Forçados pelas ruas governos assinaram acordo em Paris

Ontem foi um dia histórico: enquanto dezenas de milhares de pessoas enchiam as ruas de Paris, os políticos finalizaram um novo e importante acordo climático global.

O acordo em Paris inclui uma concordância em limitar o aquecimento global em menos de 2°C, com uma meta de 1,5°C, e alcançar uma “neutralidade” climática que exigirá o abandono dos combustíveis fósseis logo após a metade do século. Não é o que esperávamos, mas pelo menos é um acordo que torna necessário manter os combustíveis fósseis no subsolo. Além disso, os investidores terão que cortar seus vínculos com o carvão, petróleo e gás e desinvestir.

Esse acordo representa um progresso importante – mas, sozinho, esse progresso não é o nosso objetivo. Nosso objetivo é um planeta justo, onde seja possível viver bem.

Se seguido literalmente, esse acordo deixa uma quantidade muito grande de pessoas expostas à violência causada pelo aumento no nível dos mares, tempestades cada vez mais fortes e secas mais intensas. Ele deixa muitas lacunas abertas para evitar uma ação mais séria – apesar dos esforços heróicos de líderes de nações e comunidades vulneráveis, que lutaram por um acordo alinhado com a ciência.

Mas as empresas ligadas ao carvão, petróleo e gás não devem se sentir muito confortáveis. Esse compromisso de 2°C exige que 80% dos combustíveis fósseis remanescentes no mundo sejam mantidos no subsolo. Com uma meta de 1,5°C, esse número seria ainda maior – e os países signatários deverão retornar à mesa de discussões a cada cinco anos para estabelecer metas ainda mais ambiciosas.

Paris não é o fim dessa história – é apenas a conclusão de um capítulo em particular. Agora, cabe a nós fortalecer essas promessas, garantir que elas sejam mantidas e, então, acelerar a transição para abandonar os combustíveis fósseis e fazer a transição para 100% de energias renováveis.

Enquanto os líderes em Paris finalizavam o texto do acordo, milhares de pessoas voltaram às ruas de Paris para mostrar seu compromisso de continuar na luta: 

ParisLastDay

O último dia em Paris – manisfestantes nas ruas apesar do “estado de emergência”.   A mensagem foi inequívoca – queremos um outro mundo!

Centenas de ações solidárias em todo o mundo se uniram à luta, todas ecoando a mesma mensagem: cabe a nós manter os combustíveis fósseis no subsolo.

Todos juntos, com flores nas mãos, formamos linhas vermelhas nas ruas – porque, nessa luta, é necessário traçar linhas por justiça, e cabe a nós nos posicionarmos do lado das pessoas mais afetadas por essa crise.

Mais linhas estão sendo traçadas em todos os lugares contra o verdadeiro vilão das duas últimas semanas: a indústria dos combustíveis fósseis, que tem feito o possível para enfraquecer esse acordo tão tardio.

Sem a pressão das pessoas comuns, os líderes mundiais teriam ignorado alegremente todo esse problema. Só a pressão das pessoas preencherá essa lacuna entre o que foi assinado ontem e a ação de que precisamos.

Isso dá início ao próximo capítulo. Fique de olho neste espaço para conferir o anúncio de algo grandioso nos próximos dias!

Se você está lendo isto, significa que fez parte do trabalho que nos trouxe até aqui, e somos muito gratos por isso. 2015 foi um ano histórico para nós, pois trabalhamos juntos para construir um movimento climático mais poderoso e esperançoso.

Com gratidão e, como sempre, com esperança,

May

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