O que está por trás das guerras americanas

Todd Chretien escreve sobre as guerras do imperialismo norte americano como uma posição do governo americano de apoio não somente aos ladrões da indústria do óleo mas também como uma forma de garantir a hegemonia do chamado “mercado livre” como expressão do capitalismo internacional.  Você pode ler o seu texto aqui.

Eu retirei esta frase do texto como significativa, quando ele compara de Roosevelt,  Woodrow  Wilson, e Obama, todos com duas proezas em comum: (1) ganhadores do Prêmio Nobel da Paz  (2) aguerridos guerreiros,   mas os compara com um presidente que para muitos passa como inofensivo,  Bill Clinton, observando que no programa  60 Minutes o apresentador  Lesley Stahl fazendo referências às sanções econômicas imostas pelos EUA ao Iraque pela administração  Clinton teria produzido a morte de  500.000 crianças, a   Ministra de Relações Exteriores (state secretary)  Madeleine Albright olhou direto para a câmera tendo respondido, “Penso que foi um custo que se justificou”.

Voce pode ler o texto aqui.

 

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As mudanças no código da estrada de Portugal e os ciclistas

a MUBi acabou de publicar uma carta aberta dirigida à ANSR no seu site a propósito da recente campanha – “Responsabilidade Partilhada”

“Se se reconhecerem nela ajudem a divulgar por email ou nas redes sociais. Obrigado.”

MUBi – Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta
http://mubi.pt
Fundada em 2009
Apartado 2558, EC Praça do Município, 1114-001 Lisboa
NIPC: 509 005 489

“Exmo. Sr. Dr. Jorge Jacob,
Presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária,

No mesmo dia em que a Prevenção Rodoviária Portuguesa publicou um estudo em que demonstra claramente onde reside o problema para a segurança rodoviária em Portugal, ou seja, no número elevado de automóveis em velocidades excessivas; a ANSR iniciou uma campanha para “uma Responsabilidade Partilhada” no convívio rodoviário, que, segundo V. Exa., pretende informar os ciclistas sobre as alterações ao Código da Estrada, Lei n.º 72/2013 de 3 de setembro, que entrou em vigor no dia 1 de janeiro do presente ano.

Continuamos impressionados pelo esforço, investimento e persistência – raros nas instituições públicas portuguesas – por parte da ANSR, para assustar, educar e sensibilizar as vítimas.

Abaixo explicamos porque a “responsabilidade partilhada” é um conceito errado na abordagem ao problema da sinistralidade rodoviária entre veículos motorizados e utentes vulneráveis. Observamos também que a ANSR continua a realizar campanhas que retratam as formas de deslocações ativas como perigosas (neste caso, com vídeos retratando sinistros com consequências graves), o que desencoraja as pessoas de utilizarem essas formas de deslocação. Dito isto, gostaríamos de congratular V. Exa. por finalmente se dirigir, mesmo que parcialmente, aos condutores dos veículos com maior velocidade, com mais massa e consequentemente com maior probabilidade de provocar danos, mortos e ferimentos graves.

1. A Responsabilidade Partilhada

O slogan escolhido para um dos vídeos – sempre que alguém arrisca quem sofre é o ciclista – leva-nos a questionar se o conceito de co-responsabilização é a forma correta de abordar a segurança entre um modo de transporte inerentemente perigoso e outro que tem e deve ter acesso universal. Relembramos que o ciclista, tal como o peão, pode naturalmente ser uma criança ou um idoso, sem a necessidade de uma licença de condução. O próprio conceito de “Responsabilidade Partilhada” contradiz o espírito e a letra da revisão do novo Código da Estrada na definição de “Utilizador Vulnerável”. É um conceito felizmente ultrapassado na maior parte da legislação europeia e que contraria até a Diretiva 2009/103/CE do Parlamento Europeu e do Conselho. Nenhuma campanha de proteção dos utentes vulneráveis verdadeiramente eficaz se poderá basear neste princípio.

2. Campanhas que desencorajam o uso da bicicleta através do medo

Gostaríamos de realçar que a bicicleta é um meio de transporte com vantagens económicas (1/5 das importações de Portugal são carros e combustíveis), ambientais (poluição atmosférica, GEE, e poluição sonora), sociais (sendo pouco onerosa, políticas que incentivem o seu uso, tornam o acesso à mobilidade muito mais igualitário para todos os estratos da sociedade), de saúde (a maior causa de morte em Portugal são as doenças cardiovasculares, onde um grande fator de risco é o sedentarismo) e de segurança (todos os estudos indicam que quanto maior o número de ciclistas nas estradas, menor o risco rodoviário para todos). Por isso, as boas práticas europeias recomendam que devem ser evitadas a todo custo campanhas que retratem a bicicleta como um modo de transporte perigoso e a evitar. A ANSR, ao insistir no mito generalizado de que a bicicleta é um modo de transporte perigoso, não está, no nosso entender, a prestar um serviço de interesse público.

Um dos vídeos da campanha sugere-nos ainda os seguintes comentários:

3. Erro crasso na imagem final

Existe um erro de concepção gráfica que afeta a forma como se efetua a sua perceção, mostrando-se deficiente a legibilidade da imagem constituída pela justaposição e associação de pictogramas representando o momento da ultrapassagem a 1,5 metros de distância. No vídeo que tenta transmitir uma ideia correta sobre a distância de ultrapassagem de 1,5 m (o vídeo com a situação de atropelamento de uma criança) um dos pontos-chave é a fase final do anúncio, em que se tenta elucidar visualmente a nova regra de ultrapassagem a velocípedes. No entanto, constatamos que a imagem usada nessa fase final sofre de um erro grave. Poucos condutores têm uma noção exata do que 1,5 m realmente significam, sendo por isso muito relevante que a figura ilustre graficamente o que essa distância implica em proporção com as figuras do velocípede e do carro. Sendo uma aproximação, a figura deverá sempre mostrar um caso exagerado (carro a mais de 1,5 m do velocípede), nunca o caso oposto (carro a menos de 1,5 m).

