraria a morte de Margaret Thatcher? Pergunte a um chileno | Common Dreams

© 2013 The Nation

Porque alguém celebraria a morte de Margaret Thatcher? Pergunte a um chileno!

Tradução: Tarcisio Praciano-Pereira
Nota do tradutor: Eu escapei vivo de uma prisão do ditador Pinochet, outros não tiveram esta oportunidade. Isto me obriga, moralmente, a fazer esta tradução.


Poucas vezes testemunhei uma lacuna entre a mídia e o público tão significativa como nestas  últimas 24 horas desde a morte de Margaret Thatcher. Embora tanto a imprensa como o presidente Obama expressaram  lembranças chorosas, milhares

morreu grande amizade do assassino Pinochet

Foi-se a Dama de Ferro uma grande amiga do assassino Pinochet

tomaram as ruas do Reino Unido para  comemorar. Imediatamente surgiu forte condenação do que foi chamado de “partidos da morte”, descrito como “de mau gosto“, “horrível” e “abaixo de toda a decência humana.No entanto, se a mesma mídia elogiando Thatcher e chocada com a resposta popular se tivesse dado ao trabalho de pedir a  alguma das pessoas que estivessem comemorando, se elas poderiam  apresentar uma justificativa teriam obtido uma história que não se encaixaria em suas notícias, esta  é provavelmente a razão porque eles não fizeram a pergunta.

