Manisfestando-me, no dia 13, pela construção duma sociedade justa.

13 ou 15? Um novo momento no Brasil

Ocorrerão atos em várias partes do país, no dia 13 e no dia 15 de março. Esses dois atos têm significado histórico similar às manifestações de junho de 2013. Porque são marcos de um novo momento do Brasil.

Os que se identificam com o povo brasileiro, com os trabalhadores, e portanto querem mais democracia, as forças democráticas, progressistas e de esquerda, vão participar ou apoiar as manifestações do dia 13.

Já os conservadores, que se identificam com os ricos e com os meios de comunicação que esses controlam, se alinhando, conscientemente ou não a forcas reacionárias, apoiam ou vão no dia 15.

Definitivamente o ato do dia 13 não é um ato governista. Aliás, o governo tem tentado desestimular que ocorra.

Pequenas conquistas realizadas ao longo dos governos do PT provocaram grandes mudanças culturais e políticas na sociedade brasileira.
O PT não desejou a polarização. Ao contrário. Ele até agora tentou conciliar o processo de pequena distribuição de renda. Ricos e pobres ganharam. É certo que os ricos, muito mais.
Mas os pobres, ao se moverem para cima, exigem mais. Romperam a lei da inércia.
Por outro lado, ricos se viram ameaçados. Perderam vagas na universidade para pobres e negros, que aumentaram em 230% sua presença na universidade, só para dar um exemplo.
O efeito da aposta no consumo foi indireto. Com os trabalhadores em melhor situação de vida, baixo nível de desemprego, as reivindicações crescem e ameaçam os direitos da elite dominante por séculos.

Reacionários saem do armário. Pautas conservadoras ganham espaço. Na rua, dia 15, estará quem defende a volta da ditadura, por exemplo. Mesmo que você não esteja lá apoiando isso, fortalecerá quem lá está com esse fim.

Não foram os organizadores do ato do dia 13 que produziram a polarização. O ato tem três eixos: em Defesa da Petrobras (contra a corrupção e contra a privatização), defesa da Reforma Política via uma Constituinte exclusiva para isso, e contra a retirada de direitos. Pautas simples, democratizantes, não governistas.

A polarização é o novo momento da história do Brasil. Posições que insistam na conciliação ou ignorem essa situação concreta no interior da sociedade brasileira serão atropeladas pela história.

Saibamos nos preparar para essa verdadeira luta social. A ampla maioria do povo brasileiro só tem a ganhar com um projeto popular.

É preciso fazer a batalha das ideias. Prepararmos para o bom combate. A presidenta e o partido dela deveriam conduzir a organização dessa disputa. Não demonstram que o farão.
Não querem polarizar a sociedade. Insistem na conciliação.
Se equivocam. É preciso dar contornos claros para a disputa instaurada na sociedade. E organizar a luta.

A história de todos os países da América Latina demonstra que esse momento chega.

Mesmo após junho de 2013, após o segundo turno polarizado de 2014, tentam a conciliação e compõem o governo com Levy, Katia Abreu e Kassab, que não lhes trouxe um voto no Congresso e dilapidam sua base de apoio.

Se o governo é de conciliação e portanto de disputa interna, os que defendem um projeto democratizante não devem achar que enfraquece o governo exigir o Fora Levy, por exemplo.

Hoje, a correlação de forças está mais favorável às forças conservadoras. E assim permanecerá se não se assumir claramente a luta por um projeto que avance na democratização do Brasil, e portanto produtor de polarização na sociedade.

Novos sujeitas e sujeitos, interessados em participar, nascem a olhos vistos. É preciso incorporá-los e colocá-los em diálogo com o que de melhor construímos na história da luta política no Brasil.
Ou fazemos isso ou serão seduzidos pelas ideias conservadoras. É o que ocorre no momento. Na recusa do governo em liderar a disputa política, a direita hegemoniza a versão dos fatos.
Momentos de crise fizeram os processos de transformação avançarem na Venezuela, no Equador, na Bolívia e na Argentina.

Mas também resultaram em golpes recentes no Paraguai e em Honduras.

Não dá pra ver para crer.
Não dá para ficar de fora. Por um Brasil melhor, nos encontramos dia 13 nas ruas.

Frederico Santana Rick é sociólogo.

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