Sabendo-se que um ciclista de altura mediana montado numa bicicleta de adulto se torna na generalidade mais alto que um automóvel convencional, nessa situação, a altura do ciclista rondará 1.5 m. Logo, o afastamento no pictograma entre o automóvel e o ciclista, nunca deverá situar-se a menor distância daquela que representa a altura do referido ciclista. Infelizmente, é esse o caso que transparece da figura que surge no final do vídeo.

O carro na figura está a efetuar uma ultrapassagem demasiado próxima do velocípede. De facto, a ilustração representa uma situação perigosa e ilegal, representando uma situação em que o carro ultrapassa a menos de metade da distância lateral que a nova lei exige!

distancia ANSRImagem usada pela campanha da ANSR.
Medindo, na figura, a altura do carro e a distância ao carro – extremo do guiador do velocípede, e assumindo um carro ligeiro de 1,5 m de altura (o que é mais alto que muitos modelos de carros ligeiros), conclui-se que o carro ilustrado está a efetuar o que vulgarmente se denomina por “razia”.
Distancia corretaIlustração correta da distância de segurança.

É um erro crucial que limitará consideravelmente a eficácia da mensagem do vídeo.Consideramos fundamental que o erro seja corrigido, antes da divulgação do vídeo nos media.

4. Lacunas do vídeo relativamente às prescrições legais a cumprir na ultrapassagem de ciclistas por parte de veículos motorizados.

Existem duas lacunas importantes na forma como se aborda a ultrapassagem do velocípede. A nova regra sobre ultrapassagens a velocípedes não se limita a impor a distância lateral de pelo menos 1,5 m. A nova regra introduz também duas novidades que são tão ou mais importantes que a distância minima de segurança:

  • a necessidade de abrandar antes de ultrapassar um velocípede.
    caso haja via adjacente,
  • a necessidade de ocupar a via adjacente para ultrapassar.

Não se entende porque razão é que um vídeo cujo objetivo é promover ultrapassagens seguras no espírito da nova regra se foca apenas num dos aspectos (1,5 m) e deixa de fora os restantes aspetos que o novo Código da Estrada integra, e que são tão ou mais importantes do que a distância mínima de segurança. Chamamos a atenção para o facto da obrigatoriedade, na maior parte dos casos, de ocupação a via adjacente por parte dos veículos motorizados, tornar extremamente fácil aferir por todos (inclusivamente as autoridades policiais) que a ultrapassagem está a ser ou foi realizada em segurança, e de acordo com as novas regras do Código da Estrada.

Sobre a Ficha Temática

Congratulamos V. Exa. pela publicação da Ficha Temática, que pela primeira vez faz uma compilação dos poucos dados que existem sobre sinistralidade com ciclistas em Portugal. Alertamos para três aspetos importantes:

  1. É fundamental não confundir os números absolutos de acidentes e vítimas com a noção de risco. A Ficha Temática só analisa valores absolutos de sinistros e vítimas e nunca aborda as questões de risco e perigo rodoviário e isto deveria ser mais explícito e corrigido em futuras edições. Risco é a probabilidade que um utilizador de um modo de transporte tem de estar exposto ao risco de ter um sinistro. O risco dos utilizadores deve ser medido tendo em conta alguma forma de exposição ao risco (geralmente o número de quilómetros percorridos). Desta forma, seria fácil verificar aquilo que é normal acontecer: quanto maior o número de ciclistas e maior o número de quilómetros realizados de bicicleta e a pé menor é o risco para todos (“segurança pelos números”). Por isso, mesmo numa situação em que haja um aumento do número absoluto dos sinistros com ciclistas, podemos estar provavelmente perante um benefício social e não necessariamente perante um problema.Segurança pelos Números Relação y:ciclistas mortos por 100 milhões de km / x:km pedalados por pessoa-dia  By Wittink, Roelof, I-ce Interface for Cycling Expertise: Planning for cycling supports road safety.ISBN 1855736144

    Este gráfico, publicado pela ANSR, é enganador e simplista, não revelando de todo o risco dos utilizadores de bicicleta. Num caso hipotético extremo, se em Portugal não existissem ciclistas, de acordo com o exposto neste gráfico o país teria 0% de sinistralidade. Na realidade, a Holanda, é o país da Europa onde o risco para um utilizador de bicicleta é menor, tendo níveis gerais de sinistralidade rodoviária substancialmente menores que Portugal, revelando mais uma vez quão falacioso e simplista é esta abordagem.

  2. A utilização da palavra “acidente” deverá deixar de ser usada em documentos oficiais da ANSR. É incompreensível, que no século XXI, continuemos a utilizar terminologia datada e que prejudica a mitigação do problema. Com efeito não existem acontecimentos acidentais ou imprevisíveis, mas uma conjugação de condições desfavoráveis ou acumulação de falhas, humanas ou materiais, que levam a determinada consequência ou conjunto de consequências. A Organização Mundial de Saúde (OMS) e inúmeros organismos oficiais noutros países criticam o uso deste termo e muitas delas abandonaram mesmo o seu uso.
  3. A ficha temática aconselha a segregação da bicicleta como a prioridade principal para a sua segurança; inclusive acima da redução da velocidade e da redução do número de veículos motores em centros urbanos. Esta inversão de prioridades contradiz as boas práticas nacionais e internacionais (consultar a “Hierarquia de Decisão” preconizada em vários manuais técnicos sobre o assunto que colocam a provisão de infraestruturas como última prioridade).

Em conclusão

Continuamos extremamente preocupados com os níveis inaceitáveis de sinistralidade rodoviária envolvendo utilizadores vulneráveis no nosso país, bem como com o medo que afasta as pessoas de se deslocarem de bicicleta ou a pé. Apelamos por isso a V. Exa. para que reveja e que atualize a abordagem que a ANSR tem tido em relação à segurança dos mais vulneráveis, aderindo aos princípios e boas práticas europeias nesta matéria:

  1. Abandone o princípio da responsabilidade partilhada.
  2. Evite a todo o custo campanhas e material pedagógico que inspire medo na utilização da bicicleta ou andar a pé.
  3. Foque o seu esforço na consciencialização, de forma a incutir um efetivo sentimento de proteção dos mais frágeis, nomeadamente dos seus direitos mais elementares de cidadania, responsabilizando os condutores de automóveis a favor da segurança dos utilizadores mais vulneráveis.
  4. Invista na informação aos automobilistas, sobre as suas responsabilidades, obrigações éticas e morais e ainda sobre cuidados acrescidos que estes têm que ter com os utilizadores mais vulneráveis.
  5. Caso produza material pedagógico para os motoristas, que tenha em maior atenção os ciclistas, que consulte as associações de utilizadores que de facto têm experiência dos problemas mais frequentes e indague sobre quais as melhores estratégias de condução defensiva legalizadas pelo atual CE (nomeadamente a ocupação assertiva da via devidamente afastado da berma e a condução a par).
  6. Reveja os materiais com o devido cuidado e promovendo as convenientes consultas antes de os tornar públicos.

