Democracia, é preciso começar a mudar o Brasil

Depoimento da Professora Amanda Gurgel

sábado, 28 de maio de 2011

A Professora Amanda Gurgel se manifestou numa audiência na câmara de deputados, dizendo entre outras coisas, que ela não se sentia constrangida de mencionar o número com três dígitos que algum governo lhe pagava como salário, quem se devia sentir constrangido eram aqueles que permitiam que isto acontecesse. Vale a pena assitir a manifestação desta corajosa Professora e sugerir que mais gente assista. Não porque desconheçamos a vergonha que é um professor receber como salário, para trabalhar, 1/25, (isto mesmo, um vinte cinco avos) de um dos 14 salários que oficialmente as deputadas recebem. Até porque a Professora Amanda Gurgel sabe falar, sabe se expressar, com tranquilidade, usando aqui e alí da uma fina irônia que talvez a audiência de deputadas e deputados não tenha percebido ou talvez nem tenham comparecido para assistir ao depoimento da Professora. Eu tenho orgulho de ser colega da Professora Amanda Gurgel.


CONGRESSO DO SINTAF É PALANQUE ELEITORAL

Elias de França

Nos idos de 2008 cedi à fraqueza de me inscrever no Congresso dos Fazendários, evento realizado pelo sindicato da categoria.
Aquela não era minha primeira vez nem seria a última no evento, posto que, nos vários anteriores de que participei, vi prevalecer alta
qualidade dos palestrantes, amplos debates, grande índice de participação direta e democrática dos congressistas nas discussões.
Mas aquele fórum classista me estava irreconhecível, a começar pela forma como se vestiam os membros da entidade organizadora:
todos de paletó e gravata. Na lista de conferencistas e convidados para os momentos solenes, vários nomes de políticos, principalmente os
“da vez”, inclusive o próprio governador Cid Gomes, o seu então líder de governo Nelson Martins, o hoje vereador e líder da Prefeita de
Fortaleza Acrísio Sena e, culminando, o então pretenso candidato a Presidente Ciro Gomes.
No modus operandi do evento, entendi rapidamente que havíamos sido levados até ali tão somente para contemplar o “espetáculo”;
os aplausos eram estrondosos; os convidados saudados e apresentados com grande retórica de ufanismos e elogios. Se saíssem da mesa sem
dizer uma só palavra, já deixariam uma ótima impressão, tão enfáticas que eram as referências proferidas pelo cerimonial.
Intervenções diretas de congressistas nem pensar. Mesmo nos momentos facultados para os debates, era vetado o uso dos
microfones por nosotros. Perguntas só através dos papeizinhos filtrados pela mesa.
Nas falas dos membros da diretoria, durante as mesas de palestras, deslumbramento pleno: todos “se sentindo”. Acreditavam
estar respaldados em lei para deixar a impressão de que nós fazendários somos “os profissionais mais importantes do mundo”.
Nem os eventos oficiais de governo me soam tão formais. Parecia as cerimônias da SEFAZ e à época do MASTERPLAN de Tasso e
Ednilton. Uma semana depois, leio no informativo oficial da SEFAZ a cobertura do Congresso, destacando principalmente a participação das
autoridades governamentais no evento.
Agora o SINTAF está por realizar mais um congresso e, vendo a lista de convidados, percebe-se novamente grossa presença de
candidatos “da vez”: Cid Gomes, Domingos Filho, Ivo Gomes, Mauro Filho, Nelson Martins, Artur Bruno, Chico Lopes… todos de uma mesma
coligação, entre sete que disputam (re)eleição no Estado.