Recebi uma nota. esta manhã, dum amigo de uma amiga. Ela vive no Reino Unido, embora sua família não tenha chegado lá por opção pessoal. Eles tiveram que fugir do Chile, como milhares de outros, quando estavam sob o jugo do general Augusto Pinochet. Se você não sabe os detalhes sobre como ficaram encharcados de sangue o reinado de duas décadas de Pinochet, você deve ler sobre elas, mas, tome cuidado para não comer antes antes desta experiência. Ele foi o capataz da implacável tortura, dos estupros, e de milhares de execuções políticas. Ele tinha em suas mãos e os pulsos do maior cantor popular do país, Victor Jara, quebrados em frente a uma multidão de prisioneiros antes de, finalmente,  matá-lo. Ele é o responsável pela morte do presidente Salvador Allende,  socialista,  morto a tiros em sua mesa. Sua especialidade era torturar as pessoas na frente de suas famílias.
Como Naomi Klein escreveu tão habilmente, então ele usou este período de choques e abates para instalar um laboratório nacional para a economia neoliberal. Se o amigo de Pinochet, Milton Friedman, tivesse uma teoria sobre o corte de subsídios alimentares, a privatização da segurança social, redução dos salários, ou de proibição dos sindicatos, Pinochet haveria de aplicá-la. Os resultados destas experiências tornou-se munição política para os economistas neoliberais em todo o mundo. Vendo teoria econômica aplicada no Chile publicada nos livros sempre perturba a minha mente. Seria como se o American Medical Association tivesse publicado um livro sobre os resultados do trabalho do Dr. Josef Mengele nos campos de concentração, sem qualquer julgamento moral sobre como ele dilacerou  seus pacientes.
Pinochet foi o general responsável por esta catástrofe de direitos humanos. Ele também era alguém que Margaret Thatcher chamavaum amigo”. Ela ficou ao lado da General,  quando ele esteve no exílio, em uma mansão na Inglaterra,  na tentativa de escapar da justiça por seus crimes. Como ela disse a Pinochet, “[Obrigada] por levar a democracia ao Chile.
Portanto, se você quiser saber  por que alguém iria celebrar a morte da baronesa Thatcher, acho que perguntar a um chileno no exílio seria um ótimo início de conversa. Meu amigo de uma amiga foi  para as ruas do Reino Unido quando soube que a Dama de Ferro tinha deixado seu corpo mortal. Aqui está o porquê:
“Eu estou dizendo [a minha filha] tudo sobre o legado de Thatcher através da experiência de sua mãe, e não dos meios de comunicação, especialmente a forma como o governo de Margaret Thatcher deu apoio direto ao regime do assassino Pinochet, financeiramente, através de apoio militar e  mesmo de treinamento militar (que hoje sabemos, teve lugar na Universidade de Dundee). Milhares de pessoas do meu povo (e de membros da minha família) foram torturados e assassinados sob o regime de Pinocheta besta fascista que foi um dos aliados mais próximos de Thatcher e seu amigo. Assim, todos os apologistas você/aqueles que se tenham ofendido [pelo minha celebração], você pode guardar a sua moral e enfiá-la aonde lhe parecer melhor. você é um daqueles que não entendem o que aconteceu no Chile. Aqueles de nós que comemoramos são os que sofreram profundamente sob a ditadura e nós somos os únicos importantes para esta questão. Nós somos os únicos que protestaram. Nós somos os agentes humanitários que se preocuparam em levantar um dedo para ajudar a todos aqueles que sofreram sob o regime [do amigo de Thatcher], e estou levantando uma taça de champanhe para lamentar, lembrar e honrar todas as vítimas do seu regime brutal, aqui e no exterior. e a todos aqueles heróis que fizeram o  mínimo possível para alterar aquela catástrofe.”
Devo acrescentar  que eu vivi no Chile, em 1995, quando Pinochettinha sido deposto, mas ainda estava no comando das forças armadas. Fiz amizade com aqueles que foram torturados ou tiveram familiares desaparecidos de modo que a conexão de Thatcher  com o Chile representa um caso pessoal para mim. Eu também entendo também  que  explicações semelhantes poderiam estar sendo feitas  “por que as pessoas estão celebrando”  por aqueles com conexões com  a Argentina, com o apartheid da África do Sul, Indonésia, Belfast, Gaza ou Bagdá. Este também poderia ser o caso  daqueles que vivem no  Reino Unido e foram  afetados pela política de Thatcher com base nos ditames económicos testados por Pinochet e que eventualmente tenham optado por não chorar [a mote da dama de ferro].
Também é importante porque nas 48 horas após a morte de uma figura pública poderosa  é quando o halo se torna permanentemente afixado à sua cabeça. Quando Ronald Reagan faleceu, uma máquina enorme da  direita entrou em movimento destinada a remover-lhe de todas as críticas. Os democratas certamente não contestaram essa interpretação da história e agora, de acordo com pesquisas, as pessoas com menos de 25 elegeriam Reagan em lugar de  Barack Obama, apesar de que as idéias de Reagan ainda permanecem profundamente impopulares. Para colocá-lo cruamente, a batalha política sobre a memória de alguém é uma batalha política sobrepolítica”. No caso de Thatcher, se encobrirmos sua história de apoio aos tiranos, estamos condenados a repetir seus erros.
Como escreveu Glenn Greenwald tão habilmente no Guardian, “Não há absolutamente nada de errado com ter nojo a Margaret Thatcher ou qualquer outra pessoa com influência política e poder baseado em seus atos ruins, e isso não muda simplesmente porque eles morreram. Assim é muito mais atraente a comemoração  dos atos ruins depois da morte como o único antídoto que a  sociedade e a história tenham evitar que seja erigido  um falso painel de grandes serviços prestados à História“.
Ou, para colocá-lo de forma  ainda mais simples, nas palavras de Davi Wearing,   “As pessoas elogiam o legado de Thatcher devem mostrar respeito por suas vítimas.Isso seria bom, não seria? Por favor, vamos  mostrar um pouco de respeito para com as vítimas de Margaret Thatcher. Vamos respeitar os que choram todos os dias por causa de suas políticas, mas que escolheram este dia para limpar as lágrimas.E assim vamos nos organizar para ter a certeza de que a história que ela escreveu não se repita.
dave_zirinDave Zirin é o autor de  Welcome to the Terrordome: the Pain Politics and Promise of Sports (Haymarket) e do livro recentemente publicado  A People’s History of Sports in the United States (The New Press). e seus textos apareceram no  Los Angeles Times, Sports Illustrated.com, New York Newsday and The Progressive. Ele é apresentador do programa XM Radio’s Edge of Sports Radio. Contacte-o através  do endereço edgeofsports@gmail.com

A resistência à industria do combustível fóssil

Publicado em 12 de abril de 2013 por Rolling Stone

A resistência à industria do combustível fóssil

Por Bill McKibben

Tradução de Tarcisio Praciano-Pereira

Enquanto o mundo pega fogo um novo movimento para reverter as mudanças climáticas está emergindo, corajoso, barulhento e exatamente na porta ao lado.