A MUBi continua totalmente disponível para colaborar com a ANSR, para que esta possa contribuir de facto para a melhoria da segurança dos mais vulneráveis em Portugal.

Com os nossos melhores cumprimentos,

A direção da MUBi.”

A polícia precisa urgentemente ser reciclada, ou desinventada

É a ideia mais elementar que se me pode ocorrer o conteúdo desta notícia que infelizmente não posso garantir como verdadeira tão absurdo no fundo me parece.

Terrivel mau gosto é como se pode caracterizar as ações da polícial. A desinventar a polícia

Terrivel mau gosto é como se pode caracterizar as ações da polícial. A desinventar a polícia

Esta beleza escutural e artística se oferecendo ao público de forma tão livre como o software livre é oferecido, sem nada em troca, e garantindo, como aqui, a distribuição livre e sem nenhum pagamento pedido por mim a outrem, eis que a licença é a GPL – General Public License (que pode ser baixada do site da FSF – http://www.fsf.org )

– e vem a meganha

– e abocanha a coisa livre.

 

Completamente inaceitável e apontando para um sentimento que há muito nos toma a todos que é preciso urgentemente reciclar a polícia, ou senão, muito melhor mesmo desinventá-la como nociva ao bom desenvolvimento da sociedade.

il faut surveiller la police

il faut surveiller la police

Il faut se reperer a mai-68 – surveillez la police.

 

Terrivel mau gosto é como se pode caracterizar as ações da polícial. A desinventar a polícia

Terrivel mau gosto é como se pode caracterizar as ações da polícial. A desinventar a polícia

O bode na sala

Na assembléia dos professores da Universidade Estadual Vale do Acaraú, em Sobral, no Ceará, na quarta-feira passada um professor se manifestou dizendo que o governador do Ceará havia colocado o bode na sala.

 

O bode na sala

O bode na sala

O governador, com a delicadeza que lhe é habitual, rabiscou num papel uma imposição para começar a conversar com os professores grevistas, aliás é bom entender esta personalidade que já andou sendo pensada como Ministro da Educação para entender como se pode esperar o seu tratamento para com professores não sem enquadrar o tipo em sua situação familiar: o pai dele era um professor.

Mas o colega em sua fala, e aqui não coloco o nome do colega por não ter sua autorização para divultar o que ele disse, explicou a fábula do bode na sala.

Alguém muito doente, com profunda depressão, foi a um psicologo de depois de uma rápida conversa (atendimento relâmpado do SUS) passou-lhe a receita,  considerando que o doente era nordestino e vivia no serão:

– pegue um bode e amarre-o a uma mesa bem pesada na sala, e volte aqui dentro de duas semanas.

Duas semanas depois o paciente voltou, e seu aspecto externo era de uma clara piora. O psicologo chegou a rir por dentro quando viu o paciente pensando (não falou nada, apenas pensou)

– acertei em cheio

E disse:

– e então, me amigo?

– doutor, a coisa lá em casa piorou muito, agora com a sugeira que o bode está fazendo na sala.

– volte para casa, solte o bode, e retorne na próxima sema.

O paciente voltou para casa aliviado pois a mulher já ameaçava divórcio que é algo fora do gibi no Nordeste, e foi logo soltando o bode e fazendo a limpeza da sala. Quando retornou na semana seguinte ao consultório do psicologo este, também por dentro, pensou:

– acertei mesmo!

e falou:

– e então amigo?

– doutor, está tudo bem lá em casa. Estamos vivendo às mil maravilhas, até mesmo demos umas trepadinhas legais eu e minha mulher nas duas últimas noites coisa que há muito não faziamos porque o caralho do cacête se recusava definitivamente a levantar ultimamente.

 

O bode na sala

O bode na sala

 

Pois é tirando o bode da sala o governador do Ceará (e agora sério candidado ao MEC e segundo se fala com planos para Presidente da República)  espera ele que os professores vão suspirar fundo e bater palmas agradecidos aceitando qualquer saída.

 

 

 

Sem internet, Aécio teria vencido eleição, diz cientista político

Brasil

Sem internet, Aécio teria vencido eleição, diz cientista político

Para Sérgio Amadeu, PSDB adota ‘estratégia do cinismo’. Ele considera inaceitável que a bandeira de combate à corrupção seja conduzida por ‘forças da corrupção’

