Passei com cuidado para não assustar os corvos!

Ontem me defrontei com uma cena da qual eu já ouvira falar.

Saindo de casa, de noite, passei por um bando de garotos do morro (ao lado de minha casa) se dirigindo todos vestidos a rigor com a farda do grupo, caminhavam para estádio.

Uma torcida acreditei.

Passei por eles com cuidado para não enfurecê-los e repentinamente o capitão deles para o grupo num alerta! Eu me assustei mas segui em frente saindo do meio da patota.

Logo em seguida, na próxima esquina, vejo uma moto no meio da rua. Cena típica da polícia com seu autoritarismo, e então entendi o alerta no meio do qual havia passado. Até pensei em olhar no retrovisor para ver qual era a reação do grupo pelo qual eu passara, mas não tive tempo porque eu já estava no meio doutra cena dantesca: uma dezena de policiais, vestidos com aquela escrota roupa preta, de armas em punho apontadas para algumas dezenas de jovens escorados no muro do cemitério.

Eu moro vizinho dum cemitério cognominado “cemitério dos pobres”!

Passei com cuidado para não assustar os corvos!

Esta é a democracia do golpe mantida com auxílio da PM escancarada contra a parte mais pobre e vulnerável da sociedade, um grupo de jovens de favela idiotizados na febre do futebol e que apenas se dirigia para se divertir como podem, sacaneando-se uns aos outros no estádio!

Passei de finininho acelerando aos poucos e desaparecendo na esquina à direita!

Respirei fundo, escapara!

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