Em defesa das Universidades Públicas Brasileiras

As Universidades Federais estão sob forte ataque do governo. As Universidades Públicas brasileiras são responsáveis pela quase totalidade, por mais de 90% de toda a pesquisa científica que se faz no país em todas as áreas: da filosofia à medicina, das artes às engenharias. Não há instituição que tenha contribuído de modo equivalente para o progresso do país. As universidades são os grandes produtores de conhecimento e, portanto, responsáveis por grande parte de nosso crescimento econômico ao longo de nossa história.

Mais ainda, elas estão atreladas ao processo de democratização do país. Não há país democrático e soberano sem a universalização do conhecimento. Nossas Universidades têm um compromisso inquestionável com a construção de um Brasil mais justo, mais humano, mais livre e mais igualitário. E do equilíbrio entre liberdade e igualdade depende a democracia. As universidades são ainda mais vitais em uma sociedade do conhecimento, isto é, em que o conhecimento é o grande motor da economia. 

Não podemos dizer que essa atitude do governo, de cortar sem justificativa 30% dos orçamentos já aprovados das Universidades, seja surpresa. Afinal, desde o início, e mesmo durante a campanha, o governo Bolsonaro tem demonstrado uma forte visão anti-intelectualista, contrária à ciência e à cultura, à democracia. Eleger a Universidade como grande inimiga não é, portanto, algo inesperado.

O ataque do governo teve início com o corte do orçamento de três universidades: Universidade Federal da Bahia, a Universidade de Brasília e a Universidade Federal Fluminense. O governo se utilizou de dois argumentos falsos, mentirosos.  O primeiro, que nossas Universidades possuem um rendimento insatisfatório, o que é desmentido por vários instrumentos de avaliação de desempenho, inclusive do próprio governo. O segundo, que elas são espaço de balbúrdia, ou seja, eles querem impor o seu código moral, quando não foram eleitos para isso. Ora, quem verdadeiramente frequenta as universidades sabe que elas são lugares de estudo, pesquisa, trabalho. Há evidentemente espaço para a crítica social e mesmo para a irreverência, dimensões importantes da vida democrática. Porque os cortes, se restrito à três Universidades, caracterizariam perseguição e portanto improbidade administrativa, o governo recuou atirando e universalizou a medida, estendendo-a a todas as Universidades Federais, bem como aos Institutos Federais

O Sistema Federal de Universidades é um patrimônio da sociedade brasileira. Ele precisa ser defendido, de todas as maneiras possíveis. Assim, considere assinar e compartilhar. Não vamos deixar que esse governo acabe com as nossas universidades e institutos federais. Afinal, ele teve a maioria dos votos, mas não representa a maioria dos eleitores. O destino de nossa democracia passa pelo destino de nossas Universidades.  Vamos lutar por elas. Vamos pressionar o Congresso Nacinal para que, conosco, ponhamos um fim a este ataque brutal que é absolutamente contrário aos interesses da sociedade brasileira.

Abaixo-assinado contra cortes nas universidades já tem mais de 1 milhão de assinaturas

Eu assinei!

Eu também enviei mensagem ao presidente da SBMAC cobrando um posicionamento da Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional contra o desmonte das Universidades brasileiras – não obtive resposta!

As sociedades científicas, SBMAC, SBM, SBEM, SBF, Academia Brasileira de Ciências estão levando um silêncio de luto, aparentemente estão dispostas a colocar a mão no suporte do caixão das Universidades Brasileiras. Estão esperando o enterro passar!

Estou aterrorizado com o silêncio cúmplice das Sociedades Científicas antes o desmonte das universidades

Dirigi ao presidente da SBMAC esta mensagem manifestando a minha preocupação com o silêncio que entendo que é cúmplice ante o desmonte que é proposto das Universidades.

Acho que o CRUB também está mantendo um silêncio cúmplice e é sabido que quando se baixa a cabeça os fascistas aproveitam para avançar.