Carro-chefe da editora Abril, a revista Veja lançada na última sexta-feira (24) divulgou como matéria de capa uma acusação de que a presidenta reeleita Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ambos do PT, tinham conhecimento de um esquema de corrupção na Petrobras. Sem apresentar qualquer prova, o conteúdo da reportagem era baseado em suposto depoimento do doleiro Alberto Youssef à Polícia Federal, que foi desmentido por seu advogado logo após a publicação.
Considerada a última “bala de prata” da oposição para tentar impedir uma nova vitória petista sobre os tucanos, a reportagem foi contestada duramente pela presidenta durante seu último programa eleitoral na TV na mesma sexta-feira. Ainda naquele dia, a Justiça considerou a publicidade da revista como “propaganda eleitoral” e também concedeu direito de resposta ao PT no site da revista.
Ainda assim, o estrago já estava feito. A campanha e simpatizantes do PSDB distribuíram panfletos com a capa impressa da revista da Abril em várias cidades do Brasil. Já na madrugada de sábado (25) para domingo (26), circulavam boatos de que Alberto Youssef havia sido envenenado, algo que teve de ser desmentido com rapidez pela Polícia Federal.
“Essa operação da Veja mostra que ela não é um órgão de comunicação, o que ela mostrou claramente é que ela é uma sala do comitê político do PSDB no Brasil. A revista operou de maneira a desinformar. Ela desinformou”, disse o sociólogo Sérgio Amadeu, doutor em Ciência Política pela USP. Comparando o caso à ação midiática que ajudou a decidir o pleito presidencial de 1989, com a eleição de Fernando Collor de Mello, Amadeu acredita que o plano da editora Abril só não se concretizou nas urnas pela existência da internet. “Existe hoje a internet, que não tinha naquela época. Então, se não houvesse a internet, certamente o candidato Aécio Neves tinha ganho a eleição.”
Para o cientista político, as redes sociais apontaram um acirramento muito grande e deixaram claro que “a linha política e o conteúdo discursivo das forças comandadas pelo PSDB” é baseada na “estratégia do cinismo”. Amadeu também defendeu uma reforma política para se alcançar uma legislação mais democrática dos meios de comunicação.
Qual foi a influência da capa da revista Veja às vésperas do segundo turno presidencial entre Dilma e Aécio?
A capa da Veja foi feita justamente para influenciar o resultado eleitoral. Ela normalmente está nas bancas no sábado, mas saiu na sexta-feira. E era uma capa para, inclusive, ser impressa, tanto é que a campanha do candidato Aécio Neves (PSDB) imprimiu essa capa justamente para manter aquele clima que eles criaram no Brasil de demonização do outro. O grupo Abril, em particular a revista Veja, já há muito tempo é organização que defende interesses econômicos a partir da gestão da política. Não há como dizer agora o quanto impactou, mas eles influíram claramente na votação de domingo, porque o Aécio conseguiu, a partir desse tipo de ação, crescer e encostar na candidata Dilma Rousseff no segundo turno das eleições.
Como o sr. avalia o papel da internet nessas eleições?
Uma coisa que chama atenção nesse processo é que essa operação já tinha sido feito nas eleições de 1989, com sucesso, mas não teve desta vez. E por quê? Porque desta vez – além das pessoas já conhecerem a manobra de grupos de comunicação misturadas à elite política econômica no caso da vitória do Collor – também existe hoje a internet, que não tinha naquela época. Então, se não houvesse a internet, certamente, o candidato Aécio Neves tinha ganho a eleição, porque era o candidato preferido pelos grupos econômicos, pelos banqueiros, pelo mercado de capitais. Inclusive oscilava a Bolsa e, se você for ver, é muito curioso, quando as pesquisas davam a Dilma crescendo, a Bolsa caía, o que mostra o humor desses especuladores financeiros. A internet foi decisiva para a garantia de um debate que não existiria se fossem apenas os meios de comunicação de massa atuando nessas eleições. Isso é bastante nítido no processo eleitoral que ocorreu em 2014.
E as redes sociais?
As redes sociais, em particular, tiveram um papel grande e mostraram, na verdade, um acirramento muito grande. Deixou claro, e é importante que tudo fica registrado, qual é a linha política e o conteúdo discursivo das forças comandadas pelo PSDB, que é baseada em preconceito, em mentira e numa estratégia que podemos chamar de “estratégia do cinismo”. Eles chegam a afirmar que nenhum corrupto ligado ao PSDB está preso ou foi julgado por incompetência do PT, o que é uma coisa completamente cínica. Esse tipo de ação, as pessoas não têm clareza de como vão lidar com isso. Agora, minha opinião é bastante clara: é preciso mostrar concretamente o que é o PSDB do ponto de vista da corrupção. É inaceitável que a bandeira da corrupção seja tomada por forças da corrupção. É inaceitável.
Não tenho nenhuma dúvida do aparelhamento que (governador de São Paulo) Geraldo Alckmin faz na Sabesp. Isso ficou nítido nas gravações mostrando que eles são capazes de ganhar a eleição, inclusive se for para deixar uma cidade em situação de calamidade. Nós temos que mostrar que eles são uma junção de descompromisso com a democracia, de má gestão de recursos públicos e de corrupção em larga escala, como foi feito em São Paulo. Réus confessos entregaram as provas e o Ministério Público não faz nada. Então, temos que ir para cima disso.
Temos que ir para cima do crime eleitoral cometido pela revista Veja, temos que exigir o julgamento do mensalão mineiro antes que ele prescreva e temos que mostrar toda a ligação que o PSDB tem com crime, com práticas absurdas. Não podemos aceitar. E não vai ser falando “pessoal, o clima de ódio é ruim”. Não. O clima de ódio só vai ser reduzido com argumentos verdadeiros e racionais. Não é pedindo paz e amor, não, mas colocando claramente para as pessoas, insistentemente, as falácias do discurso que eles reproduzem para o Brasil. A gente tem que ser muito claro com isso, porque disso depende a democracia, né?
O sr. acredita que o novo governo possa mudar artigos que dizem respeito à comunicação?
Eu acho que um dos principais pontos da reforma política para o Brasil é a reforma da comunicação. Essa operação da Veja mostra que ela não é um órgão de comunicação, o que ela mostrou claramente é que é uma sala do comitê político do PSDB no Brasil. A revista operou de maneira a desinformar. Ela desinformou. Ela já havia feito isso se ligando a um criminoso chamado Carlos Cachoeira e não aconteceu nada. O cara continua lá na sucursal de Brasília, não foi preso, não foi condenado. Nós precisamos mexer nessas estruturas de concentração econômica de poder, fazer uma reforma da comunicação, uma lei de meios, como a da Argentina. E nós precisamos também de uma reforma política que retire o poder do capital, que retire o financiamento privado de campanha, mas que permita também à gente avançar em questões cruciais da sociedade brasileira. Com uma Constituinte que não possa ser com estes deputados, que tenha que ser exclusiva. O deputado que quiser fazer essa Constituinte só poderá se candidatar para isso, para discutir as ideias e o futuro do país, e não para vir com esquemas que a gente sabe que eles articulam, de grandes corporações, de forças que bancam campanhas milionárias. Precisamos de uma reforma política com uma Constituinte exclusiva e, nesse contexto, uma reforma das comunicações.
Por que os partidos têm tido certa dificuldade em atingir os jovens na internet?
A internet não é contraposta aos partidos, mas é que a velocidade das comunicações e as relações intensas que existem na internet geram muitas dificuldades para os partidos, principalmente para legendas partidárias que são estruturas mais orgânicas. Por exemplo, o PSDB adotou e atuou como estratégia na internet, e não é de agora, de desconstruir seus opositores, no caso o governo federal e o PT.
E os tucanos fazem isso destilando preconceitos e coisas absurdas. Se for ver o que dizem dos nordestinos, dos gays e das opções políticas das pessoas, beira ao fascismo. Agora temos que ver o que os partidos que são propostas democráticas e de esquerda podem refazer utilizando a internet, mas é muito difícil fazer política só pelas estruturas partidárias. Hoje, está muito claro que não é só o partido o elemento que faz política. Há outras formas de se fazer política, inclusive com conexões, grupos e coletivos de ativistas na internet. Fonte: Plantão Brasil.

