A fraude

Uma frande eleitoral paracido com algumas fraudes urbanas.

Edgard Venant

Esta parte da história eu escrevi no final. É a maravilha da edição de textos que nos permite fraudar as redações, coisa que eu não podia quando eu escrevia com máquina de escrever. Portanto, cara leitora, isto aqui é uma fraude!

Esta coisa não é um conto, é uma fraude.

A parte final da história, ou da fraude, eu já havia escrito e estou usando como complemento porque acho que as duas partes se completam. Terminaram as eleições e eu me lembrei da cidade onde mora Lúcia. Não é uma cidade, é uma fraude urbana como tudo que temos à nossa volta respira a fraude, a fraude permanente em que o capitalismo nos viola e isto tudo me lembrou de Lúcia e na cidade onde ela vive.

Isto tudo porque faz muito tempo que não participo diretamente da política como fazia alguns anos atrás. Eu sai do PT exatamente porque ele deixou de ser o partido que me satisfazia quando entrei. O PT, como partido, é uma fraude.

E agora nestas eleições eu via duas opções. Uma era continuar com uma bando corrupto que acho que podemos controlar e talvez corrigir. A outra deixar que o facista boy de Minas junto com sua equipe imunda tomasse as rédeas da carruagem para desfazer algumas poucas coisas decentes que foram construídas durante o governo do PT, aliás, algumas delas, criadas pelo guru maior do PSDB num esforço para evitar que o PT ganhasse as eleições, as bolsas miséria que são atribuídas ao PT que não as soube usar de forma inteligente para não somente tirar gente da miséria, um bom motivo, mas para fazê-las crescer adquirindo cidadania. Mas o PT virou apenas uma fraude partidária.

A segunda opção seria uma porrada imensa, e eu sei bem disto pois estou vivendo no Ceará com o boy de Sobral que é tão indecente quanto o boy de Minas apenas um pouco mal preparado e muito mais arrogante, consequentemente mais burro. O irmão dele, que já foi governador e passou num ministério sendo ainda muito mais arrogante, consequentemente muito mais burro ainda. Então eu sei exatamente o que significa conviver com esta classe de gente estúpida. Entrando na linguagem abusiva e preconceituosa que rola nas ditas “redes sociais” parece que no Sul do Brasil os boys da direita são um pouco mais polidos do que os boys da direita nordestina, os daqui andam de hilux e pensam que estão montados em cavalos porque até quando as estacionam é como estivessem amarrando os animais, os cavalos ou os burros, perpendicularmente à calçada. Atrapalham o trânsito com toda a sem cerimônia de quem se sente dono do pedaço.

Foi por esta razão que me lembrei da Lúcia que vive numa das pequenas cidades à volta de Sobral. Como é comum nas cidades do interior a estrada, ou a BR como a população fala, passa cortando a cidade.

Não é bem verdade isto! a verdade é outra, é que a cidade quando nasceu era um boteco que ficava na beira da estrada, depois o dono do boteco enriqueceu-se atendendo os passantes, foi construindo um hotel, casas de aluguel, um povoado inteiro aos poucos era dele. O seu Zé do botequim, o fundador daquela fraude que depois ganhou o nome de cidade.

Seu Zé se apossou de muitas terras à volta, quase tudo atrás do boteco e foi arrumando as ruas e criando sua cidade onde depois virou o prefeito por muitos anos. Mas do outro lado da estrada também foi aparecendo quem criasse moradias, apenas havia uma diferença era onde os camioneiros dormiam e trepavam, um velado puteiro naquele ponto da estrada. Dum lado os camioneiros jantavam e do outro trepavam e dormiam, no outro lado da estrada.

Quando conheci Lúcia parte desta história já estava borrada, mas ela morava num dos becos da cidade do lado, à direita de quem vinha de Fortaleza, no antigo puteiro disfarçado. Uma vez eu lhe perguntei se a gente não podia dobrar um pouco antes para chegar mais rápido na casa dela foi quando ela usou a palavra “beco”.

-Tem uns becos aí que dá para pegar para chegar mais rápido lá em casa.

foi como ela falou. Alí do lado da estrada em que morava Lúcia as ruas eram becos e eu me divertia em pegar diferentes becos para chegar até a casa dela e fui me divertindo e descobrindo a arrumação caótica dos becos. Quase nenhum dos becos era em linha reta, e eu não sei mesmo que se havia algum que o fosse. Era tudo em círculos mal traçados em que o desenhista havia deixado escapar a ponto do compasso. Em alguns casos o beco não tinha saída, terminava bruto e seco em frente a uma residência e eu tinha que dar marcha à ré para pegar outro beco e poder seguir em frente.

Não era bem “seguir em frente”, era mesmo para um lado que eu seguia, um verdadeiro labirinto. Não era mesmo em labirinto que eu pensava, mas eu não ia mesmo dizer a Lúcia que aquilo me parecia um ninho de ratos que era a idea que me vinha à cabeça cada vez que eu chegava por um beco diferente.

