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Em 2016, a mídia golpista conseguiu um feito: liquidar com o jornalismo que ainda restava em seus veículos de comunicação. Com fartas verbas publicitárias, concessões públicas e business garantidos, tamanha radicalização política, a fez rasgar não apenas a Constituição cidadã, mas sua própria credibilidade.

Enquanto bradava – e ainda brada – a criminalização da política, essa mesma mídia protagonizou o Golpe de 30 de Agosto, de braços dados com as elites financeira e econômica nacional e internacional, com parte do Judiciário e, também, com os parlamentares que, sem pudores, defenderam os interesses das corporações que os financiam.

Não é de se estranhar, portanto, a ausência da palavra golpe nos noticiários. Nenhum questionamento, nenhuma reportagem à altura do momento histórico que vivemos. Apenas notícias que se prestam a acenar os próximos passos do golpismo, vide a campanha pela troca de cadeiras no Planalto em 2017.

Uma enxurrada de fatos, sem análises, investigações ou questionamentos. Em suma: sem jornalismo. A essa mídia cabe a naturalização de absurdos. Foi sua missão tornar plausível o afastamento de uma presidenta sem crime de responsabilidade; tornar natural a aprovação de uma proposta anticonstitucional como a PEC 55 ou similares, como a do ensino médio.

É sua missão, agora, tornar necessárias as mudanças propostas na Previdência; bem como aceitáveis a repressão contra os “baderneiros” que ao invés de trabalhar estão nas ruas protestando contra o governo. E isso se dá “naturalmente”, em detrimento de reportagens que, de fato, colocariam em pauta as grandes questões nacionais.

Blindagem

Beira o escárnio os “dois pesos, duas medidas” dos folhetos políticos que se tornaram os jornalões, os noticiários e o que dizer dos programas de rádio no Brasil.

Basta analisar a qualidade superficial das reportagens e o descaramento de campanhas promovidas contra os que se opõem à linha neoliberal dos editoriais desses veículos, ou a blindagem acionada em relação aos que compactuam com ela.

Quantas reportagens envolvendo grãos tucanos saem em um dia e desaparecem no outro, sem que ninguém toque mais no assunto ?

Quem manda calar ?

Não seria esse o tema de uma excelente reportagem ?

Imagine o que aconteceria, por exemplo, se ao invés de repórteres do Washington Post de 1972, Bob Woodward e Carl Bernstein trabalhassem nos jornalões brasileiros de 2016 ?

Quantos Watergates estão acontecendo neste exato momento no Brasil ?

Como foram as negociações dentro do condomínio golpista em torno do afastamento da presidenta Dilma Rousseff ?  Quem participa desse condomínio?

E a seleção dos vazamentos feita pela PF ? Quem faz essa seleção ?

Por que o interesse em destruir as empreiteiras brasileiras ?

Inventaram uma guerra com a justificativa de que Sadam Hussein detinha armamentos de destruição em massa para controlar as maiores jazidas de petróleo do mundo.

Não fariam nada em relação ao pré-sal brasileiro ?

Você, nosso leitor, sabe que é impossível encontrar uma matéria que aborde um desses temas ou mesmo o relacionamento que a Força Tarefa da Lava Jato mantém com organismos de governos internacionais.

Somente a Mídia Alternativa tem a brasilidade para propor essas questões a você.

A título de inspiração, vale assistir a “Todos os Homens do Presidente”, de Alan J. Pakula, excelente filme sobre o caso Watergate e a investigação de Woodward e Bernstein (prêmio Pulitzer), que levou ao afastamento de Richard Nixon da presidência dos Estados Unidos em 1974.

Ao contrário daqui, a investigação levou à prisão do assessor especial e amigo íntimo de Nixon, Charles Colson, conhecido como mestre da Guerra suja. Um escândalo envolvendo a Casa Branca, membros do FBI e da própria CIA. Todos presos e condenados.

Transposto à realidade brasileira deste momento: investigar os meandros e as negociatas entre mídia, Judiciário, sistema financeiro e parlamentares daria um prêmio Pulitzer.

São mínimas as probabilidades de reportagens vigorosas dentro desses veículos.

