O título do livro é simplesmente: Revolução

O título é simples: Revolução

por Amy Goodman

tradução: Tarcisio Praciano-Pereira

http://www.truth-out.org/news/item/27456-russell-brand-on-revolution-fighting-inequality-addiction-militarized-policing-and-noam-chomsky

Durante anos, Russell Brand tem sido um dos comediantes mais populares da Grã-Bretanha, mas ao longo dos últimos 12 meses, ele também surgiu como uma voz de liderança da esquerda política da Grã-Bretanha. Ele tem participado em protestos anti-austeridade, falado nos protestos do Occupy Wall Street e marchou com o coletivo hacker Anonymous. Ele próprio é um viciado em recuperação e como tal também se tornou um dos maiores críticos da legislação sobre as drogas da Grã-Bretanha. Ele acaba de publicar um novo livro em sua crítica ao sistema político. O título é simples “Revolução”.

TRANSCRIÇÃO:

Esta é umaTRANSCRIÇÃO feita às pressas e pode não estar no formato final.

AMY GOODMAN: Hoje, nós estamos transmitindo de Londres, e estamos na companhia de Russell Brand. Até o ano passado, Russell Brand foi mais conhecido por ser um dos comediantes mais populares aqui na Grã-Bretanha. Seu currículo inclui shows como Big Brother Big Mouth, um período numa série de rádio da BBC e estrelado em papéis nos filmes de St. Trinian, Forgetting Sarah Marshall e Get Him to the Greek. Ele também recebeu o MTV Movie Awards.

Mas nos últimos anos, Russell Brand tem emergido como uma das vozes mais proeminentes da esquerda britânica. Ele tem participado em protestos anti-austeridade, falado nos protestos do Occupy Wall Street e marchou com o coletivo hacker Anonymous. Ele próprio é um viciado em recuperação e como tal também se tornou um dos maiores críticos da legislação sobre as drogas da Grã-Bretanha.

No ano passado, ele guest-editou o New Statesman, uma revista de assuntos políticos e atuais aqui na Grã-Bretanha. A arte da capa feita por Shepard Fairey e com artigos por Noam Chomsky, Naomi Klein, entre muitos outros.

Em seguida, ele apareceu na BBC Newsnight numa entrevista com o conhecido anfitrião da BBC Jeremy Paxman. O vídeo se tornou uma sensação do YouTube.

JEREMY PAXMAN: É verdade que você se recusa a votar?

RUSSELL BRAND: Sim, não, eu não voto.

JEREMY PAXMAN: Bem, como você tem qualquer autoridade para falar de política, então?

RUSSELL BRAND: Bem, eu não adquiro a minha autoridade a partir deste paradigma pré-existente, que é bastante estreito e serve apenas a algumas pessoas. Eu procurar outro lugar para alternativas que possam estar a serviço da humanidade, os sistemas políticos alternativos.

JEREMY PAXMAN: E quais são eles?

RUSSELL BRAND: Bem, eu ainda não os inventei, Jeremy. Eu tive que fazer uma revista na semana passada. E havia muita coisa no disco. Mas tem coisas que são claras, que não podem ser feitas: não se deve destruir o planeta, não se deve criar uma enorme disparidade econômica, não se deve ignorar as necessidades do povo. O ônus da prova destas acusações recai sobre as pessoas com o poder, e não sobre as pessoas que gosta de fazer um show.

JEREMY PAXMAN: Como você imagina que as pessoas adquiriram o poder?

RUSSELL BRAND: Bem, eu imagino se trata dum sistema de tipo de hierárquico que vem sendo preservado através generations-

JEREMY PAXMAN: Eles adquirem o poder pelo voto que lhes dão, é como eles adquiriram o poder.

RUSSELL BRAND: Bem, você diz que, Jeremy, mas como-

JEREMY PAXMAN: Você não pode mesmo ser questionado a votar.

RUSSELL BRAND: É um parâmetro muito estreito, bastante estreito, prescritivo que muda dentro de o-..

JEREMY PAXMAN: Em uma democracia, é assim que funciona.

RUSSELL BRAND: Bem, eu não acho que esteja funcionando muito bem, Jeremy, dado que o planeta está sendo destruído, uma vez que há uma disparidade econômica dum grau enorme. O que você está dizendo, não há alternativa. Não há alternativa dentri deste sistema.

JEREMY PAXMAN: Não, eu não estou dizendo isso. Eu estou dizendo-

RUSSELL BRAND: Brilhante.

JEREMY PAXMAN: -Se você não aceita votar, por que deveríamos dar atenção ao seu ponto de vista político?