Hoje tomo conhecimento de que o mesmo SINTAF, enquanto promove loas generosas ao grupo político hegemônico, se recusou a ceder
apoio formal e mais significativo a um outro evento, este de natureza acadêmica, que traz para as conferências grandes pensadores
internacionais. Trata-se do Fórum Transnacional da Emancipação Humana – Desafios da Humanidade e do Planeta, que ocorrerá de 01 a 05 de
agosto próximo, em Fortaleza, organizado pelo Instituto Crítica Radical, em parceria com a Universidade Federal do Ceará e Universidade
Estadual do Ceará , com o apoio de: CETREDE, UVA, FUNCAP, UNIFOR, FAC, IFCE, FGF, URCA e tantas outras instituições sérias deste País.
Não se sabe ao certo os motivos da recusa, porém nos preocupa o fato de que a diretoria do sindicato não queira seu nome associado, como
apoiador, à organização de tão importante evento, e que tal postura possa decorrer da dificuldade de se associar ao “pensar diferente” do
Instituto realizador, em que pese o mesmo ser integrado por nomes não afinados com os interesses do grupo político hegemônico como, entre
outros, as irmãs Rosa e Cristina Fonseca, esta última, inclusive, fazendária, ex-diretora do SINTAF e com uma longa história de lutas
nessa categoria.
Temer, evitar, recusar ou afastar-se do “pensar diferente” é agir como quem ainda não descobriu a dialética, a ciência dos
contrários, da tese, antítese e síntese, que, após desmontar a metafísica, tanto vem contribuindo para a construção da sabedoria e da
verdade; é ignorar que aqueles políticos a quem tanto se está querendo agradar, ao trazê-los para discursarem para os fazendários, hoje
no poder, construíram seus nomes numa fervura de debates e contradições, praticados inclusive organicamente como método democrático de
organização partidária. A esse tipo de postura não é possível sequer adjetivar de metafísica; é muito pior, é perder completamente o
senso do ridículo.
Registre-se que o SINTAF tem para o seu associado, em cifras absolutas, um dos custos mais caros do Ceará, quiçá do País,
posto que recolhe mensalmente de cada filiado um valor hoje em torno de R$ 150,00, podendo perfazer, este ano, receita superior a R$
2.000.000,00, num contexto em que a grande maioria dos sindicatos de trabalhadores realizam suas atividades e travam lutas importantes
com contribuição percapita 10, 20 ou 25 vezes menor. O próprio SINTAF, até o ano de 2002, realizava todas as lutas necessárias, num
período de grandes dificuldades para o movimento sindical, dado o auge da ofensiva neoliberal dos anos 90, por custo nominal inferior a
um quarto do atual.
Sendo o Congresso o fórum supremo da categoria, onde são traçadas as linhas mestras e as diretrizes que traduzem o espírito
das causas fazendárias, feito tal como vem ocorrendo, deixará a impressão de que os esforços construtivos do seu corpo de associados
estão sendo direcionados para a bajulação, a politicagem e para a indústria de ilusões e vaidades.
Perdoem-me Leonardo Boff e Ozires Silva, que lá estarão como palestrantes e que, com certeza, serão brilhantes, mas, desta vez, só por
precaução, vou ficar em casa.


CARTA DE INDIGNAÇÃO

Betânia Andrade – Bióloga
Professora do Curso de Biologia da UVA
Sobral – Ceará

Caros colegas

Vi o edital do concurso para professor de biologia e fiquei preocupada. Sei
que houve urgência na preparação dos pontos para o concurso e, com todo o
respeito, que os professores envolvidos no mesmo tiveram a melhor das
intenções (isto aqui não é nenhuma crítica e sim mais um desabafo!!!).

Sei também que parece não ter havido tempo hábil para os colegiados se
reunirem e decidirem as vagas e pontos, com coerência, e de acordo com a
necessidade dos cursos.

Ai eu pergunto:

  • Será que sempre teremos que resolver assuntos importantíssimos com
    prazos (estipulados não sei por quem) para ontem?
  • Será que estamos precisando de professores tão generalistas? Se a
    resposta for positiva, para que então fazemos mestrado e doutorado?

Quando vamos atrás das respostas, a única que temos é:

  1. Foi o Reitor que disse que tinha que ser assim! Ou então (dessa vez no
    caso do concurso): –
  2. Foi o Governador que disse que tinha que ser assim!