Sr. Presidente da SBMAC
É com uma grande preocupação que vejo a SBMAC se manter silenciosa frente ao desmonte que está sendo proposta da Universidade Brasileira e do sistema científico cultural que representam as Universidades, a CAPES e o CNPq pelo indivíduo que ocupa a Presidência da República.  O boletim que acabo de receber não faz nenhuma menção a uma atitude que tenha sido tomada pela nossa associação científica antes as tendências aterrorizantes que se propõem para a Universidade Brasileira e para o universo cultural que nós criamos a duras penas e que agora podem ser destruídos em muito pouco tempo.

Sugere uma atitude de cumplicidade que me deixa abismado.
A SBPC se manifestou de forma muito fraca, praticamente um gemido de dor ante a violência em curso da SBMAC não vi nada.
Atenciosamente,
Tarcisio Praciano Pereira

Maria was arrested on 29 March, the second time in a matter of weeks.

UPDATE 02/04/19: Maria was arrested on 29 March, the second time in a matter of weeks. Maria now faces 7 court cases, while Rappler, its directors and staff, face 11. These prosecutions are part of a campaign to silence critics of the Philippine government. Take action now and call on the Department of Justice to drop the charges, and put an end to politically-motivated prosecutions

Maria Ressa has helped to expose thousands of murders committed as a result of President Rodrigo Duterte’s “war on drugs” in the Philippines. She is now facing politically-motivated charges as authorities attempt to scare her into silence.

Since President Duterte came into power in 2016, thousands of poor and marginalised people have been murdered by police and others in extrajudicial killings. Maria and her team at the media outlet Rappler have been tireless in their efforts to investigate and expose this campaign of violence, intimidation and repression — even risking their own safety and freedom to do so.

In February 2018, Maria was banned by Duterte himself from attending press briefings at the presidential palace. In December, Maria and Rappler were targeted with “tax evasion” charges and had their company registration revoked in a blatant attack on free press in the country. They were later cleared of wrongdoing by the Court of Appeals, but the harassment didn’t end there.

In February 2019, Maria was arrested and detained overnight on “cyber-libel” charges. She has since been released after posting bail but the charges still stand. Maria says this is an “abuse of power” and “weaponization of the law”.

The ongoing harassment and arrest of Maria is a disturbing attempt to silence independent journalism in the Philippines. Please join us in calling for the Department of Justice to drop the charges against Maria and put an end to politically-motivated prosecutions.

A fórmula de Euler

A fórmula de Euler nada mais é do que uma descrição do círculo
trigonométrico que foi notável na época em que foi descoberta
porque o circulo trigonométreico é um subgrupo multiplicativo do grupo multiplicativo dos complexos sem o zero e a teoria
dos grupos ainda não havia sido inventada. Isto faz da fórmula de Euler uma invenção magnífica.

Euler escreveu uma fórmula e eu não sei a história de como ele a
obteve e vou seguir da conhecida fórmula e certamente inventar uma história para inseri-la no contexto. Oxalá algum crítico corrija a minha maneira de ver e recomponha a a parte histórica que vou deixar de lado. A magnífica fórmula é

e^{i\alpha} = \cos(\alpha) + i \sin(\alpha) \rightarrow  e^{i\pi} + 1 = 0;

Escrevendo o número complexo desta equação
como um par de número se tem um ponto sobre o círculo trigonométrico como
consequência da fórmula fundamental da trigonometria. Mas à esquerda
na equação se encontra uma
operação de exponenciação envolvendo o
número de Néper o que torna a fórmula de
Euler realmente intrigante.