Não havia calçamento em nenhum dos becos, eram ruas de áreia com alguns do becos calçados por conta dos próprios moradores porque a prefeitura simplesmente ignorava os becos a não ser para registrar cada moradia para o pagamento do imposto territorial urbano em que cada casinha tinha o seu valor em cima do qual vinha o percentual do imposto, coisa pouca que todos pagavam sem receber em troca coisa nenhuma pois nem iluminação havia nos becos a não ser de casa que tinha sempre uma lampada externa, na entrada que muitas vezes ficava acesa a noite toda para garantir a segurança. Claro, o valor da segurança vinha na conta de luz no fim do mes. Uma fraude urbana, uma fraude de urbanização com a fraude do imposto territorial urbano.

E porque me lembrei de Lúcia? primeiro porque é uma lembrança das melhores que se me ocorrem quando fico deprimido e apenas lembrar-me dela já me levanta o ânimo. Depois porque o bairro da cidade em que Lúcia mora é um exemplo perfeito de como foi construida a nossa democracia. Transformaram a Constituição num conjunto confuso de becos ou será mesmo que foi num ninho de ratos?

Do outro lado da estrada era diferente, tinha ruas, as ruas eram todas calçadas, pelo menos até o fim da rua onde as ruas terminavam n’alguma fazenda e onde começava uma pequena estrada para outras fazendas quando não era o caso duma fazenda que simplesmente ficava no fim da rua criando um beco sem saída mas que ninguém ousava chamar de beco, era o fim da rua onde ficava a fazenda do coronel Zé da Silva.

Do outro lado da rua ficava a igreja, a delegacia e a câmara municipal. Em frente à igreja havia uma praça e nesta praça morava uma prima minha. A uma quadra da casa desta prima morava a mãe dela com mais duas irmãs que não se haviam casado e que eu visitei uma única vez na companhia do meu pai que queria rever os parentes. Quando saímos a prima me disse apertando minha mão “você nunca mais volta, não é?” Nunca mais voltei! até mesmo porque meu pai morreu!

Mas a casa de Lúcia era interessante. Eu sempre me sentia um pouco incomodado pela grande quantidade de gente que havia na casa com apenas dois quartos, a sala muito grande comparada com os quartos e lá para dentro, no fim do corredor que passa pelos dois quartos a cozinha, um banheiro e o quintal. Lúcia me explicou que quase todo mundo dormia na sala, de rede. Um quarto era da mãe e no outro dormia ela com a vó mais duas irmãs. Ela tinha quatro irmãs e três irmãos, uma família pequena alí no beco. É onde mora gente decente, gente pura, gente que tem até mesmo a candura de sentir respeito pelo prefeito!

Eu não ficava muito tempo na casa. Chegava conversamos um pouco e eu arranjava logo uma desculpa para sairmos em direção a outro lugar. Quando eu chegava ficava aquela roda de gente me olhando o que me deixava incomodado então eu preferia sair com Lúcia para outro lugar. Complicado que era evitar de jantar na casa dela e ela nunca insistia muito no convite. Talvez entendesse sem tratar muito do assunto. Mas é que não dava para aguarrar Lúcia alí no meio daquela gente toda a olhar para gente, era preciso levá-la para outro lugar e uma vez ela até perguntou se a gente não podia ir de visita a uma das primas onde as casas eram grandes e nas quais vivia pouca gente mas eu nunca tive coragem de levar Lúcia de visita a uma das primas. Afinal elas poderiam me fazer a pergunta fatal, porque trepar com Lúcia se eu poderia estar trepando com uma das primas, o que seria justo, comida de casa, resolvendo um problema que vinha ficando sem solução. Virgindade por falta de opção, que sei eu! quando eram mais moças podem ter brincado com algum menino no meio dalgum bosque, mas talvez tivessem dado apenas por trás, coisa comum para não perder a virgindade.

Já faz tempo que eu não trepo Lúcia, perdeu graça a coisa.

Voltando às eleições que nem sei como foi que Lúcia votou, eu fui na opção (1) mas sei que me espera uma luta ardúa junto com um grupo difuso, sem partidos, para evitar um desastre maior.

Sim, o sistema capitalista em si mesmo é uma grande fraude e as eleições são parte da mentira capitalista. Foi por esta razão que me lembrei da Lúcia que vive numa fraude urbana num dos becos que nunca tive coragem de chamar de ninho de ratos e que me lembrou a nossa Constituição fraudada.

