Uma das coisas foi Lídice que na verdade foi como um relâmpago!

Sou paraense mas saí de Belém aos 17 anos para não mais voltar,
peguei o Ita no Norte…. e as vezes paro, penso e sinto saudades. Até porque eu sempre vivi a minha vida com grande intensidade e vivia intensamente em Belém onde tinha amigos e uma vida cultural e afetiva. Eu andei toda Belém a pés dos seus confins da época, do Marco até a Condor, no Jurunas onde ficava o puteiro de luxo com meretrizes argentinas e eu ia a Condor para dançar tango, que inocência! Ainda chamo a “governador Malcher” de São Jerônimo! Até 2013 ainda visitava Belém, mas meu pai morreu e eu perdi a última razão para ir a Belém.

Neste último ano em Belém me aconteceram coisas terríveis (no sentido positivo)
que até deveriam me ter prendido em Belém. Uma delas foi Lídice que na verdade
foi como um relâmpago! Eu estava no último ano do Curso Clássico porque me
dirigia para o Direito, quando a conheci, por acaso, estudando alemão com uma velha senhora viúva dum médico alemão mas, confesso que esta história está um pouco perdida no turbilhão do meu último ano de vida em Belém. Eu queria encontrar Lídice para lhe enviar um alô e ouvir sua história e se ela quiser ouvir, contar-lhe a minha.

Tudo que sei de Lídice é que ela era aluna do Gentil e, como eu, devia estar no último ano do Clássico mas não tenho certeza disto. Foi em 1961!

Eramos os dois únicos alunos da velha senhora de cujo nome nem me lembro, que maldade, e de certa forma durante algum tempo lhe fizemos presença. Isto durou dois ou três meses porque em Dezembro eu viajei para Fortaleza para fazer o vestibular de Direito e assim desapareci de Belém, perdi Lídice, Belém e o Pará. Há perdas irreparáveis na vida da gente sobretudo quando se é jovem e se tem a cabeça a roda em busca dum futuro brilhante e promissor, que alguns alcançam, como eu alcancei, mas com certas perdas que depois choramos mas elas ficaram no passado, viraram as lembranças e naturalmente ficam também envolvidas em confeites e protegidas com o sentimento da época. Na imaginação, na lembrança, não há velhice, não há doenças, a morte se encontra distante e até há uma música de fundo protegendo todo o cenário. Lídice foi este relâmpago uma estrela candente (não é cadente) que eu tive a oportunidade de perceber passando rápido no horizonte.

Eu já tentei esta busca antes, escrevi para a direção do Colégio Gentil Bittencourt e até recebi uma resposta curta dizendo-me da impossibilidade de encontrar os vestígios do que busco, apenas não acredito, o Colégio deve ter dados dos seus ex-alunos, alguma informação que me permita encontrar Lídice se ainda estiver viva pois teria 75 anos como eu. Acho que lhe seria agradável saber que me lembro dela.

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