O prisioneiro político Ales Bialiatski recebeu mais de 40 mil cartas em sua cela na Bielorrússia

Ales Bialiatski | © Amnesty International Czech Republic

O prisioneiro político Ales Bialiatski recebeu mais de 40 mil cartas em sua cela na Bielorrússia – muitas delas enviadas como parte da campanha “Escreva por Direitos 2012”. Ele foi finalmente libertado em junho deste ano, após quase três anos de prisão, e nos conta que diferença essas cartas fizeram para ele.

Quando eles me prenderam, eu pensei: “Bem, é isso. Já aconteceu e devo ter paciência e suportar”. Em qualquer situação, a pessoa tem uma escolha – a chave é não se apressar e fazer a escolha certa para você, e não para aqueles que te desejam mal.

Minha vida sofreu um girou de 180 graus. Por mais de 15 anos eu tinha protegido outras pessoas em apuros, e agora eu me encontrei na mesma situação. Mas, mesmo na prisão, senti que a minha luta continuava.

A coisa mais importante que não eu não podia me permitir era ser quebrado. O objetivo das autoridades era que eu pedisse clemência e, ao fazê-lo, confessasse culpa, arrependimento. Mas eu sabia que nunca iria escrever tal pedido.

Na prisão havia pouco ar fresco e nos primeiros meses eu tive dor de cabeça. Me permitiam passeios de até uma hora, mas eu não podia ver mais longe do que as paredes das celas ou além do pátio de exercícios.

Era proibido deitar ou dormir durante o dia, portanto dormíamos sentados, com a cabeça afastada da porta para que os guardas não nos vissem.

Eles me privaram de encontros com minha esposa, de receber alimentos e impediram-me de comprar coisas na loja de prisão. Isso tudo foi uma forma de pressionar os presos políticos. Mas a enorme quantidade de cartas que recebia a cada dia me dava um forte sentimento de otimismo e a certeza de que minha posição estava correta.

No total, em quase três anos, recebi cerca de 40.000 cartas.

O valor dessas cartas é significativamente maior na prisão do que quando estamos em liberdade. Quando as recebia eu ficava muito, muito feliz – passei um bom tempo olhando para todas elas. Foram as letras e desenhos de crianças em idade escolar que me causaram maior impacto. Gostaria de agradecer muito a todos, muito mesmo.

A liberdade veio de forma completamente inesperada para mim. Como a prisão, é uma realidade diferente, que eu vou ter que me acostumar. A maior felicidade é que eu posso estar mais uma vez com a minha família e amigos. Eu continuo a trabalhar em favor da proteção dos direitos humanos na Bielorrússia – nós não vamos ficar de braços cruzados. Nós não vamos desistir.

Ales Bialiatski é o Presidente do Centro de Direitos Humanos “Vyasna” na Bielorrússia e vice-presidente da Federação Internacional de Direitos Humanos. Foi preso em 4 de agosto de 2011, no centro de Minsk. Ele foi condenado em 21 de novembro de 2011 a quatro anos e meio de prisão por “evasão fiscal em larga escala”. A Anistia Internacional acredita que ele foi alvo por seu trabalho legítimo como um defensor dos direitos humanos e tem apelado por sua libertação imediata e incondicional desde a sua detenção.

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