Screenshot

Esteve tão quente na Austrália em janeiro que o serviço metereólogico foi forçado a acrescentar duas faixas de cor extra para colorir seus mapas. Algumas semanas mais tarde, do outro lado do planeta, dados do Satélite CryoSat-2 mostrava que 80% do gelo no Ártico já havia desaparecido. Nós não estamos, exatamente, quebrando recordes, estamos mesmo quebrando o planeta. Dentro de 50 anos ninguém irá se preocupar com a crise do euro ou com quebra fiscal. Os que estiverem vivos apenas se perguntarão “então o gelo do Ártico se derreteu, e vocês, o que fizeram vocês?”

Se houve uma boa notícia poderia ser: nós todos lutamos!

Os americanos já estão vendo este movimento se expandir das vizinhanças de Washington, DF, num dia de frio extremo, em Fevereiro. A imprensa contou mais Screenshot-2de 40 mil na manifestação que sem dúvida é a maior da história do nosso país entre as manifestções contra as mudanças climáticas. Eles estavam lá para se opor ao oleodoto XL que deveria vir das áreas betuminosas do Canadá caminhando para o sul até o Golfo do México, uma luta que a revista Time comparou recentemente como a Selma ou Parede de Pedra do movimento pelo meio ambiente. Porém na multidão há milhares que estão lutando contra os poços fracionamento na região Apalachiana e os portos colocados em águas profundas que enviariam carvão para a China. Estudantes na maioria dos 323 campus universitários onde o movimento para bloquear o investimento na indústria fóssil está em crescimento se misturam com os veterenos da luta contra a derrubada dos topos de montanha associados à mineração do carvão no oeste da Virgínia e Kentucky junto com os membros mais antigos que formam Loby Cidadão pelo Clima ( Citizens Climate Lobby) que estão na luta para pedir que o Congresso estabeleça preços altos para o carbono. Alguns dias atrás 48 líderes foram presos nas cercanias da Casa Branca, entre eles estavam rancheiros do Nebrasca que não querem que um oleoduto gigante passe através de suas terras junto com líderes das cidades texanas que sofrem com os vazamentos de óleo cru à volta de suas comunidades. O legendário investidor Jeremy Grantham estava lá pedindo que os cientistas associem suas pesquisas à desobidiência civil, e também estavam lá os industriais do Sol (industria da energia solar) mostrando como é rápido que se extende um painel solar no teto de uma residência o que eles também estão fazendo ao longo de todo o país. O reverendo Lennox Yearwood Jr. do Hip Hop Caucus foi algemado junto com Julian Bond, o ex-dirigente da NAACP, (Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor – National Association for the Advancement of Colored People) que repetiram histórias antigas da década de 60 quando da integração dos restaurantes em Atlanta.

É um movimento em expansão, diversificado e incrivelmente unido marcando oposição contra a mais rica e poderosa indústra do planeta. A Resistência ao Combustível Fóssil já logrou algumas vitórias importantes bloqueiando dúzias de sistemas de geradores à carvão em construção ou fechando muitas das existentes, verifique na página da http://lvejo.org/ Little Village Environmental Justice Organization ajudou a fechar algumas centrais à carvão em Chicago ou da http://apen4ej.org/ Asian Pacific Environmental Network, que lutou para impedir a expansão da refinaria da Chevron em Richmond, California. “Até este momento as organizações dos movimentos de base conseguiram evitar que mais carbono seja lançado na atmosfera que as ações dos estados do governo federal” disse Gopal Dayaneni do Movement Generation Justice and Ecology . Isto também é uma resistência econômica, também, hoje já estamos conscientes que o sistema de energia renovável pode criar três vezes mais empregos que o carvão e óleo juntos. E se trata de trabalho qualificado porque o Sol e o Vento se encontram perto de nossas casas e é um trabalho que cria um futuro.

E se trata de gente séria. Não são membros de uma Resistência apenas porque tem gente que guia um carro Prius. Você não precisa ir para a cadéia mas você precisa fazer um pouco mais do que apenas trocar as lâmpadas por outras mais econômicas. Você precisa fazer alguma coisa para mudar o sistema que é o responsável pelo aumento da temperatura, do aumento do nível do mar, do extermínio de espécies, ou mesmo, bem mais: discutir levantar a questão sobre a forma como a nossa civilização poderia sobreviver neste século.