Os deputados não foram eleitos por nós mas sim pelo marketing eleitoral feito e pago pelos grupos que eles finalmente representam. Isto é uma fraude coerente com o sistema corroído pelo capitalismo. Mas não podemos esperar nada diferente disto. E históricamente sempre foi assim poristo houve a Revolução Francesa e depois a Revolução Russa ou a Revolução Cubana, Chinesa. A classe dominante encena uma grande fraude e sempre foi assim usando de atores corruptos como as religiões e os boys tipo este de Minas ou este de Sobral que estragam tudo em que pegam exatamente ao revés do Rei Midas. Este daqui é o Rei Merdas, onde ele bota a mão vira uma merda completa, como ele está fazendo com Fortaleza. É doloroso chegar a esta comparação porque as revoluções são uma erupção de raiva com golpes violentos em todas as direções até que finalmente algum grupo domine a energia e a canalise em sua direção fraudando, finalmente, o objetivo dum grupo enraivecido que num certo momento ajudou a explosão para construir uma sociedade melhor. Eu era um ardoroso amante da Revolução Francesa até ler “Tale of two cities” de Dickens. Mas até nem precisava, tem o exemplo dramático de quem se enche de bondade e planeja um método humano para praticar a pena de morte, Guillotin, e depois sua cabeça rola, bondosamente pela afiada lâmina do seu invento sem que ele nos possa ter deixado um testemunho de sua morte foi ou não sem dor, na fraude da bondade!

Mas dizem que as eleições teriam sido uma grande farsa, não era bem que Dilma tivesse roubado as eleições porque isto seria demasiado falar. Se tivesse roubado não precisava ter ficado com os apertados 51%, poderia ter pegado uma fatia maior como o pedaço que levou no Maranhão e com certeza sem roubar porque aquilo alí era mesmo uma grande fazenda nas mãos do Sir Ney, o tal membro importanto do PMDB, partido coligado com o PT em que as fotos espalhadas na Internet deixam ver que ele votou em dois números vizinhos, da mesma linha do teclado. Poderiam ser vários mas a urna somente aceitaria 45. qualquer outra combinação de números sucessivos daria erro. Sir Ney é uma fraude, PMDB é outra fraude, a sociedade em que vivemos é uma fraude parecida com a fraude urbana em que vive Lúcia. Não temos artigos de lei, temos becos dentro da lei, ou não são becos é mesmo um ninho de ratos!

Dizer que o presidente do STE foi uma “imposição do Presidente Lula” é força de expressão. Os presidentes têm, e considero isto errado, o privilégio de indicar os membros do STF que são aprovados pelo Senado. Então quem “impôs” foi o Senado. Mas isto ainda faz parte da mentira capitalista que é a última força na decisão da organização da Sociedade, tudo devidamente fraudado por uma Constituição aceita por eles e depois toda recosturada. Enfim uma grande fraude que nos dá a impressão de viver num estado de direito. Isto pela menção da cláusula de que os candidatos devem aceitar sem discussão o resultado da eleição. Eu não sabia desta cláusula, “os candidatos se depararam com uma cláusula extra” mas não me admira uma vez que o Judiciário é também uma fráude e a própria “Justiça” eleitoral é outra. Também aqui nada de novo. Estamos discutindo um sistema corrupto então teriamos que nos espantar se ele, nalgum aspecto, é decente… e as urnas são uma caixa preta, claro, devidamente pintadas com uma corzinha clara que é para não deixar as coisas muito à vista.

Bom as pesquisas de opinião são outra fráude que é preciso relacionar, elas fazem parte do marketing. Uma agência de pesquisa estava dando, na sexta-feira, nas vésperas da eleição, 58% para o boy de Minas restando para Dilma menos do que 41%. No mesmo dia o Le Monde colocou na primeira página que Dilma teria entre 52% e 54% ficando o boy de Minas com 46% o que batia aproximadamente com o DataFolha. Eu distribui com algumas pessoas esta página do Le Monde e fiquei mais trânquilo porque o Le Monde não colocaria isto na primeira página se não tivesse certeza. Eu “entendo” isto, (para não usar a expressão pornográfica “vejo”), como parte da corrupção e sem mencionar o mega golpe da revistinha deles com o “furo de reportagem do escândalo da Petrobrás” que até mesmo o corrupto TSE proibiu que fosse usado na campanha e mesmo assim foi usado com planfetagem nas ruas no sábado sem que a corrupta justiça eleitoral tenha feito nada. Absolutamente cega a tal da “justiça eleitoral”. Com isto furou o resultado do Le Monde… deixaram o Le Monde com cara de palhaço. Se houvesse alguma “justiça eleitoral” o boy de Minas teria tido sua candidatura impugnada liminarmente. Claro que ele poderia se defender com alegação de que não é diretamente sócio desta coisa chamada “editora do mes seguinte ao de março”.

Pois é, e eu não sei mesmo em quem votou Lúcia nem o pessoal do beco onde ela mora sem iluminação pública, tendo que pagar na conta de luz, a segurança para entrar em casa de noite e se estiver chovendo chegar em casa com os pés atolados na áreia. A fraude de cidade em que vive Lúcia que pode ter votado no coronel, o coronel de olhos verdes.

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