Vou terminar este artigo com o cálculo da derivada das funções \sin, \cos
que no meu entender justificam uma reengenharia do Cálculo tarefa em que
estou atualmente empenhado. Confira a seguinte sucessão de equações com
os comentários que farei em seguida:

h(t) = e^{it} = (\cos(t) + i\sin(t)) \approx (\cos(t) , \sin(t))

h'(t) = ie^{it} = i(\cos(t) + i\sin(t)) = (-\sin(t) + i\cos(t)) =
= (-\sin(t) , \cos(t));

\frac{d \cos(t)}{dt} =  -\sin(t); \frac{d \sin(t)}{dt} =  \cos(t);

Obtive assim com uma simples comparação entre vetores
a derivada das funções \sin, \cos de uma forma limpa e rápida e sem os
artifícios cabulosos com que consegue calcular estas derivadas na maioria
dos livros de Cálculo.

Confira http://www.sobralmatematica.org/preprints/2019/preprint_2019_05.pdf

Quando Lula fala, Bolsonaro não deveria ficar surdo

Por Fábio de Oliveira Ribeiro

Na época em que Lula começou a despontar no cenário político brasileiro, ele foi convidado para debater com professores na FFLCH da USP. Na época o convite foi criticado na imprensa por alguns professores, pois o líder operário não tinha qualquer educação formal e o lugar dele não era na Universidade.

Num artigo que, se não estou enganado, foi publicado na Folha de São Paulo, o professor José Arthur Giannotti rebateu os adversários da visita de Lula à FFLCH da USP. Giannotti disse, em apertada síntese, que o problema não estava na formação deficiente de Lula e sim na incapacidade da própria Universidade de produzir lideranças políticas e de compreender como elas estavam surgindo fora dos seus muros. A visita de Lula à USP era indispensável justamente porque comprovaria o fracasso político e científico da academia.

Citei esse artigo do filósofo uspiano que li a várias décadas, e que me marcou profundamente, por causa da entrevista que Lula deu essa semana. Os jornalistas estão dizendo que ela representou um rombo na censura que estava se fechando em torno dele e que ameaçava se expandir em outras direções. Ao que parece eles não foram capazes de compreender sua verdadeira importância.

Mas antes de ir direto ao ponto, peço licença ao leitor para fazer uma pequena modesta digressão sobre o conceito e o critério de verdade a partir da obra de Johannes Hessen. Diz referido autor que:

“A verdade é a concordância do pensamento consigo mesmo. Um juízo é verdadeiro quando está formado em relação com as leis e as normas do pensamento. A verdade significa, deste modo, algo puramente formal; coincide com a correção lógica.”(Teoria do Conhecimento, Prof. Johannes Hessen, Armênio Amado – Editor, 4a. edição, Coimbra, 1968, p. 148)

“O nosso pensamento concorda consigo mesmo somente quando está livre de contradição. O conceito imanente ou idealista traz consigo necessariamente, o considerar a ausência de contradição como critério de verdade. A ausência de contradição é, com efeito, um critério de verdade; não um critério geral válido para todo o conhecimento, mas sim um critério válido somente para uma classe determinada de conhecimento, para uma esfera determinada deste. Torna-se claro qual é esta esfera: é a esfera das ciências formais ou ideais.” (Teoria do Conhecimento, Prof. Johannes Hessen, Armênio Amado – Editor, 4a. edição, Coimbra, 1968, p. 152)

Conhecer a verdade é reconhecer a correção lógica de um raciocínio em que inexiste contradição. A política não é uma ciência formal ou ideal. Todavia, a matéria prima da política é o discurso e a sua análise à luz da teoria de Johannes Hessen é possível pois “…o conhecimento das significações pressupostas num discurso fornece informações muito mais diretamente vinculadas com a compreensão de seu funcionamento.” (Argumentação e Discurso Político, Haquira Osakabe, Kairós Livraria e Editora, 1a. edição, São Paulo, 1979, p. 62)

A eficácia do discurso de Lula é um fato historicamente comprovado (ele chegou à presidência, foi reeleito e fez a sucessora). A eficácia administrativa de Lula também é um fato historicamente inquestionável (durante sua presidência a economia brasileira cresceu de maneira consistente por um período considerável, tanto que o nosso país passou de devedor a credor do FMI). O lugar de Lula na História está garantido.