Logo depois desta manifestação gigantesca em Washington – DF, o Ministério do Interior (state department ) lançou um relatório declarando que seria insignificante o impacto ambiental da Keystone XL e desta forma abrindo mais um passo do caminho do oleoduto. Desde então, sob a intervençao de um grupo de ativistas por trás de uma companhia de telefone que merece atenção, a CREDO, cerca de 60 mil pessoas assinaram um compromisso de reagir, pacificamente, mas firmemente se o oleoduto for aprovado. No começo de março até mesmo comentaristas do stablishment como Thomas Friedman observou – ele usou a sua coluna no New York Times para pedir aos ativistas para “ir para a loucura” com a desobediência civil, 48 horas depois disto, 25 estudantes e membros do clero se prenderam com cadeados dentro do escritório de uma seção do oleoduto nas cercanias de Boston. Já não é mais uma briga de um único lado.
Um movimento com esta diversidade dificilmente chega a um consenso sobre um manifesto, mas não há dúvida que uma ideia central é a de que a indústria do fóssil é suja em todos os seus estágios e que temos que torná-la um item do passado o mais rápidamente possível. Para nós que vivemos nos países ricos não podemos contar que pequenos passos sejam suficientes, temos que alterar as políticas que fazem com que esta indústria seja gorda e feliz. Entretanto para os que vivem nos países pobre o objetivo é mais duro porque eles tem que ultrapassar a era do fóssil direto para as energias renováveis ação esta que, nós que prosperamos enchendo a atmosfera com carbono, temos que dar apoio por razões tanto morais como práticas. E isto significa dar as mãos às comunidades do carvão da região apalachiana assim como para os povos de países embebidos de petróleo como é o caso do Delta da Nigéria que lutam pelas suas casas. Eles lutaram a mais tempo e de forma muito dura em alguns casos sozinhos, mas agora que o aquecimento global está enchendo as galerias do metro com água do mar, o front da batalha está se expandindo e os reforços estão também chegando.

Até o momento a indústria do fóssil está apenas ganhando. Nos anos que passaram ele conseguiram provar que os teóricos do pico do óleo estavam errados e, ao mesmo tempo que o preço do combustível subia, as companhias descobriram uma grande quantidade de novas jasidas, ainda que em geral raspando o fundo dos poços, gastando mais dinheiro para encontrar energia mais suja. Eles aprenderam a fracionar, que na essência é explodir uma bomba a alguns metros da superfície quebrando as rochas e assim liberando mais óleo. Eles aprenderam com aquecer as sujas áreias betuminosas com gas natural e desta forma fazer com que óleo escorra. Eles conseguiram perfurar poços no fundo do mar. Mas o entusiasmo foi que espirrou muito mais intensamente que que o óleo. O The Wall Street Journal declarou que a Dakota do Norte era a nova Arabia Saudita. The New York Times descreveu que os filões de óleo da California eram quatro vezes maiores do que os de Dakota do Norte. “Poderemos fazer da OPEC a NãoPEC se realemente nos dedicarmos a isto” disse Charles Drevna da American Fuel and Petrochemical Manufacturers. “Estamos falando de décadas, senão de séculos, para garantir os suprimentos da America do Norte”.

Porém este óleo todo vai ser bombeado, minerado e queimado se apenas decidirmos ignorar as questões climáticas, mas, se pelo contrário a considerarmos com seriedade, a matemática vai ter que mudar rapidamente. Como eu já mostrei aqui nestas páginas, no verão passado, as companhias mundiais do fóssil, mesmo antes destas descobertas, já possuiam em seus estoques cinco vezes mais combustível do que seria possível queimar para permanecermos abaixo dos dois graus centígrados na escala de crescimento da média global de temperatura. Esta é linha vermelha que praticamente todos os governos do Mundo aceitaram, porém as companhias do óleo e do gas natural estão apenas procurando por mais na mira de lucros mais vultuosos e ignorando a realidade. Uma reportagem recente mostrou que um grupo anônimo de industrias bilionários investiu mais de cem milhões de dólares em apoio a grupos que se opõem às questões do meio ambiente. Semanas antes do Dia da Eleição, Chevron fea a maior doação corporativa da era posterior ao “Citizens United” garantindo que o Congresso ficasse nas mãos do que negam as mudanças climáticas.

