Resistir ou tornar-se escravo

por Chris Hedges

tradutor Tarcisio Praciano-Pereira
(Nota do tradutor:  traduzo este texto num momento em que do Forum Social de Porto Alegre saiu a consignia de que vemos forçar a auditoria cidadã da dívida pública. No nosso caso, no Brasil, os números correspondenstes aqui citados caem na ordem de grandeza para possivelmente uns 50% comparando o PIB do Brasil com o PIB Americano, mas farra de avanço sobre a riqueza pública dos “empresários” daqui, correspondem a uma fome possivelemnte de 100% semelhante à fome dos “empresários” americanos. O texto original você o encontra aqui com links para algumas  citações   http://www.truthdig.com/report/print/20090406_resist_or_become_serfs)

America está se tornando um país do terceiro mundo e temos que rapidamente cortar o apetite violento da assim chamada “elite” que busca roubar a riqueza pública ou cairemos numa situação de dívida na ordem dos trilhões, impossível de ser paga, imensa miséria humana impossível de ser mitigada. A nossa frágil democracia vai ser substituida por um estado policial robusto. (Nota do tradutor: no momento desta tradução o futuro aqui é ímpróprio, tanto na America como no Brasil em que vivo, compare o “raio” da polícia no Ceará, ou da Rota em São Paulo ou a equivalente do Rio – já existe um estado militarizado com as armas apontadas para os mais fracos da sociedade). A chamada “elite” vai esconder-se em condomínios fechados protegidos por alta segurança com a garantia de víveres e serviços que faltarão para todos os outros. Milhões, fora dos condomínios estarão sob permanente controle brutal da polícia e irão viver em permanente pobreza. Este é o futuro dum capitalismo sem freios baseados em estímulos e empréstimos sempre fornecidos com a justificativa de proteger-nos todos contra a derrocada da economia mas na verdade são exclusivos para protegê-los a eles, da chamada “elite”. Sobra-nos a possibilidade de resistir, desmantelar o sistema ou nos tornar escravos.

Estamos  num declínio econômico estável por décadas. O filósofo político canadense John Ralston Saul detalhou esse declínio em seu livro de 1992 ““Voltaire’s Bastards: The Dictatorship of Reason in the West.”  David Cay Johnston expôs a podridão do capitalismo americano em “Free Lunch: How the Wealthiest Americans Enrich Themselves at Government Expense ” e “ Stick You With the Bill “, e David C. Korten, em” When Corporations Rule the World“e” Agenda for a New Economy “, denunciou a prevaricação e abusos das empresas. Enquanto isto, as nossas universidades e os meios de comunicação de massa, extasiados pelo poder e “ingenuamente”  acreditando que o capitalismo global era uma força incontrolável da natureza, raramente fizeram as perguntas certas ou deram uma voz proeminente para aqueles que as fizeram. Nossas “elites” esconderam a  sua incompetência e perda de controle por trás de uma fachada arrogante de jargão especializado e teorias econômicas obscuras.

As mentiras utilizadas para camuflar o declínio econômico são variadas. Presidente Ronald Reagan incluíu  1.500.000 homens em serviço no Exército dos EUA, na Marinha e na Força Aérea e Marinha  para reduzir magicamente taxa de desemprego do país em 2 por cento. Presidente Bill Clinton decidiu que aqueles que tinham desistido de procurar trabalho, ou aqueles que queriam empregos a jornada completa, mas só poderiam encontrar um emprego em tempo parcial, já não deveriam mais ser contados como desempregados. Com este truque, apenas,  desapareceram cerca de 5 milhões de desempregados das listas oficiais. Se você trabalha mais de 21 horas por semana-trabalhadores com os mais baixo salário em lugares como WalMart trabalham em média 28 horas por semana, você seerá contado como empregado, embora o seu salário o coloque abaixo da linha de pobreza. Nossa taxa de desemprego real, quando você incluir aqueles que pararam de procurar trabalho e aqueles que só pode encontrar empregos a tempo parcial, não é de 8,5 por cento, mas 15 por cento. Um sexto do país está efetivamente desempregado. E nós estamos perdendo empregos a uma taxa maior do que nos meses após a crise de 1929.

