Sua cota de veneno por ano é de 7 litros agora

Venda de agrotóxicos tem alta de 4% em 2014 e cada brasileira passa a ter uma cota de 7 litros de veneno por ano.

Organizações de saúde e sociedade pedem avanços e não aceitarão marcha-ré!

Por Susana Prizendt

O ano de 2015 está tornando mais explícita a existência de duas forças, entrando em choque quanto ao modelo produtivo de alimentos que predomina globalmente.

De um lado, há um profundo amadurecimento de organizações sociais e da comunidade científica independente (que não está vinculada aos projetos de pesquisa financiados pelas empresas), no sentido de que é preciso impedir que os venenos agrícolas e os organismos geneticamente modificados continuem sendo utilizados em nosso planeta. Os danos que esses produtos causam, ou podem causar, são profundos e estão sendo descritos por vários alertas na área da saúde.

A Organização Mundial Da Saúde divulgou um documento em que reconhece, pela primeira vez, que agrotóxicos associados ao cultivo de organismos transgênicos, como o Glifosato, podem desencadear processos cancerígenos. Esse alerta provocou fortes reações no mundo todo, chegando a impactar as ações de empresas do setor nas Bolsas de Valores.

Já aqui no Brasil, a ABRASCO (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), publicou uma edição atualizada de seu dossiê “Um Alerta sobre os Impactos dos Agrotóxicos na Saúde”. Disponível em versão impressa ou digital, a publicação contém o conjunto de três documentos anteriormente publicados do panorama atual do país, e apresenta um novo texto, abordando o embate entre o que denomina “o agronegócio” e as iniciativas que buscam enfrentá-lo, criando um novo modelo baseado no cultivo agroecológico
Somando-se à iniciativa da ABRASCO, o Instituto Nacional do Câncer e o Ministério Público Federal também divulgaram novos documentos, destacando a necessidade de banirmos os agrotóxicos citados nos estudos da OMS e intensificarmos as ações para ampliar as experiências agroecológicas.

No entanto, os representantes dos setores legislativos (em nível nacional) adotaram o caminho inverso ao que a sociedade e a comunidade médica e científica reivindicam, ignorando os alertas emitidos por várias de suas organizações.

Dando ouvidos apenas aos interesses financeiros das empresas transnacionais de transgênicos e agrotóxicos, nossos deputados aprovaram uma lei que retira a obrigatoriedade dos produtos, que utilizam alimentos geneticamente modificados em sua composição, de indicarem esse uso em seu rótulo.

Desse modo, o direito ao acesso à informação sobre o conteúdo dos alimentos que os brasileiros consomem, permitindo que escolham com consciência seus ingredientes, foi subtraído, em um dos maiores retrocessos da legislação do setor.

Será apenas coincidência que, no momento em que o mundo todo aperta o cerco contra os OGMs e os seus venenos agrícolas, nossos parlamentares, cujas campanhas são financiadas por representantes do agronegócio, façam o movimento inverso, impedindo que possamos identificar esses componentes nos produtos que adquirimos para a nossa alimentação?
Saibam quem foram os que votaram a favor dessa lei desastrosa.

Não iremos aceitar esse tipo de boicote. Já apoiamos uma campanha nacional que exige o “NÃO FIM” dessa informação ao público e o IDEC, parceiro nas ações anti-transgênicos que desenvolvemos, criou uma carta, que conta com o apoio de cerca de 60 organizações, para que possamos reverter esse absurdo. Exigimos que os senadores vetem essa nova lei e que as vozes dos movimentos sociais, unidas às vozes dos pesquisadores da área da saúde, sejam ouvidas por eles, conscientizando-os de que não vamos mais tolerar os alimentos transgênicos e os agrotóxicos em nossas terras e em nossos pratos!

Junte-se a nós, escreva para os senadores Fim da Rotulagem dos Transgênicos. Diga Não!
Pela transição agroecológica já!

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