Essas repostas nos bastam? Temos agora somente que aceitar essas
imposições?

Quem conhece mais as necessidades de nosso curso? Os professores? Os
alunos? nossos dirigentes? Poderemos continuar convivendo com essa
antidemocracia?

Se as vagas são para suprir uma demanda de professores que foram exonerados
ou morreram, qual o sentido de abrir um concurso para um professor
“polivalente”? Será que nossas reais carências e necessidades serão
atendidas? No caso da Biologia, creio que não!

Minha preocupação é garantir a qualidade na formação de nossos alunos, para
que os mesmos tornem-se bom profissionais, habilitados para o mercado de
trabalho e cidadãos conscientes de seu papel na sociedade. É para isso que
estamos aqui! Todos nós, professores, somos cobrados diariamente para que
desempenhemos nosso papel dentro da UVA com responsabilidade, respeito e
ética! Estão nos dando condições e bons exemplos para isso? (embora
responsabilidade, respeito e ética sejam qualidades que ou se tem ou não se
tem!)

Enfim…. fica aqui meu desabafo e uma esperança de que estejamos unidos
nessa luta, que entendo ser de todos os professores, e não mais permitamos
que situações assim possam a vir ocorrer futuramente!

Paz e Saúde a todos!
EM TEMPO: alguém conhece algum biólogo com os requisitos abaixo?

  1. que entenda de animais cordados, fungos, microorganismos, taxonomia,
    educação/ensino de ciências e biologia, Planejamento, Processo de Ensino,
    leis da educação e estatística experimental, tudo ao mesmo tempo!
  2. Que tenha doutorado em qualquer coisa!
  3. Que esteja desempregado ou ainda que esteja querendo radicalizar e
    enfrentar novos desafios!

Se conhecer, avisa do concurso da UVA!

Profa. Betânia Andrade – Bióloga


Para que a UeVA não pare

Na quinta-feira, dia 20 de Maio, iniciando-se 19:00 h
e terminando 22:00 h
, houve grande evento no
Auditório Central da
Universidade
sobre os problemas que enfrentamos, falta de professores,
falta
de restaurante universitário
, falta de bolsas de estudo, inexistência de uma
casa de estudantes em Sobral
, enfim, os graves problemas que a Universidade
Estadual enfrenta. O auditório estava cheio, praticamente todas as
poltronas ocupadas com algumas pessoas em pé ao fundo,
com significativa presença de professoras
e professores,
e naturalmente, intensa participação de alun@s.

  1. O evento foi precedido por uma apresentação músical com um saxofonista que nos
    brindou com uma seleção clásica de músicas populares, seguindo-se da
    abertura pela Professora Maria Antônia V Adrião,
    DD presidente do SINDIUVA – Seção Sindical do ANDES dos docentes da Universidade
    Estadual Vale do Acaraú
  2. Em seguida a professora Maria Antônia passou a palavra aos membros da
    mesa, Professor Weber, Professor Emanuel e Profa. Catia.
  3. Na fala do professor Weber, que discorreu sobre a evolução do modo trabalho culminando
    com apropriação do trabalho por grupos econômicos, faltou energia elétrica,
    mas o evento prosseguiu iluminado com focos de celulares tendo sido apenas
    prejudicado com a ausência da apresentação da profa Catia que dependia do
    material preparado para exposição com projetor
    .
  4. O professor Emanuel discorreu
    sobre as relações do capital multinacional e sua intervenção (colonização) das
    economias nacionais.
  5. Ao final os presentes tomaram uma resolução: lutar para que haja concurso na
    Universidade Estadual Vale do Acaraú e se opor ao entulho legal que o professor
    colaborador.
  6. Os participantes sairam do auditorio produzindo uma breve manifestação ao longo
    do campus Betãnia em que fizeram ouvir o refrão – concurso para efetivos para a UeVA não
    parar
    .

Conseguimos! Começamos!

