Porque manifestei-me durante a fala de Obama sobre política externa

Exclusivo: Porque manifestei-me na falta de Obama sobre política externa

Porque a política de Obama é grosseira e não aqueles que se manifestam contra elas

Por Medea Benjamin

Tradução de Tarcisio Praciano-Pereira

Medea Benjamin, co-fundadora do grupo ativista político Code Pink, é

Medea Benjamim retirada por seguranças da fala de Obama sobre politica externa

Medea Benjamim retirada por seguranças da fala de Obama sobre politica externa

removida por seguranças depois de se manifestar contra o presidente Barack Obama durante seu discurso de política externa na quinta-feira. (Foto: Kevin Dietsch / UPI)

Depois de ter trabalhado durante anos sobre as questões dos drones e de Guantanamo, fiquei muito feliz ao receber um passe (a fonte permanecerá anônima) para assistir ao discurso do presidente Obama na Universidade de Defesa Nacional. Eu tinha lido muitos relatos da imprensa antecipando o que o presidente poderia dizer. Falou-se muito sobre as principais mudanças políticas que as tornassem transparente para o público, com as novas diretrizes públicas para o uso dos drones, retirada dos drones letais do domínio da  C.I.A., e no caso de Guantánamo, invocando o “sistema de justiça rápida” para começar a transferência de presos já verificados para uma rápida liberação.

Sentada na parte de trás do auditório, eu fiquei atenta a  cada palavra do Presidente. Fiquei esperando ouvir um anúncio sobre as mudanças que representassem uma alteração significativa na política. Infelizmente, eu ouvi apenas palavras bonitas, e nada propondo uma modificação da política fracassada.

Em vez de anunciar a transferência dos ataques aéreos do domínio exclusivamente da  C.I.A. para o domínio  dos militares, Obama nem sequer mencionou a C.I.A. e muito menos reconheceu a onda de assassinatos que a C.I.A. vem realizando no Paquistão durante toda a sua administração. Enquanto havia previsões de que ele iria declarar o fim dos ataques à indivíduos, que  golpeiam com base apenas em suspeitas e  que têm sido responsáveis ​​por muitas das mortes de civis, tal anúncio simplesmente não foi feito.

A maior parte do discurso do presidente foi dedicada a justificar os ataques aéreos. Fiquei chocada quando o presidente afirmou que seu governo fez tudo o que podia para capturar suspeitos em vez de matá-los. Isto, simplesmente, não é verdade. A dependência de Obama no uso de drones é precisamente porque ele não quer ser incomodado com a captura de MedeiaBenjamin03suspeitos e levá-los a julgamento. Tomemos o caso do jovem de  16-anos de idade, o  paquistanês Tariz Aziz, que poderia ter sido capturado enquanto participava duma conferência em um grande hotel da capital, em Islamabad.  Mas em vez disto foi morto por um ataque de drones, com seu primo de 12 anos de idade , dois dias mais tarde. Ou o ataque de drones mencionado  por  Yemini Farea al-Muslimi de 23 anos de idade quando  testemunhou no Congresso. Ele disse que o homem alvejado em sua aldeia de Wessab era um homem que todos conheciam, que se reunia regularmente com representantes do governo e que poderia, facilmente, ter sido levado para interrogatório.

Quando o presidente estava chegando ao final de seu discurso, ele começou a falar sobre Guantánamo. Como ele fez no passado, ele declarou seu desejo de fechar a prisão, mas culpou o Congresso. Foi quando eu me senti obrigada a falar. Com os homens em Guantánamo em greve de fome, sendo brutalmente forçados a ingerir alimento e desprovidos de qualquer  esperança, eu não podia deixar que o presidente continuar a agir como se ele fosse algum funcionário desamparado à mercê do Congresso.

“Desculpe-me, Sr. Presidente,” falei, “mas você é o Comandante-em-Chefe. Você poderia fechar Guantánamo amanhã e libertar os 86 prisioneiros que já foram considerados sem culpa. ”  Foi quando passamos a ter quase que um diálogo.

Embora eu tenha recebido uma avalanche de apoio, houve quem,  incluindo jornalistas, que me chamaram de  “rude.”  Mas aterrorizar vilarejos com mísseis Hellfire que vaporizam pessoas inocentes, isto sim é rude. Violar a soberania de nações como o Paquistão, isto sim é rude. Manter 86 prisioneiros em Guantánamo, muito depois de que eles tenham sido considerados inocentes, isto sim é rude. Empurrar tubos de alimentação goela abaixo dos prisioneiros em vez de dar-lhes justiça, é certamente rude.

Em um certo ponto, durante o seu discurso, o presidente Obama disse que a morte de pessoas inocentes com os ataques dos drones iriam assombrá-lo, enquanto ele viver. Mas ele ainda não está disposto a reconhecer essas mortes, pedir desculpas às famílias, ou compensá-las. No Afeganistão, os militares dos EUA tem uma política de compensar as famílias das vítimas quando elas são mortas ou feridos por engano. Isto nem sempre é feito, e muitas das famílias se recusam a aceitar o dinheiro, mas pelo menos existe uma política de considerar o erro ao  tirar a vida de pessoas inocentes. Por que o presidente não pode estabelecer  uma política semelhante quando ataques aéreos são usados ​​em países com os quais não estamos em guerra?

Há muitas coisas que o presidente poderia e deveria ter dito, mas ele não o fez. Portanto, nos cabe a nós, falar!

Este trabalho está licenciada sob  Licença Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0

Medea Benjamin (medea@globalexchange.org), cofundadora de  Global MedeaBenjaminExchange e  CODEPINK: Women for Peace, é autora de  Drone Warfare: Killing by Remote Control. Entre seus outros livros se contam Don’t Be Afraid Gringo: A Honduran Woman Speaks from the Heart., e  (com Jodie Evans) Stop the Next War Now (Inner Ocean Action Guide).

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