RUSSELL BRAND: Você não tem que ouvir o meu ponto de vista político. Mas é preciso que fique claro que eu não estou votando por apatia. Eu não estou votando por indiferença e sim pelo cansaço e exaustão das mentiras, da traição, do engano da classe política que já se arrasta por gerações e agora que já atingiu seu auge. Hoje temos uma multidão de marginalizados, desiludidos, desanimados, de subclasse que não estão sendo representados por esse sistema político. Então votar é assumir uma cumplicidade tácita com esse sistema, e isso eu não quero fazer.

JEREMY PAXMAN: Por que você não muda isto, então?

RUSSELL BRAND: Estou tentando.

JEREMY PAXMAN: Bem, por que não começar por votar?

RUSSELL BRAND: Eu não acho funcione. As pessoas já votaram, e isso é o que criou o atual paradigma.

JEREMY PAXMAN: E quando foi a última vez que você votou?

RUSSELL BRAND: Nunca.

JEREMY PAXMAN: Você nunca voutou?

RUSSELL BRAND: Não. Você acha que isso é realmente ruim?

JEREMY PAXMAN: Então, você já assumiu uma atitude, quando? Antes dos 18 anos?

RUSSELL BRAND: Bem, eu estava ocupado como um viciado em drogas naquele momento, depois eu venho do tipo de pessoas que estão exacerbadas com um sistema indiferente que realmente só administra para grandes corporações e ignora a população que o elegeu para que sirvesse a ela.

JEREMY PAXMAN: Mas você está veladamente culpando a classe política pelo fato de que você teve um problema com drogas?

RUSSELL BRAND: Não, não, não. Eu estou dizendo que eu era parte de uma classe socio- econômica que é mal atendida pelo sistema político atual, e dependência de drogas é um dos problemas que ele cria. Quando você tem populações enormes carentes, empobrecidas, as pessoas terminam ficando com os problemas da droga e também não se sentem envolvidos com o sistema político, porque elas vêem que o sistema não funciona para eles. Eles vêem que não faz diferença (nota do tradutor: se votarem ou não). Eles vêem que não estão servidos. Eu digo que a apatia…

JEREMY PAXMAN: Mas é claro que não funciona para eles, se eles não se preocupam em votar.

RUSSELL BRAND: Jeremy, meu querido, eu não estou dizendo que, a apatia vem de nós, do povo. A apatia vem dos políticos. Eles são apáticos às nossas necessidades. Eles estão apenas interessados em atender as necessidades das corporações. Olhe agora não estão os Tories indo ao tribunal, levando a UE ao tribunal? É apenas porque eles estão tentando limitar os bônus bancários. Não é isso o que está acontecendo neste momento no nosso país?

AMY GOODMAN: é Russell Brand sendo entrevistado na BBC Newsnight pelo apresentador Jeremy Paxman no ano passado. Desde que a entrevista foi publicadoa on-line, mais de 10 milhões de pessoas já assistiram ao vídeo. Bem, Russell Brand saiu com um novo livro com a expansão de sua crítica ao sistema político. É chamado de “Revolução”. Quando voltar do intervalo, ele vai estar sentado aqui na frente do Big Ben. Fique conosco.

[intervalo]

AMY GOODMAN: Estamos transmitindo a partir de Londres. Estamos apenas na frente do Big Ben e também na frente do MI5, o serviço de inteligência doméstica britânica. E o nosso convidado já se virou para olhar para fora da janela para dizer: “Qual é o MI5?” É o prédio baixo, Russell.

RUSSELL BRAND: É um segredo. Você não deveria saber disso.

AMY GOODMAN: Russell Brand é o nosso convidado, Russell Brand, que é bem conhecido como um comediante e ator, agora começou a tornar-se uma das principais figuras da esquerda britânica e tem um novo livro. Chama-se, simplesmente, “Revolução”. Russell, bem-vindo ao Democracy Now! É bom tê-lo conosco. E mesmo que haja um monte de obscenidades no mundo, por favor, não faça uso delas aqui no Democracy Now! Hoje, caso contrário as nossas estações serão tiradas do ar.

RUSSELL BRAND: Você está realmente preocupada com isso. Será que eles dizem: “Basta dizer isso para ele no ar”? Honestamente, eu não digo palavrões com muita frequência. Esta noite, estarei realizando show no Royal Albert Hall, em Londres, diante de uma platéia de crianças. Eu não vou dizer palavrões, eu prometo. Você pode ficar perfeitamente segura.