A Câmara dos Deputados aprovou a Ficha Limpa! Esta é uma vitória incrível para nós e todos os brasileiros. Todos que ajudaram a fazer este grande dia se materializar se
sentem um pouco donos do seu futuro, da nossa nação!

Quando a Ficha Limpa foi apresentada, muitos acreditavam que ela nunca iria passar. Até o presidente da Câmara, Michel Temer, disse diversas vezes que não acreditava que existisse apoio político o suficiente para aprovar o projeto de lei.

No entanto, eles não esperavam a maior campanha online na história do Brasil. Com milhões de assinaturas, milhares de mensagens enviadas e de ligações feitas – nós tornamos o impossível possível, tomando controle de nossa democracia.

Nós trouxemos de volta o poder político para as mãos da população.

E só estamos começando.
Juntos podemos nos tornar uma grande força para gerar mudanças políticas e sociais em nosso país e no mundo.

A Ficha Limpa ainda não é lei. Ela ainda precisa passar pelo senado e depois receber a sanção presidencial- talvez vamos precisar agir novamente nas próximas semanas, mantendo a pressão para garantir que a Ficha Limpa não seja enfraquecida ou mudada.

Mais de 550.000 pessoas se mobilizaram através da Internet. Nós nos tornamos a maior rede virtual de engajamento político na história do Brasil, e parte do maior movimento global online do mundo.

Nós vimos que trabalhando junto nosso poder é fenomenal – juntos nós podemos começar a reconstruir o Brasil, e o mundo, com que sonhamos.

Nós podemos mudar o Brasil e o mundo, tornar este local um ambiente agradável para toda a Humanidade com respeito à natureza que é o cenário em que vivemos.

Não reeleja ninguém

Não reeleja ninguém - para nenhum cargo - Renovação total

Não reeleja ninguém - para nenhum cargo - Renovação total

Não reeleja ninguém, para nenhum cargo. Vamos renovar todos
os cargos políticos, se der em merda, que seja merda nova. Pelo
menos sem experiência de roubar, melhor do que os atuais cheios
de prática no roubo e na sacanagem.

Os reconhecimentos a FHC

Emir Sader é sociólogo

Que cada um expresse aqui o reconhecimento que FHC pede.
Felizmente para a oposição, FHC não se contêm, não consegue recolher-se ao fim de carreira intelectual e política melancólicos que ele merece. E cada vez que fala, o apoio ao governo e a Lula aumentam.
Agora reaparece para reclamar que não se lhe dá os reconhecimentos que ele julga merecer. Carente de apoio popular, ele vai receber aqui os reconhecimentos que conquistou.
Em primeiro lugar, o reconhecimento das elites dominantes brasileiras por ter usado sua imagem para implementar o neoliberalismo no Brasil. Por ter afirmado que ia “virar a página do getulismo”. Por ter, do alto da sua suposta sapiência, dito a milhões de brasileiros que eles são “inimpregáveis”, que ele assim não governava para eles, que não tinham lugar no país que o tinha elegido e para quem ele governava.
O reconhecimento por ter dito que “A globalização é o novo Renascimento da humanidade”, embasbacado, deslumbrado com o neoliberalismo.
O reconhecimento por ter quebrado o país por três vezes, elevado a taxa de juros a 48%, assinado cartas de intenção com o FMI, que consolidaram a subordinação do Brasil ao capital financeiro internacional.
O reconhecimento dos EUA por ter feito o Brasil ser completamente subordinado às políticas de Washington, por ter preparado o caminho para a Alca, para o grande Tratado de Livre Comércio, que queria reduzir o continente a um imenso shopping Center.
O reconhecimento a FHC por ter promovido a mais prolongada recessão que o Brasil enfrentou.
O reconhecimento a FHC por ter desmontado o Estado brasileiro, tanto quanto ele pôde. Privatizou tudo o que pôde. Entregou para os grandes capitais privados a Vale do Rio Doce e outros grandes patrimônios do povo brasileiro. Por isso ele é adorado pelas elites antinacionais, por isso montaram uma fundação para ele exercer seu narcisismo, nos jardins de São Paulo, chiquérrimo, com o dinheiro que puderam ganhar das negociatas propiciadas pelo governo FHC.
FHC será sempre reconhecido pelo povo brasileiro, que tem nele a melhor expressão do anti-Brasil, de tudo o que o povo detesta, ele serve para que se tome consciência clara do que o povo não quer, do que o Brasil não deve ser.
Emir Sader é sociólogo


Os Inimigos Do Povo Estão No Poder!

