Os generais do golpe de 64 eram menos burros que os de agora

Deixe-me começar declarando que ninguém pode traduzir o que escrevo como apologia para o golpe de 1º de abril de 1964 até porque naquele mesmo dia eu fui confinado junto com mais duas centenas de universitários dentro da Escola de Odontologia da Universidade Federal do Ceará que ficava vizinho ao Teatro José de Alencar, na praça José de Alencar, em Fortaleza – eramos os primeiros a protestar contra o golpe que derrubava o governo legitimo do Presidente João Goulart e segui nesta linha de oposição ao golpe de 64 imperturbavelmente como agora estou na resistência contra este golpe.

Milicos deste golpe são muito burros

Mas é duro ter que comparar milicos golpistas de antes com os de agora, mas é forçoso fazer, e é duro por dar uma aparência de louvar os milicos do golpe anterior, mas vou correr este risco.

Nunca esquecendo que os milicos de 64 nos prenderam, torturam muitos dos patriotas que lutaram contra a ditadura, mataram e fizeram desaparecer muitos dos nossos compatriotas e tudo isto está registrado num livro editado por Dom Arns, que foi arcebispo de São Paulo e um corajoso defensor das liberdades e que deixou registrados os graves crimes cometidos pela ditadura de 64.

Entretanto os milicos de 64 tomaram a nossa energia elétrica dos ingleses e a nacionalizaram como também o fizeram com as nossas comunicações criando a rede de estatais de telefônica, uma em cada estado. Antes do golpe de 64 nós não sabíamos no Brasil o que era um telefone público e os orelhões se espalharam pelas praças do Brasil todo.

Até o formato dos orelhões brasileiros era diferente dos orelhões que existiam mundo afora, tinham uma arte própria.

Foram os milicos do golpe de 64 que impulsionaram o álcool e o Brasil foi o primeiro país do Mundo a ter carros rodando queimando álcool em vez de gasolina quando eliminamos o chumbo do combustível dos carros. Não foram os milicos que produziram o álcool mas ele estimularam esta pesquisa.

E não torraram o nosso patrimônio, pelo contrário, melhoram a NOSSA Empresa de Correios que virou EBCT, protegeram o NOSSO Banco do Brasil como aliás os outros bancos públicos e tenho até a impressão de que foram eles que criaram o BNDES;

Embora nós universitários, estudantes ou professores fossemos, e eu continuo sendo, avesso a qualquer forma de contacto ou negociação com militares, então as Universidades eram inimigas naturais da ditadura, os milicos de 64 perseguiram as Universidades, tentaram calar as vozes dissidentes dentro das Universidades, peiaram as Universidades mas NUNCA OUSARAM ACABAR COM A PESQUISA NO Brasil – eles compreendiam que as universidades eram rebeldes mas eram também a fonte do desenvolvimento cultural e científico coisa que os milicos atuais não conseguem compreender.

E até houve ministro inteligente entre os que os milicos nomearam, lembro-me do Eng Beltrão que criou o programa brasileiro de desburocratização que foi uma pedra no sapato dos donos dos cartórios eliminando a necessidade do reconhecimento de firmas pagas aos cartolas donos de cartórios. Durou pouco o trabalho pioneiro do Eng Beltrão, ele era muito avançado para conviver com os milicos.

Sem dúvida, os milicos de 64 eram bem menos burros que os milicos deste golpe de 2016 e a história não lhes será leve, com certeza.

os milicos de agora são muito mais burros que os de 64

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