O índice de preços ao consumidor, usado pelo governo para medir a inflação, não tem sentido. Para manter os números oficiais de inflação baixa, o governo vem substituindo produtos de base uma vez medidos para verificar se há inflação com aqueles que não se elevam muito em preço. Este truque de prestidigitação manteve os aumentos de custo de vida ligados à CPI artificialmente baixo. The New York Times “repórter do consumidor”, W.P. Dunleavy, indicou que suas compras agora custam $ 587 por mês, comparado com o que gastava, US $ 400 no ano anterior. Este é um aumento de 40 por cento. O  economista da California John Williams, que dirige uma organização chamada Shadow Statistics, sustenta que, se Washington ainda usasse as medições do IPC aplicados na década de 1970, a inflação seria de 10 por cento.

O estado corporativo, e a classe política e intelectual que servem ao estado corporativo, construiu um sistema financeiro e político com base em ilusões. Sociedades de pirâmide de crédito com ativos fictícios. Esses ativos fictícios tornaram-se garantia para empréstimos bancários. A “elite” roubou centenas de milhões em bônus, comissões e salários desta riqueza fictícia. Os políticos, que servem obedientemente interesses corporativos em vez de do interesse dos cidadãos, foram regados com contribuições de campanha e empregos lucrativos quando sairam  dos cargos. Universidades, sabendo que não era bom negócio para desafiar o corporativismo, silenciaram as vozes conscientes enquanto iam pedindo doações e subvenções às empresas. Empréstimos enganosos e dívida de cartão de crédito alimentaram as farras de uma sociedade de consumo e esconderam a queda dos salários e as perda de empregos industriais.  (Nota do tradutor: não é fácil fazer comparações com o nosso descalabro, mas pense no significado que tem de você comprar pelo preço de “a vista” um bem, pagando em 12 prestações no cartão de crédito. Há algo falaz nesta história!  Alguém está sendo roubado, alguém está roubando!)

A administração Obama, em vez de traçar um novo rumo,objetiva re-inflar a bolha com trilhões de dólares de fundos do governo sendo gastos para sustentar essas corporações corruptas, dinheiro que  poderia ter renovado a nossa economia. Nós poderíamos ter salvado dezenas de milhões de americanos da pobreza. O governo poderia ter, como ativista de defesa do consumidor Ralph Nader salientou, começado 10 novos bancos com 35.000.000.000 de dólares em cada um alavancando a economia de 10 para 1 para abrir os mercados de crédito. Vastas somas inimagináveis, estão sendo colocados nas mãos sujas de empresários sem supervisão. E eles vão usar esse dinheiro, como sempre, para enriquecer-se  às nossas custas.

Nader advertiu-me, quando eu perguntei sobre os resgates  “Você vai ver o maior desperdício, fraude e abuso na história americana. Não somente são mal dirigidos, mas também  somente lida com os criminosos, em vez das pessoas que sãs as vítimas, tambeḿ eles não têm qualquer que seja o sistema de retorno e nem qualquer que seja honestidade ou eficiência. O Departamento de Justiça está sobrecarregado. Ele não tem um décimo dos promotores, investigadores, auditores e advogados necessários para lidar com a onda de crimes corporativos anteriores ao resgate que começou em setembro passado. Está, especialmente, incapacitado para lidar com a devastação voraz desse novo dinheiro destinado às empresas. Você pode vê-lo já. As corporações nem bem tomaram os empréstimos e já  os usaram para aquisições ou para preservar seus bônus ou os seus dividendos. Certo estão de que não vão para a cadeia, assim como também eles não vêem reportagens de jornais sobre os seus colegas indo para a cadeia, então eles não se importam. É a impunidade total. Se sair, que saia com um pára-quedas dourado, é o caso do dirigente da General Motors, Rick Wagoner está tirando 21.000.000 de dólares”.

Há um punhado de ex-executivos que admitiram que os resgates são um desperdício. Ex-presidente da American International Group Inc., Maurice R. Greenberg, disse à Supervisão da Câmara e Comissão de Reforma do Governo na quinta-feira que o esforço para sustentar as empresas com $170.000.000.000 falhou. Ele disse que a empresa deve ser reestruturada. AIG, segundo ele, teria feito melhor se procurasse a proteção do Capítulo 11 da falência em vez de procurar ajuda do governo.

