Uma semana decisiva para o Brasil

A caminho de Porto Alegre para o momento decisivo.  Os desembargadores podem escolher se ficam ao lado do Brasil ou se preferem o colo quentinho do Tio Sam com direito a paleto talhado em Miami

A caminho de Porto Alegre para o momento decisivo. Os desembargadores podem escolher se ficam ao lado do Brasil ou se preferem o colo quentinho do Tio Sam com direito a paleto talhado em Miami

Entramos em uma semana decisiva para o Brasil e para a América Latina. Quarta-feira (24 de janeiro), em Porto Alegre, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, três desembargadores – João Pedro Gebran, Leandro Paulsen e Victor Luiz dos Santos Laus – terão dois caminhos a seguir:

O caminho da Justiça, o único capaz de conter a fraude jurídica e a perseguição política contra Lula e a esquerda brasileira, reestabelecendo o pacto entre o Judiciário e a Constituição. Ou o caminho do acovardamento que ameaça, mais uma vez, impedir eleições efetivamente democráticas, cedendo a Lula o direito de ser candidato à Presidência da República e ao povo o direito de escolher seu presidente.

Em jogo está, portanto, o fim ou a continuidade do golpe de 2016 que, à revelia das urnas, afastou de forma ilegítima um governo eleito pela maioria da população, após quatro eleições de vitórias sucessivas do PT, partido nascido e construído pela base da população brasileira.

O restabelecimento da democracia ou o aprofundamento dessa falsa legalidade a que estamos submetidos, uma farsa sustentada diuturnamente pelas empresas de comunicação. A soberania do Brasil ou a submissão do Estado brasileiro, suas riquezas, a energia e os direitos de todo um povo à agenda neoliberal.

Uma agenda imposta a 200 milhões de brasileiros por grupos econômicos que optaram pelo dinheiro fácil da especulação, por uma imprensa que se recusa a fazer jornalismo, por parlamentares que jamais representaram os interesses de seus eleitores, por setores do Judiciário que condenam sem provas.

O resultado do julgamento na próxima quarta-feira será decisivo não apenas para o ex-presidente Lula, mas para milhões e milhões de brasileiros, cada dia mais, destituídos de seus direitos. Líder nas pesquisas de intenção de voto, caso se confirme a condenação do ex-presidente – após todas as barbaridades cometidas pela Lava Jato, inclusive a condenação de nove anos de prisão –Lula estará fora do páreo eleitoral conforme o sonho do condomínio golpista.

É por isso que Carta Maior, nesta semana, traz a você uma série de análises, reportagens e a cobertura de atos e, obviamente, do próprio julgamento. Nosso objetivo é que cada um de nossos leitores encontre em nossas páginas argumentos suficientes para fazer a disputa de opinião na sociedade em um momento que o aparato de comunicação, nas mãos do golpistas, jogará contra qualquer possibilidade do retorno de Lula ao poder.

Recomendamos, fortemente, o editorial de Saul Leblon que destaca, nesta semana que “executar Lula é a contribuição histórica das togas ao projeto conservador para o Brasil do século XXI”, no artigo “O day after do Brasil: a esperança assume o comando”. “Ao condená-lo, reforçam a hora da rua. Se o pouparem, reforçam a hora da rua. Se procrastinarem, reforçam a hora da rua. Em resumo: a página da história está virando diante nós. É preciso ler o que diz a página seguinte”, afirma Leblon.

Fundamental, também, a leitura das entrevistas do ministro Celso Amorim (leia “Acusações a Lula são muito frágeis”) e da ex-presidenta Dilma Rousseff (“A perseguição a Lula é outra das fases do golpe”) que mostram a ausência de provas da acusação contra o ex-presidente. Uma ausência explicitada pelo jornalista Jânio de Freitas, em sua coluna na Folha de São Paulo, que fazemos questão de reproduzir:

“Moro e os dalagnóis não conseguiram encontrar sinais da interferência de Lula, quanto mais a ligação com o apartamento. A saída com que Moro, na sentença a ser agora avaliada, pensa ultrapassar esse tipo de atoleiro é cômica: refere-se à tal interferência como ´ato de ofício indeterminado´. Indeterminado: desconhecido, não existente. Moro condenou por um ato que diz desconhecer, inexistir. A OAS, portanto, retribuía um favorecimento que não houve.”

Sobre a fragilidade de provas contra o ex-presidente, você poderá ler também os artigos “A lavajatolatria, o Carnaval e os Habeas Corpus de Gilmar Mendes”, do jurista Lenio Luiz Streck; “A caminho do Tribunal de Exceção” de Pedro Tierra; “Quem tem medo da prova°” de Leonardo Isaac Yarochewsky é Advogado e Doutor em Ciências Penais, “Não há provas contra o candidato Lula” do jornalista Dario Pignotti, do Página/12; “O ‘ julgamento’ de Lula e o cavalo de Troia, da professora Sylvia Debossan Moretzsohn (Universidade Fluminense); e “O incógnito 2018” do professor Marcus Ianoni e do pesquisador Felipe Maruf Quintas, ambos da Ciência Política da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Recomendamos, ainda, a leitura de “Por que a narrativa golpista foi vitoriosa?”, segundo da série escrita pelo professor Juarez Guimarães (Ciências Políticas da UFMG) pela pesquisadora Eliara Santana (análise do discurso PUC/MG) para que possamos compreender, de forma sistemática, como a narrativa golpista não apenas foi construída mas obteve aderência junto à população, mesmo aquela beneficiada pelos governos petistas.

Além dessas análises imperdíveis e muitas outras, você encontrará em nossa página a cobertura de atos, como o ato dos artistas e intelectuais que aconteceu em São Paulo (confira “Pelo direito de votarmos em Lula”) e no Rio de Janeiro (vela “A anistia do golpe está acabando, diz Lula em ato com artistas e intelectuais no Rio”). E, obviamente, reportagens diretamente de Porto Alegre sobre o julgamento, como “Porto Alegre vive dias tensos na semana que antecede julgamento de Lula” e UNE repete ato de 61 e instala sede em Porto Alegre pela Legalidade.

Isso tudo e muito mais você encontrará nesta semana na Carta Maior. Textos com profundidade que te auxiliarão a compreender este momento decisivo na história brasileira. Não tenhamos dúvidas, isso só é possível porque Carta Maior, ao contrário dos veículos da chamada grande mídia, tem um compromisso ético com seus leitores e com a luta progressista e de esquerda no Brasil e no mundo.

Um compromisso que nos faz buscar, dia após dia, a sustentabilidade deste projeto, garantindo a nossa independência financeira. Cientes de que temos muita luta pela frente, insistimos: permita-nos continuar este trabalho diário tornando-se um parceiro doador da Carta Maior (saiba como aqui).

Somente juntos e conectados (cadastre-se aqui e receba nosso boletim), poderemos resistir ao espúrio ataque da direita neste momento decisivo para o país. Sigamos juntos, firmes e fortes na luta.

Joaquim Ernesto Palhares
Diretor da Carta Maior

Um pensamento sobre “Uma semana decisiva para o Brasil

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