Morreu uma escola surgiu um quartel

Por Tarcisio Praciano-Pereira, professor

Em Sobral, uma escola pública estadual foi morta para que em seu lugar surgisse um quartel. Sintomaticamente a Escola Estadual Pública fica nas imediações dum bairro em que vivem pessoas menos favorecidas, vão treinar os meninos pobres para se transformarem em milicianos ou uma
juventude fascista.

Era uma Escola Pública que agora virou um quartel

Morre um local em que se fazia educação, a Educação que foi modificada por Paulo Freire com o objetivo de libertar as pessoas, fazer com que os jovens adquirissem uma visão ampla da vida, fazer com os jovens aprendessem o que significa cidadania, o que é ter direitos e naturalmente
obrigações dentro dum contexto cidadão duma sociedade que é regida por uma Constituição.

Aqui jaz uma Escola Pública e que até mesmo tinha uma ar de abandono, agora a pintaram para que desse lugar a um quartel

No lugar da Escola enfiaram um quartel, e como em todo quartel o diretor é um militar que nada entende de Educação mas que foi treinado para passar em frente uma ideologia de obediência ao “superior” militar que não deve nenhuma explicações a quem é seu subordinado. As crianças que vão sofrer no quartel da Polícia Militar serão subordinados dos “superiores militares”.

parece que escolha foi proposital, a Escola tinha o nome de quem perseguiu estudantes durante a ditatura militar de 1º de abril de 1964 o autor da famigerada 477 que enfiou o AI-5 dentro das escolas. Seu nome? não me interessa! Ele morreu!

Não sei, e nem me interessa saber qual é a estrutura do quartel em que Escola foi transformada. O que eu sei é que lugar de crianças, de jovens e de adolescentes absolutamente não é num quartel e sim numa Escola. Porque as Escolas são dirigidas por professores que adquiram uma formação pedagógica voltada exatamente para estimular nas crianças, jovens e adolescentes um sentimento de que na Sociedade todos estamos condicionados pela Lei e que a Lei Maior é a Constituição que também estabelece direitos para todos. Um quartel não pode ser, em nenhuma hipótese, um ambiente saudável para o desenvolvimento integral da juventude onde a Educação seja libertadora e não como, necessariamente num quartel, uma educação condicionadora.

E sem rodeios, militares nem precisavam existir e muito menos se ocupar de Educação. Num quartel o que se pode produzir é uma juventude fascista que é a única característica que militares podem dar ao que eles pensam que é educação.

O governo falsamente petista do Ceará está embarcando na onda fascista de militarização das escolas estaduais, pelo que este exemplo mostra. Eu, como cidadão, como professor, não posso aceitar isto e estou disposto a ir o mais fundo possível, ao ponto que minhas forças permitam, para impedir esta corrupção do sistema escolar público.

Escola é para ser dirigida por professores e não por soldados.

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