Rei Abdállah I ao povo dos EUA, seis meses antes da guerra de 1948 entre Israel e a Palestina

 

Pronunciamento do Rei Abdállah I ao povo dos EUA, seis meses antes da guerra de 1948 entre Israel e a Palestina

Retirei do Blog Latus Cultus
É prazer especial dirigir-me ao público norte-americano, porque o trágico problema da Palestina não será jamais resolvido sem a simpatia dos norte-americanos, sem seu apoio, sem que compreendam.Já se escreveram contudo tantas palavras sobre a Palestina – é talvez o assunto sobre o qual mais se escreveu em toda a história -, que hesito. Mas tenho de falar, porque acabei por concluir que o mundo em geral, e os EUA em especial, sabem praticamente nada sobre a causa pela qual os árabes realmente lutam.

Nós, árabes, acompanhamos a imprensa dos EUA, talvez muito mais do que os senhores pensem. E nos perturba muito constatar que, para cada palavra impressa a favor dos árabes, imprimem-se mil a favor dos sionistas. Há muitas razões para que isto aconteça.

Vivem nos EUA milhões de cidadãos judeus interessados nesta questão. Eles têm vozes fortes, falam muito e conhecem bem os recursos da divulgação de notícias. E há poucos cidadãos árabes nos EUA, e ainda não conhecemos bem as técnicas da propaganda moderna.

Os resultados disto têm sido alarmantes. Vemos na imprensa dos senhores uma horrível caricatura de nós mesmos e lemos que aquele seria nosso verdadeiro retrato. Para que haja justiça, não podemos deixar que esta caricatura seja tomada por nosso retrato verdadeiro.

Nosso argumento é bem simples: por quase 2.000 anos, a Palestina foi quase 100% árabe. Ainda é preponderantemente árabe, apesar do enorme número de judeus imigrantes. Mas se continuar a imigração em massa, em pouco tempo seremos minoria em nossa própria casa.

A Palestina é país pequeno e muito pobre, quase do tamanho do estado de Vermont. A população árabe é de apenas 1,2 milhão de pessoas. E fomos obrigados a receber, contra nossa vontade, cerca de 600 mil judeus sionistas. E nos ameaçam com muitos mais centenas de milhares.

Nossa posição é tão simples e natural, que surpreende que tenha sido questionada. É exatamente a mesma posição que os EUA adotaram em relação aos infelizes judeus europeus. Os senhores lamentam que eles sofram o que sofrem hoje, mas não os querem em seu país.

Tampouco nós os queremos em nosso país. Não porque sejam judeus, mas porque são estrangeiros. Não queremos centenas de milhares de estrangeiros em nosso país, sejam ingleses, noruegueses, brasileiros, o que sejam.

Pensem um pouco: nos últimos 25 anos, fomos obrigados a receber população equivalente a um terço do total de habitantes nativos. Nos EUA, seria o mesmo que o país ser obrigado a receber 45 milhões de estrangeiros, contra a vontade dos norte-americanos, desde 1921. Como os senhores reagiriam a isto?

Por nossa reação perfeitamente natural, contra sermos convertidos em minoria em nossa terra, somos chamados de nacionalistas cegos e anti-semitas impiedosos. A acusação seria cômica, se não fosse tão perigosa.

Nenhum povo da Terra jamais foi menos anti-semita que os árabes. Os judeus sempre foram perseguidos quase exclusivamente por nações ocidentais e cristãs. Os próprios judeus têm de admitir que nunca, desde a Grande Diáspora, os judeus desenvolveram-se com tanta liberdade e alcançaram tanta importância quanto na Espanha enquanto a Espanha foi possessão árabe. Com pequenas exceções, os judeus viveram durante séculos no Oriente Médio, em completa paz e amizade com seus vizinhos árabes.

Damasco, Bághdade, Beirute e outros centros árabes sempre incluíram grandes e prósperas comunidades de judeus. Até o início da invasão sionista na Palestina, estes judeus receberam tratamento mais generoso – muito, muito mais generoso – do que o que receberam na Europa cristã. Hoje, infelizmente, pela primeira vez na história, aqueles judeus começam a sentir os efeitos da resistência árabe ao assalto sionista. Muitos judeus estão tão ansiosos quanto os árabes e querem o fim do conflito. Muitos destes judeus que encontram lar acolhedor entre nós ressentem-se, como nós, com a chegada de tantos estrangeiros.

Por muito tempo intrigou-me muito a estranha crença, que aparentemente persiste nos EUA, segundo a qual a Palestina sempre teria sido, de algum modo, “terra dos judeus”. Recentemente, conversando com um norte-americano, desfez-se o mistério. Disse-me ele que a maioria dos norte-americanos só sabem, sobre a Palestina, o que lêem na Bíblia. Dado que havia uma terra dos judeus no tempo de que a Bíblia fala, pensam eles, concluem que nada tenha mudado desde então.

Nada poderia ser mais distante da verdade. E, perdoem-me, é absurdo recorrer ao alvorecer da história, para concluir sobre quem ‘mereceria’ ser dono da Palestina de hoje. Contudo, os judeus fazem exatamente isto, e tenho de responder a este “clamor histórico”. Pergunto-me se algum dia houve no mundo fenômeno mais estranho do que um grupo de pessoas pretenderem, seriamente, reclamar direitos sobre uma terra, sob a alegação de que seus ancestrais ali teriam vivido há 2.000 anos!