Carlos Marden Cabral Coutinho

Procurador Federal, Especialista e Mestre em Direito e, hoje, mais um brasileiro ajoelhado aos pés dos ocupantes do Poder.

Eu tenho andado assustado com a atual crise no Congresso Nacional (atos secretos no Senado e farra das passagens na Câmara)! Não que eu fosse ingênuo a ponto de achar que todos os políticos fossem honestos ou mesmo que eu tivesse alguma esperança que 10% deles deixassem de correr em caso de alguém gritar: “Pega ladrão”! O que tem me tirado o sono (literalmente alguns dias!) é o fato de que a população toda está aceitando a situação com a maior naturalidade do mundo…

Eu sou um eterno otimista quando se trata da situação brasileira, principalmente no que diz respeito ao progressivo amadurecimento da nossa neófita democracia. Eu tinha certeza de que nós, “os caras-pintadas”, seríamos uma resistência consistente, oferecendo alternativas éticas que fossem viáveis para o fortalecimento e a perenidade das instituições. Eu vi o impeachment do Collor aos 14 anos, com o orgulho de quem tinha ao seu lado uma nação, um povo que dava um sinal de “basta de desmandos”!

Diante das massivas denúncias de corrupção que vêm nos atropelando durante os últimos anos (com pequenos intervalos de poucos meses, suficientes apenas para que tomemos fôlego!), entretanto, não posso evitar que tal convicção seja estremecida por uma dúvida cada vez mais consistente. Os mesmos canalhas que assustavam o Brasil durante a Ditadura Militar continuam no poder, com uma importância tão grande que não sei dizer se a democracia efetivamente já chegou. Para piorar a situação, hoje eles têm a seu lado as “crias” da prometida democracia, que se deturpou em uma demagogia cada vez mais assustadora!

Parece que estamos todos esperando que as coisas se resolvam por si mesmas, como aquele tipo de pai ou mãe que simplesmente desiste do filho e deixa ele chorar até se cansar… Sendo que, enquanto isso, ele incomoda todos ao redor. Claro que esse “algo” que esperamos é a mídia! Foi ela quem promoveu o movimento do “Fora Collor” e é ela quem tem decidido qual a importância que as denúncias têm desde então. Foi ela também quem transformou um “escândalo menor” em motivo de renúncia de mandato de Renan Calheiros… Ora, vejam só: exatamente este forma com Collor a dupla alagoana que hoje representa a comissão de frente que defende o Senador José Sarney, tudo com o aval explícito do Presidente Lula, que, tendo o Princípio da Separação de Poderes para legitimar a sua pertinente indiferença, preferiu sair em defesa daquele que meses atrás para ele e seu partido era apenas mais um inimigo político na luta pela Presidência do Senado Federal.

Entretanto, não estou culpando a mídia… A mídia é feita pelos homens e seus interesses, sejam estes individuais ou coorporativos. A culpa é da sociedade como um todo: ONG´s; todas as classes sociais; (pseudo)intelectuais; escritores; empresários; esportistas; artistas; estudantes; acadêmicos etc. Alguns músicos (Caetano Veloso, Chico Buarque e companhia) são considerados como baluartes da luta contra o Regime Militar e agora, quando não existe censura, quando não existe opressão, quando a corrupção é a olhos vistos, eles se calam! Não posso evitar pensar que se movem pelo lema: “Desde que me permitam falar, eu não me incomodo de ficar calado”!

