A teoria do domínio na profundidade eloquente do procurador Gebran arrasando com o Lula Ladrão

O eminente procurador Gebran da Quarta Inqusitoria Federal de número quatro,
usou uma célebre teoria romana de direito de autor celebérrimo, Aesopus e
aqui transcrevo a brilhante defesa do procurador que simplesmente calou
a defesa do réu e pela brilhante exposição tornou desnecessária qualquer
evolução teórica por parte dos demais procuradores que simplesmente
lhe seguiram, abasbacados a insuspeita fundamentação teórica.

Para dar maior imponência e veracidade à sua teoria, sua Excelência o
procurador Gebran incluiu o texto do importante autor, Aesopus na própria
língua mater do autor, eis que sua Excelência é conhecida como profundo
conhecedor não somente do Direito mas de suas origens latinas. Transcrevo
“ipsis literis” a parte da defesa oral de sua excelência seguida da
tradução também oferecida pelo vetusto orador.

Inicialmente, como soí acontecer nas masmorras ilustres das Inquisitorias
Federais, sua Excelência primou por apresentar a origem dos fatos:
“Aesopus auctor quam materiam repperit,
hanc ego polivi versibus senariis.
Duplex libelli dos est: quod risum movet
et quod prudenti vitam consilio monet.
Calumniari si quis autem voluerit,
quod arbores loquantur, non tantum ferae,
fictis iocari nos meminerit fabulis.”

“O autor Aesopus de qual esta matéria é referida tinha dois sentidos,
mover ao riso e suscitar à prudência. A calúnia pode ser atribuída
até mesmo a fala das árvores e assim somos conduzidos à profundidade
do Direito por via das fábulas”.

E selecionou, sua Ilustríssima Excelência a parte mais profunda do
Direito Romano de Aesopus que se aplicava ao perigoso réu sob julgamento
aquela que se intitula “Lupus et Agnus” porque Aesopus aprofundava o
Direito usando comparações com os sábios animais – “O lobo e o cordeiro”
naturalmente, observando que o réu deveria ser aqui tomado, da fábula,
pelo cordeiro, que já todos veriam claramente como e porque em sua
sábia decisão final. Também citada no original eis o texto
do profundo procurador sua Excelência Gebran:

“Lupus et Agnus

Ad rivum eundem lupus et agnus venerant,
siti compulsi. Superior stabat lupus,
longeque inferior agnus. Tunc fauce improba
latro incitatus iurgii causam intulit;
‘Cur’ inquit ‘turbulentam fecisti mihi
aquam bibenti?’ Laniger contra timens
‘Qui possum, quaeso, facere quod quereris, lupe?
A te decurrit ad meos haustus liquor’.
Repulsus ille veritatis viribus
‘Ante hos sex menses male’ ait ‘dixisti mihi’.
Respondit agnus ‘Equidem natus non eram’.
‘Pater hercle tuus’ ille inquit ‘male dixit mihi’;
atque ita correptum lacerat iniusta nece.
Haec propter illos scripta est homines fabula
qui fictis causis innocentes opprimunt. ”

E como sentenças são lidas por seres menos versados nas origens do
Direito, sua Excelência proveu, sabiamente, com a tradução do
texto selecionado:

“Lobo e o cordeiro

Chegaram aquele rio o lobo e o cordeiro forçados pela sede. Acima
da corrente se encontrava o lobo, mais longe, abaixo o cordeiro. E
abriu sua boca enorme típica de vicioso ladrão ademais incitada pela
razão que ali o havia trazido, a fome, enfrentou o lobo ao cordeiro dizendo:
“Como podes tornar turbulenta a água que bebo?” Ao que o cordeiro,
cheio de maldades, respondeu “e como posso tornar sujas as águas em
que bebes, o lobo, se estou abaixo na correnteza e vem de ti a
água que bebo?” Maltratado pela ironia sem fundamento da defesa falou o lobo,
sensatamente, “já fazem seis meses que de mim disseste terríveis
maledicências” ao que lhe respondeu o astuto cordeiro, “nem mesmo
eu era nascido a seis meses atrás”.
E daqui, deste ponto central do Direito Romano produzido por Aesopus,
sua Excelência retirou a súmula de sua peça acusatória com que
destruiu fundamentadamente toda a defesa do réu: “Pois então foi o
teu pai de mim falou mal” e rapidamente, num movimento típico da
rapidez com age a Justiça, lançou-se o lobo sobre o cordeiro e
o devorou.”

Terminou, brilhante, o fulgurante Procurador, sua Excelência Gebran,
“e assim, usando as sábias ideias do eminente doutor romano em Direito,
Aesopus, concluo que o réu por via de sua mãe, pois que seu pai cedo
o havia abandonado, havia aprendido a roubar e esconder dinheiros de
tal modo astuto que fica difícil para que nossa polícia e sua procuradoria
consigam descobrir por que meandros conseguiu o réu fazer passar
as vultuosas somas que subtraiu do erário e assim concluo que não somente
é culpado como que leve lhe foi dada a pena que ora incremento para
para 12 anos e um pouco mais.

Com isto se processou célere o julgamento eis que os demais Excelentíssimos procuradores, nada mais encontrando o que acrescentar e também com soí nas
Inquisitorias, nada tendo a dizer, nada se diz, calaram e acompanharam o
brilhante expositor ratificando sua sábia pena.

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