no regresso a casa

Minha experiência pessoal o confirma, em trajetos, dentro da cidade, num raio de 10 km eu considero a bicicleta imbatível e se não a uso com frequência total é porque o risco ambiente para o ciclista é muito grande e exatamente pela especie invasiva denominada veículo automotor.

Depois tem a poesia de Luiz Gonzaga, ela fala em quem anda a pé, eu prefiro entender que é quem vai de bicicleta pois o efeito é o mesmo.

♪… O pobre vê nas estradas o orvalho beijando a flor. Vê de perto o galo campina que quando canta muda de cor. Vai molhando os pé no riacho, que água fresca Nosso Senhor. Vai olhando coisa a grané, coisa que pra mode vê, o cristão tem que andar a pé… ♪
(Estrada de Canindé – Luiz Gonzaga)

Quem vai de bicicleta vai numa cadência compatível com a Natureza, pode parar numa calçada para levar uma conversa com uma amiga que encontra na rua, ou simplesmente parar e descançar num banco de praça enquanto olha os transeuntes ou num fim de dia admirar o poente.

Quem vai de bicicleta não agride a Natureza, se incorpora a ela e melhor pode sentir o cenário em que vive.

Durante seis anos que vivi na Suêcia, de inverno a inverno, eu me movimentei em Upsala de bicicleta. Praticamente todos os dias leva dois filhos para a escola e ia pegá-los no fim do dia.  Lembro-me duma ocasião em que ocorreu o que Luiz Gonzaga conta em seu poema, claro, na tonalidade da Suécia. Voltamos para casa, no fim da tarde, já para fim da primavera. Era cinco da tarde, mas ainda havia quatro ou cinco horas de Sol pela frente. Vinhamos eu, Elias e Elson numa bicicleta dupla, claro, apenas eu a pedalar e os dois monstrinhos tranquilos em suas cadeiras se divertindo com a paisagem. Repentinamente, Elias grita que está vendo um disco novinho lá meio do mato. Não houve geito, tive que parar, colocar a bicicleta no descanço e meter-me no meio do mato em busca do disco novinho que levamos para casa. Somente mesmo na visão do Elias, então com seis anos, é que um disco de vinil jogado no mato poderia estar novo, mas a verdade é que este disco tocou, ele dorminaram por muitas e muitas noites escutando dois personagens infantis da Televisão Sueca neste disco.  Se andassemos de carro teriamos perdido esta joia da literatura infantil sueca, um disco novinho, perdido no mato.

Somente Luiz Gonzaga é que poderia entender o Elias.

 

na bicicleta

O minimalismo envolvido em usar uma bicicleta para o transporte permite a liberdade de parar, em qualquer lugar, desfrutar deste oásis de natureza no meio da cidade, e fazer parte do ambiente, do silêncio e da cacofonia das coisas naturais. Aproveito cada momento.

no parque

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