“Estes são sinais de altíssima decadência”, disse Nader de seu escritório em Washington. “O governo libera  este tipo de dinheiro e não sei se ele vai funcionar.”

“Capitalismo corporativo falido está no seu caminho para produzir a falência do socialismo que está tentando salvá-lo”, (Nota do tradutor: Nader usa a palavra “socialismo” certamente com um tom irônico e certamente deveria usar a palavra “sociedade”, entretanto ele quer antepor capitalismo e socialismo)  acrescentou Nader. “Essa é a fase final. Se eles não têm mais o socialismo para salvá-los, então estamos no feudalismo. Estamos no estado policial, cercados de condomínios fechados privados com o resto de nós  transformados em servos dentro duma nomenclatura do século 21″.

Não nos será capaz levantar mais 3 ou 4 trilhões de dólares, especialmente com os nossos compromissos agora totalizando cerca de $12.000.000.000.000, para consertar a bagunça. Foi há apenas um par de meses atrás que nossos gastos totalizaram $ 9.000.000.000.000. E não foi há muito tempo que tais gastos governamentais perdulários era impensável, então havia um limite de $800.000.000.000 colocados na Federal Reserve (Nota do tradutor:  é o banco central americano) há um ano atrás. O estímulo econômico e os resgates não vão trazer de volta o nosso capitalismo de casino. E, como a crise não mostra sinais de diminuir, e os resgates não mostram nenhum sinal de resultado, a imprudência e o desespero dos senhores donos do capitalismo tem aumentado. O custo, para a classe trabalhadora e a classe média, está se tornando insustentável. O Fed informou em março que as famílias perderam $ 5.100.000.000.000, ou 9 por cento, de sua riqueza nos últimos três meses de 2008, o maior valor já registreado em um único trimestre na história de registros de 57 anos do banco central. Para um ano inteiro, a riqueza das famílias caiu  $11.100.000.000.000, ou cerca de 18 por cento. Estes números não registraram  o declínio dos investimentos no mercado de ações, o que provavelmente apagou trilhões dum patrimônio líquido coletivo do país.

A bala voltada para a nossa cabeça vai ser detonada, inevitvelmente, se não conseguirmos alterar radicalmente o curso da economia. Eles estão tomando empréstimos a uma taxa de mais de US $ 2 bilhões por dia ao longo dos últimos 10 anos, e em algum momento isto tem que parar. No momento em que a China, os países ricos em petróleo e outros investidores internacionais deixarem de comprar títulos do Tesouro o dólar vai se tornar lixo. A inflação vai partir como um foguete para cima. Nós nos tornaremos Alemanha de Weimar. A reação furiosa e sustentada por uma população traída e com raiva, um intelectual e psicologicamente despreparada para o colapso, vai varrer os democratas e a maioria dos republicanos. A cabala de desajustados proto-fascista, a partir de demagogos cristãs simplórios como Sarah Palin que posam de falastrões e  apresentadores de talk show, que nós ingenuamente apelidamos de de bufões, vão se transformar em promessas de vingança e renovação moral. As elites, os únicos com os seus graus da Harvard Business School e vocabulários caros, vai recuar em seus enclaves protegidos de privilégio e conforto. Nós ficaremos desprovidos e abandonados fora dos portões.

 

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Proteção à saúde no uso do computador

Se você usar alguma distribuição de Linux, você pode instalar um relógio muito primitivo, mas terrivelmente avançado que é osdclock. Aqui vou mostrar-lhe como montar um script que chama este relógio a intervalos que você pode determinar  lembrando-lhe que deve se sair um pouquinho da frente do computador.

É primitivo porque ele precisa ser ativado para funcionar por um outro programa, quer dizer, ele é um módulo que oferece um relógio para ser usado por outros programas.

É avançado porque tem uma grande quantidade de parâmetros que o podem ser chamados
para alterar o seu funcionamento.