AMY GOODMAN: Bem, há crianças que estão ouvindo e assistindo agora. Há adultos. Há idosos.

RUSSELL BRAND: Pare de se preocupar com isso. Eu não vou dizer palavrões. O que você precisa saber, Amy? Não haverá qualquer palavrões.

AMY GOODMAN: Eu preciso saber onde você nasceu.

RUSSELL BRAND: Grays, Essex, onde as pessoas usam obscenidades muito, como faria qualquer pessoa que vivesse sob condições tão terríveis. Se continuar a descer o Tâmisa nessa direção, você vai você vai terminar no Grays, e poor certo você vai nadar de volta, em vez de ficar lá. Alternativamente você pode preferir viver no edifício do MI5.

AMY GOODMAN:Então, fale-nos sobre Grays. Falar do local onde você nasceu, Russell.

RUSSELL BRAND: De onde eu venho é duma cidade suburbana com baixas expectativas. Para as pessoas na América entenderem, é um pouco como Camden, New Jersey, baixas expectativas, realmente, realmente pessoas legais, pessoas fantásticas, mas um tipo de lugar onde é difícil se envolver com a esperança, onde é fácil imaginar que sua vida faz parte duma espécie de rodízio para baixo, cinza como o rio Tamisa.

AMY GOODMAN: Camden é um dos lugares mais pobres nos Estados Unidos.

RUSSELL BRAND: Oh, poderia ser um pouco melhor do que isso. Não é um dos lugares mais pobres; apenas não é bom. E crescendo lá, eu acho que, tipo eu tive todos os motivos para refletir. Eu me perguntava por que era que eu estava tão atraído pela idéia de ser tão famoso e viver uma espécie de vida glamouroso e ir a eventos cobertos de lantejoulas e estar em lugares brilhantes com as coisas superficialmente atraentes. Eu acho que justifica um monte de mundanidade da minha vida cedo. O que foi surpreendente quando eu voltei lá recentemente é, mesmo que ele era uma espécie de ordinário para começar e um tanto economicamente desfavorecida, quando voltei lá recentemente, tornou-se muito, muito pior, como o tipo de lojas desonestos, payday empréstimos , as pessoas que vivem no bem-estar. E realmente foi a inspiração ao escrever o livro para mostrar como o lugar de onde eu vim havia se deteriorado e para onde esse dinheiro foi, para onde esses recursos foram, e porque as pessoas não parecem pensar que eles têm alguma política compra ou qualquer capacidade de mudar a situação.

AMY GOODMAN: Então, você estava falando sobre isso com Jeremy Paxman, o clipe que acabou de rodar que se transformou num furacão da BBC Newsnight, onde falou por que você nunca votou. Agora, isso foi há alguns anos atrás. Você já começou a votar?

RUSSELL BRAND: Um ano, eu acho..

AMY GOODMAN: Você já votou desde então?

RUSSELL BRAND: Não.

AMY GOODMAN: Você acha que o sistema está mudando?

RUSSELL BRAND: Você pensa que sim?

AMY GOODMAN: Bem, eu não moro aqui.

RUSSELL BRAND: Acho que este é um problema internacional. Vocês acabaram de passar pelas eleições intermediárias americanas, nas quais 4 bilhões dólares (nota do tradutor: cerca de 9 bilhões de reais) foram gastos na campanha, quando nos é dito que não há dinheiro suficiente para lidar com o que parece-me ser mais, como, você sabe, foi interessante recentemente , você sabe, como a FEMA, a agência norte-americana que emprestou o dinheiro para as pessoas que foram vítimas de Katrina e Sandy. Eles queriam o dinheiro de volta que eles emprestaram para as pessoas que sofreram nesses furacões. Ao mesmo tempo foram gastos US $ 4 bilhões de dólares numa campanha das eleições dos mandatos intermediários. E nós vivemos num sistema em que os incentivos fiscais e evasão fiscal são fáceis se você entender a lei. Assim, o grau de mudança sistêmica necessária é tão significativo, não vejo qualquer ponto na votação para ele. Mas ninguém está dizendo: “Vamos fazer algo sobre isso.”

AMY GOODMAN: Russell, isso me dá a chance de ir para o seu show, chamado The Trews. e-

RUSSELL BRAND: Sim, O Trews é o meu programa de TV que fiz com Gareth. Não está na televisão; está na Internet.

AMY GOODMAN: Portanto, é uma combinação entre “verdade” e “a notícia”?

Você pode ler o resto aqui. E se precisar de tradução recorra ao google, claro, espere que alguma coisa fique truncada, mas ao final dá para entender….

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