Uma opinião de Antero de Quental

O meu amigo e pesquisador de literatura na Universidade de Aveiro, Brasilino Godinho, aliás tendo escolhido como tema do seu doutoramento a obra de Antero de Quental, em suas intensa  lides, garimpando as idéias do agitado Antero, trouxe a lume uma  frase muito atual de uma época em que Antero ainda era estudante em Coimbra, e em tempo, eu também sou ex-estudante de Coimbra.

Antero, no artigo A INDIFERENÇA EM POLÍTICA escreveu:“Um dos piores sintomas de desorganização social, que num povo livre se pode manifestar, é a indiferença da parte dos governados para o que diz respeito aos homens e às coisas do governo, porque, num povo livre, esses homens e essas coisas são os símbolos da actividade, das energias, da vida social, são os depositários da vontade e da soberania nacional”.

Infelizmente parece que não é nada nova a “indiferença” tanto mais estimulada pelo seguido desprezo daqueles cujos salários pagamos para organizar a sociedade em nosso nome. Eu me atreveria a corrigir o velho Antero, acho que não é “indiferença” entendo que muito mais seria “desânimo” ante seguidas faltas de respeito.

Heróis da bicleta em meio à tempestade

Esta num texto do Paulofsk: “As condições, tanto as climáticas como as de percurso, são das mais difíceis e que eu jamais experimentei a pedalar. A neve e o gelo, o frio glaciar e ruas escorregadias, outras inundadas como se fossem rios, ventos ciclónicos que tornam difícil manter a bicicleta na posição vertical, são condições extremas que facilmente os faria mudar de modo de transporte ou, simplesmente, jogarem a toalha ficando em casa”.  Ele se esqueceu de mencionar que nestas condições terríveis de clima ainda tem os autoahólicos que complicam um bocado mais as dificuldades dos ciclistas nas ruas. Um autoahólico, encerrado numa latinha que lhe dá a impressão de que mau tempo ficou de fora, quando, até pelas condições de trâfego, aumenta significativamente a poluição que passa de latinha-para-latinha. O custo para os  autoahólicos e para Sociedade, coisa que é invisível para um autoahólico,
também aumentam significativamente, poluição e suas consequências para a saúde, em particular para os autoahólicos que respiram encerrados nas latinhas a poluição das latinhas que lhe ficam à volta.

Eu sei o que é isto, quando vivi na Suécia, pedalei de inverno a inverno durante seis anos, mas eu tinha uma bicicleta especial, de dois lugares, uma bicleta dupla que suas três marchas terminava ficando leve e fácil de conduzir, mas ao mesmo tempo pesada se colando bem ao solo se mantinha estável no mau tempo. O terrível eram os autoahólicos que sempre davam a impressão de que o ciclista é que era o problema.

Copio as imagens publicadas por Paulofsk (parece russo…) de alguns herois da biclicleta em meio à tempestade.

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ciclista na Índia se equilibrando em meio à tempestade

Imagemciclista no Japão

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Acima e abaixo ciclistas na Inglaterra (que alguns insistem em chamar de “reino unido” denominação que detesto na esperança que canadenses, e australianos sacudam os ombros e façam cair a velharia corrupta “reinante”).

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Abaixo, toda uma linha de ciclistas em Portland, nos Estados Unidos da America do Norte. Em Portland o meio ambiente é levado à sério apesar de uma grande quantidade de autoahólicos sempre atrapalhando.

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