A liberdade de catédra sob ameça – não vou me calar.

A professor Adriene Gomes, de Contagem – MG faz uma denúncia de perseguição que sofreu dum deputado estadual de Minas Gerais em função duma prova que ela aplicou aos seus alunos na Escola em que trabalha.

Já se contam por dezenas tais perseguições inclusive algumas com aparato de grande porte como recentemente foi feito no Colégio Pedro II no Rio de Janeiro em que um brutamontes que se tornou deputado estadual fez invadindo o Colégio e dizendo que estava investigando o comportamento das professoras e professores. Felizmente neste caso do Colégio Pedro II houve uma reação intensa de alunos que colocou o brutamontes para correr do Colégio junto com uma ação da Diretora do Colégio junto ao MP denunciando a ação ilegal do brutamontes.

Não podemos nos calar e mais do que isto, temos que nos levantar contra o fascismo que tenta se impor em nossa sociedade e se volta em particular contra os docentes, obviamente, com um motivo forte, porque somos nós que construímos a liberdade de pensamento de nossas alunas, e quando eu uso o feminino o faço de forma genérico em oposição a séculos de machismo linguístico em que o “genérico é o masculino”. Mas neste momento além de ser genérico eu me preocupo com a fragilidade da mulher que se torna em primeira instância a vítima da ausência dum Estado de Direito dominado por machões fascistas como é o caso do brutamontes que invadiu o Colégio Pedro II que também está envolvido com o assassinato de Marielle Franco, um feminicidio ainda hoje, passados quase dois anos, sem que o mandante do crime seja preso e condenado.

Não podemos nos calar e muito mais do que isto temos que avançar contra o fascismo do contrário ele nos engole. A cadela do fascismos está sempre no cio.

Um general por quem eu tenho alguma admiração.

Eisenhower foi comandante das tropas americanas no Pacífico no final da chamada segunda guerra mundial e foi contactado por Truman, presidente dos Estados Unidos da América do Norte sob um assunto altamente secreto, o lançamento da bomba atômica sobre uma das cidades do Japão.

Eisenhower não tinha os mesmos conhecimentos que diversos Físicos que participaram do projeto Manhatan tinham, mas mesmo sem saber do poder da bomba, ele sabia que seria uma ação desumana contra uma população civil completamente desligada da guerra em andamento, uma tremenda covardia. A resposta do General Eisenhower a Truman foi de que não seria necessário jogar a bomba, acho que ele não sabia que havia mesmo uma segunda bomba, depois da primeira, lançada em Hiroshima. E acrescentou que a guerra estava praticamente acaba, que seria uma questão de semanas e o conflito se encerraria.
As bombas aceleraram o fim da guerra e ainda hoje existem defensores do seu uso pese que tenham morrido mais de 400 mil pessoas nas duas cidades experimentais, Hiroshima e Nagazaki.

Um pouco depois o General Eisenhower entrou na Alemanha já liberada pelas tropas soviéticas e como comandante das tropas viu com horror os campos de concentração e os restos de seres humanos que ainda se encontravam ali e determinou que os fotógrafos militares registrassem todos os possíveis fatos da miséria humana produzida pelo nazismo na Alemanha com o objetivo de que a Humanidade não poderia jamais esquecer o que havia acontecido ali. Certamente são estas fotos que fazem parte da maioria dos registros que temos hoje das atrocidades nazistas.

O General Eisenhower, general vitorioso da guerra, se tornou Presidente dos Estados Unidos da América e ao final do seu mandato, conhecendo por dentro a máquina funesta que move o país mais poderoso do Mundo, dominado pelo que ele chamou de “complexo industrial militar” ele alertou que se este monstro, o “complexo industrial militar” não fosse dominado ele destruiria o Mundo como nós conhecemos. Não foram exatamente estas as palavras do Presidente Eisenhower, mas é esta a minha tradução de suas palavras.

Eu sabia que o matemático Roger Godement, que foi o meu guia em parte dos meus estudos de Matemática, pelos livros que dele estudei, e que foi um dos mais influentes matemáticos franceses de sua época junto com outro importante matemático apátrida, mas francês de profissão, Grothendieck, lideraram um movimento que se chamava Vivre et Survivre destinado à luta contra as guerras e contra o desenvolvimento “pacifista” nuclear que sempre esteve bem financiado pelo “complexo industrial militar”. Eu sabia que havia um texto de Roger Godement em que ele detalhadamente e anotadamente, indicando fontes, havia escrito sobre a posição aparentemente ingenua dos cientistas em produzirem ciência sem ter uma preocupação sobre o domínio em que ela seria usada. Godement sempre foi particularmente critico dos matemáticos aplicados pela sua ingenuidade em produzir Matemática cuja aplicação é múltipla inclusive para produzir a grande maioria dos brinquedos letais com que se divertem e ganham milhões o “complexo industrial militar”. Tentei ler, hoje, de noite o apêndice do livro de Analyse II de Roger Godement sem o sucesso de chegar ao final das 30 páginas, aproximadamente, até porque Godement aponta as fontes ou textos complementares que eu não pode alcançar no momento e aos poucos a leitura ficou cansativa pelo peso imenso da acusação que Godement produz. No momento em que parei ele faz uma citação, em inglês que vou traduzir de forma livre. “Cada arma que é produzida, cada guerra iniciada, cada foguete lançado, no final representa um roubo àqueles que tem fome e não são alimentados, àqueles que têm frio e não recebem uma roupa. Esta mundo em armas não está apenas gastando dinheiro, está jogando fora o suor dos nossos trabalhadores, o gênio dos nossos cientistas, a esperança de nossas crianças. Um bombardeiro na verdade custa uma moderna escola de alvenaria em cada uma de 30 cidades, representa o custo de duas estações de energia elétricas que podem atender uma cidade de 60 mil habitantes, corresponde ao custo de dois hospitais totalmente equipados, ou ao custo de 40 mil quilômetros de rodovias de concreto. Pagamos por um único bombardeiro o valor de meio milhão de sacos de trigo. Pagamos por um único destroyer o valor de casas novas que poderiam acolher mais de 8 mil pessoas.”

E Roger Godement encerra a citação dizendo, “não foram palavras dum pacifista, quem falou assim foi o Presidente Eisenhower se dirigindo no dia 16 de abril de 1953 à American Society of Newspapers Editors.” Godement indica a fonte, McDougall, página 114.

Em geral eu desprezo os generais, mas guardo um lugar especial na minha mente para o General Eisenhower pelas três atitudes que estou aqui descrevendo, esta última eu conhecia, esta lista de custos dos brinquedos letais com que se diverte e ganha milhões o monstruoso e criminoso “complexo industrial militar”, uma associação criminosa de generais na reserva com um tipo de gangster econômico os chamados banksters, apenas eu não sabia que vinha de alguém que conhecia por dentro a máquina criminosa que ele mesmo chamou de “complexo industrial militar”, foi ele que criou este conceito e quem primeiro fez uso da grave etiqueta.