O Brasil invadindo o mundo

Foi na primeira vez que saí do Brasil, na década de 70.

Pensando na viagem eu me preocupava que teria que alterar todos os meus hábitos, a pasta de dentes, a comida, ia ser uma total reviravolta na minha vida.

Qual nada! Chegando a Orly fui recebido pela Shell do Brasil logo no aeroporto. Depois logo se apresentou a Philips do Brasil, a Colgate do Brasil, todas sorridentes dando-me boas vindas ao espaço brasileiro no mundo.

Minha primeira visita a um supermercado também foi inicialmente estressante. Que comida iria comprar e qual não foi a surpresa de encontra o leite “ninho”, claro, os fraceses traduziram o leite em pó brasileiro que chamavam de “nid”, mas a lata era a mesma, e ao lado o nescafé do Brasil, e tinha mesmo na lata a informação de que era de café do Brasil ou da Colômbia. Eu estava mesmo em casa.

Logo comprei uma bicicleta “monark do Brasil” com que me deslocava do centro de Grenoble até Saint Martin d’Hers onde ficava a universidade sempre me assustando com os ônibus da Scania Vabis do Brasil que faziam o transporte na cidade.

O Brasil invandindo o mundo? nem tanto!  Quando Delmiro Gouveia tentou invadir o mundo com a sua fábrica de linhas que já havia tomado toda a América Latina a partir da pequena cidade que então se chamava Pedra, e que ele havia eletrificado com uma hidrelétrica tocada com as águas do Velho Chico, a inglesa que dominava o setor tentou comprar-lhe a fábrica e como ele se recusasse, logo foi assassinado, as linhas inglesas compraram a fábrica dos herdeiros de Delmiro Gouveia e deram-se ao cuidado de quebrar as máquinas em pedaços e jogar os pedaços dentro do Rio São Francisco.  Tuod que restou de Delmiro Gouveira, um empreendedor de verdade, foi que trocaram o nome da cidade, Pedra, que hoje se chama Delmiro Gouveia.

É preciso acordar, não somos nós que preciamos do resto do munto, são eles é que precisam da nossa terra, da nossa gente (para pagar baixos salários), dos nossos produtos (para lhes serem vendidos como matéria prima e depois retornar “beneficiados”), do nosso petróleo que a Petrobrás descobriu, localizou, mapeou dentro do espírito de que o “petróleo é nosso” como gritava a Emília, a boneca revolucionaria de  Monteiro Lobato.

Não precisamos invadir o mundo, basta-nos virar as costas para eles, civilizadamente.

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