O impertinente e o padrão elétrico brasileiro

O impertinente e o padrão elétrico brasileiro
Tarcisio Praciano-Pereira

Hoje sofri com padrão de conexões elétricas brasileiro.  E bastava mesmo que as empresas que produzem ou vendem aparelhos elétricos, distribuissem, junto com o produto, um adaptador aprovado pelo INMETRO, para transformar a antiga tomada na revolucionário NOVA TOMADA inventada pelo INMETRO. Simples, nao?

E foi coisa banal, moro numa casa de 15 anos de idade e fui comprar uma máquina
de lavar. Foi aí que começou a  lua de mel,  do começo ao fim. A máquina vinha
com o conector do novo “padrão” e na parede eu tinha o velho. Era coisa simples
de resolver, coisa de defesa do consumidor, a máquina trazer um adaptador
aprovado pelo INMETRO para me permitir conectar a máquina na tomada antiga.
Afinal, tem muita construção nem tão antiga, mas anterior ao “novo padrão”
e todo mundo sofrendo com a mudança.

Claro que o “novo padrão” não precisava ser tão esquisito, completamente
diferente do padrão!  Poderia ter sido feita uma evolução paulatina e baseado
no que é importante, o que tem dentro da tomada e não os “buracos do focinho
do porco”!  Alterar a disposição dos orifícios não foi a grande medida, e sim
a preocupação com o que é de fato o padrão, que é o material com as conexões
são feitas e a segurança para fazer a conexão que é o beicinho que fica em volta.
Tudo isto poderia ter sido atendido sem criar esta exclusividade que é o padrão
de conexão elétrica brasileira que inclusive nos expõe ao ridículo quando
chegamos num hotel fora do Brasil, sempre encontramos alguém com uma risada
cínica nos perguntando se não vamos precisar dum adaptador. É precisamos, e
muitas vezes eles têm.

Mas talvez o INMETRO pensasse que o padrão brasileiro iria se expandir pelo
mundo todo, que todo o resto do mundo iria ficar boquiaberto com a invenção
brasileira e o padrão brasileiro iria ser adotado no mundo inteiro. Certamente
imaginaram isto! Coitados!

Mas eu estou colocando este texto em um monte de ouvidorias, reclamando, para
ver se alguma modificação é feita. Um direito de cidadão, um adaptadorzinho
aprovado pelo INMETRO entregue de bandeja com cada novo aparelho, uma cortesia,
delicadeza para com o cidadão! E até uma questão de segurança para evitar que eu,
o cidadão, veja-me forçado a ir a uma casa de comércio no meio do dia, comprar
uma nova conexão e trocá-la eu mesmo porque conseguir um eletricista para fazer
um serviço banal destes não é simples. Claro, eu sei fazer isto, sei encontrar
qual é a chave que desliga o conector que interessa, sei testar com uma
tomada-teste e faço tudo direitinho. Mas nem sempre é o caso e pode dar numa
morte apenas pela troca do padrão!

Para entender isto, olhem para municipalidade de Estocolmo, é, ali na Suécia!
Periodicamente eles repensam a cidade, uma cidade bem velhinha, mas bem agradável
de se viver nela. Cada vez que começa uma nova etapa do planejamento eles abrem
um escritório e chamam a população para se manifestar. Agora o escritório é
virtual, fica na web e não deu outra, eu, brasileiro, porque deve haver algum
registro de que eu morei em Estocolmo, recebi no meu e-mail um convite para
entrar no site do planejamento da cidade de Estocolmo para dar-me a oportunidade
de dizer o que eu preciso para viver bem na cidade. É o respeito dos
administradores por aqueles que são reais patrões, e aqui “real” nada tem o que
ver com aquela família idiota que ganha mais do que o resto da população, é um
adjetivo derivado da realidade. A realidade de cada dia, o pão nosso de cada dia,
aquilo que preciso para viver todos os dias.

E sabem porque? porque os administradores de Estocolmo não são burros! Sim, é só
isto mesmo! Eles sabem que hoje são os administradores, mas amanhã vão virar
cidadão comum, sem nenhum poder, e é quando eles vão sentir se administraram bem
a cidade para que fosse útil para todos, inclusive para eles quando se apearem
do poder. Aqui os administradores esquecem-se que um dia vão voltar a andar nas
ruas, num dia de chuva em que o mal educado vai passar num poça de lama e vai
enchocalhar-lhe toda a roupa porque ficou uma poça de lama esquecida que o
antigo administrador deixou pra la apesar das reclamações que algum cidadão chato
fez para arrumar o local.  E administrador fica velho e esquecido, e os burros
não imaginam isto!

Vou enfiar este texto em um monte de Ouvidorias e esperar para ver! Primeiro vou
receber aquela mensagenzinha séria informando-me que dentro de 15 dias no máximo
alguém vai verificar o conteúdo da coisa. Depois talvez eu receba outra dizendo
que a questão foi encerrada porque não era “pertinente”.

Não deu outra, recebi a resposta dizendo-me que a questão não era “pertinente”,
sim, porque o “impertinente” sou eu!

 

 

 

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