E a Internet era gratis e agora querem nos vender acesso!

Como um rio privatizado, a Internet era grátis e agora usam de todos os artifícios para nos convencer que devemos pagar por ela.

Eu já escrevi sobre como privatizaram um rio 0u na verdade sobre o primeiro capitalista. O capitalismo nem existia, tudo no mundo pertencia a todos mas mitos foram sendo criados e à força alguns foram se apropriando dos melhores bocados e expulsando outros para “espaços menos nobres” e finalmente vendendo acesso ao espaço agora privatizado que antes era de todos.

O PRIMEIRO CAPITALISTA

Depois de privatizar árvores e cabras, o primeiro capitalista pensou em cercar um rio que passava a uns 450 passos de sua caverna, (ainda não haviam inventado o sistema métrico), mas para seu espanto houve uma reação absurda dos que viviam a volta e usavam o rio para se banhar e nadar. Ele tentou justificar dizendo que cuidaria do rio, que o manteria limpo e que em troca venderia entradas para todos os que quisessem se banhar, nadar ou ir em busca de água.

Foi preciso usar de um estratagema “genial”, envenenar os peixes do rio e deixá-lo empestado para convencer os demais que havia uma problema de segurança, que era preciso haver alguém que tomasse conta do rio para todos. Assim ele conseguiu privatizar também o rio e a partir de então, para tomar um banho, nadar ou pegar água, era preciso trazer uma modica contribuição, proporcional ao serviço desejado: para um banho rápido, um cesto de frutas maduras, para levar água numa cabaça, era preciso trazer um cabrito ou uma ovelha, para nadar longamente era preciso trazer uma ovelha prenhe.

Assim vemos a nossa independência se esvoaçando e partindo. Alguns se beneficiam momentaneamente com isto.  E neste momento se repetem as tentativas de privatização total e completa da Internet.  A Internet, qual um rio, nasceu livre e para todos. No começo era um projeto militar que terminou se expandindo para uso generaliza das universidades com o objetivo de troca de informações, era praticamente um serviço de comunicações entre os computadores ligados em rede nas universidades e estas entre si.

Enfim, bem semelhante ao rio privatizado pelo primeiro capitalista. Como sempre os capitalistas lançam mão das invenções produzidas nas universidades e conseguem inverter até mesmo a história para fazer com o público imagine que foram eles quem inventaram a utilidade. Em geral, sim, as melhoraram dando-lhes feições mais agradáveis ao público. Em particular, com a Internet não foi bem assim. Ela foi se desenvolvendo, sempre dentro das universidades passou por diversos estágios até que Tim Berners-Lee consegui dar um salto imenso na verdade juntando pedaços mas enfim foi ele quem colocou a internet no estágio em que ela se encontra em que viajamos por toda parte com navegadores.

Foi neste momento que as privadas se alucinaram e avançaram para privatizar o rio. Num certo momento eu vi na TV um idiota que era o âncora dum certo jornal afirmar, talvez por simples ignorância que “o chato era este monte de universidades estarem penduradas na Internet”!  Pois é, a Internet que era nossa, inventada por nós nas Universidades, segundo o mentecapto eramos nós que estamos pendurados na Internet fazendo-a lenta!

Na verdade que tornou a Internet lenta foi precisamente o consumismo que avançou sobre ela. Hoje quando você recebe qualquer informação vem milhares de vezes mais lixo do tipo propaganda ou pequenos programas do interesse dos mega polos na internet como google e similares, objetivando espionar-nos que segundo eles na verdade se trataria estudar-nos para nos oferecer aquilo que melhor seja do nosso interesse. Imagine!

Ganharíamos todos se tivéssemos uma Internet pública, inteiramente gratuita, onde nada fosse vendido, e outra que seria a privada. Quem desejasse que entrasse na privada, e por mim, garanto, não entraria nunca na privada ou no máximo, em raros momentos para fazer alguma compra on-line. Nós da pública navegaríamos a mil apenas buscando aquilo que nos interessasse em termos de informações e ficariam os usuários da privada tropeçando no meio do monte de lixo usual.  Seria uma beleza.

Claro, eu continuaria advogando a liberdade de uso da privada, ainda que atropelada pela presença imensa da propaganda e das vendas como atualmente. Mas o que seria bom é que na pública teriam que ficar somente serviços públicos, como acesso aos bancos, os sistema comerciais usados pelas transações comerciais, enfim, teríamos que pensar como separar a privada da pública, porque quando pagamos  nossas compras num supermercado o nosso  interesse não é o de ficar misturado o lodo comercial que nos rodeia na Internet. O que desejaríamos era que no caixa ninguém disse a frase terrível “o sistema está lento” porque na verdade não é o sistema que esteja lento, e sim que estamos na privada internet em que um monte de lixo está circulando a nossa volta procurando saber o que desejamos e de que forma podem nos abocanhar para nos vender alguma droga, consumismo da pior classe.

Esta discussão não é fácil e vem sendo feita a tempos e temos que encontrar um caminho para separar o joio do trigo.

Alias porque, mesmo, quem construiu isto tudo fomos nós, com todos os governos de terceira classe que quase sempre tivemos, com duas ou três raras exceções.

Libertas quae sera tamen, é um velho e atualíssimo grito. Primeiro gritar, mas depois agir de maneira efetiva contra os vende-pátria, contra os Judas que nos vendem por modestos 30 dinheiros enquanto nos beijam a face com cara de irmãos.

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