Os escritores não são melhores! A Academia Brasileira de Letras, onde supostamente deveriam estar concentrados os grandes intelectuais brasileiros, se esconde, não apenas porque faz questão de ser omissa no processo democrático, mas porque o principal acusado da atual crise (José Sarney) é um de seus membros, ocupante da cadeira de número 38, que já foi assento de um dos grandes orgulhos nacionais: Santos Dumont!

Também quero deixar claro que este não é um panfleto político-partidário contra o PMDB ou contra o senhor José Sarney, mas sim contra toda a crise ética que se instalou no Congresso Nacional! Os primeiros atos secretos datam de 1995; a suposta compra de votos da reeleição foi para a eleição de 1998… Quantos escândalos não assistimos calados neste intervalo de 11 anos? Cito apenas o (até agora impune) Mensalão, para explicar o meu ponto de vista. A crise não chegou a agora, ela é atemporal e apartidária, envolvendo todo o processo de escolha dos nossos representantes e os parâmetros de exercício de seus mandatos parlamentares. Toda essa baderna instalada é apenas a gota d’água!

Quer dizer que algum desses políticos realmente quer que acreditemos que ele não via nenhum mal em nomear parentes; pagar assessores que moravam no exterior; adulterar o painel eletrônico do Senado; vender a sua cota de passagens aéreas; morar em imóvel funcional tendo residência em Brasília; pagar passagens aéreas para a namorada ou para um time de futebol? Será que somos tão burros que elegemos como representantes um grupo de sujeitos que têm um conceito moral tão diferente daquele reconhecido pelo senso comum? Será que eles têm a mesma visão ética quando vão educar os seus filhos e netos? Não creio que as respostas a estas perguntas sejam positivas!

Mas este é apenas um desabafo… Eu gostaria de ver a população de novo nas ruas, demonstrando (sem violência de nenhum lado!) que sabe o que está se passando, que não aceitará calada tal descaração, que marcará os responsáveis e que estes nunca mais ocuparão um cargo eletivo. Com certeza este é um sonho: viver num país de memória, onde o povo compreende que os políticos é que deveriam estar submissos ao povo e não o contrário… Um país no qual os eleitos teriam noção da grande responsabilidade que decorre do cargo que ocupam e do compromisso com o desempenho de sua nobre função.

Diante de tudo, porém, a minha sensação de impotência é total! Por via do amigo Rodrigo Sales, me vêm à cabeça as palavras de outro grande orgulho nacional, Rui Barbosa ao dizer que “de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.

Eu não sou um filósofo conhecido, um grande escritor, alguém ligado à mídia ou uma celebridade, que poderia, quem sabe, mobilizar as massas! Eu nem sei o que cada um desses setores citados poderia fazer, mas eu me sentiria bem melhor se soubesse que eles estavam tentando fazer algo… Hoje eu vou dormir tranqüilo por ter começado a fazer a minha pequena parte… Pois, como diria Madre Teresa de Calcutá: “Eu sei que sou uma gota no oceano, mas, sem esta gota, o oceano seria menor”!

Deixo, por fim, um poema escrito em 1964 (coincidência ou não, no ano do Golpe Militar!) pelo fluminense Eduardo Alves da Costa, embora seja freqüente e erroneamente atribuído a Maiakovski:

Na primeira noite eles se aproximam,

Roubam uma flor do nosso jardim e não dizemos nada;
Na segunda noite, já não se escondem:

Pisam as flores, matam o cão e não dizemos nada;
Até que um dia, o mais frágil deles,

Entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz e
Conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta

E já não podemos mais dizer nada!

É um bom momento de sabermos em que passo estamos da submissão… Terão os corruptos e imorais já arrancado a voz de nossa garganta? Ou ainda é tempo de proferirmos nosso grito de insurreição? Com a resposta, cada um de nós!

