Se a xícara estiver cheia não vai ser possível derramar mais chá nela.

Numa época, na China, vivia um mestre Zen de nome Nansen.

Na mesma cidade também vivia um professor de filosofia e numa viagem ele passou pelo sítio onde morava Nansen que o convidou para entrar lhe dizendo, “espere um pouco”.

O professor parecia ter pressa, mas Nanses lhe disse, “Eu vou preparar-lhe um chá.
Você parece cansado, espere um pouco, descanse um pouco e tome uma chícara de chá e depois podemos conversar”.

Nansen começou a ferver a água e ao mesmo tempo observava o professor. Enquanto a água fervia ele observava que o professor também fervia.

A chaleira fazia os ruídos da água iniciando a fervura, e o professor também produzia
ruídos falando continuamente. O professor estava se preparando – o que perguntar, como perguntar e de onde começar com as perguntas.

Nansen sorria para si mesmo enquanto observava o professor e pensava, “Este homem está tão repleto que nada mais entra nele. Não há respostas para os seus questionamentos porque não há quem as receba. A visita não pode entrar na casa – não há espaço livre.”

Compassivo, Nansen queria ser uma visita para este professor. Tentou bater à porta, mas
simplesmente não havia portas. Mesmo que ele criasse uma porta, não haveria espaço livre. O professor estava tão repleto que nem mesmo poderia entrar em si mesmo. Ele estava do lado de fora do seu próprio ser, na soleira da porta, incapacitado para entrar.

Nansen derramou o chá na chícara. O professor começou a ficar nervoso porque Nansen derramava continuamente o chá na chícara e já estava derramando e logo iria começar a se derramar pelo chão.

Disse o professor, então! “Pare! Que está fazendo? A chícara já não cabe mais nada de chá, nem mesmo uma única gota. Está louco? Que pensa estar fazendo?”

Nansen sorriu e respondeu ao professor, “Se dá o mesmo consigo. Você está tão tenso e alerta para observar e aprender que, como a chícara, está cheio e impossibilitado de receber algo mais! Por que não se preocupa consigo mesmo? Você está derramando opiniões, filosofias, doutrinas, escrituras. Já sabe demasiado, eu então nada lhe posso dar! Você viajou em vão. Antes de vir deveria ter se esvaziado, esvaziado a sua chícara de chá de tal modo que eu pudesse derramar alguma coisa dentro.”

Não comece pensando que você já sabe tudo. Não imagine que você já saiba alguma coisa antes de que você faça um teste.

O nosso modo de aprendizado é o da tentativa e erro, fazendo experiências, experimentando e explorando. Retire da sua cabeça as noções preconcebidas, por exemplo do que pode representar aprender Mandarim, ou uma outra linguagem qualquer e a partir daí você estará preparado para receber. Esta é a forma do aprendizado, por exemplo como as crianças aprendem, elas sabem que estão no começo e que todo aprendizado é bem vindo o que as torna imediatamente preparadas para aprender. A chícara delas está vazia e então é possível enchê-las de chá.

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