Mas, como todo rio rebenta suas próprias margens, cada nova onda de calor dá força à Resistência. Quando o oleoduto Keystone por vez primeira se tornou controversial, em 2011, uma pesquisa de opinião feita por “gente de dentro da energia” em Washington, mostrou que 70% deles pensavam que conseguiriam a licença para a construção do oleoduto até o fim do ano. O “Big Oil” pode afinal conseguir encontrar sua passagem, porém até o momento o seu dinheiro não conseguiu contagiar com a paixão e o entusiasmo com que os seus peões vieram para a batalha. E já não estamos mais simplesmente na defensiva: a campanha de desinvestimento (Nota do Tradutor encetada nos 323 campi universitários ao longo da America ) pode ser o maior item da Resistência, e ela não está mais confinada aos campi universitários, governos municipais e entidades religiosas já começaram a desenrolar as suas bandeiras contra as companhias de óleo e até mesmo já chegou ao pequeno investidor privado uma vez que o HSBC já concluiu que se forem levadas a sério as quesões de mudanças climáticas pode haver uma queda da participação das companhias de óleo em até 60%.

A cada mês que passa, alguma coisa se enfraquece no lado da indústria: por exemplo o aumento constante de energia renovável, uma tecnologia que passou de sonho para painel-nos-tetos em um tempo extremamente curto. Nos poucos países onde os governos foram de fato em busca das energias renováveis​​, os resultados já foram surpreendentes: Em alguns dias da primavera passada aconteceu na Alemanha (a pálida, nortenha Alemanha) conseguiu gerar metade da energia necessária a partir dos painéis solares que já se encontram instalados. Mesmo neste nosso país, grande parte da capacidade de geração adicionado no ano passado veio de fontes renováveis​​. Um estudo de dezembro da Universidade de Delaware mostrou que, em 2030 poderíamos garantir que 99,9% de todo o potencial necessário do país vindo de energias renováveis. Em outras palavras, a Física, a Lógica e a Tecnologia trabalham contra a indústria do combustível fóssil. Por enquanto, ela detém o poder político de que necessita – mas o poder político muda, talvez, mais facilmente do que a Física.

Vamos qual é a história da Resistência, a quarenta e três anos atrás, o primeiro Dia Anárquico da Terra atraiu 20 milhões de americanos para as ruas. Esta presença ajudou a passar vários tipos de legislação – o Clean Air Act (O Ato do Ar limpo), a Lei de Espécies Ameaçadas – e estimulou o crescimento de organizações como o Conselho Defesa dos Recursos Naturais e do Fundo de Defesa Ambiental. Como esses “grupos verdes” se tornaram o cara do movimento ambiental, eles cresceram a ponto de poder jogar no time do lobby dentro do cinturão do poder. Mas essa estratégia encontrou dificuldades cada vez mais significativas com crescimento do poder da direita, já levam 25 anos se serem capazes de conseguir qualquer progresso significativo na mudança climática.

Agora, energizada pelos protestos contra o oleoduto Keystone, alguns avanços foram feitos. O NRDC tem feito um trabalho típico de campones contra o gaseoduto. O Sierra Club, que há apenas alguns anos atrás estava redirecionando milhões da indústria do fracking para recolocar no gás natural, foi reinventado. Em janeiro, o clube eliminou sua proibição de 120 anos, sobre a desobediência civil. No mês seguinte, o seu diretor-executivo, Michael Brune, foi levado para longe da Casa Branca, em algemas.