Defina as duas funções

function relogio(){
osd_clock -d20 -H2 -s4  -o250 -f “-*-times-bold-r-normal–45-*-*-*-*-*-*-*”
}

function verifica(){
SERVICE=$1
ps -a | grep -v grep | grep $1 > /dev/null
result=$?
echo “exit code: ${result}”
if [ “${result}” -eq “0” ] ; then
echo “`date`: $SERVICE service running, everything is fine”
else
/home/tarcisio/bin/relogio
fi
}

e as coloque na sua biblioteca de funções Bash.

A função verifica() tem duas  utilidades:

  1. chamar o relógio
  2. verificar se o relógio já foi chamado, e neste caso não chama outra vez

Eu tenho as minhas funções do Bash todas colocadas num diretório que chamo “bin” que está na raíz do minha área de trabalho, portanto o caminho completo para as minhas funções Bash é /home/tarcisio/bin  mas como este pedaço de caminho já incluído na variável PATH do meu sistema, eu não preciso incomodar-me com o caminho completo.

Instale osd_clock. Em Debian e distribuições derivadas de Debian, o método é

sudo apt-get install osdclock

Quando eu chamar

verifica

o sistema conseguirá encontrar esta função na localização acima.

Agora inclua em .bashrc a linha

verifica osd_clock &

e o sistema irá estampar na tela, a cada 30 minutos um aviso que no  meu caso é apenas a hora em letras grandes, para incomodar-me mesmo, lembrando-me que devo me  levantar e sair um pouco do computador.

rekogio

Um aviso para sair da frente do computador

 

Você pode alterar a função, ou melhor, os parâmetros da função relógio, para obter outros efeitos e para isto consulte

info osd_clock

e com paciência você vai obter o que desejar.

62 pessoas desfrutam da metade do que todos nós temos

62 pessoas podem desfrutar da metade do que todos nós temos

62 pessoas desfrutam da metade do que todos nós temos

Temos de mostrar a verdade núa e crúa: os espaços livres de impostos.  Depois, ninguém acumulou riqueza sozinho, o fez em parceria com quem trabalha e tem que pagar a sua parte dos impostos que é uma forma mínima de produzir distribuição de riqueza.

São os “tax havens” ou os “idílios sem imposto” onde também se vai ao extremo na exploração de quem trabalha, sim, exatamente nestes locais.

manifeste-se junto aos administradores mundo afora para encerrar os idílios sem impostos: assine a carta 

Vivemos num mundo em que 62 “bilionários” (ou seriam trilhonários? ) tem a metade de tudo aquilo que todos nós outros temos, e o que é pior, temos que dividir palmo a palmo e no final com intransigência, com cada um dos que convivem conosco como se fossem estes os nossos inimigos quando na verdade os inimigos são os outros “62”.  Os idílios sem impostos  representam  uma perda de pelo menos 170 bilhões de dólares, cada ano, para os países pobres. E se pergunte quem são os países pobres?

Ajude a terminar idílios sem imposto: entre em ação

Vamos deixar claro que não aceitamos viver em meio à pobreza que os “tax heavens” têm que ser acabados.

São Paulo mostra as garras e se manifesta

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“A gente não pode ser livre”, diz brasileira que mora na Cisjordânia

Paulo Victor Chagas – Repórter da Agência Brasil

  • 12/01/2016 – 06h13

 

Mãe do palestino Islam

Brasileira que mora na Cisjordânia e cujo filho está preso pelo governo israelense, Nadia Hamed diz que Israel tem fechado o cerco a cada dia e chegado mais próximo dos palestinos que moram na cidade de Silwad. Ela faz duras críticas às vistorias feitas frequentemente pelo Exército israelense sem nenhum tipo de aviso prévio.

O filho de Nadia, Islam Hamed, foi preso em 2015, após ter sido detido outras vezes e cumprir pena por mais de cinco anos. Na semana passada, a casa de Nadia foi completamente revistada pela polícia de Israel durante a madrugada. No último fim de semana, as forças israelenses voltaram a bater às portas da casa de Nadia, desta vez para intimar o outro filho dela, Bilal Hamed, para um interrogatório.