Se lhes parecer que argumento em causa própria, convido-os a ler a história documentada do período e verificar os fatos.

Registros fragmentados, que são os que há, indicam que os judeus viviam como nômades e chegaram do sul do Iraque ao sul da Palestina, onde permaneceram por pouco tempo; e então moveram-se para o Egito, onde permaneceram por cerca de 400 anos. À altura do ano 1300 a.C. (pelo calendário ocidental), deixaram o Egito e gradualmente dominaram alguns – mas não todos – os habitantes da Palestina.

É significativo que os Filistinos – não os judeus – tenham dado nome ao país. “Palestina” é, simplesmente, a forma grega equivalente a “Philistia”.

Só uma vez, durante o império de David e Salomão, os judeus chegaram a controlar quase toda – mas não toda – a terra que hoje corresponde à Palestina. Este império durou apenas 70 anos e terminou em 926 a.C. Apenas 250 anos depois, o Reino de Judá já estava reduzido a uma pequena província em torno de Jerusalém, com território equivalente a 1/4 da Palestina de hoje.

Em 63 a.C., os judeus foram conquistados pelo romano Pompeu, e nunca mais voltaram a ter nem vestígio de independência. O imperador Adriano, romano, finalmente os subjugou em Circa 135 d.C. Adriano destruiu Jerusalém, reconstruiu-a sob outro nome e, por centenas de anos, nenhum judeu foi autorizado a entrar na cidade. Poucos judeus permaneceram na Palestina; a enorme maioria deles foram assassinados ou fugiram para outros países, na Diáspora, ou Grande Dispersão. Desde então, a Palestina deixou de ser terra dos judeus, por qualquer critério racional admissível.

Isto aconteceu há 1.815 anos. E os judeus ainda aspiram solenemente à propriedade da Palestina! Se se admitir este tipo de fantasia, far-se-á dançar o mapa do mundo!

Os italianos reclamarão a propriedade da Inglaterra, que os romanos dominaram por tanto tempo. A Inglaterra poderá reclamar a propriedade da França, “pátria” dos normandos conquistadores. Os normandos franceses poderão reclamar a propriedade da Noruega, “pátria” de seus ancestrais. Os árabes, além disto, poderemos reclamar a propriedade da Espanha, que dominamos por 700 anos.

Muitos mexicanos reclamarão a propriedade da Espanha, “pátria” de seus pais ancestrais. Poderão exigir a propriedade também do Texas, que pertenceu aos mexicanos até há 100 anos. E imaginem se os índios norte-americanos reclamarem a propriedade da terra da qual foram os únicos, nativos, ancestrais donos, até há apenas 450 anos!

Nada há de caricato, aí. Todas estas aspirações e demandas são tão válidas e justas – ou tão fantasiosas – quanto a “ligação histórica” que os judeus alegam ter com a Palestina. Muitas outras ligações históricas são muito mais válidas do que esta.

De qualquer modo, a grande expansão muçulmana, dos anos 650 d.C., definiu tudo e dominou completamente a Palestina. Daquele tempo em diante, a Palestina tornou-se completamente árabe, em termos de população, de língua e de religião. Quando os exércitos britânicos chegaram à Palestina, durante a última guerra, encontraram 500 mil árabes e apenas 65 mil judeus.

Se uma sólida e ininterrupta ocupação árabe, por 1.300 anos, não torna árabe um país… o que mais seria preciso?

Os judeus dizem, com razão, que a Palestina é a terra de sua religião. Parece ser o berço da cristandade. Mas, que outra nação cristã faz semelhante reivindicação? Quanto a isto, permitam-me lembrar que os cristãos árabes – e há muitas centenas de milhares de cristãos árabes no mundo árabe – concordam absolutamente com todos os árabes, e opõem-se, também, à invasão sionista da Palestina.

Permitam-me acrescentar também que Jerusalém, depois de Meca e Medina, é a cidade mais sagrada no Islam. De fato, nos primórdios de nossa religião, os muçulmanos rezávamos voltados para Jerusalém, não para Meca.

As “exigências religiosas” que os judeus fazem, em relação à Palestina, são tão absurdas quanto as “exigências históricas”. Os Lugares Santos, sagrados, para três grandes religiões, devem ser abertos a todos, não monopólio de qualquer delas. E não confundamos religião e política.

Tomam-nos por desumanos e sem coração, porque não aceitamos de braços abertos talvez 200 mil judeus europeus, que sofreram tão terrivelmente a crueldade nazista e que ainda hoje – quase três anos depois do fim da guerra – ainda definham em campos gelados, deprimentes. Permitam-me destacar alguns fatos.

A inimaginável perseguição aos judeus não foi obra dos árabes: foi obra de uma nação cristã e ocidental. A guerra que arruinou a Europa e tornou impossível que estes judeus se recuperassem foi guerreada exclusivamente entre nações cristãs e ocidentais. As mais ricas e mais vazias porções do planeta pertencem, não aos árabes, mas a nações cristãs e ocidentais.

Mesmo assim, para acalmar a consciência, estas nações cristãs e ocidentais pedem à Palestina – país muçulmano e oriental muito pequeno e muito pobre – que aceite toda a carga. “Ferimos terrivelmente esta gente”, grita o Ocidente para o Oriente. “Será que vocês podem tomar conta deles, por nós?” Não vemos aí nem lógica nem justiça. Não somos, os árabes, “nacionalistas cruéis e sem coração”?

Os árabes somos povo generoso: nos orgulhamos de “a hospitalidade árabe” ser expressão conhecida em todo o mundo. Somos solidários: a ninguém chocou mais o terror hitlerista do que aos árabes. Ninguém lastima mais do que os árabes o suplício pelo qual passam hoje os judeus europeus.

Mas a Palestina já acolheu 600 mil refugiados. Entendemos que ninguém pode esperar mais de nós – nem poderia esperar tanto. Entendemos que é chegada a vez de o resto do mundo acolher refugiados, alguns deles, pelo menos.

Serei completamente franco. Há algo que o mundo árabe simplesmente não entende. Dentre todos os países, os EUA são os que mais pedem que se faça algo pelos judeus europeus sofredores. Este pedido honra a humanidade pela qual os EUA são famosos e honra a gloriosa inscrição que se lê na Estátua da Liberdade.