Mas o centro de gravidade também mudou de grandes grupos estabelecidos para os grupos locais, os esforços ficaram mais distribuídos. Na era da Internet, você não precisa de grandes centros e mala direta, você precisa do Twitter. No Texas e Oklahoma, centenas se juntaram em ações lideradas pelo bloqueio areias de betuminosas, usando de táticas ousadas e de muita coragem para ficar no meio da indústria e do gasoduto ela precisa levar o petróleo para o exterior. Em Montana, autor Rick Bass e outros se sentaram-se para interromper a exportação de milhões de toneladas de carvão que iam sair dos portos da Costa Oeste. E da região das formações de Marcellus e da Utica, no Nordeste, as pessoas têm se levantado em favor de suas comunidades, muitas vezes, sentando-se no meio da rua em da frente da indústria do fracionamento. A Resistência ao Combustível Fóssil se parece mais e mais com o Movimento Ocupar – na verdade, eles se confundiram desde o início, uma vez que as empresas do petróleo são exatamente o um por cento. Os movimentos comunicam entre si análise política, também: uma rede com um milhão de telhados solares parece mais a Internet do que a Companhia de Eletricidade (CONED), é o mercado de elétrons dos agricultores, com o controle local, que é isso que interessa.

Como Movimento Ocupar, esta nova resistência não está obcecada com ganhar os líderes do Partido Democrata. As prisões por Keystone em 2011 marcaram com os protestos mais combativos fora da Casa Branca durante o primeiro mandato de Obama, agora Van Jones, que já trabalhou para o presidente, vem chamar a Keystone de “pipeline Obama.” Acostumado a lidar com os grupos verdes estabelecidos, o governo pensa em termos de negócios – “Nós vamos aprovar o gasoduto, mas dar-lhe em troca algo mais você deseja” – o tipo de lógica de barganha que consegue a aprovação dos colunistas e cabeças de grupos de looby. Mas considerando que o Ártico já derreteu, não temos espaço para compromissos fáceis. A insistência do presidente de que ele favorece “as questões gerais por cima dos detalhes”, todos os sistema de energia, petróleo e gás, são tão bem-vindos como a solar e a aeólica, parece cada vez mais como cilada política clássica. Na verdade, se o Partido Republicano não estivesse nas trincheiras da indústria do petróleo, dificilmente se poderia encontrar algo pior do que a retórica de Obama. No ano passado, o presidente foi para Oklahoma, posando em frente de uma pilha de tubos de óleo e se gabava de adicionar novos dutos suficientes para cercar Terra. Desde a eleição, o presidente começou a falar verde, prometendo que agora a mudança climática seria uma prioridade – mas esta resistência crescente, penso eu, não se encontra nada convencida. Como o líder da questão climática, Naomi Klein disse: “Desta vez, não há lua de mel e nem adoração de herói.”

Somente o trabalho pequeno e difícil é que conta. Nós estamos assistindo grandes mudanças culturais e sucessos de organização nos últimos anos, como os , movimentos da igualdade de casamentos, e de reforma da lei de imigração. Mas quebrar o poder das empresas de petróleo pode ser ainda mais difícil, porque as somas de dinheiro do lado deles é fantástico – há trilhões de dólares de petróleo em areias betuminosas do Canadá e do Dakota do Norte de xisto. Os homens que possuem as minas de carvão e os poços de gás vai gastar o que eles precisarem para garantir suas vitórias. No mês passado, Rex Tillerson, o dirigente da Exxon que ganha na ordem de 100 mil dólares por-a-dia, disse que os ambientalistas eram “obtusos” por se oporem aos novos dutos. Ele anunciou que a empresa planeja mais do que dobrar a área de exploração hidrocarbonetos e disse que espera que as energias renováveis ​​sejam responsáveis por apenas um por cento de nossa energia em 2040, essencialmente declarando que a guerra para salvar o clima acabou antes mesmo de iniciada. Ele acrescentou: “Minha filosofia é fazer dinheiro.”

No mesmo dia, os cientistas anunciaram que a Terra está se aquecendo 50 vezes mais rápido do que nunca aconteceu ao longo de toda a civilização humana, e que os níveis de dióxido de carbono tinham atingido um recorde perigoso na nova estação de medição de Mauna Loa. Agora, nós estamos perdendo. Mas como o planeta está vivo, sua febre aumentando, os anticorpos começam a se mexer Nós sabemos o que o futuro nos reserva se não resistirmo, e, assim, vamos resistir.

Bill McKibben

bill_mckibbenBill McKibben é um Distinguido  Schumann  Scholar do Middlebury College e  co-fundador de 350.org.

Dentre os seus livros mais recentes se encontra Eaarth: Making a Life on a Tough New Planet.

MP quer trabalhar e pede apoio da população

A Agilidade do Jornalismo On Line em Marília/SP e região..