Carlos Marden Cabral Coutinho

Procurador Federal, Especialista e Mestre em Direito e, hoje, mais um brasileiro ajoelhado aos pés dos ocupantes do Poder.

P.S.: Sugiro aos amigos que escrevam seu próprio texto e o repassem, encaminhem, como o farei, para os membros do Congresso Nacional! Se vocês têm um blog, sigam meu exemplo e lá publiquem algo ou mesmo este texto, o que fica desde logo autorizado. No mais, peço, a quem achar que estas palavras valem alguma coisa, que as encaminhe adiante… Bastam 04 encaminhamentos de 20 pessoas cada, para que 160 mil pessoas recebam uma cópia. Imagine se cada um encaminhar pra cinqüenta pessoas. Talvez alguma autoridade o leia, talvez algum artista influente, talvez a mídia, sei lá… É uma réstia de esperança luminosa em meio à dominante corrupta escuridão!


Eu estava lá: Tropa de choque na Reitoria

Enviada: 10/06/2009 08:11

Prezados colegas, amigos e alunos,

Estou estarrecido. Nunca pensei que ia viver isso na na nossa
universidade. Uma indignação enorme me fez deixar a assembléia de
professores no prédio da História e descer correndo para a reitoria. A
informação que tinha chegado à nós era de que o batalhão de choque
estava soltando bombas sobre os estudantes e funcionários na reitoria.
De alguma maneira, como professor, imaginei ter – junto com outros
colegas – a força necessária para arrefecer o conflito. Era preciso
evitar o pior, evitar que algum estudante se machucasse. Tínhamos
visto nos jornais no dia anterior, policiais com metralhadoras.

Chegando mais perto, uma fumaça enorme, estudantes correndo, e um
clima bastante ameaçador. Um aluno passou por nós dizendo que não
devíamos ficar ali. Retruquei: Não. Vamos ficar aqui.

Descemos mais um pouco e uma tropa de choque, cacetetes, bombas, spray
de pimenta, marchou em nossa direção.
Subimos a calçada, que passem ! Tratava de saber o que de fato
ocorria, procurar responsáveis, tentar negociar, verificar se alguém
estava ferido. Mais perto, um policial do batalhão – uns quinze –
mandou a gente se afastar. Dissemos que éramos professores. Se
afastem! gritaram. Somos professores! Eles jogaram spray de pimenta na
nossa direção. O Thomás que estava um pouco mais a frente, de
carteirinha na mão, recebeu o spray nos olhos. Saímos correndo. Uma
bomba de gás caiu a um metro dos meus pés. Parei um pouco e olhei na
direção dos policiais com toda a raiva que já pude sentir.

Um policial com uma bomba na mão olhou pra mim. Senti que iríamos
receber mais um presente da corporação. Estupei o peito e falei
gritando: Você vai jogar na gente? Somos professores! Você vai jogar?
O absurdo era tanto que fui mais absurdo ainda. Como eu podia fazer um
negócio desses? Mas fiz.

Não dava mais para ficar lá. Chamei a Vivian Urquidi e o Jorge Machado
para subir novamente até à História. O Thomás já tinha saído porque
mal conseguia abrir os olhos. Meus olhos também ardiam muito.

Eu só gostaria de saber: o que um professor de carteirinha na mão, um
outro com mochila nas costas, pasta em uma mão e blusa na outra, outra
professora com uma flor na mão representam de perigo ao patrimônio da
USP? Gostaria de saber até onde a tese de preservação do patrimôniose
sustenta? Que espécie de comunicação e negociação é essa, que coloca
policiais cegos a serviço da Reitoria? Para onde fomos? Para onde foi
a experiência de 75 anos em produzir saber?

Saudações acadêmicas.

Rogério Monteiro de Siqueira

Professor Doutor EACH-USP
História e Geometria
http://www.each. usp.br/rogerms
Escola de Artes, Ciências e Humanidades – Universidade de São Paulo
Arlindo Bettio, 1000, Ermelino Matarazzo, 03828-000, São Paulo

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