Isso explica a autoconfiança do líder operário. O poder que ele construiu transcende as barreiras do tempo e do espaço e não pode ser confinado pelas paredes de uma cela. Cela? Não. Lula está numa sala. Numa sala em que ele continua fazendo algo que todos deveriam fazer: ele aproveita o tempo livre para estudar.

O estudo não apenas qualifica os homens para o trabalho, ele os reúne e os distingue dos animais. A civilização não foi construída pelas armas (objetos glorificados pelo novo governo), mas pelo estudo metódico da natureza e pela transmissão do conhecimento acumulado. Lula conhece o Brasil melhor do que ninguém. Ele sabe que os brasileiros têm sede de justiça e não de vingança.

A verdade que o ex-presidente corporifica não é a exclusão pela violência e sim a inclusão pela tolerância. Isso explica porque Lula não aproveitou a entrevista para destilar ódio contra seus inimigos e convocar seus amigos para uma guerra. Quem está em guerra com o Brasil são aqueles que colocaram o “sapo barbudo” na prisão.

Um país que se entrega aos estrangeiros porque prefere excluir uma parcela do seu povo do orçamento não tem futuro. Nesse sentido, a concordância de Lula consigo mesmo justifica sua autoconfiança ao defender o país que o prendeu e lembrar ao “respeitável público” que os EUA só cuidam dos interesses norte-americanos (que são obviamente distintos dos nossos interesses).

O que faz o Brasil funcionar? Lula provou que nosso país funciona quando o Estado se esforça para reduzir a sede de justiça do povo brasileiro. A entrevista dele foi inteiramente construída em torno desta verdade cuja validade não foi demonstrada apenas pela lógica.

Nesse sentido, devemos admitir a hipótese de que Lula considera inevitável o fracasso do projeto político de Jair Bolsonaro. Isso explica porque o ex-presidente o chamou de maluco. Afinal, ao aumentar a sede de justiça da parcela da população que será excluída dos benefício da atividade econômica, Bolsonaro apenas fortalecerá aqueles que estão em condições de representá-la. E quem pode melhor representar aqueles que serão injustiçados pelo Estado e pelo Mercado do que o líder político que foi injustiçado apesar do seu legado positivo?

Jair Bolsonaro disse que Lula não deveria ter falado. O maior problema do novo presidente é outro. Bolsonaro não vai fracassar porque um homem preso injustamente falou. O fracasso dele é inevitável porque ele mesmo é cruel e incapaz de escutar a voz de um povo cuja sede de justiça não poderá ser aplacada com novas injustiças. A fala de Lula tem a virtude de expor indiretamente a contradição profunda de um projeto político que foi capaz de ganhar a eleição, mas já se tornou incapaz de deslocar o poder de uma cela de prisão curitibana para o Palácio do Planalto.

A verdade liberta. Portanto, Lula disse que não se sente preso. A mentira aprisiona. Logo Bolsonaro continuará a se sentir prisioneiro no Palácio do Planalto sempre que ver as palavras de Lula reverberando dentro e fora do país.

Todavia, a impotência de Jair Bolsonaro não foi construída pela voz vibrante e vivificante de Lula. Ele já era impotente antes da entrevista ser realizada e divulgada. Bolsonaro continuará impotente até ser removido do cargo. Isso ocorrerá mais cedo ou mais tarde, pois a contradição que ele representa não é e não pode ser um critério de verdade ainda que a propaganda continue dizendo que o governo está certo em empobrecer a população de diversas formas.

A história provou que José Arthur Giannotti não estava errado quando defendeu a visita do jovem líder operário à FFLCH da USP. Se não cultivasse tanto desprezo pela filosofia, Bolsonaro seria capaz de perceber os problemas que está criando para si próprio.