Contudo, os mesmos EUA – a nação mais rica, maior, mais poderosa que o mundo jamais conheceu – recusa-se a receber mais do que um pequeníssimo grupo daqueles mesmos judeus!

Espero que os senhores não vejam amargura no que digo. Tentei arduamente entender este misterioso paradoxo. Mas confesso que não entendo. Nem eu nem nenhum árabe.

Talvez tenham ouvido dizer que “os judeus europeus querem ir para a Palestina e nenhum outro lugar lhes interessa”.

Este mito é um dos maiores triunfos de propaganda, da Agência Judaica para a Palestina, a organização que promove com zelo fanático a emigração para a Palestina. É sutil meia-verdade; portanto, é duplamente perigosa.

A estarrecedora verdade é que ninguém no mundo realmente sabe para onde estes infelizes judeus realmente querem ir!

Imaginar-se-ia que, tratando-se de questão tão grave, os americanos, ingleses e demais autoridades responsáveis pelos judeus europeus teriam pesquisado acurada e cuidadosamente – talvez por votos -, para saber para onde cada judeu realmente deseja ir. Surpreendentemente, jamais se fez qualquer levantamento ou pesquisa! A Agência Judaica para a Palestina impediu-o.

Há pouco tempo, numa conferência de imprensa, alguém perguntou ao Comandante Militar norte-americano na Alemanha o que lhe dava tanta certeza de que todos os judeus quisessem ir para a Palestina. Sua resposta foi simples: “Fui informado por meus assessores judeus”. Admitiu que não houvera qualquer votação ou levantamento. Houve preparativos para uma pesquisa, mas a Agência Judaica para a Palestina fez parar tudo.

A verdade é que os judeus, nos campos de concentração alemães, estão hoje sob intensa pressão de uma campanha sionista, por métodos aprendidos do terror nazista. É perigoso, para qualquer judeu, declarar que prefere outro destino que não seja a Palestina. Estas vozes dissonantes têm sofrido espancamentos severos e castigos ainda piores.

Também há pouco tempo, na Palestina, cerca de 1.000 judeus austríacos informaram à organização internacional de refugiados que gostariam de voltar à Áustria e já se planejava o seu repatriamento. Mas a Agência Judaica para a Palestina soube destes planos e aplicou forte pressão política para que o repatriamento não acontecesse. Seria má propaganda, contrária aos interesses sionistas, que houvesse judeus interessados em deixar a Palestina. Os cerca de 1.000 austríacos ainda estão lá, contra a vontade deles.

O fato é que a maioria dos judeus europeus são ocidentais, em termos de cultura e práticas de vida, com experiência e hábitos urbanos. Não são pessoas das quais se deva esperar que assumam o trabalho de pioneiros, na terra dura, seca, árida da Palestina.

Mas é verdade, sim, pelo menos um fato. Como estão postas hoje as opções, a maioria dos judeus europeus refugiados, sim, votarão por serem mandados para a Palestina, simplesmente porque sabem que nenhum outro país os acolherá.

Se os senhores ou eu tivermos de escolher o campo de prisioneiros mais próximo, para ali vivermos a vida que nos reste, ou a Palestina, sem dúvida também escolheríamos a Palestina.

Mas dêem alternativas aos judeus, qualquer outra possibilidade, e vejam o que acontece!

Contudo, nenhuma pesquisa ou escolha terá alguma utilidade, se as nações do mundo não se mostrarem dispostas a abrir suas portas – um pouco, que seja – aos judeus. Em outras palavras, se, consultado, algum judeu disser que deseja viver na Suécia, a Suécia deverá estar disposta a recebê-lo. Se escolher os EUA, os senhores terão de permitir que venha para cá.

Qualquer outro tipo de consulta ou pesquisa será farsa. Para os judeus desesperados, não se trata de pesquisa de opinião: para eles, é questão de vida ou morte. A menos que tenham certeza de que sua escolha significará alguma coisa, os judeus continuarão a escolher a Palestina, para não arriscarem o único pássaro que já têm em mãos, por tantos que voam tão longe.

Seja como for, a Palestina já não pode aceitar mais judeus. Os 65 mil que havia na Palestina em 1918, saltaram hoje (em 1947) para 600 mil. Nós árabes também crescemos, em número, e não por imigração. Os judeus eram apenas 11% da população, naquele território. Hoje, são um terço.

A taxa de crescimento tem sido assustadora. Em poucos anos – a menos que o crescimento seja detido agora – haverá mais judeus que árabes, e seremos significativa minoria em nossa própria terra.

Não há dúvida de que o planeta é rico e generoso o bastante para alocar 200 mil judeus – menos de um terço da população que a Palestina, minúscula e pobre – já abriga. Para o resto do mundo, serão mais alguns. Para nós, será suicídio nacional.

Dizem-nos, às vezes, que o padrão de vida árabe melhorou, depois de os judeus chegarem à Palestina. É questão complicada, dificílima de avaliar.

Mas, apenas para argumentar, assumamos que seja verdade. Neste caso, talvez fôssemos um pouco mais pobres, mas seríamos donos de nossa casa. Não é anormal preferirmos que assim seja.

A triste história da chamada Declaração de Balfour, que deu início à imigração dos sionistas para a Palestina, é complicada demais para repeti-la aqui, em detalhes. Baseia-se em promessas feitas aos árabes e não cumpridas – promessas feitas por escrito e que não se podem cancelar.

Declaramos que aquela declaração não é válida. Declaradamente negamos o direito que teria a Grã-Bretanha de ceder terra árabe para ser “lar nacional” de um povo que nos é completamente estranho.

Nem a sanção da Liga das Nações altera nossa posição. Àquela altura, nenhum país árabe era membro da Liga. Não pudemos dizer sequer uma palavra em nossa defesa.

Devo dizer – e, repito, em termos de franqueza fraterna -, que os EUA são quase tão responsáveis quanto a Grã-Bretanha, por esta Declaração de Balfour. O presidente Wilson aprovou o texto antes de ser dado a público, e o Congresso dos EUA aprovou-o, palavra por palavra, numa resolução conjunta de 30 de junho de 1922.