Felizmente, o jornalismo é muito maior do que isso, como atestam vários trabalhos, propositalmente esquecidos pela mídia golpista e seus profissionais, entre eles “O Brasil Privatizado” do inesquecível Aloysio Biondi, “A Outra História do Mensalão” do grande jornalista Raimundo Pereira, “A Privataria Tucana” do incansável investigador Amaury Jr., “O Quarto Poder” do brilhante Paulo Henrique Amorim, lembrando que Carta Maior já produziu mais de cinquenta Especiais, além de doze livros.

Papel da Mídia Alternativa

É, justamente, em oposição a essa imprensa, que apoiou a quebra do contrato social e democrático no país, divertindo-se com um tour pelo Alvorada, que a Mídia Alternativa vem lutando, dia sim e no outro também, para garantir a sobrevivência de um mínimo de jornalismo.

Findo o tempo de lamentações sobre o imenso gargalo deixado pelos governos petistas, que evitaram o enfrentamento do oligopólio da comunicação no país, caminhamos em meio a um golpe, com as nossas frágeis possibilidades nesta verdadeira Guerra de Titã contra Golias, conforme cunhou o professor Venício Lima (leia a entrevista aqui).

Em sua avaliação, eliminar sites e blogs progressistas significa viver “uma situação praticamente totalitária, na qual haverá apenas uma voz. Esse é o grande problema”. A comunicação pública já foi defenestrada nos primeiros dias do governo golpista.

Por eles, nós não existiríamos mais.

Não à toa, uma das primeiras medidas do decorativo foi, também, perseguir a Mídia Alternativa, cortando – sem nenhuma justificativa – R$ 11,2 milhões (ínfimos 0,6% do orçamento da SECOM em 2015) de sites e blogs progressistas (Leia mais).

Uma medida aplaudida pelos jornalões que com várias matérias no período tentaram difamar o nosso trabalho. Uma perseguição que comprova a nossa relevância, afinal, por que gastariam dezenas de páginas com denúncias vazias?

Agora é a hora

A esquerda e os progressistas estão diante de um dilema:

O PT acabou?

Existe um outro partido capaz de substituí-lo?

Vamos construir uma Frente de Esquerda ou uma Frente de Centro-Esquerda?

Vamos ainda acreditar em um governo de coalizão?

E o programa para o País?

Quais são as nossas convergências e as nossas divergências?

A guerrilha das Redes Sociais é de extrema importância, mas precisamos de uma guerra de fundo que proponha o verdadeiro debate.

O debate precisa ser qualificado. Não se trata de um debate de palavras de ordem, mas um debate de ideias e concepções de mundo.

É por isso que o leitor da Carta Maior precisa ser melhor municiado: é ele que fará o debate político nas escolas, nas ruas, campos, construções.

Essa é a parceria que Carta Maior propõe a seus leitores.

Ser nosso parceiro é uma afirmação política.

Campanha de doação

Sim, nós precisamos da doação dos nossos leitores para fazer Jornalismo através de reportagens, Especiais, entrevistas, vídeos, coberturas de debates e seminários etc. Por exemplo, o Especial “Os dois 13 de Dezembro: Os Golpes dentro dos Golpes”.

Publicado entre os dias 12 a 16 de dezembro último, este Especial contou com a colaboração de doze intelectuais, dentre eles o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães e os professores Sebastião Velasco, Laurindo Leal Filho, João Feres Júnior, Pedro Tierra, Gisele Ricobom, Flávio Aguiar, Alexandre Padilha, Beto Almeida, Francisco Fonseca, Lenio Luiz Streck, Esther Dweck, entre outros.

Apenas este Especial alcançou, em cinco dias de publicação, 435.395 mil pessoas, com um conteúdo inédito, traçando um paralelo entre o AI-5 de 1968 e a PEC 55 de 2016.

É esse tipo de material que precisamos multiplicar nas páginas da Carta Maior em 2017, ano decisivo para o destino do nosso país, tratando das pautas sugeridas ao longo deste texto.

Estamos convencidos de que podemos enfrentar os golpistas.

Acredite: eles só têm tamanho.

2017 não será fácil, mas sem a Mídia Alternativa será pior.

Permanecemos como a última trincheira para Resistir, Pensar e Agir.

Sigamos juntos, com a certeza na frente e a História nas mãos.

Não será fácil, mas sejamos sinceros: estamos aqui para isso.

Joaquim Ernesto Palhares

Diretor da Carta Maior

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