Os zumbis da globalidade.

Tarcisio Praciano Pereira

Zumbi deveria ser uma palavra respeitável, lembrando o Zumbi dos palmares
imortalizado, que ironia, em Brasilia, como se pode ver na página

http://en.wikipedia.org/wiki/Zumbi

da Wikipedia, a enciclopedia livre na Internet.

Infelizmente, até pela luta desesperadora dos herois dos Quilombos,
terrivelmente dizimados pelas forças da repressão à liberdade que eles
representavam, a palavra zumbi representa hoje com frequência uma população
enloquecida (como pensavam os repressores que os habitantes do Quilombo
eram).

É neste sentido infeliz, e não no sentido respeitável que estou usando a
palavra zumbi, até mesmo porque não encontro outra. Um zumbi, diferente dos
heróis do Quilombo, é um ser enloquecido que zanza perdido, dirigido por
forças que nem ele entende.

Os zumbis da modernidade, da globalidade, do desenvolvimento sustentável,
(desde que continue tudo como está) , porque disseram para este zumbi que é
possível continuarmos zanzando de carros nas ruas cada vez mais largas das
grande cidades, mas também cada vez mais entupidade de carros, engarrafados,
cheios de zumbis, espreitando aterrorizados os vendedores de bugingangas ou
limpadores de para-brisas (com aqueles liquidos sujos e pás ainda mais
sujas), ou simplesmente crianças esqueléticas, estendendo a mãozinha num
gesto desesperado, em busca de um trocado, enquanto que do outro lado se
encontra um zumbi apavorado, escondido atrás de um vidro escuro, bem fechado
e respirando um frio ar poluido dos gases do carro da frente.

É o mundo dos zumbis, o comportamento deles é semelhante, são feitos da
mesma matéria, defuntos reincarnados por algum médico psicopata devoto da
nova religião chamada globalidade.

Falam uma mesma linguagem em que se repetem vocabulos do tipo “parceria“,
modernidade“, “empreendorismo“, “inovação“, “desenvolvimento sustentável“.

Quando você escutar alguém com este vocabulario na ponta da lingua, se
afaste, é um zumbi da globalidade. A doença de que eles sofrem é contagiosa,
na verdade vem através das ondas da tv, todos eles gastam várias horas por
dia pregados na maquina de fazer imbecis (Stanislaw Ponte-Preta chamava de
“fazer loucos”, hoje certamente ele diria “fazer imbecis”).

Outra coisa que caracteriza um zumbi da modernidade é que ele é adicto sempre
de um time de futebol, o melhor de todos os times, seguindo as instruções da
tal máquina de fazem imbecis.

Arrotam arrogancia e cinismo, e ao inves de estarem lutando por melhores
condições, estão tirando vantagens aqui e ali, assumindo cargos no privado
mas trabalhando no serviço público, que no privado eles execram como
imprestável e incompetente, mas continuam recebendo o salário do serviço
público e trabalhando no privado mais do que trabalham no público. E sempre
falando que a redenção do serviço público são as “parcerias” as “inovações
o “empreendedorismo“.

Se perguntarmos a qualquer um deles o que significam este vocabulos, eis
que ficam engasgados, gagejam e finalemnte nada explicam: ppppaarceria é
a innooooovaçao doooo emmmpreeededorrismmmooo no deseeenvolvimento
suuuustentável
!

Ora, a gente podia ajudar o zumbi, empreendedorimo é a terceirização do
serviço público em que o dinheiro público é repassado para um intermediário,
um gerente que nada fará a não ser colocar para trabalhar alguém que irá
receber menos porque parte do que ele receberia, se fosse um autêntico
servidor, fica nos bolsos do zumbi que está intermediando e destruindo o
serviço público e com ele a nação. Isto também define parceria, ou
desenvolvimento sustentável ou inovação. Estas palavras todas são sinônimas.


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