“A gente está acostumadíssimo. Eles sempre fazem isso”, afirma. Segundo ela, a primeira ação das forças israelenses ocorreu às 2h de quarta (6) para quinta-feira passada, e as autoridades não deram nenhuma explicação sobre o motivo da revista.

“Depois de levantarmos, puseram-nos para sentar na sala de jantar e começaram a revistar todos os quartos da minha casa. Se a gente abrir a boca para fazer qualquer pergunta, eles mandam você se calar e apontam armas. Eles tiraram as roupas que estavam no guarda-roupa, colocaram o sofá de cabeça para baixo”, conta.

Os homens ficaram por mais de uma hora na casa da brasileira. De acordo com Nadia, na mesma noite mais 28 casas foram revistadas pelo governo de Israel, algumas delas após a destruição da fechadura das portas.

Procurado pela Agência Brasil, o Ministério das Relações Exteriores confirmou que a casa de Nadia e outras residências foram “alvo de revista” pelas autoridades israelenses. Segundo o Itamaraty, esse tipo de ação em territórios ocupados por palestinos costuma ocorrer de forma “rotineira”.

De sábado (9) para domingo, novamente de madrugada, o Exército entrou mais uma vez em sua casa, desta vez para convocar Bilal a comparecer diante das autoridades policiais na quinta-feira da próxima semana (21).

“Cada região tem um capitão sionista [judeu nacionalista]. Quando ele é trocado, começa a chamar os jovens para conhecer. Fica umas duas horas [interrogando], [pergunta] o que faz, se estuda, se trabalha. No fim, pergunta para o moço se quer trabalhar com ele de espião”, conta.

De acordo com a brasileira, a cidade de Silwad tem sido gradualmente ocupada pelos israelenses. “Aqui é uma ocupação. Temos terra em toda essa parte. Mas os colonos construíram casas, estão pegando nossa terra e construindo casa para eles. Tenho terras nesse lugar por parte do meu pai e do meu marido. Eles pegaram a terra e hoje está uma enorme vila”, critica.

Na opinião de Nadia, as operações dos últimos dias não têm relação com o fato de o filho estar preso. No ano passado, Islam foi posto em liberdade pela Autoridade Nacional Palestina após ficar 100 dias em greve de fome, em protesto pela prisão que considerava irregular. Ele alegava que já tinha cumprido o tempo definido pela Justiça palestina.

Em outubro, Islam foi preso novamente. Nadia afirma que a família não tem permissão para visitá-lo na prisão e que o único contato que tem com o filho é nos momentos em que ocorrem audiências no tribunal. “Eles falam que ele tentou comprar arma. Prenderam Islam perto de uma casa, se ele tivesse arma, iriam encontrá-la com ele”, argumenta.

Aos 17 anos, Islam foi preso pela primeira vez sob a acusação de atirar pedras em policiais israelenses, e ficou detido por cinco anos. Após ficar nove meses em liberdade, ele foi novamente preso sem uma acusação concreta, mas por supostamente oferecer perigo à segurança da nação israelense.

“Por que eles entram? É nossa cidade. Por que ficam em volta da gente? Por que eles amanhecem cedo entrando em nossa cidade? Eles entram com o Exército. Então, quando os moços veem isso, as crianças e os adolescentes… Eles ficam procurando briga e quando acontece alguma coisa, somos nós os terroristas”, questiona.

Antes de ser preso pela última vez, Islam estava escondido dos judeus em um local desconhecido da família, informou a mãe. O brasileiro-palestino mantém uma atividade política de oposição ao governo palestino.

“Ele, como qualquer moço, procura defender a terra, um direito nosso, um direito que nós temos. As coisas são difíceis. É difícil para explicar. Só mesmo morando para ver como nós, palestinos,  sofremos aqui. A gente não pode ser livre para nada. Mesmo viajar para Jordânia [país vizinho], quando chegamos na divisa, se não quiserem deixar, a gente não entra”, queixa-se.

A Agência Brasil entrou em contato com a Embaixada de Israel no Brasil para questionar os motivos das operações do Exército e também para saber a situação de Islam e as acusações movidas contra ele, mas não recebeu resposta até o fechamento desta matéria.