Nos anos 1920, os árabes foram perturbados e insultados pela imigração dos sionistas, mas ela não nos alarmou. Era constante, mas limitada, como até os sionistas pensavam que continuaria a ser. De fato, durante alguns anos, mais judeus deixaram a Palestina, do que chegaram – em 1927, os que partiram foram o dobro dos que chegaram.

Mas dois novos fatores, que nem os britânicos nem a Liga nem os EUA e nem o mais fervoroso sionista considerou, começaram a pesar neste movimento, no início dos anos 30, e fizeram a imigração subir a patamares jamais imaginados. Um, foi a Grande Depressão mundial; o outro, a ascensão de Hitler.

Em 1932, um ano antes de Hitler tomar o poder, só 9.500 judeus chegaram à Palestina. Não os consideramos bem-vindos, mas não tememos que, àquele ritmo, ameaçassem nossa sólida maioria árabe. Mas no ano seguinte – o ano de Hitler -, o número saltou para 30 mil. Em 1934, foram 42 mil! Em 1935, 61 mil!

Já não era a chegada ordeira de idealistas sionistas. Em vez disto, a Europa jorrava sobre nós levas de judeus assustados. Então, sim, afinal, nos preocupamos. Sabíamos que, a menos que se detivesse aquele fluxo gigantesco, seria a catástrofe para nós, os árabes, em nossa pátria palestina. Ainda pensamos assim.

Parece-me que muitos norte-americanos crêem que os problemas da Palestina são remotos, que estão muito distantes deles, que os EUA nada têm a ver com o que lá acontece, que o único interesse dos EUA é oferecer apoio humanitário.

Creio que os norte-americanos ainda não viram o quanto, como nação, são responsáveis em geral por todo o movimento sionista e, especificamente, pelo terrorismo de hoje. Chamo-lhes a atenção para isto, porque tenho certeza de que, se se aperceberem da responsabilidade que lhes cabe, agirão com justiça e saberão admiti-la e assumi-la.

Sem o apoio oficial dos EUA ao Lar Nacional preconizado por Lorde Balfour, as colônias sionistas seriam impossíveis na Palestina, como seria impossível qualquer empreitada deste tipo e nesta escala, sem o dinheiro norte-americano. Este dinheiro é resultado da contribuição dos judeus norte-americanos, num esforço pleno de ideais, para ajudar outros judeus.

O motivo foi digno: o resultado foi desastroso. As contribuições foram oferecidas por indivíduos, entidades privadas, mas foram praticamente, na totalidade, contribuições de norte-americanos, e, como nação, só os EUA podem responder por elas.

A catástrofe que estamos vivendo pode ser deposta inteira, ou quase inteira, à porta de suas casas. Só o governo norte-americano, voz quase única em todo o mundo, insiste que a Palestina admita mais 100 mil judeus – depois dos quais incontáveis outros virão. Isto terá as mais gravíssimas conseqüências e gerará caos e sangue como jamais houve na Palestina.

Quem clama por esta catástrofe – voz quase única no mundo – são a imprensa dos EUA e os líderes políticos dos EUA. É o dinheiro dos EUA, quase exclusivamente, que aluga ou compra os “navios de refugiados” que zarpam ilegalmente para a Palestina: as tripulações são pagas com dinheiro dos EUA. A imigração ilegal da Europa é montada pela Agência Judeus Americanos, que é mantida quase exclusivamente por fundos norte-americanos. São dólares norte-americanos que mantêm os terroristas, que compram as balas e as pistolas que matam soldados ingleses – aliados dos EUA – e cidadãos árabes – amigos dos EUA.

Surpreendeu-nos muito, no mundo árabe, saber que os norte-americanos admitem que se publiquem abertamente nos jornais anúncios à procura de dinheiro para financiar aqueles terroristas, para armá-los aberta e deliberadamente para assassinarem árabes. Não acreditamos que realmente estivesse acontecendo no mundo moderno. Agora, somos obrigados a acreditar: já vimos estes anúncios com nossos próprios olhos.

Falo sobre tudo isto, porque só a franqueza mais completa pode ser-nos útil. A crise é grave demais para que nos deixemos deter por alguma polidez vaga, que nada significa.

Tenho a mais completa confiança na integridade de consciência e na generosidade do povo norte-americano. Nós, árabes, não lhes pedimos qualquer favor. Pedimos apenas que ouçam, para conhecer a verdade inteira, não apenas metade dela. Pedimos apenas que, ao julgarem a questão palestina, ponham-se, todos, no lugar em que estamos, nós, os palestinos.

Que resposta dariam os norte-americanos, se alguma agência estrangeira lhes dissesse que teriam de aceitar nos EUA muitos milhões de estrangeiros – em número bastante para dominar seu país – meramente porque eles insistem em vir para os EUA e porque seus ancestrais viveram aqui há 2.000 anos?Nossa resposta é a mesma.

E o que farão os norte-americanos ,se apesar de terem-se recusado a receber esta invasão, uma agência estrangeira começar a empurrá-los para dentro dos EUA?Nossa resposta será a mesma.

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Rei Abdállah I – “As the Arabs see the Jews”. The American Magazine, novembro, 1947. E na internet, em http://politics.propeller.com/story/2006/08/03/as-the-arabs-see-the-jews/, em inglês, com a seguinte introdução: “Esse fascinante ensaio, escrito pelo avô do rei Hussein, Rei Abdállah I, foi publicado nos EUA seis meses antes do início da Guerra de 1948, entre israelenses e palestinenses”.

para manter a memória em dia

http://www.jornalopcao.com.br/posts/reportagens/nao-houve-o-mensalao

 

http://www.blogdacidadania.com.br/2013/11/por-que-o-mensalao-nao-destruiu-o-pt-nem-ajudou-a-oposicao/

http://www.youtube.com/watch?v=tq15GeVliVI

http://www.brasildefato.com.br/node/10895

 

https://www.youtube.com/watch?v=-9mflDtyue0

http://bolaearte.wordpress.com/2011/12/13/baixe-o-livro-a-privataria-tucana-de-amaury-ribeiro-jr/

http://plantaobrasil.com.br/news.asp?nID=82348

https://www.youtube.com/watch?v=PhhQ3kEnp2I

 

E se alguém quiser me enviar mais eu repito atualizando.

 

Tarcisio