    • Uma campanha nacional do Ministério Público está mobilizando a sociedade para evitar a aprovação de uma emenda constitucional que deverá comprometer o trabalho investigativo da instituição. Um ato público está programado para o próximo dia 22 de abril, das 15:00 até 17:00, na sede do MPE em São Paulo.
      Os organizadores do movimento alertam que a qualquer momento o Brasil pode perder um dos protagonistas no combate à corrupção, crimes de colarinho branco, crime organizado, violação de direitos das crianças, violência contra mulheres, abuso de poder e uma série de outros delitos contra a sociedade.
      Isso acontece automaticamente se for aprovada a Proposta de Emenda Constitucional 37 (PEC 37), já apelidada de “PEC da Impunidade”, que pretende retirar o poder de investigação dos Ministérios Públicos de todo o país.
      Quer ajudar a impedir que isso aconteça? Faça parte do tuitaço que o Ministério Público de São Paulo está organizando. O tuitaço é uma espécie de passeata virtual, um grupo de pessoas – do qual esperamos que você faça parte – se manifesta ao mesmo tempo sobre um tema.
      No próximo dia 22 de abril, dia do Descobrimento do Brasil, seja mais uma voz para evitar que uma série de escândalos sejam varridos para baixo do tapete. Junte-se ao tuitaço. É muito simples: basta tuitar entre 15h e 17h usando a hashtag #NAOPEC37. Nosso objetivo é chegar aos Trending Topics do twitter, o rol de assuntos mais comentados do dia.
      Todo mundo pode participar. Tuíte várias vezes e avise seus amigos. É necessário juntar muita gente para que um assunto seja o mais falado na internet. E você tem visto como as mobilizações online chamam a atenção da imprensa e, por consequência, dos políticos.
      “A adesão de todos, em defesa do direito de todos, é que forma uma nação. Todos somos protagonistas da defesa da democracia, cada cidadão é um ator indispensável, por isso, caminhe conosco contra este atentado à democracia”, convida o Procurador-Geral de Justiça, Márcio Fernando Elias Rosa.
      Grandes mobilizadores – Se você tem potencial para ser um grande mobilizador, ou seja, pode reunir um grupo de pessoas para tuitar ao mesmo tempo no dia 22/04, entre em contato conosco.
      O Ministério Público pode passar instruções específicas para este tipo de mobilização e será uma alegria listar o nome da sua organização aos apoiadores do tuitaço contra a PEC da Impunidade.
      Mais de 100 mil apoiadores
      Mais de 100 mil pessoas já registraram o apoio à campanha contra a aprovação da PEC 37 por meio do abaixo-assinado lançado pelo Ministério Público de São Paulo no dia 14 de dezembro, quando se comemorou o Dia Nacional do Ministério Publico. O objetivo do MP paulista é colher o maior número possível de assinaturas pela rejeição da proposta até a matéria entrar em pauta no plenário da Câmara dos Deputados.
      De acordo com o Procurador-Geral de Justiça do Estado de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa, a aprovação da PEC pode comprometer o papel fundamental do Ministério Público no campo das investigações. “A proposta atenta contra o Estado Democrático de Direito e vulnera os direitos humanos”, afirma o Procurador-Geral. “O Brasil não merece este retrocesso”, complementa.
      A proposta, de autoria do deputado Lourival Mendes (PTdoB-MA), estabelece que as investigações criminais fiquem restritas apenas às polícias federal e civil. A proposta segue agora para a Câmara para ser votada em plenário, onde precisa ser aprovada por 3/5 dos deputados, em duas votações. Depois será encaminhada ao Senado e, caso seja aprovada por 3/5 dos senadores, em duas votações, segue para promulgação.
      O abaixo-assinado será entregue ao Congresso Nacional como uma manifestação popular de repúdio à PEC 37. O documento está disponível no endereço http://www.change.org/pec37 para a assinatura de qualquer cidadão que defenda a causa. Para preenchê-lo, basta colocar o nome, e-mail e endereço.
      Serviço:
      – Tuíte frases contendo a hashtag #NAOPEC37
      – Avise seus amigos
      – Se puder mobilizar um grupo maior de pessoas, entre em contato conosco.
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